Dormição da Toda Santa e Pura Theotokos e Sempre Virgem Maria 15 de agosto -- Calendário Juliano
Depois da Ascensão do Senhor, a Toda Santa Mãe de Deus vivia na casa dos pais do Apóstolo João, no Monte das Oliveiras, sendo fonte de consolação e edificação para todos os fiéis. Ela ajudava a consolidar a Igreja pela força de sua presença, seus discursos e suas orações. A reverência que os Santos Apóstolos possuíam por ela era extraordinária.
Depois de Pentecostes, eles permaneceram em Jerusalém por cerca de dez anos, trabalhando pela salvação dos judeus e desejando além de tudo ver e ouvir a Mãe de Deus. Muitos dos recém-iluminados na Fé vinham de longe para conhecerem a Toda Pura e Sempre Virgem Maria.
Com a perseguição iniciada por Herodes à Igreja, Theotokos e o Apóstolo João Teólogo se mudaram para Éfeso em 43. Theotokos passou pelo Chipre, onde foi recebida por São Lázaro Ressuscitado, e também no Monte Athos, onde profeticamente afirmou que aquela região seria sua herança, que lhe seria dada por Cristo. O respeito que todos os antigos cristãos sentiam pela Panagia [Toda Santa] era tão grande que eles preservaram tudo que puderam saber sobre sua vida, ditos e feitos, e inclusive sobre sua aparência exterior.
Sobre a Dormição de Theotokos, eis o que a Igreja recebeu dos tempos antigos, da Tradição dos Padres. Quando se aproximou o tempo em que o Salvador se agradou de receber Sua Mãe, enviou-lhe o Arcanjo Gabriel, que declarou à Panagia e Sempre Virgem Maria que em três dias a transportaria dessa vida terrena para a eternidade e lhe deu um ramo de palmeira. Ao ouvir isso, a Mãe de Deus partiu para Éfeso com as três meninas que a assistiam [Séfora, Abigail e Jael], e reuniu São José de Arimatéia e outros discípulos do Senhor, e lhes contou sobre seu iminente adormecimento. Ela também orou pela presença do Apóstolo São João Teólogo, que foi trazido miraculosamente de Éfeso. Também os Apóstolos São Paulo, e São Dionísio Areopagita, Santo Hierotheo, São Timóteo e outros dos Setenta Apóstolos foram miraculosamente reunidos dos confins da terra para se despedir de Panagia. Ela Abençoou os Apóstolos e reclinando-se sobre sua cama entregou o espírito nas mãos de seu Filho, Nosso Senhor e Salvador e Deus Jesus Cristo, cuja Luz preencheu todo o recinto à hora terceira, quando Ele chegou acompanhado de uma multidão de Anjos para receber Theotokos,que, sem nenhum sofrimento corporal, como se dormisse, repousou no Senhor.
Com reverência, muitas luzes e hinos funerários, os Santos Apóstolos levaram o teóforo corpo e o depositaram no sepulcro, enquanto Anjos cantavam com eles em homenagem àquela que é maior do que os Querubins. Quando chegaram no lugar o lugar chamado Getsêmani, eles enterraram com todas as honras o todo imaculado corpo de Theotokos, que foi fonte de toda a Vida. Mas no terceiro dia após o sepultamento, quando todos comiam juntos, e levantaram o pão [artos] que seria partilhado em Nome de Jesus, como era costume deles, Theotokos apareceu no ar dizendo ''Rejubilem''. Desse modo souberam da trasladação corporal de Theotokos para os Céus. Correndo para abrir o sepulcro, o encontraram vazio, e foram convencidos da ascensão corporal aos Céus da Toda Santa Virgem Maria.
A Mãe de Deus como ''Olho'' e como ''Terra'' Por Sua Eminência Metropolita Hierotheos de Nafpaktos e Agiou Vlasiou
Toda festa da Mãe de Deus é motivo de alegria para toda a Igreja, precisamente porque a Panagia [Toda Santa] glorificou a raça humana ao doar sua carne para a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus. Os Pais da Igreja, os santos hinógrafos e os iconógrafos representaram o valor de nossa Panagia, que é a alegria dos Anjos, a glória dos Santos, e a proteção de todos aqueles que sofrem e carregam o peso dos diversos problemas ligados à vida humana.
Dentre os muitos festivais da Mãe de Deus, um lugar importante é ocupado pela Dormição de Theotokos, que adquire grande importância e valor tanto em razão de seu conteúdo, já que a Panagia derrotou a corrupção e a morte pelo poder de Cristo, tanto por causa do período em que é celebrada, motivo por qual é chamada de ''Páscoa do Verão''.
Participando nesta grande celebração da Mãe de Deus, eu gostaria de apresentar duas imagens usadas por São Nicolau Cabasilas para revelar a pessoa toda venerável, toda pura e toda santa de nossa Panagia.
A primeira imagem a apresentar a verdadeira pessoa e função de nossa Panagia é a do olho. De fato, a natureza humana inteira adquiriu um olho com a Panagia. ''Agora, a natureza do homem realmente recebeu um olho''. Antes do nascimento da Panagia e de sua aceitação obediente de se tornar a Mãe de Cristo, a natureza humana estava cega, não podia ver Deus. Claro que existiram Profetas no Velho Testamento que viram Deus, mas era temporário, já que não podiam sobrepujar a morte. Assim, de modo geral a natureza humana inteira, depois do pecado de Adão, era semelhante a um cego, desviando-se para a direita e para a esquerda, adorando falsos deuses. E isso era natural, já que o homem havia abandonado o Deus verdadeiro e se tornado espiritualmente cego. A adoração de ídolos era consequência da perda de adoração e conhecimento do Verdadeiro Deus. Por isso, aquilo que os Profetas e Justos do Antigo Testamento desejavam ver foi visto pela natureza humana na pessoa da Panagia.
A Panagia é o olho espiritual do universo. Assim como somente pelo olho a luz é recebida e dessa forma concedida aos demais membros do corpo, assim também somente à Panagia foi concedida a verdadeira luz, e através dela, que é o olho do universo, todos os membros, que são a humanidade, recebem a luz.
A outra imagem associada com a função da Panagia é a criação do homem. Sabemos que Deus criou o homem modelando o barro da terra e depois soprando em suas narinas uma alma. A terra contribuiu, pois dela Deus retirou a matéria para formar e construir o corpo, mas não fez isso por si mesma, porque a terra não possuía a liberdade para pedir e tomar uma decisão.
Esta imagem é adequada à recriação do homem que ocorreu com Cristo através da Panagia, mas com uma diferença. A Panagia é a nova terra da qual o novo homem foi criado, mas enquanto a terra não participou da primeira criação do homem com sua vontade, já que não possuía liberdade, na segunda criação a Panagia atraiu com sua vida e virtude o próprio Artesão e Criador e movimentou Sua mão para a regeneração da raça humana. Dessa forma, a Panagia suplica por nós diante de Deus antes mesmo da vinda do Suplicante, que é o Espírito Santo.
Estas duas imagens mostram a grandeza da Panagia, como também o grande e significante trabalho que ela realizou pela natureza humana. Daí porque nós, em toda festa da Mãe de Deus, demonstramos nosso amor. Através dela vemos o amor de Deus e enfrentamos os problemas que nos afligem. Através dela eliminamos nossa cegueira espiritual e adquirimos o conhecimento de Deus. Através de Theotokos Deus reconstruiu a raça humana, e nós da Igreja saboreamos esta regeneração. Nossa vida toma outro sentido e contexto. Daí porque nosso amor pela Panagia é recíproco ao que ela fez e ainda faz por nós.
Toda pessoa tem sua história e seus problemas. Em todos estes problemas devemos procurar a Panagia, que está viva e ouve nossas orações. Isso não é uma ilusão ou utopia, mas uma realidade. Nosso povo tem uma extensa experiência neste assunto. Vemos, ouvimos e sentimos a Panagia nos momentos difíceis de nossas vidas. Esta tradição deve ser cultivada em nós. Pois nós, como povo, possuímos algo mais profundo e mais significativo; temos uma relação viva com Deus, com a Panagia e com os Santos. E é fato que o mundo inteiro necessita desta perspectiva hoje em dia, que este é o único modo possível de percorremos as estradas desta vida, e de enfrentar os impasses da socidade tumultuada. Nesta ocasião de festa, oremos para que possamos encontrar a proteção da Mãe de Deus, da Panagia, para que unidos a ela possamos ter olhos espirituais que vejam a grandiosidade de Deus, a tragédia do homem, e o modo pelo qual podemos efetuar nossa restauração e recriação.
Fonte: Ekklesiastiki Paremvasi, "ΘΕΟΜΗΤΟΡΙΚΟ ΠΑΝΗΓΥΡΙ", Agosto 1999. Traduzido para o inglês por John Sanidopoulos.
Santo Profeta Miquéias 14 de agosto -- Calendário Juliano
Miquéias, sexto dos Doze Profetas menores, descendia da Tribo de Judá e era nativo da cidade de Moresheth, localizada ao sul de Jerusalém. Seu serviço teve início por volta do ano 778 a.C. e se estendeu por quase cinquenta anos. Foi contemporâneo do Profeta Isaías.
Suas denúncias tiveram por foco a separação entre os Reinos de Israel e de Judá. O Santo Profeta previu as dificuldades por que passaria Israel antes de sua destruição e os sofrimentos de Judá durante as incursões assírias comandadas pelo Imperador Senaqueribe.
É dele também a profecia sobre o nascimento do Salvador em Belém citada pelo Bem Aventurado Evangelista São Mateus.
As relíquias de Miquéias foram descobertas no quarto século da era cristã em Barapshstia, por meio de uma revelação ao Bispo Zeuinos, de Eleutheropolis.
São Máximo Confessor 13 de agosto -- Calendário Juliano
. Máximo nasceu em Constantinopla por volta do ano 580 e foi criado em uma família piedosa. Recebeu excelente educação, estudando filosofia, gramática e retórica. Era erudito nos autores da Antiguidade e dominava os temas filosóficos e teológicos.
Quando entrou para os serviços do Estado, se tornou primeiro secretário [asekretis] e principal conselheiro do Imperador Heráclio [611-641], que ficou impressionado com seu conhecimento e por sua vida virtuosa. São Máximo rapidamente percebeu que o Imperador e muitos outros haviam sido corrompidos pela heresia monotelita, que se espalhava rapidamente pelo Oriente. Renunciou aos seus cargos na corte e partiu para o mosteiro Chrysopolis, onde recebeu a tonsura monástica.
Por sua humildade e sabedoria, logo conquistou o amor da comunidade, que o escolheu como Hegúmeno após uns poucos anos. Em 638, o Imperador Heráclio e o Patriarca Sérgio tentaram minimizar a importância das diferenças de crença e promulgaram um édito, o ''Ekthesis tes pisteos'' [''Exposição da Fé''], que decretava que todos deveriam aceitar o ensinamento de uma só vontade nas duas naturezas do Salvador. Em defesa da Ortodoxia, São Máximo falou com diversas pessoas que ocupavam várias ocupações e posições, sendo bem sucedido com elas.
Não só o clero e os Hierarcas, mas também o povo e os oficiais seculares sentiam algum tipo de atração invisível por ele. Ao perceber a confusão que a heresia monotelita estava causando por todo Oriente e em Constantinopla, São Máximo decidiu deixar seu mosteiro e se refugiar no Ocidente, onde o monotelismo havia sido completamente rejeitado. Desse modo, visitou Bispos da África, fortalecendo-os na fé ortodoxa, e encorajando-os a não serem enganados pelos sofismas dos hereges.
O Quarto Concílio Ecumênico havia condenado o monofisitismo, que ensinava falsamente que o Senhor Jesus Cristo possuía apenas uma natureza, a divina. Influenciados por essa opinião errônea, os monotelitas diziam que em Cristo havia tão somente uma vontade [''thelema''] e tão somente uma energia [''energeia''], o que se constituía em um retorno, por outras vias, à heresia monofisita.
Os hereges eram muito numerosos na Síria, Armênia e Egito. O equívoco era fortalecido entre eles por causa de animosidades regionais, tornando-se uma ameaça séria para a Igreja no Oriente. A luta contra a heresia era particularmente difícil, pois em 630 três dos tronos patriarcais se encontravam ocupados por monotelitas: Constantinopla por Sérgio, Antioquia por Atanásio e Alexandria por Ciro.
São Máximo viajou de Alexandria para Creta, onde começou sua pregação. Ali se opôs a um Bispo, que abraçava as opiniões heréticas de Severo e Nestório. O santo passou seis anos em Alexandria e nas regiões circundantes. O Patriarca Sérgio faleceu no fim de 638, e o Imperador Heráclio em 641. O trono imperial foi ocupado por seu neto, Constans II [642-668], um monotelita confesso. Os ataques dos hereges á Ortodoxia se intensificaram a partir de então.
São Máximo foi a Cartago, onde pregou por cinco anos contra os erros. Quando o Monotelita Pirro, sucessor do Patriarca Sérgio, chegou na cidade fugindo de Constantinopla, onde enfrentou intrigas palacianas, se envolveu em longo debate contra São Máximo. O resultado foi que Pirro admitiu publicamente seu erro e lhe foi permitido reter o título de ''Patriarca''. Escreveu inclusive um livro confessando a fé ortodoxa, e acompanhou São Máximo a Roma, para visitar o papa Theodoro.
No ano 647, São Máximo retornou à África, onde um concílio de bispos monotelitas foi condenado como herético. No ano seguinte, um novo édito foi publicado pelo Imperador Constans II e pelo Patriarca Paulo de Constantinopla, o ''Typos tes pisteos'' [''Modelo da Fé''], que proibia qualquer disputa futura sobre a questão. São Máximo pediu então a São Martinho Confessor [comemorado em 14 de abril], sucessor do papa Theodoro, que examinasse o problema do monotelismo em um Concílio.
O Sínodo Laterano foi convocado em outubro de 649. Cento e cinquenta bispos ocidentais e trinta e sete representantes do oriente estiveram presentes, entre eles São Máximo. O Concílio condenou o monotelismo e o ''Typos''. Os falsos ensinamentos dos Patriarcas Sérgio, Paulo e Pirro foram também anatematizados.
Quando Constans II recebeu as decisões conciliares ordenou que o papa Martinho e São Máximo fossem aprisionados. A ordem se cumpriu somente em 654. São Máximo foi acusado de traição e trancafiado em uma cela. Em 656 foi enviado para a Trácia, e mais tarde trazido de volta para uma prisão em Tsar'Grad.
Ao lhe perguntarem a razão porque não entrava em comunhão com os monotelitas quando praticamente todos os Patriarcas assim se encontravam e até mesmo os delegados do Patriarcado de Roma logo fariam, respondeu: ''O mundo todo pode entrar em comunhão com o Patriarca, mas eu não vou. O Santo Apóstolo Paulo nos diz que Deus anatematiza até mesmo anjos que pregam um novo Evangelho, isto, que introduzem alguma novidade.''
Disseram-lhe: ''a que Igreja você pertence, a de Constantinopla, Roma, Antioquia, Alexandria ou Jerusalém? Todas essas Igrejas estão em concórdia. Se você pertence à Igreja Católica, deve entrar em comunhão conosco de uma vez, a menos que você forje um novo e estranha caminho e caia em um desastre inesperado.'' São Máximo Confessor replicou: ''Cristo, o Senhor, reconhece como Católica aquela Igreja que mantém a verdadeira e salvífica confissão de fé. Ele chamou Pedro de Bem Aventurado por sua confissão correta, sobre a qual Ele construiu Sua Igreja.''
O santo e dois de seus discípulos foram submetidos a cruéis tormentos. A língua e a mão direita deles foram cortadas. Então foram exilados em Skemarum, na Scythia, suportando muitos sofrimentos e dificuldades na viagem. Depois de três anos, o Senhor revelou a São Máximo o momento de sua morte [13 de agosto de 662].
Três velas apareceram sobre o túmulo de São Máximo e queimaram miraculosamente. Esse foi um sinal de que ele era um archote da Ortodoxia e que continuava brilhando com exemplo de virtude para todos. Muitas curas passaram a ocorrer em sua tumba.
São Máximo deixou um grande legado teológico para a Igreja. Suas obras exegéticas contêm explicações para passagens difíceis das Sagradas Escrituras. Seus livros dogmáticos incluem a Exposição de sua disputa com Pirro e muitos tratados e cartas a várias pessoas. Nelas se encontram ensinamentos ortodoxos sobre a Essência Divina e as Hipóstases da Santíssima Trindade, sobre a Encarnação do Verbo de Deus e sobre a ''theosis'' [''deificação''] da natureza humana. São Máximo também produziu escritos sobre antropologia, deliberando sobre a natureza da alma e sua existência consciente após a morte.
Santos Mártires Aniceto e Fócio de Nicomedia 12 de agosto -- Calendário Juliano
Aniceto e Fócio, seu sobrinho, eram nativos de Nicomedia. O primeiro era oficial militar e denunciou o Imperador Diocleciano [284-305] por construir na praça da cidade um instrumento de tortura e execução visando amedrontar os cristãos.
Enraivecido, o Imperador ordenou que Aniceto fosse supliciado e atirado às feras selvagens. Mas os leões acabavam por se deitar mansamente aos seus pés.
De repente houve um forte terremoto que resultou no colapso do templo de Hércules e muitos pagãos pereceram sob as paredes que caíram. O carrasco, que empunhava a espada para decapitar o santo, caiu sem sentidos.
Eles tentaram matar Santo Aniceto na roda de tortura e queimá-lo em uma fogueira, mas a roda emperrou e o fogo se extinguiu. Lançaram-no então em um caldeirão com óleo fervente, mas o líquido esfriou. Desse modo o Senhor preservou Seu servo para a edificação de muitos.
O sobrinho do mártir, São Fócio, saudou seu tio e se voltou para o Imperador dizendo, ''ó idólatra, seus deuses nada são!'' Os dois mártires foram jogados na prisão.
Depois de três dias, Diocleciano exigiu deles a apostasia em troca de glórias e riquezas. Mas os mártires se recusaram e confessaram mais uma vez sua fé em Cristo.
As torturas continuaram, mas os santos escapavam ilesos de todas as tentativas de execução. Muitos cristãos, inspirados pelo que ocorria com Santo Aniceto e São Fócio, confessaram publicamente sua fé. Muitos pagãos se converteram.
Os nomes dos santos são mencionados na Benção das Águas.
* os primeiros registros da veneração cristã às relíquias. * Há antecedentes judaicos? * Encontramos nas Escrituras? * Imitação do Culto pagão aos Heróis? * O Martírio de São Policarpo * Os fundamentos teológicos!
Synaxis dos Santos de Solovki 09 de agosto -- Calendário Juliano
. As remotas florestas da Rússia do século XV se tornaram refúgio para ascetas zelosos que partilhava da vida angélica e uma concentrada comunhão com Deus. Foi por essa razão que Germano escolheu habitar na área pouco povoada nas costas do Mar Branco.
Como outros eremitas, se estabeleceu próximo de uma capela para poder participar dos Divinos Mistérios. Ali, perto do Rio Vyg, teve a companhia de outro monge, Sabátio, que já possuía muitos anos de vida solitária, inclusive no Mosteiro de Valaam.
Mas em todo lugar sua santidade levantava louvores dos homens, e por isso ele buscava um lugar desabitado. Tanto ele quanto Germano escolheram uma ilha com abundância de frutos silvestres e peixes e que, na maior parte do ano, era inacessível.
Ele e Sabátio construíram um bote e, em 1429, se estabeleceram juntos no local, em um pequeno monte acima da praia. Ali começaram a cultivar o solo enquanto permaneciam imersos em oração incessante.
O Maligno, no entanto, instou maus pensamentos nos corações dos pescadores da região contra aqueles que vivam na ilha.
Desse modo, alguns deles buscavam expulsar os monges da ilha para que pudessem monopolizar os recursos do local. Mas eles receberam uma visita atemorizante à noite, de jovens luminosos que os admoestavam a deixar a ilha pois ela havia sido dada aos monges, de outra forma seriam punidos por Deus. A partir de então, nenhum leigo ousou mais viver no local.
Seis anos se passaram até que São Germano decidiu retornar ao continente, deixando Sabátio na companhia de Deus e de Seus anjos. Mas pouco depois, o eremita recebeu a notícia que em breve repousaria no Senhor, e também deixou a ilha para poder partilhar dos Divinos Mistérios em uma paróquia.
São Sabátio encontrou um hieromonge que ficou de lhe trazer a Santa Eucaristia mas, quando retornava para junto do ancião, o encontrou já falecido em meio ao odor de incenso, e, junto com um comerciante que também passava por ali, o sepultou.
São Germano, enquanto isso, vivia perto do rio Onega, onde orientava um jovem monge chamado Zosimas. Junto com ele, partiu para Solovki, e ali tiveram a visão de uma magnífica igreja no ar e da região toda banhada de luz.
Os dois ascetas construíram celas e plantaram um jardim. Depois de algum tempo, São Germano deixou Zosimas sozinho para suportar e vencer as tentações da vida solitária. No ano seguinte, retornou com mais um discípulo, um pescador chamado Marco.
Gradualmente outros se uniram a eles na luta pelas benções celestes. No lugar em que tiveram a visão da igreja luminosa, construíram uma capela dedicada à Transfiguração do Senhor.
Quando São Zosimas foi apontado Hegúmeno da nova comunidade, teve como uma de suas primeiras medidas transferir as relíquias de São Sabátio para a ilha, o que aconteceu em 1465, trinta anos depois do repouso do santo asceta. As relíquias se encontravam incorruptas.
Aconselhando-se com São Germano a respeito de todas as coisas, São Zosima governou sabiamente a comunidade até adormecer em paz no Senhor, em 17 de abril de 1478.
São Germano faleceu em idade bastante avançada, no mosteiro de Santo Antônio Romano, em Novgorod, onde havia ido a pedido do Hegúmeno da comunidade. Em 30 de julho suas relíquias foram transferidas para Solovki, onde aguarda a Ressurreição Geral.
Quem se espanta com um Bispo segurando um crânio não aguentaria meio minuto no Oriente cristão.
Toda paróquia ortodoxa tem relíquias. A minha tem de uns dois santos diferentes.
Nos mosteiros ortodoxos, os corpos são exumados, colocados em ossuários e tratados com todo o respeito. São de pessoas adormecidas no Senhor, partícipes da comunidade e da Igreja, e que vão ressuscitar na Parusia.
ps.: as vestes não são de magos, são 'schemas' que representam a consagração completa da vida a Cristo.
Vou terminar de editar hoje a segunda parte dos comentáruos sobre a conversa entre João "Areópago" e Friske/Conde.
Grande oportunidade de falar, de uma perspectiva ortodoxa, sobre o conceito de Santa Tradição; do Israel bíblico e do "Israel de Deus", e da relação deles com a Igreja.
E também sobre o "reconhecimento" das Escrituras Judaicas.
O "Areópago" neutralizou o argumento usado contra os protestantes sobre a formação do Cânon?
O "magistério judaico" era infalível? Se não era, como reconheceu Escrituras Sagradas?
Venerável São Pimen, o adoentado 07 de agosto -- Calendário Juliano
São Pimen alcançou o Reino dos Céus suportando graves doenças. O asceta russo cresceu e viveu com vários problemas de saúde, mas elas lhe preservaram dos males da alma.
Vivendo no fim do século XI e início do XII, Pimen pediu aos seus pais para ser levado ao mosteiro das cavernas de Kiev. Assim fizeram, e oravam pelo restabelecimento de sua saúde. O santo, porém, consciente do valor do sofrimento, pediu ao Senhor pela continuidade de seu estado doentio. Ali abraçou a vida monástica e foi tonsurado por anjos que, aparecendo à noite na frente de membros da comunidade, lhe contaram que recobraria a saúde somente perto de sua morte.
Passou vinte anos em severos sofrimentos, e um dia, tal como lhe foi previsto, ficou saudável. Depois de tomar os Santos Mistérios, indicou à comunidade o local de seu sepultamento, em um lugar onde outros monges haviam sido enterrados. Contou-lhes que havia ali o corpo de um monge que, embora houvesse sido enterrado com seu schema, se encontrava agora nu; e de outro que, embora enterrado nu, estava agora com vestes monásticas.
Eventos miraculosos ocorreram no dia de seu repouso, e suas santas relíquias.
André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Dormição da Toda Santa e Pura Theotokos e Sempre Virgem Maria
15 de agosto -- Calendário Juliano
Depois da Ascensão do Senhor, a Toda Santa Mãe de Deus vivia na casa dos pais do Apóstolo João, no Monte das Oliveiras, sendo fonte de consolação e edificação para todos os fiéis. Ela ajudava a consolidar a Igreja pela força de sua presença, seus discursos e suas orações. A reverência que os Santos Apóstolos possuíam por ela era extraordinária.
Depois de Pentecostes, eles permaneceram em Jerusalém por cerca de dez anos, trabalhando pela salvação dos judeus e desejando além de tudo ver e ouvir a Mãe de Deus. Muitos dos recém-iluminados na Fé vinham de longe para conhecerem a Toda Pura e Sempre Virgem Maria.
Com a perseguição iniciada por Herodes à Igreja, Theotokos e o Apóstolo João Teólogo se mudaram para Éfeso em 43. Theotokos passou pelo Chipre, onde foi recebida por São Lázaro Ressuscitado, e também no Monte Athos, onde profeticamente afirmou que aquela região seria sua herança, que lhe seria dada por Cristo. O respeito que todos os antigos cristãos sentiam pela Panagia [Toda Santa] era tão grande que eles preservaram tudo que puderam saber sobre sua vida, ditos e feitos, e inclusive sobre sua aparência exterior.
Sobre a Dormição de Theotokos, eis o que a Igreja recebeu dos tempos antigos, da Tradição dos Padres. Quando se aproximou o tempo em que o Salvador se agradou de receber Sua Mãe, enviou-lhe o Arcanjo Gabriel, que declarou à Panagia e Sempre Virgem Maria que em três dias a transportaria dessa vida terrena para a eternidade e lhe deu um ramo de palmeira. Ao ouvir isso, a Mãe de Deus partiu para Éfeso com as três meninas que a assistiam [Séfora, Abigail e Jael], e reuniu São José de Arimatéia e outros discípulos do Senhor, e lhes contou sobre seu iminente adormecimento. Ela também orou pela presença do Apóstolo São João Teólogo, que foi trazido miraculosamente de Éfeso. Também os Apóstolos São Paulo, e São Dionísio Areopagita, Santo Hierotheo, São Timóteo e outros dos Setenta Apóstolos foram miraculosamente reunidos dos confins da terra para se despedir de Panagia. Ela Abençoou os Apóstolos e reclinando-se sobre sua cama entregou o espírito nas mãos de seu Filho, Nosso Senhor e Salvador e Deus Jesus Cristo, cuja Luz preencheu todo o recinto à hora terceira, quando Ele chegou acompanhado de uma multidão de Anjos para receber Theotokos,que, sem nenhum sofrimento corporal, como se dormisse, repousou no Senhor.
Com reverência, muitas luzes e hinos funerários, os Santos Apóstolos levaram o teóforo corpo e o depositaram no sepulcro, enquanto Anjos cantavam com eles em homenagem àquela que é maior do que os Querubins. Quando chegaram no lugar o lugar chamado Getsêmani, eles enterraram com todas as honras o todo imaculado corpo de Theotokos, que foi fonte de toda a Vida. Mas no terceiro dia após o sepultamento, quando todos comiam juntos, e levantaram o pão [artos] que seria partilhado em Nome de Jesus, como era costume deles, Theotokos apareceu no ar dizendo ''Rejubilem''. Desse modo souberam da trasladação corporal de Theotokos para os Céus. Correndo para abrir o sepulcro, o encontraram vazio, e foram convencidos da ascensão corporal aos Céus da Toda Santa Virgem Maria.
A Mãe de Deus como ''Olho'' e como ''Terra''
Por Sua Eminência Metropolita Hierotheos de Nafpaktos e Agiou Vlasiou
Toda festa da Mãe de Deus é motivo de alegria para toda a Igreja, precisamente porque a Panagia [Toda Santa] glorificou a raça humana ao doar sua carne para a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus. Os Pais da Igreja, os santos hinógrafos e os iconógrafos representaram o valor de nossa Panagia, que é a alegria dos Anjos, a glória dos Santos, e a proteção de todos aqueles que sofrem e carregam o peso dos diversos problemas ligados à vida humana.
Dentre os muitos festivais da Mãe de Deus, um lugar importante é ocupado pela Dormição de Theotokos, que adquire grande importância e valor tanto em razão de seu conteúdo, já que a Panagia derrotou a corrupção e a morte pelo poder de Cristo, tanto por causa do período em que é celebrada, motivo por qual é chamada de ''Páscoa do Verão''.
Participando nesta grande celebração da Mãe de Deus, eu gostaria de apresentar duas imagens usadas por São Nicolau Cabasilas para revelar a pessoa toda venerável, toda pura e toda santa de nossa Panagia.
A primeira imagem a apresentar a verdadeira pessoa e função de nossa Panagia é a do olho. De fato, a natureza humana inteira adquiriu um olho com a Panagia. ''Agora, a natureza do homem realmente recebeu um olho''. Antes do nascimento da Panagia e de sua aceitação obediente de se tornar a Mãe de Cristo, a natureza humana estava cega, não podia ver Deus. Claro que existiram Profetas no Velho Testamento que viram Deus, mas era temporário, já que não podiam sobrepujar a morte. Assim, de modo geral a natureza humana inteira, depois do pecado de Adão, era semelhante a um cego, desviando-se para a direita e para a esquerda, adorando falsos deuses. E isso era natural, já que o homem havia abandonado o Deus verdadeiro e se tornado espiritualmente cego. A adoração de ídolos era consequência da perda de adoração e conhecimento do Verdadeiro Deus. Por isso, aquilo que os Profetas e Justos do Antigo Testamento desejavam ver foi visto pela natureza humana na pessoa da Panagia.
A Panagia é o olho espiritual do universo. Assim como somente pelo olho a luz é recebida e dessa forma concedida aos demais membros do corpo, assim também somente à Panagia foi concedida a verdadeira luz, e através dela, que é o olho do universo, todos os membros, que são a humanidade, recebem a luz.
A outra imagem associada com a função da Panagia é a criação do homem. Sabemos que Deus criou o homem modelando o barro da terra e depois soprando em suas narinas uma alma. A terra contribuiu, pois dela Deus retirou a matéria para formar e construir o corpo, mas não fez isso por si mesma, porque a terra não possuía a liberdade para pedir e tomar uma decisão.
Esta imagem é adequada à recriação do homem que ocorreu com Cristo através da Panagia, mas com uma diferença. A Panagia é a nova terra da qual o novo homem foi criado, mas enquanto a terra não participou da primeira criação do homem com sua vontade, já que não possuía liberdade, na segunda criação a Panagia atraiu com sua vida e virtude o próprio Artesão e Criador e movimentou Sua mão para a regeneração da raça humana. Dessa forma, a Panagia suplica por nós diante de Deus antes mesmo da vinda do Suplicante, que é o Espírito Santo.
Estas duas imagens mostram a grandeza da Panagia, como também o grande e significante trabalho que ela realizou pela natureza humana. Daí porque nós, em toda festa da Mãe de Deus, demonstramos nosso amor. Através dela vemos o amor de Deus e enfrentamos os problemas que nos afligem. Através dela eliminamos nossa cegueira espiritual e adquirimos o conhecimento de Deus. Através de Theotokos Deus reconstruiu a raça humana, e nós da Igreja saboreamos esta regeneração. Nossa vida toma outro sentido e contexto. Daí porque nosso amor pela Panagia é recíproco ao que ela fez e ainda faz por nós.
Toda pessoa tem sua história e seus problemas. Em todos estes problemas devemos procurar a Panagia, que está viva e ouve nossas orações. Isso não é uma ilusão ou utopia, mas uma realidade. Nosso povo tem uma extensa experiência neste assunto. Vemos, ouvimos e sentimos a Panagia nos momentos difíceis de nossas vidas. Esta tradição deve ser cultivada em nós. Pois nós, como povo, possuímos algo mais profundo e mais significativo; temos uma relação viva com Deus, com a Panagia e com os Santos. E é fato que o mundo inteiro necessita desta perspectiva hoje em dia, que este é o único modo possível de percorremos as estradas desta vida, e de enfrentar os impasses da socidade tumultuada. Nesta ocasião de festa, oremos para que possamos encontrar a proteção da Mãe de Deus, da Panagia, para que unidos a ela possamos ter olhos espirituais que vejam a grandiosidade de Deus, a tragédia do homem, e o modo pelo qual podemos efetuar nossa restauração e recriação.
Fonte: Ekklesiastiki Paremvasi, "ΘΕΟΜΗΤΟΡΙΚΟ ΠΑΝΗΓΥΡΙ", Agosto 1999. Traduzido para o inglês por John Sanidopoulos.
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Santo Profeta Miquéias
14 de agosto -- Calendário Juliano
Miquéias, sexto dos Doze Profetas menores, descendia da Tribo de Judá e era nativo da cidade de Moresheth, localizada ao sul de Jerusalém. Seu serviço teve início por volta do ano 778 a.C. e se estendeu por quase cinquenta anos. Foi contemporâneo do Profeta Isaías.
Suas denúncias tiveram por foco a separação entre os Reinos de Israel e de Judá. O Santo Profeta previu as dificuldades por que passaria Israel antes de sua destruição e os sofrimentos de Judá durante as incursões assírias comandadas pelo Imperador Senaqueribe.
É dele também a profecia sobre o nascimento do Salvador em Belém citada pelo Bem Aventurado Evangelista São Mateus.
As relíquias de Miquéias foram descobertas no quarto século da era cristã em Barapshstia, por meio de uma revelação ao Bispo Zeuinos, de Eleutheropolis.
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1 day ago | [YT] | 41
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
São Máximo Confessor
13 de agosto -- Calendário Juliano
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Máximo nasceu em Constantinopla por volta do ano 580 e foi criado em uma família piedosa. Recebeu excelente educação, estudando filosofia, gramática e retórica. Era erudito nos autores da Antiguidade e dominava os temas filosóficos e teológicos.
Quando entrou para os serviços do Estado, se tornou primeiro secretário [asekretis] e principal conselheiro do Imperador Heráclio [611-641], que ficou impressionado com seu conhecimento e por sua vida virtuosa. São Máximo rapidamente percebeu que o Imperador e muitos outros haviam sido corrompidos pela heresia monotelita, que se espalhava rapidamente pelo Oriente. Renunciou aos seus cargos na corte e partiu para o mosteiro Chrysopolis, onde recebeu a tonsura monástica.
Por sua humildade e sabedoria, logo conquistou o amor da comunidade, que o escolheu como Hegúmeno após uns poucos anos. Em 638, o Imperador Heráclio e o Patriarca Sérgio tentaram minimizar a importância das diferenças de crença e promulgaram um édito, o ''Ekthesis tes pisteos'' [''Exposição da Fé''], que decretava que todos deveriam aceitar o ensinamento de uma só vontade nas duas naturezas do Salvador. Em defesa da Ortodoxia, São Máximo falou com diversas pessoas que ocupavam várias ocupações e posições, sendo bem sucedido com elas.
Não só o clero e os Hierarcas, mas também o povo e os oficiais seculares sentiam algum tipo de atração invisível por ele. Ao perceber a confusão que a heresia monotelita estava causando por todo Oriente e em Constantinopla, São Máximo decidiu deixar seu mosteiro e se refugiar no Ocidente, onde o monotelismo havia sido completamente rejeitado. Desse modo, visitou Bispos da África, fortalecendo-os na fé ortodoxa, e encorajando-os a não serem enganados pelos sofismas dos hereges.
O Quarto Concílio Ecumênico havia condenado o monofisitismo, que ensinava falsamente que o Senhor Jesus Cristo possuía apenas uma natureza, a divina. Influenciados por essa opinião errônea, os monotelitas diziam que em Cristo havia tão somente uma vontade [''thelema''] e tão somente uma energia [''energeia''], o que se constituía em um retorno, por outras vias, à heresia monofisita.
Os hereges eram muito numerosos na Síria, Armênia e Egito. O equívoco era fortalecido entre eles por causa de animosidades regionais, tornando-se uma ameaça séria para a Igreja no Oriente. A luta contra a heresia era particularmente difícil, pois em 630 três dos tronos patriarcais se encontravam ocupados por monotelitas: Constantinopla por Sérgio, Antioquia por Atanásio e Alexandria por Ciro.
São Máximo viajou de Alexandria para Creta, onde começou sua pregação. Ali se opôs a um Bispo, que abraçava as opiniões heréticas de Severo e Nestório. O santo passou seis anos em Alexandria e nas regiões circundantes. O Patriarca Sérgio faleceu no fim de 638, e o Imperador Heráclio em 641. O trono imperial foi ocupado por seu neto, Constans II [642-668], um monotelita confesso. Os ataques dos hereges á Ortodoxia se intensificaram a partir de então.
São Máximo foi a Cartago, onde pregou por cinco anos contra os erros. Quando o Monotelita Pirro, sucessor do Patriarca Sérgio, chegou na cidade fugindo de Constantinopla, onde enfrentou intrigas palacianas, se envolveu em longo debate contra São Máximo. O resultado foi que Pirro admitiu publicamente seu erro e lhe foi permitido reter o título de ''Patriarca''. Escreveu inclusive um livro confessando a fé ortodoxa, e acompanhou São Máximo a Roma, para visitar o papa Theodoro.
No ano 647, São Máximo retornou à África, onde um concílio de bispos monotelitas foi condenado como herético. No ano seguinte, um novo édito foi publicado pelo Imperador Constans II e pelo Patriarca Paulo de Constantinopla, o ''Typos tes pisteos'' [''Modelo da Fé''], que proibia qualquer disputa futura sobre a questão. São Máximo pediu então a São Martinho Confessor [comemorado em 14 de abril], sucessor do papa Theodoro, que examinasse o problema do monotelismo em um Concílio.
O Sínodo Laterano foi convocado em outubro de 649. Cento e cinquenta bispos ocidentais e trinta e sete representantes do oriente estiveram presentes, entre eles São Máximo. O Concílio condenou o monotelismo e o ''Typos''. Os falsos ensinamentos dos Patriarcas Sérgio, Paulo e Pirro foram também anatematizados.
Quando Constans II recebeu as decisões conciliares ordenou que o papa Martinho e São Máximo fossem aprisionados. A ordem se cumpriu somente em 654. São Máximo foi acusado de traição e trancafiado em uma cela. Em 656 foi enviado para a Trácia, e mais tarde trazido de volta para uma prisão em Tsar'Grad.
Ao lhe perguntarem a razão porque não entrava em comunhão com os monotelitas quando praticamente todos os Patriarcas assim se encontravam e até mesmo os delegados do Patriarcado de Roma logo fariam, respondeu: ''O mundo todo pode entrar em comunhão com o Patriarca, mas eu não vou. O Santo Apóstolo Paulo nos diz que Deus anatematiza até mesmo anjos que pregam um novo Evangelho, isto, que introduzem alguma novidade.''
Disseram-lhe: ''a que Igreja você pertence, a de Constantinopla, Roma, Antioquia, Alexandria ou Jerusalém? Todas essas Igrejas estão em concórdia. Se você pertence à Igreja Católica, deve entrar em comunhão conosco de uma vez, a menos que você forje um novo e estranha caminho e caia em um desastre inesperado.'' São Máximo Confessor replicou: ''Cristo, o Senhor, reconhece como Católica aquela Igreja que mantém a verdadeira e salvífica confissão de fé. Ele chamou Pedro de Bem Aventurado por sua confissão correta, sobre a qual Ele construiu Sua Igreja.''
O santo e dois de seus discípulos foram submetidos a cruéis tormentos. A língua e a mão direita deles foram cortadas. Então foram exilados em Skemarum, na Scythia, suportando muitos sofrimentos e dificuldades na viagem. Depois de três anos, o Senhor revelou a São Máximo o momento de sua morte [13 de agosto de 662].
Três velas apareceram sobre o túmulo de São Máximo e queimaram miraculosamente. Esse foi um sinal de que ele era um archote da Ortodoxia e que continuava brilhando com exemplo de virtude para todos. Muitas curas passaram a ocorrer em sua tumba.
São Máximo deixou um grande legado teológico para a Igreja. Suas obras exegéticas contêm explicações para passagens difíceis das Sagradas Escrituras. Seus livros dogmáticos incluem a Exposição de sua disputa com Pirro e muitos tratados e cartas a várias pessoas. Nelas se encontram ensinamentos ortodoxos sobre a Essência Divina e as Hipóstases da Santíssima Trindade, sobre a Encarnação do Verbo de Deus e sobre a ''theosis'' [''deificação''] da natureza humana. São Máximo também produziu escritos sobre antropologia, deliberando sobre a natureza da alma e sua existência consciente após a morte.
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2 days ago | [YT] | 40
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Santos Mártires Aniceto e Fócio de Nicomedia
12 de agosto -- Calendário Juliano
Aniceto e Fócio, seu sobrinho, eram nativos de Nicomedia. O primeiro era oficial militar e denunciou o Imperador Diocleciano [284-305] por construir na praça da cidade um instrumento de tortura e execução visando amedrontar os cristãos.
Enraivecido, o Imperador ordenou que Aniceto fosse supliciado e atirado às feras selvagens. Mas os leões acabavam por se deitar mansamente aos seus pés.
De repente houve um forte terremoto que resultou no colapso do templo de Hércules e muitos pagãos pereceram sob as paredes que caíram. O carrasco, que empunhava a espada para decapitar o santo, caiu sem sentidos.
Eles tentaram matar Santo Aniceto na roda de tortura e queimá-lo em uma fogueira, mas a roda emperrou e o fogo se extinguiu. Lançaram-no então em um caldeirão com óleo fervente, mas o líquido esfriou. Desse modo o Senhor preservou Seu servo para a edificação de muitos.
O sobrinho do mártir, São Fócio, saudou seu tio e se voltou para o Imperador dizendo, ''ó idólatra, seus deuses nada são!'' Os dois mártires foram jogados na prisão.
Depois de três dias, Diocleciano exigiu deles a apostasia em troca de glórias e riquezas. Mas os mártires se recusaram e confessaram mais uma vez sua fé em Cristo.
As torturas continuaram, mas os santos escapavam ilesos de todas as tentativas de execução. Muitos cristãos, inspirados pelo que ocorria com Santo Aniceto e São Fócio, confessaram publicamente sua fé. Muitos pagãos se converteram.
Os nomes dos santos são mencionados na Benção das Águas.
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3 days ago | [YT] | 42
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
RELÍQUIAS! SANTA TRADIÇÃO ORTODOXA OU BRUXARIA PESADA?
HOJE, ÀS 18h
https://youtu.be/27ZCH2ksFcI
* os primeiros registros da veneração cristã às relíquias.
* Há antecedentes judaicos?
* Encontramos nas Escrituras?
* Imitação do Culto pagão aos Heróis?
* O Martírio de São Policarpo
* Os fundamentos teológicos!
4 days ago | [YT] | 134
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Synaxis dos Santos de Solovki
09 de agosto -- Calendário Juliano
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As remotas florestas da Rússia do século XV se tornaram refúgio para ascetas zelosos que partilhava da vida angélica e uma concentrada comunhão com Deus. Foi por essa razão que Germano escolheu habitar na área pouco povoada nas costas do Mar Branco.
Como outros eremitas, se estabeleceu próximo de uma capela para poder participar dos Divinos Mistérios. Ali, perto do Rio Vyg, teve a companhia de outro monge, Sabátio, que já possuía muitos anos de vida solitária, inclusive no Mosteiro de Valaam.
Mas em todo lugar sua santidade levantava louvores dos homens, e por isso ele buscava um lugar desabitado. Tanto ele quanto Germano escolheram uma ilha com abundância de frutos silvestres e peixes e que, na maior parte do ano, era inacessível.
Ele e Sabátio construíram um bote e, em 1429, se estabeleceram juntos no local, em um pequeno monte acima da praia. Ali começaram a cultivar o solo enquanto permaneciam imersos em oração incessante.
O Maligno, no entanto, instou maus pensamentos nos corações dos pescadores da região contra aqueles que vivam na ilha.
Desse modo, alguns deles buscavam expulsar os monges da ilha para que pudessem monopolizar os recursos do local. Mas eles receberam uma visita atemorizante à noite, de jovens luminosos que os admoestavam a deixar a ilha pois ela havia sido dada aos monges, de outra forma seriam punidos por Deus. A partir de então, nenhum leigo ousou mais viver no local.
Seis anos se passaram até que São Germano decidiu retornar ao continente, deixando Sabátio na companhia de Deus e de Seus anjos. Mas pouco depois, o eremita recebeu a notícia que em breve repousaria no Senhor, e também deixou a ilha para poder partilhar dos Divinos Mistérios em uma paróquia.
São Sabátio encontrou um hieromonge que ficou de lhe trazer a Santa Eucaristia mas, quando retornava para junto do ancião, o encontrou já falecido em meio ao odor de incenso, e, junto com um comerciante que também passava por ali, o sepultou.
São Germano, enquanto isso, vivia perto do rio Onega, onde orientava um jovem monge chamado Zosimas. Junto com ele, partiu para Solovki, e ali tiveram a visão de uma magnífica igreja no ar e da região toda banhada de luz.
Os dois ascetas construíram celas e plantaram um jardim. Depois de algum tempo, São Germano deixou Zosimas sozinho para suportar e vencer as tentações da vida solitária. No ano seguinte, retornou com mais um discípulo, um pescador chamado Marco.
Gradualmente outros se uniram a eles na luta pelas benções celestes. No lugar em que tiveram a visão da igreja luminosa, construíram uma capela dedicada à Transfiguração do Senhor.
Quando São Zosimas foi apontado Hegúmeno da nova comunidade, teve como uma de suas primeiras medidas transferir as relíquias de São Sabátio para a ilha, o que aconteceu em 1465, trinta anos depois do repouso do santo asceta. As relíquias se encontravam incorruptas.
Aconselhando-se com São Germano a respeito de todas as coisas, São Zosima governou sabiamente a comunidade até adormecer em paz no Senhor, em 17 de abril de 1478.
São Germano faleceu em idade bastante avançada, no mosteiro de Santo Antônio Romano, em Novgorod, onde havia ido a pedido do Hegúmeno da comunidade. Em 30 de julho suas relíquias foram transferidas para Solovki, onde aguarda a Ressurreição Geral.
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5 days ago | [YT] | 62
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Quem se espanta com um Bispo segurando um crânio não aguentaria meio minuto no Oriente cristão.
Toda paróquia ortodoxa tem relíquias. A minha tem de uns dois santos diferentes.
Nos mosteiros ortodoxos, os corpos são exumados, colocados em ossuários e tratados com todo o respeito. São de pessoas adormecidas no Senhor, partícipes da comunidade e da Igreja, e que vão ressuscitar na Parusia.
ps.: as vestes não são de magos, são 'schemas' que representam a consagração completa da vida a Cristo.
1 week ago | [YT] | 322
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
HOJE, SEXTA-FEIRA, ÀS 18h.
O SOLA SCRIPTURA ENTRE A IGREJA E ISRAEL!
https://youtu.be/E7XotOtJQ6s?is=Kcb3T...
* A Tradição na Ortodoxia, Catolicismo-Romano e Protestantismo!
* Protestantes e o problema do Cânon do NT!
* Reconhecimento das Escrituras em Israel e na Igreja!
* "Magisterio Judaico Infalível"?
* Atuação de Deus na Antiga Aliança!
* Os paralelos entre Israel e a Igreja!
1 week ago | [YT] | 72
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Vou terminar de editar hoje a segunda parte dos comentáruos sobre a conversa entre João "Areópago" e Friske/Conde.
Grande oportunidade de falar, de uma perspectiva ortodoxa, sobre o conceito de Santa Tradição; do Israel bíblico e do "Israel de Deus", e da relação deles com a Igreja.
E também sobre o "reconhecimento" das Escrituras Judaicas.
O "Areópago" neutralizou o argumento usado contra os protestantes sobre a formação do Cânon?
O "magistério judaico" era infalível? Se não era, como reconheceu Escrituras Sagradas?
O vídeo vai ser publicado amanhã.
1 week ago | [YT] | 98
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André Luiz VBT dos Reis -- Consciência do Eu
Venerável São Pimen, o adoentado
07 de agosto -- Calendário Juliano
São Pimen alcançou o Reino dos Céus suportando graves doenças. O asceta russo cresceu e viveu com vários problemas de saúde, mas elas lhe preservaram dos males da alma.
Vivendo no fim do século XI e início do XII, Pimen pediu aos seus pais para ser levado ao mosteiro das cavernas de Kiev. Assim fizeram, e oravam pelo restabelecimento de sua saúde. O santo, porém, consciente do valor do sofrimento, pediu ao Senhor pela continuidade de seu estado doentio. Ali abraçou a vida monástica e foi tonsurado por anjos que, aparecendo à noite na frente de membros da comunidade, lhe contaram que recobraria a saúde somente perto de sua morte.
Passou vinte anos em severos sofrimentos, e um dia, tal como lhe foi previsto, ficou saudável. Depois de tomar os Santos Mistérios, indicou à comunidade o local de seu sepultamento, em um lugar onde outros monges haviam sido enterrados. Contou-lhes que havia ali o corpo de um monge que, embora houvesse sido enterrado com seu schema, se encontrava agora nu; e de outro que, embora enterrado nu, estava agora com vestes monásticas.
Eventos miraculosos ocorreram no dia de seu repouso, e suas santas relíquias.
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1 week ago | [YT] | 47
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