Na Maré da História

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AS NAVEGAÇÕES

Para entendermos o que seria uma História da Ilha Comprida é necessário compreender sob quais circunstâncias se fez possível com que a sua colonização fosse de origem europeia, especificamente portuguesa - fazendo desse território um palco de contato entre europeus forasteiros e os nativos da terra. Para melhor entendimento da formação histórica de Ilha Comprida é fundamental retornar a um período muito importante em Portugal, dando as condições para as chamadas “expansões marítimas” - que tiveram como consequência final o achamento e a colonização do Brasil.

Ainda na Europa, especificamente na Península Ibérica (onde estão localizados atualmente Portugal e Espanha – na conexão entre o sul da Europa e o Norte da África), entre os fins da Idade Medieval e o princípio da Idade Moderna, o Reino Luso (Portugal) destacava-se junto aos recém-unificados reinos de Castela e Aragão – e posteriormente de Leão e Navarro - (Espanha), enquanto potências navais. Tal vocação pelas aventuras marítimas na Península Ibérica não eram exclusivamente econômicas; tratava-se tanto do florescimento intelectual em diversas áreas das ciências nesse período (que é conhecido por “Renascença”: novas ideias e técnicas com base principalmente no pensamento do mundo antigo, com ênfase ao grego-romano, propagadas pela revolução na imprensa inventada por Gutenberg no século XV), em busca de experiências concretas que questionaram e afrontaram mitos sobre o além-mar, tais como: homens gigantes de um olho só, sereias e abismos ao fim do oceano.

Todavia, não podemos desprezar tais concepções acerca do mundo, ao contrário, considerá-las em seu imenso significado é de suma importância ao entendimento a respeito das navegações portuguesas e dos conhecimentos sobre novas cartografias: tanto geográficas, como intelectuais. O “novo” ser humano que emergia nos fins da Idade Medieval e princípios da Idade Moderna, na Europa, encontrava-se alienado de tal conhecimento sobre sua condição social no tempo: vivia num mundo transitório e paradoxal, entre mitos e medos, a ciência moderna e a religião medieval e até mesmo entre um cristianismo moderno e outro medieval (movimentos conhecidos na historiografia como Reforma Protestante e Contra Reforma Católica), entre uma Inquisição atuante e uma nova ciência e uma nova economia emergente - vivia no dilema entre a curiosidade e a ousadia.

Portugal e Espanha constituíam-se há pouco tempo enquanto reinos unificados na figura de uma monarquia (consequência de conflitos geopolíticos e econômicos na Península Ibérica desde a Idade Medieval). Em Portugal, por exemplo, a Revolução de 1383-1385 foi um marco significativo, que embora fundamentalmente católica, a Monarquia Lusa valorizava e financiava o aperfeiçoamento, especificamente na região de Sagres (ao sul do país), com atuação destacada do filho de rei, o Infante Dom Henrique, nos investimentos em estudos e pesquisas sobre novas técnicas de marear. Uma arquitetura naval mais apropriada como as “caravelas” se fez fundamental nesse processo, que surgem, segundo o historiador Bóris Fausto a partir de 1441, além de instrumentos de navegação como “quadrante” e o “astrolábio”, bem como estudos em geografia, cartografia, astronomia, entre outros campos do conhecimento científico, os quais foram de suma importância nas práticas navais e no expansionismo de Portugal.

1 week ago (edited) | [YT] | 8

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Os nativos do Litoral Sul de São Paulo

Chamados “paleoíndios” ou “povos dos sambaquis”, os primeiros humanos a habitarem a Ilha Comprida, por volta de 5 mil anos antes do presente, enquanto essa ilha ainda estava em processo de formação. Sua estrutura física era em torno de 1,5 à 1,6 metros, viviam como povos seminômades, ainda não dominavam a agricultura, viviam basicamente da caça de animais de pequeno e médio porte e, sobretudo, da coleta de alimentos provenientes dos manguezais; caracterizando-os como povos “caçadores e coletores”. Dominavam o fogo; praticavam o sepultamento e produziam instrumentos de pedra - indicativos de suas tecnologias sociais - fato que permitia-lhes viverem em média entre 30 e 35 anos de idade. Entre aproximadamente os anos 2.000 e 1.000 antes do presente esses povos foram exterminados ou aculturados pelos povos tupi guaranis em migração pelo litoral brasileiro. Seus vestígios, por onde os arqueólogos podem estudar e conhecer melhor essas populações humanas, são chamados  “sambaquis” - que no tupi significa algo próximo de “monte de conchas” - onde podemos encontrar restos de fogueiras; instrumentos líticos (pedra), em sítios mais recentes encontra-se machadinhos de pedras e outros instrumentos bem elaborados; depósitos funerários; restos de peixes, répteis, até de baleias e tubarões; além de uma variedade de moluscos que, sem dúvida, compoẽ a maior parte de materiais depositados. Na Ilha Comprida encontramos mais de 30 sambaquis, alguns atingindo até 5 metros de altura.


a Ilha de “Maratayama” - em tupi representa algo como “lugar onde a terra encontra o mar” ou simplesmente “Terra do Mar” - hoje conhecida por Ilha Comprida, tornou-se, ao longo de sua formação natural, um território atrativo para diversos contingentes humanos migratórios em disputa por seu valioso nicho ecológico. Após ser ocupada pelos ditos “Povos do Sambaqui” - expulsos, incorporados ou exterminados, não sabemos quando nem como -, a Ilha Comprida, possivelmente foi tomada, do mesmo modo como ocorreu na maior parte do Litoral Atlântico da América do Sul, por novos povos migratórios de matriz Tupi-Guarani. Tinham características sociais e culturais distintas dos Povos do Sambaquis. Possivelmente chegaram nesse território por volta do começo da Era Cristã Ocidental - motivados por uma onda migratória religiosa; em busca da “Terra sem Males”, típica mitologia nativa de uma "paraíso na terra”. 


Se encontravam em um estágio de desenvolvimento social diferentes do povos que já habitavam essa ilha, não mais apenas caçadores e coletores, mas agora, estes dominavam a agricultura; “Praticavam a horticultura, a coleta, a caça e a pesca, possuindo o equipamento material que permitia a realização dessas atividades econômicas” (HOLANDA, 84). Além das motivações culturais e místicas, chegaram nessa região pois, “(...) a migração era utilizada como uma técnica de controle indireto da natureza pelo homem. Quando se rompia o equilíbrio entre as necessidades alimentares e os recursos proporcionados pelo meio natural circundante, as populações se deslocavam de um modo ou de outro” (HOLANDA, 84). Nesse sentido, os grupos de fala Tupi foram ocupando quase todo litoral do que hoje se compreende o Brasil (salvo algumas regiões), incluindo a Ilha Comprida. 


Os Povos Tupis “Não era, obviamente, uma nação, (...). Eram, tão-só, uma miríade de povos tribais (RIBEIRO, 29). Mesmo entre os Povos Tupis “ (...) falando línguas do mesmo tronco, dialetos de uma mesma língua, cada um dos quais, ao crescer, se bipartia, fazendo dois povos que começavam a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam” (RIBEIRO, 29). Assim, esses povos foram se subdividindo e adaptando sua cultura cada vez mais sub um fator essencial: a guerra por território. Resultando dessas subdivisões, por exemplo, podemos notar a distinção entre "Tupinambás" - os “Tupis por excelência" e os “Tupiniquins” - os “Tupis do lado” -, que mesmo com a proximidade étnica, viviam em conflitos. Já outros povos que ocupavam  parcelas isoladas desse litoral, cujos não pertenciam a matriz tupi, eram chamados pelos Tupis de “Tapui” - algo como “barbaros”. 


Os Tupis e Guaranis viviam em “malocas” que “(...) teriam uma largura constante, variando seu comprimento de acordo com o número de moradores; Nelas viviam, segundo as estimativas mais baixas, de cinquenta a duzentos indivíduos (...)” (HOLANDA, 85). Formavam, assim, núcleos familiares polígonos, isto é, abrangendo três ou quatro esposas, filhos, sobrinhos ou agregados. Boa parte da vida social dos Tupis se desenvolviam no interior dessas malocas; “Nada podia ser segredo para ninguém (...)” (HOLANDA, 85). A divisão do trabalho estava intimamente ligada a economia tribal,  “(...) obdecia a precricões baseadas no sexo e na idade (...)” (HOLANDA, 86), as mulheres ficavam responsáveis pela a coleta e agricultura, além dos serviços domésticos, enquanto os homens se ocupavam sobretudo da caça e da pesca, além da derrubada de árvores, preparação da terra para a agricultura, fabricação de canoas, arcos, flechas e demais adornos. A escravização, sobretudo dos carijós, era prática comum na entre os Tupis - no entanto é importante ressaltar que ignoravam completamente a exploração do trabalho escravo para fins econômicos, sendo a escravização uma consequência dos conflitos endêmicos entre tribos.


Suas condições econômicas eram, de modo geral, estáveis - como Darcy Ribeiro nos deixa claro: “A Agricultura lhes assegurava fartura alimentar (...) superaram a situação de carência alimentar a que estão sujeitos os povos pré-agrícolas, (...)” (RIBEIRO, 32). Esses povos haviam domesticados variadas plantas - Tendo a mandioca, da qual produziam uma farinha, como base de sua alimentação; “cultivavam também o milho, batata-doce, cará, feijão, amendoim, tabaco, abóbora, (...)” (RIBEIRO 32), entre outras tantas espécies, além de árvores frutíferas. “Daí a importância dos sítios privilegiados, onde a caça e a pesca abundantes garantiam com maior regularidade a sobrevivência do grupo e permitiam manter aldeamentos maiores (RIBEIRA, 32)”, daí que as condições territoriais da Ilha Comprida, considerando também sua relativa segurança insular, se fez uma zona atraente para esses povos. 


Crônicas do século XVI citam Maratayama (Ilha Comprida) como “Porto dos Tupis” - indicativo de que estes povos habitavam essa faixa litorânea. No entanto, algumas outras crônicas desse mesmo século, citam com frequência a presença dos “Carijós” na região, sobretudo ao interior da Ilha de Cananéia. Como nos orienta Boris Fausto os“ (...) tupinambás, dominavam a faixa litorânea, do Norte até Cananéia (...)” (FAUSTO, 35), incluindo, possivelmente, a Ilha Comprida em seu território terminal. Enquanto, mais para o interior da atual Ilha de Cananéia, sentido sul; “ (...) os guaranis localizavam-se na bacia Paraná-Paraguai e no trecho entre Cananéia e o extremo sul do que viria a ser o Brasil” (FAUSTO, 35) - nesse caso os Carijós. Observa-se que, possivelmente, a Ilha de Cananéia, Ilha Comprida e Ilha do Cardoso, constituíam uma fronteira entre tribos Tupi e tribos Guarani, isto é, entre os tupiniquins (em vez de tipinambás, como afirma Boris Fausto, que ocupavam mais o litoral norte a partir de Bertioga) e os carijós. 

1 week ago | [YT] | 5

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A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL CHEGA PELO MAR PEQUENO


Para o historiador Eric J. Hobsbawm, o mundo contemporâneo é marcado por uma dupla revolução: a primeira, a Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra por volta de 1780. Segundo Hobsbawm, “(...) as repercussões dessa revolução não se fizeram sentir de maneira óbvia e inconfundível" (HOBSBAWM, 58), influenciando o mundo em dimensões econômicas até os dias de hoje – não só com os novos complexos industriais, mas, sobretudo, com um novo modo de produzir e comercializar, isto é, o modo de produção capitalista; a segunda, de dimensão política, foi a Revolução Francesa (entre 1789-1799), que rompeu com a moderna ordem monárquica na Europa, introduzindo conceitos iluministas fundamentados na razão, para formular novas instituições políticas, sobretudo a República Democrática. 


Contudo, seus efeitos chegaram tardiamente às praias de Ilha Comprida. No que tange à questão industrial, tão fundamental ao mundo contemporâneo, se fez presente apenas em sua segunda etapa – período de desenvolvimento do capitalismo conhecido como “Segunda Revolução Industrial": estradas de ferro, navios a vapor, telégrafos, tudo o que a "indústria pesada” do aço produzia junto ao petróleo, à indústria química, à elétrica, explosivos, fotografia, entre tantas outras novas tecnologias que modernizaram o mundo sob o signo da burguesia industrial.

 

Foi em meio a esse processo de transformações mundiais que a Revolução Industrial chegou à Ilha Comprida: desfilando com a imponente opulência dos navios a vapor pelas águas do Mar Pequeno. Esse primeiro contato dos moradores das comunidades tradicionais da Ilha Comprida com a Revolução Industrial deu-se, sobretudo, por conta dos portos de Iguape e Cananéia – tendo a Ilha Comprida (Mar Pequeno) enquanto importante rota de tráfego.  


Nas margens do rio Ribeira, próximo de Iguape, formou-se o “Porto da Ribeira” – de onde partia boa parte das navegações que navegaram pela costa de dentro da Ilha Comprida – pois, “(...) a partir do Mar Pequeno, utilizando-se barcos a velas, era possível se chegar facilmente ao Atlântico por duas barras navegáveis: a do Icapara, ao Norte, e a de Cananéia, ao Sul (...)” (FORTES, 145). “Aos poucos, foi se desenvolvendo a navegação marítima entre os portos do litoral, que, praticada junto à costa, era chamada de navegação costeira ou de cabotagem” (FORTES, 145). Com o advento da Segundo Revolução Industrial, os navios a vapor seguiam essa mesma rota. Assim, no atual centro de Iguape se desenvolveu um modesto porto à beira do Mar Pequeno, ainda para embarcações a vela, efetuando relativas trocas comerciais, passando a ser conhecido como “Porto Grande”.  A partir da segunda metade do século XVIII, esse porto passaria a adquirir importância comercial – sobretudo por conta da exportação do arroz, principal atividade da economia iguapense. 


Ao longo da primeira metade do século XIX, o Porto Grande passou por algumas reformas, para atender a demanda que crescia cada vez mais. Após o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870), da qual muitos iguapenses participaram e alguns sobreviveram, o Porto Grande passou a chamar-se “Porto do General Osório" em homenagem ao general combatente na guerra. Foi, sobretudo a partir desse porto que muitos navios a vapor trafegavam pela costa da Ilha Comprida, que, segundo o historiador Antonio Paulino de Almeida, teve início de maneira modesta em 1839 – “ (...) quando a Companhia e Paquetes, do Rio de Janeiro, comprou dois vapores, que passaram a realizar, a partir da Capital Federal, duas linhas marítimas, uma para o Norte Do País e outra para o Sul até Porto Alegre, escalando ainda em vários portos do litoral paulista, no de Iguape, inclusive”. (FORTES, 149) – costeando toda Ilha Comprida via Mar Pequeno, seguindo até Cananéia, com destino a Porto Alegre. 


Em 1854, segundo Paulino de Almeida, referenciado por Roberto Fortes, “(...) existiam dez embarcações que realizavam a navegação de cabotagem pelo litoral, duas a vapor” (FORTES, 150). Cada vez mais, o fluxo de navegação a vapor pelo Mar Pequeno, sobretudo as que seguiam com destino ao sul, pela Barra de Cananéia, foi crescendo significativamente. Muitas empresas passaram a circular pelas águas do Mar Pequeno a partir da década de 1860. A partir da década de 1880, dispomos de poucas informações sobre essas atividades na região; mas, sabemos que nos fins dessa década “o Lloyd Brasileiro, abriu uma agência em Iguape, e teve uma atuação destacada, durante anos na região” – quando em “(...) 1890, o vapor Laguna, realizando viagens entre o Rio de Janeiro e o Sul, com escala Iguape” (FORTES, 152). Além desse vapor; “Os vapores utilizados pelo Lloyd, naquela década, entre outros eram: Victoria, ìsis, Satellite, Comandante Alvim, Aymoré (...)” (FORTES, 152). Outras empresas foram surgindo nessa importante rota comercial, muitas com agência em Iguape como a Empresa de Navegação Lopes & Cia e a Empresa Esperança Marítima. 


No início do século XX, o Porto de Iguape começava a entrar em decadência. Algumas empresas, como Esperança Marítima, fecharam suas agências em Iguape e, em 1911, “(...) apenas a Lloyd estava em Iguape (...)” (FORTES, 153). Só a partir da década de 1920 é que outras empresas passaram a atuar novamente na região, como a Companhia Nacional de Navegação Costeira, da Empresa Pereira Carneiro & Cia Ltda, com os vapores Itajubá, Itajuru e Itapacy – com linha do Rio de Janeiro sentido sul, com escala em Iguape e Cananéia, via Mar Pequeno, pela Ilha Comprida; e a Companhia  Commercio e Navegação, entre  Rio de Janeiro e Cananéia, fazendo rota via Mar Pequeno. Durante a década de 1920 a Pereira Carneiro foi, praticamente, exclusiva na região; “O Lloyd somente vez ou outra dava o ar de sua graça no porto” (FORTES, 155). Na década de 1930, voltaram a circular na região algumas antigas empresas, como a Companhia Nacional de Navegação Costeira, além do surgimento de novas embarcações como o Cruzeiro do Sul, pertencente à Oliveira Vicente & Cia. 


Nesse contexto, o arroz perdia sua importância e a banana, cada vez mais, tomava frente à agricultura regional; o cutter-motor Nova América, entre outras, transportava o produto para Santos, saindo pela barra de Icapara e o norte de Ilha Comprida – que nunca teve boas condições de navegação, fato qual se complicou por conta do assoreamento causado pela construção do Valo Grande, que já estava concluído desde ao menos 1852 e começava a apresentar complicações desde ao menos 1861. No entanto, a partir da década de 1940, a decadência da navegação a vapor já se fazia nítida – entre outros fatores, o transporte rodoviário que começava a surgir, como a estrada de Iguape para Pariquera-Açu, foi significativo para esse processo. Contudo, ainda em 1947, o vapor Cananéia fazia escala entre Santos, seguindo ao norte, até Ubatuba, retornando até Cananéia, ao sul – esse vapor contava com telégrafo sem fio e continuou circulando pelas águas do Mar Pequeno, costeando a Ilha Comprida por algum tempo. Na década de 1950, é possível afirmar que a navegação marítima a vapor nas águas do Mar Pequeno chegou ao seu final – estando presente na memória social de muitas comunidades caiçaras a passagem dessas imponentes máquinas da Revolução Industrial.  


Gustavo Matos, 2021

2 weeks ago | [YT] | 6

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Quais desses séculos (com enfoque no primeiro citado) você gostaria de estudar por aqui? História do Brasil em contexto com a Europa/África.

2 weeks ago | [YT] | 2

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Qual das visões sociológicas clássicas podemos dizer que Sérgio Buarque é mais crítico, deixando evidente no primeiro parágrafo do capítulo Homem Cordial de Raízes do Brasil, mas também só ao longo de sua obra?

2 weeks ago | [YT] | 0

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Sergio Buarque de Holanda fundamenta suas pesquisas (seu método) sobre quais desses autores clássicos do pensamento social?

2 weeks ago | [YT] | 0

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O que estuda o livro Visão do Paraíso de Sérgio Buarque de Holanda?

2 weeks ago | [YT] | 0

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Quem escreveu o livro Raízes do Brasil, trazendo a tese do brasileiro enquanto tipo ideal do "Homem Cordial"?

2 weeks ago | [YT] | 0

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PARA QUE SERVE UMA HISTÓRIA PARA A ILHA COMPRIDA?

Uma extensa faixa de areia branca, formando uma imponente planície litorânea que se estende por mais de setenta quilômetros, elevando-se para além da praia em grandes dunas onde inicia-se uma vasta vegetação de restinga, cercada por águas generosas - de um lado o grandioso azul do Mar Atlântico, e do outro, repleto de verdejantes manguezais sobre as águas salobras do Mar Pequeno - compõem o ambiente natural da Ilha Comprida. Um território praiano ao sul do Estado de São Paulo, quase isolado, cuja boa parte da História do Brasil se fez passagem tímida, porém, virtuosa. Essas terras por onde sopram tanto uma brisa repleta de maresia como, vez por outra, um tempestuoso vento-sul, têm muita história para contar.


Escrever uma “História para a Ilha Comprida” não é uma tarefa simples. Aliás, escrever a história da constituição política de um município e a formação cultural das pessoas que vivem nesse território, nunca é uma tarefa simples. História é uma ciência humana que nos permite conhecer e interpretar os fatos ocorridos em tempos passados, para que, assim, possamos compreender melhor questões presentes em nossas vidas sociais e, talvez (e só talvez), projetar perspectivas futuras para com questões morais, políticas e econômicas. Portanto, “História” não é uma ciência sobre o “passado”, mas, melhor colocada, sobre o “tempo” - ou melhor ainda: sobre o tempo em sua relação com a humanidade, ou então, da humanidade em relação ao tempo - uma ciência sobre a experiência humana consciente e registrada no tempo.


Enfim, escrever uma “Breve História da Ilha Comprida” é uma tarefa fundamental para com o “Jovem Município” tão carente de identidade ou “(...) sentido de origem (...) de que temos um passado, de que viemos de algum lugar” (SHARPE, 62). Nesse ponto se faz necessário entender que trata-se, antes de tudo, de uma história territorial. Que antes de ser “Município” esse território já tinha História.


Mas afinal, para que serve uma História da Ilha Comprida? Certamente para conhecer melhor nossa formação cultural, social e política e também nos compreender melhor enquanto sociedade. Entretanto, não há como negar: serve também para recreação, isto é, para o entretenimento. Ora, a História surge antes de tudo como uma curiosidade, pois que a história deve servir: “Antes do conhecimento, o simples gosto” (BLOCH, 42). De modo específico, “Nossa civilização ocidental (...) diferentemente de outros tipos de cultura, ela sempre esperou muito de sua memória” (BLOCH, 42), o que torna o ofício do historiador uma responsabilidade ética - no seu mais amplo debate filosófico.


Se o ofício do historiador é uma responsabilidade pessoal de quem o faz, é também uma responsabilidade pública para quem ele o faz, isto é, para com leitores curiosos. Contudo, essa responsabilidade deve partir de uma consideração: quem escreve História, por mais científica e metódica que pretenda ser, não é onipresente, muito menos onisciente - ainda mais quando se trata de uma história de longa duração. Quero dizer, o historiador não é dono da verdade, nem tão pouco a história contada por este é a única válida de credibilidade, pois nenhum tratado sobre História tornar-se-á possível transmitir um panorama exato, sem lacunas ou falhas dos acontecimentos; muito menos dos significados sobre a vida das pessoas que viveram esses acontecimentos e seus reflexos nas gerações futuras. O texto do historiador deve servir para dar uma contribuição (entre tantas outras) sobre a experiência humana em um determinado período de tempo e espaço.


A escrita da história é tão literária quanto científica. Deve se preocupar com a narrativa tanto quanto com as estruturas, isto é, ao mesmo tempo que deve buscar narrar os acontecimento de modo com que o leitor, assim como quem escreve, experimente uma imersão em temporalidades passadas, dê conta de esclarecer (em certa medida), pela análise, questões de estruturas morais, sociais, políticas e ideológicas, bem como, proporcionar novas perspectivas em relação ao passado, como também para o presente, tanto quanto, para com as futuras gerações.


Relatar e interpretar acontecimentos, compreender e explicar esses processos, se faz fundamental a quem pretende escrever uma Breve História da Ilha Comprida. Tarefa a qual aceitei com grande respeito e honra, enquanto Professor de História e concidadão nascido e criado nessa Ilha.


Gustavo Matos, 2021

2 weeks ago | [YT] | 2

Na Maré da História

Na sua opinião o anacronismo deve ser

2 weeks ago | [YT] | 0