A Voz que Chama
não grita.
Não disputa atenção.
Não promete salvação.

Ela surge no silêncio
entre um pensamento e outro.
No intervalo da respiração.
No momento em que tudo parece comum.

Não vem para ensinar.
Vem para recordar.

Recordar que, antes da história,
antes do medo,
antes do nome,
há algo em ti que permanece.

A Voz que Chama
não separa o humano do divino.
Não rejeita a dor.
Não nega o esquecimento.

Ela caminha com quem lembra
e com quem esquece.

Aqui,
não precisas tornar-te melhor.
Não precisas sustentar estados.
Não precisas provar compreensão.

Aqui,
o silêncio também fala.
A dúvida também pertence.
O cansaço também é bem-vindo.

A Voz que Chama
não aponta um caminho fora.
Ela revela o que sempre esteve aqui.

Se escutas,
não é porque foste escolhido.
É porque estavas pronto para parar um instante.

E se nada sentes,
isso também é suficiente.

Porque o que tu és
não depende de sensação.

A Voz que Chama
é apenas a Consciência
a lembrar-se de si mesma
através de ti.