Criações de Aldo Della Monica. Poesias, Crônicas, Composições e gravações com a dupla Dartanhã e Della Monica. Tem também lista das publicações de Italo Marcatti - Especialista em assuntos da Italia no Brasil
Entre tantos fragmentos de memória, o que permanece não é um fato, é um rosto. O rosto do meu pai, sempre ali, constante como um ponto de apoio invisível. Os olhos eram o termômetro do mundo. Às vezes marejavam de tanto rir, quando a piada ultrapassava o limite do corpo e escapava em lágrimas. Outras vezes transbordavam de emoção silenciosa ao segurar o neto no colo, como quem toca o futuro com cuidado. Houve também as lágrimas desordenadas, assustadas, no hospital, quando em momento de fragilidade, sentado na cadeira de rodas que o levava para exames depois do enfarte. Ali, o medo não pedia licença. Apenas vinha. E havia ainda as lágrimas duras, essas que não escorrem fácil, que eu vi quando me despedi da casa paterna para constituir minha pequena família. Não eram lágrimas de perda. Eram de passagem. Meu pai esperava sempre que eu virasse a esquina. Só então acenava. “Tchau, filho. Vai com Deus.” Era o jeito dele de prolongar a presença por mais alguns segundos. Não, meu pai não era um chorão, como algum apressado poderia brincar, desses que têm medo de sentimento alheio. Ele era a expressão mais pura do sentimentalismo italiano que corria nas veias. Um homem que carregou dores nunca confessadas, marcas de uma juventude atravessada por um pai ausente e agressivo. Talvez por isso, tenha aprendido cedo que sentir não é fraqueza. Papai tinha todo o direito às lágrimas, fossem de medo, tristeza, alegria ou emoção. Sem saber, praticava o que há de mais raro num ser humano: a empatia verdadeira pela vida. Não a empatia ensaiada, nem a discursiva. Mas aquela que sente antes de explicar. Aquela que chora quando precisa, e segue. 𝓐𝓵𝓭𝓸 𝓓𝓮𝓵𝓵𝓪 𝓜𝓸𝓷𝓲𝓬𝓪
O NASCIMENTO DE UM PAI
Se fosse outro pai a me contar, confesso: eu não acreditaria.
Diria que é exagero de pai estreante, desses que andam por aí vendo poesia até em fralda suja.
Mas me escuta… me dá esse crédito.
Meu primeiro filho tinha acabado de nascer.
Vieram logo os parabéns — “É um menininho!” — como se a masculinidade do rebento fosse troféu.
Mas, sinceramente? Eu não dava a mínima pra isso.
Era minha cria. Minha.
Como se, naquele instante de encantamento, ele não fosse também filho daquela mulher maravilhosa que, exausta e luminosa, ainda nem saíra da sala de parto.
Estávamos ali no corredor da maternidade, em frente ao aquário dos recém-nascidos.
A plateia era curiosa: eu, o avô, um amigo do avô e o futuro padrinho — todos de queixo caído, olhos úmidos.
Então ela apareceu: a enfermeira, do lado de lá do vidro, como uma mestre de cerimônias a nos apresentar um monumento.
E ali estava ele, meu charutinho de gente, sendo estreado para o mundo como quem diz: “Cheguei.”
Quatro homens — babões e absolutamente desconhecidos daquele bebê — se aglomeravam diante do vidro.
Mas bastou a moça virar o rostinho do menino na nossa direção… e o milagre aconteceu.
Adivinha pra quem ele olhou primeiro?
Não sei se foi porque minha cara era a mais ridiculamente emocionada…
Ou se era a baba generosa escorrendo do queixo…
Ou talvez — vai saber — um geniozinho recém-nascido já começando a mapear sua árvore genealógica, identificando no meu olhar o galho de onde veio o sopro da vida.
Eu sei. Você não está acreditando, né?
Tá tudo bem.
Não precisa acreditar.
O importante é que aquele olhar ficou cravado em mim, feito tatuagem na alma.
E hoje, 38 anos depois, ainda me lembro com nitidez absurda daquele exato segundo em que, pela primeira vez na vida, eu fui olhado como pai.
𝓐𝓵𝓭𝓸 𝓓𝓮𝓵𝓵𝓪 𝓜𝓸𝓷𝓲𝓬𝓪
𝑶 𝒅𝒊𝒂 𝒆𝒎 𝒒𝒖𝒆 𝒎𝒆𝒖 𝒑𝒂𝒊 𝒂𝒔𝒔𝒂𝒔𝒔𝒊𝒏𝒐𝒖 𝑫𝒊𝒄𝒌
Quando cheguei, diretamente da Maternidade do Brás, onde trouxeram-me "à luz",
esperava-me em casa um serzinho dois ou três meses mais idoso que eu... um
pretinho que, embora pequenino, já sabia latir muito bem: seu nome Dick.
- Outro dia, mostrando uma foto antiga ao lado do Dick, um garoto me falou:
Antigamente vocês tinham cada mania... imagine, dar nome do órgão sexual
masculino a um cachorro(?)...
Muito provavelmente dar esse nome aos cãezinhos tinha a ver com o significado
original da palavra em inglês: colega, companheiro. Mas isso é outra história.
Meu pai, que foi quem trouxe Dick para casa, certamente nada sabia de inglês e
o uso desse nome para cães deveria ser comum naqueles tempos...Bem, era Dick e
pronto -
Assim como eu, Dick foi criado solto em um quintal grande e comprido que
seguia ao lado da casa dos meus avós até o fundo. Local onde ficava uma pequena
cobertura que protegia 2 tanques de lavar roupa e um "banheirinho", que mais
tarde, aprendi, deveria ser chamado de W.C. (que bicho é esse?).
No fundo de tudo, a edícula que tomava extensão igual a toda a frente da casa. Foi ali que
vivemos durante meus primeiros 12 anos de vida, eu, pai, mãe e irmão.
Dick sempre teve sua cantinho próprio. Uma casinha de madeira que ficava debaixo do
”coarador” feito com telhas de zinco.
Para mim ela era apenas mais um dos familiares. O fato de já estar lá quando eu cheguei,
não permitiu que eu o visse como um cão (ou pet, como gostam de dizer hoje em
dia)
*
(banheirinho virou WC... cachorro virou Pet.. pinto virou Dick... ah essa
evolução da Língua Portuguesa)
*
Meu Pai, Dick e eu, recém chegado
Dick, meus tios Zé Carlos e Inez, vó e vô, meus pais e irmão, que veio dois
anos depois de mim, éramos os moradores da casa.
Acho que não havia distinção entre nenhum de nós.
Exceto pelo angu que minha avó preparava com osso enorme trazido do açougue e
com o qual Dick se lambuzava durantes suas refeições. Aquela comida amarelinha
tinha um cheiro muito bom. Nunca me explicaram porque não me davam para
experimentar.. Enfim, com o tempo meu desejo de angu foi passando.
Certamente Dick ganhou a rua bem antes que nós.
- Era um "rueiro" - ainda ouço minha vó Maria dizendo isso.
Como todos da casa, não me lembro de nos termos visto em situações de
intimidade. Éramos muito recatados. Sequer me lembro de alguma vez de ter
visto o Dick fazer xixi ou cocô.
Hoje, imagino que, mui educadamente, Dick deveria fazer suas necessidades em
suas saidinhas estratégicas, naquelas horas em que não se via nem sinal dele em
nosso trecho de rua. Aqueles seus sumiços me deixaram aflito em várias
ocasiões. Mas ele nunca deixou de voltar pra casa...
Mas teve um dia que Dick foi e não voltou !
Como você já deve saber, Dick era mais idoso que eu. Como eu já havia chegado aos meus 11 anos e alguns meses de idade, acredito que ele já havia completado seus 12. Não teve nenhuma festa de aniversário. Alías, naqueles tempos, não me lembro de festas nem no meu próprio "birthday".
E passaram a aparecer os problemas da idade avançada. Talvez o tenha visto menos ativo, deitado no jardim. Sei que papai estava lhe dando remédio. Aliás, foi meu pai que sempre cuidou dele. Os banhos que meu velho dava nele eram muito divertidos. Eu adorava vê-lo escapando das mãos de seu lavador oficial para ficar se cachoalhando e espirrando água pra todo lado.
Até então, eu nunca tinha visto a morte de um familiar. E foi por volta dos seus doze anos que o perdemos.
Eu não sei onde eu aprendi. Naqueles tempos não havia novelas e o máximo que víamos na TV do vizinho ou da casa da tia Antonia, eram desenhos animados e, quando muito, Roy Rogers ou National Kid.
Mas a verdade é que, ao ser informado da morte do meu velho amigo - confesso meio envergonhado- fui responsável por uma cena tragicômica na qual, sai em disparada para os fundos da casa, apontando para meu pai e gritando:
- Você matou ele .... Foi você que matou ele!
Ó dó. Justo meu velho, que por toda a vida amou esses pequenos companheiros...
Anos mais tarde, ao relembrar daquela triste interpretação teatral, percebi que minha canastrice jamais me levaria à carreira de ator.
A próxima cena muito real e sem interpretação, foi observar meu pai, cavando uma pequena cova no jardim da vó Maria...
A última casinha do nosso amado Dick
𝘼𝙡𝙙𝙤 𝘿𝙚𝙡𝙡𝙖 𝙈𝙤𝙣𝙞𝙘𝙖
Aldo Della Monica
Em buscá de minhas raízes
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Aldo Della Monica
Em buscá de minhas raízes
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Aldo Della Monica
Em buscá de minhas raízes
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Aldo Della Monica
Em buscá de minhas raízes
❤
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Aldo Della Monica
Em buscá de minhas raízes
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Em buscá de minhas raízes
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Aldo Della Monica
Entre tantos fragmentos de memória, o que permanece não é um fato, é um rosto.
O rosto do meu pai, sempre ali, constante como um ponto de apoio invisível.
Os olhos eram o termômetro do mundo. Às vezes marejavam de tanto rir, quando a piada ultrapassava o limite do corpo e escapava em lágrimas.
Outras vezes transbordavam de emoção silenciosa ao segurar o neto no colo, como quem toca o futuro com cuidado.
Houve também as lágrimas desordenadas, assustadas, no hospital, quando em momento de fragilidade, sentado na cadeira de rodas que o levava para exames depois do enfarte.
Ali, o medo não pedia licença.
Apenas vinha. E havia ainda as lágrimas duras, essas que não escorrem fácil, que eu vi quando me despedi da casa paterna para constituir minha pequena família. Não eram lágrimas de perda. Eram de passagem.
Meu pai esperava sempre que eu virasse a esquina. Só então acenava. “Tchau, filho. Vai com Deus.” Era o jeito dele de prolongar a presença por mais alguns segundos.
Não, meu pai não era um chorão, como algum apressado poderia brincar, desses que têm medo de sentimento alheio.
Ele era a expressão mais pura do sentimentalismo italiano que corria nas veias. Um homem que carregou dores nunca confessadas, marcas de uma juventude atravessada por um pai ausente e agressivo.
Talvez por isso, tenha aprendido cedo que sentir não é fraqueza.
Papai tinha todo o direito às lágrimas, fossem de medo, tristeza, alegria ou emoção.
Sem saber, praticava o que há de mais raro num ser humano: a empatia verdadeira pela vida. Não a empatia ensaiada, nem a discursiva. Mas aquela que sente antes de explicar. Aquela que chora quando precisa, e segue.
𝓐𝓵𝓭𝓸 𝓓𝓮𝓵𝓵𝓪 𝓜𝓸𝓷𝓲𝓬𝓪
6 months ago | [YT] | 0
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Aldo Della Monica
O NASCIMENTO DE UM PAI
Se fosse outro pai a me contar, confesso: eu não acreditaria.
Diria que é exagero de pai estreante, desses que andam por aí vendo poesia até em fralda suja.
Mas me escuta… me dá esse crédito.
Meu primeiro filho tinha acabado de nascer.
Vieram logo os parabéns — “É um menininho!” — como se a masculinidade do rebento fosse troféu.
Mas, sinceramente? Eu não dava a mínima pra isso.
Era minha cria. Minha.
Como se, naquele instante de encantamento, ele não fosse também filho daquela mulher maravilhosa que, exausta e luminosa, ainda nem saíra da sala de parto.
Estávamos ali no corredor da maternidade, em frente ao aquário dos recém-nascidos.
A plateia era curiosa: eu, o avô, um amigo do avô e o futuro padrinho — todos de queixo caído, olhos úmidos.
Então ela apareceu: a enfermeira, do lado de lá do vidro, como uma mestre de cerimônias a nos apresentar um monumento.
E ali estava ele, meu charutinho de gente, sendo estreado para o mundo como quem diz: “Cheguei.”
Quatro homens — babões e absolutamente desconhecidos daquele bebê — se aglomeravam diante do vidro.
Mas bastou a moça virar o rostinho do menino na nossa direção… e o milagre aconteceu.
Adivinha pra quem ele olhou primeiro?
Não sei se foi porque minha cara era a mais ridiculamente emocionada…
Ou se era a baba generosa escorrendo do queixo…
Ou talvez — vai saber — um geniozinho recém-nascido já começando a mapear sua árvore genealógica, identificando no meu olhar o galho de onde veio o sopro da vida.
Eu sei. Você não está acreditando, né?
Tá tudo bem.
Não precisa acreditar.
O importante é que aquele olhar ficou cravado em mim, feito tatuagem na alma.
E hoje, 38 anos depois, ainda me lembro com nitidez absurda daquele exato segundo em que, pela primeira vez na vida, eu fui olhado como pai.
𝓐𝓵𝓭𝓸 𝓓𝓮𝓵𝓵𝓪 𝓜𝓸𝓷𝓲𝓬𝓪
10 months ago | [YT] | 0
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Aldo Della Monica
𝑶 𝒅𝒊𝒂 𝒆𝒎 𝒒𝒖𝒆 𝒎𝒆𝒖 𝒑𝒂𝒊 𝒂𝒔𝒔𝒂𝒔𝒔𝒊𝒏𝒐𝒖 𝑫𝒊𝒄𝒌
Quando cheguei, diretamente da Maternidade do Brás, onde trouxeram-me "à luz",
esperava-me em casa um serzinho dois ou três meses mais idoso que eu... um
pretinho que, embora pequenino, já sabia latir muito bem: seu nome Dick.
- Outro dia, mostrando uma foto antiga ao lado do Dick, um garoto me falou:
Antigamente vocês tinham cada mania... imagine, dar nome do órgão sexual
masculino a um cachorro(?)...
Muito provavelmente dar esse nome aos cãezinhos tinha a ver com o significado
original da palavra em inglês: colega, companheiro. Mas isso é outra história.
Meu pai, que foi quem trouxe Dick para casa, certamente nada sabia de inglês e
o uso desse nome para cães deveria ser comum naqueles tempos...Bem, era Dick e
pronto -
Assim como eu, Dick foi criado solto em um quintal grande e comprido que
seguia ao lado da casa dos meus avós até o fundo. Local onde ficava uma pequena
cobertura que protegia 2 tanques de lavar roupa e um "banheirinho", que mais
tarde, aprendi, deveria ser chamado de W.C. (que bicho é esse?).
No fundo de tudo, a edícula que tomava extensão igual a toda a frente da casa. Foi ali que
vivemos durante meus primeiros 12 anos de vida, eu, pai, mãe e irmão.
Dick sempre teve sua cantinho próprio. Uma casinha de madeira que ficava debaixo do
”coarador” feito com telhas de zinco.
Para mim ela era apenas mais um dos familiares. O fato de já estar lá quando eu cheguei,
não permitiu que eu o visse como um cão (ou pet, como gostam de dizer hoje em
dia)
*
(banheirinho virou WC... cachorro virou Pet.. pinto virou Dick... ah essa
evolução da Língua Portuguesa)
*
Meu Pai, Dick e eu, recém chegado
Dick, meus tios Zé Carlos e Inez, vó e vô, meus pais e irmão, que veio dois
anos depois de mim, éramos os moradores da casa.
Acho que não havia distinção entre nenhum de nós.
Exceto pelo angu que minha avó preparava com osso enorme trazido do açougue e
com o qual Dick se lambuzava durantes suas refeições. Aquela comida amarelinha
tinha um cheiro muito bom. Nunca me explicaram porque não me davam para
experimentar.. Enfim, com o tempo meu desejo de angu foi passando.
Certamente Dick ganhou a rua bem antes que nós.
- Era um "rueiro" - ainda ouço minha vó Maria dizendo isso.
Como todos da casa, não me lembro de nos termos visto em situações de
intimidade. Éramos muito recatados. Sequer me lembro de alguma vez de ter
visto o Dick fazer xixi ou cocô.
Hoje, imagino que, mui educadamente, Dick deveria fazer suas necessidades em
suas saidinhas estratégicas, naquelas horas em que não se via nem sinal dele em
nosso trecho de rua. Aqueles seus sumiços me deixaram aflito em várias
ocasiões. Mas ele nunca deixou de voltar pra casa...
Mas teve um dia que Dick foi e não voltou !
Como você já deve saber, Dick era mais idoso que eu. Como eu já havia chegado aos meus 11 anos e alguns meses de idade, acredito que ele já havia completado seus 12. Não teve nenhuma festa de aniversário. Alías, naqueles tempos, não me lembro de festas nem no meu próprio "birthday".
E passaram a aparecer os problemas da idade avançada. Talvez o tenha visto menos ativo, deitado no jardim. Sei que papai estava lhe dando remédio. Aliás, foi meu pai que sempre cuidou dele. Os banhos que meu velho dava nele eram muito divertidos. Eu adorava vê-lo escapando das mãos de seu lavador oficial para ficar se cachoalhando e espirrando água pra todo lado.
Até então, eu nunca tinha visto a morte de um familiar. E foi por volta dos seus doze anos que o perdemos.
Eu não sei onde eu aprendi. Naqueles tempos não havia novelas e o máximo que víamos na TV do vizinho ou da casa da tia Antonia, eram desenhos animados e, quando muito, Roy Rogers ou National Kid.
Mas a verdade é que, ao ser informado da morte do meu velho amigo - confesso meio envergonhado- fui responsável por uma cena tragicômica na qual, sai em disparada para os fundos da casa, apontando para meu pai e gritando:
- Você matou ele .... Foi você que matou ele!
Ó dó. Justo meu velho, que por toda a vida amou esses pequenos companheiros...
Anos mais tarde, ao relembrar daquela triste interpretação teatral, percebi que minha canastrice jamais me levaria à carreira de ator.
A próxima cena muito real e sem interpretação, foi observar meu pai, cavando uma pequena cova no jardim da vó Maria...
A última casinha do nosso amado Dick
𝘼𝙡𝙙𝙤 𝘿𝙚𝙡𝙡𝙖 𝙈𝙤𝙣𝙞𝙘𝙖
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