Psicóloga | Pós-graduanda em Psicanálise da criança e do adolescente.
Clínica da imigração - Atendo quem precisou ir embora do Brasil e agora precisa de acolhimento emocional no idioma materno - 🇧🇷🇪🇸
Compartilho reflexões sobre imigração, relacionamentos, trabalho, família, pertencimento e saúde mental.
Aqui no Japão, trabalhei em fábricas, vivi e presenciei muitas das experiências que fazem parte da realidade da maioria dos dekasseguis e seus cônjuges.
Essa vivência ampliou minha escuta clínica e aprofundou meu olhar sobre as questões humanas que atravessam a experiência migratória.
Este canal é um espaço para pensar sobre os desafios, as escolhas e as transformações que acompanham a vida entre culturas.
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Este é o meu canal, o objetivo é que seja um lugar acolhedor.
Portanto, comentários ofensivos, grosseiros e que nada podem acrescentar de construtivo, SERÃO REMOVIDOS.
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Terapia no Japão
Nesta reflexão falo sobre esses pequenos terremotos que são frequentes no Japão, e não sobre as grandes catástrofes.
Na semana passada, ocorreu um terremoto pela madrugada, que deixou muita gente aflita, principalmente por conta do alarme no celular e também do alerta da cidade.
É natural sentir medo e até achar que ainda sente o chão tremer. Mas aos poucos, recuperamos a tranquilidade.
O que não é natural é sentir a mesma sensação daquele momento por semanas ou meses. Um desconforto que não passa.
Depois de um terremoto, espera-se que o susto passe junto com o abalo físico.
"Daijoubo, está tudo bem..." Mas o medo de dormir, a vontade súbita de partir, a insegurança que insiste mesmo sem motivo aparente revelam outra lógica.
Há o tempo do evento, e há o tempo do corpo para elaborá-lo.
Um tremor pode durar segundos.
Suas consequências, não.
Acreditamos que voltar à rotina basta para restaurar a sensação de segurança, poder confiar no ambiente novamente.
Há, porém, quem continue com o sono leve, o corpo em alerta, o desejo de estar longe de tudo. Essas reações não são exagero, são parte de como o ser humano se recompõe diante do que ameaçou sua estabilidade mais básica.
Reconhecer essa diferença é o primeiro passo para atravessá-la.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
@terapianojapao
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#brasileirosnojapao
7 hours ago | [YT] | 3
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Terapia no Japão
Na última aula, o professor Henrique Silva falou sobre a importância de respeitarmos os aspectos da natureza humana.
A positividade tóxica nos convida (obriga) a ser feliz todos os dias, retirando e combatendo aquilo que é visto como negativo. Porém, o negativo faz parte da natureza humana e combatê-lo o tempo todo, é o que faz da nossa sociedade cada dia mais adoecida.
É preciso se permitir sofrer, chorar, desabafar, desabar e depois se levantar.
É preciso entrar em contato com aquilo que é humano, ao invés de negar e lutar contra.
A tristeza é humana.
Nem tudo é depressão, nem tudo é patológico (diagnóstico).
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
#terapianojapao
1 day ago | [YT] | 7
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Terapia no Japão
Dia 27 de Agosto - Dia do Psicólogo.
Fazer o que gosta é liberdade.
Amar o que faz é felicidade.
Uma profissão difícil, não entregamos um objeto, um produto real e concreto. Trabalhamos com a subjetividade, com os conflitos, os afetos, o desconhecido que nos habita. Mas ainda assim, não desejo ocupar nenhum outro lugar no mundo, sou feliz por ter escolhido a Psicologia.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
#terapianojapao
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2 days ago | [YT] | 18
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Terapia no Japão
A adolescência é um período difícil de atravessar. O jovem enfrenta o luto pela perda do lugar infantil - o corpo (que corpo é esse agora?) e a onipotência (faziam tudo por mim, não precisava lutar por nada quando eu era criança).
Muitos pais querem curar seus filhos neste período, mas nem toda queixa é patológica, alguns elementos fazem parte desta fase tão intensa no sentir.
Uma fase demorada, já que para alguns autores, a adolescência pode durar até os 25 anos.
O processo de amadurecimento é individual. Não comparar seu filho com os filhos dos outros, já é um bom começo.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
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3 days ago | [YT] | 12
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Terapia no Japão
A família nuclear é um recorte recente. Durante a maior parte da história, criar uma criança envolvia mais gente do que pai, mãe e irmãos.
Você lembra da sua infância? Tinha a casa da vó, das tias ou dos primos no mesmo bairro, cidade ou quintal? Finais de semana dormindo na casa de alguém, churrasco, festa, dia de assistir o Domingão ou Sai de Baixo. Lugares onde a circulação era livre e o amparo era certo.
Isso é coisa rara para muitas crianças e adolescentes no Japão. A maioria só tem pai e mãe, às vezes, irmãos. O círculo é menor, é restrito e isso pode causar uma insegurança e fragilidade emocional.
Por isso, é importante que mesmo à distância, que o contato com a família no Brasil, nunca seja perdido.
Winnicott descrevia círculos: o colo da mãe, a família, o mundo.
Cada um prepara o seguinte.
Avós, tias, tios, primos ocupavam o segundo desses círculos, nem tão perto quanto o colo, nem tão distante quanto o mundo lá fora. Um espaço intermediário, onde a criança encontrava outros modos de ser vista.
Quando esse círculo falta, o peso que antes se dividia entre várias gerações passa a caber inteiro em dois adultos.
Não é ausência de amor, o que resulta disso. É ausência de variedade : poucos espelhos, poucos ângulos diferentes pra uma criança se constituir, se perceber e se identificar.
A migração corta esse sistema de forma abrupta. Manter esse laço, mesmo à distância, mantém aberto um círculo que de outro modo se fecharia de vez.
As chamadas de vídeos, ligações, cartas e mensagens, precisam continuar existindo, o afeto pode existir mesmo depois de cruzar o mundo.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
#terapianojapao
Imagem gerada com IA, não é a foto de nenhuma família real.
5 days ago | [YT] | 12
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Terapia no Japão
Essa música do Legião Urbana está no álbum A Tempestade - 1996 e se chama: Quando você voltar.
Quando um casal briga e acusações acontecem, funciona como na música, é um modo infantil porque jogamos no outro a responsabilidade pela relação.
Outra posição que pode aparecer também é de quem ocupa o lugar de Mestre e aponta o que é certo ou errado, como tudo deveria ser.
Uma relação é a dois.
Nenhuma história se constrói sozinha.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
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1 week ago | [YT] | 17
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Terapia no Japão
Winnicott dizia que a loucura talvez não seja perder a razão - "Fulano perdeu a cabeça!".
Mas sim, atravessar a vida sem encontrar quem tolere quem realmente somos.
A terapia não exige pré-requisito para a presença. Não é preciso merecer escuta para ser acolhido.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
#terapianojapao
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1 week ago | [YT] | 14
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Terapia no Japão
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1 week ago | [YT] | 10
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Terapia no Japão
Parte II.
Você já deve ter ouvido falar em devolutiva: aquele momento em que o psicólogo entrega aos pais um resultado fechado sobre o filho.
Na psicanálise, esse momento não existe do mesmo jeito.
O que existe é uma conversa sobre como estamos entendendo o que acontece agora, sabendo que isso pode mudar.
Com crianças pequenas, essa conversa costuma acontecer todo mês.
Com adolescentes, o espaço entre um encontro e outro é maior, porque eles já estão construindo a própria autonomia.
A psicanálise não promete uma resposta pronta sobre quem é o seu filho. Ela oferece um espaço de escuta que continua se atualizando, encontro após encontro.
Essa postagem fala sobre as diferenças no manejo e não sobre o que é melhor. As duas percepções são valiosas no processo terapêutico.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
カウンセラー
#terapianojapao
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1 week ago | [YT] | 9
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Terapia no Japão
Você já deve ter ouvido falar em devolutiva: aquele momento em que o psicólogo entrega aos pais um resultado fechado sobre o filho.
Na psicanálise, esse momento não existe do mesmo jeito.
O que existe é uma conversa sobre como estamos entendendo o que acontece agora, sabendo que isso pode mudar.
Com crianças pequenas, essa conversa costuma acontecer todo mês.
Com adolescentes, o espaço entre um encontro e outro é maior, porque eles já estão construindo a própria autonomia.
A psicanálise não promete uma resposta pronta sobre quem é o seu filho. Ela oferece um espaço de escuta que continua se atualizando, encontro após encontro.
Essa postagem fala sobre as diferenças no manejo e não sobre o que é melhor. As duas percepções são valiosas no processo terapêutico.
Letícia Shin, Psicóloga, psicanalista e
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1 week ago | [YT] | 11
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