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Os mercados encerram agosto sob uma combinação cada vez mais difícil de administrar entre guerra, energia cara e política monetária restritiva. A retomada dos ataques diretos entre Estados Unidos e Irã, após mais de um mês de relativa contenção, recolocou o Estreito de Ormuz no centro do risco geopolítico. O petróleo voltou para perto de US$ 86 e o Brent superou US$ 90, enquanto ameaças contra a infraestrutura petrolífera iraniana ampliam o risco de interrupção da oferta. Washington tenta construir uma resposta energética de longo prazo por meio do acordo com a Venezuela e, no curto prazo, atacar o gargalo de refino doméstico, mas nenhuma dessas medidas oferece solução imediata para os preços elevados dos combustíveis.

Ao mesmo tempo, Jackson Hole mudou novamente a percepção sobre os juros americanos. A postura mais hawkish de Kevin Warsh levou o mercado a precificar cerca de 65% de probabilidade de alta do Fed em setembro, mas a reação da curva tornou-se mais complexa: depois da forte alta do US2Y na sexta-feira, a nova escalada geopolítica pressionou principalmente US10Y e US30Y, indicando que inflação energética, prêmio de prazo e risco fiscal voltaram a pesar sobre o financiamento de longo prazo. A economia americana enfrenta, portanto, duas fontes simultâneas de aperto: um Fed potencialmente mais restritivo e yields longos novamente elevados.

Esse ambiente já aparece nos demais ativos. Wall Street começou a semana em queda, o ouro permaneceu pressionado apesar da guerra e o dólar continua próximo das máximas recentes. O fato de o ouro não responder positivamente à escalada geopolítica mostra que, por enquanto, juros reais e dólar estão prevalecendo sobre a demanda defensiva. Agora, porém, o payroll de agosto pode alterar novamente esse equilíbrio: uma nova fraqueza significativa do emprego dificultaria uma alta do Fed, enquanto dados resilientes dariam sustentação à combinação de dólar forte e juros elevados. O mercado entra em setembro, assim, submetido simultaneamente aos limites da política monetária americana e aos custos crescentes de sustentar sua estratégia geopolítica.

www.tradingview.com/x/KkuXxyQA/

O WTI voltou à região decisiva de US$ 86,03–87,07, correspondente ao Golden Pocket, depois de preservar a estrutura ascendente maior e reagir dos suportes inferiores. O preço ainda apresenta uma divergência de baixa oculta, com topos descendentes na ação de preço frente a topos mais altos no RSI, o que mantém aberta uma rejeição para US$ 82,29 e, abaixo, US$ 78,72. Por outro lado, o contexto geopolítico tornou o rompimento para cima mais plausível: a retomada dos ataques entre EUA e Irã, o risco em Ormuz e as ameaças à infraestrutura petrolífera podem sustentar prêmio adicional. Acima de US$ 87, o mercado volta a mirar US$ 91,64 e depois US$ 95,16.

www.tradingview.com/x/yOLcVEq5/

O rendimento do Treasury de 10 anos chegou à região de 4,759%, primeiro alvo projetado após o rompimento da cunha descendente expansiva que vinha desde janeiro de 2025. O movimento ganhou consistência após a recuperação de 4,48% e, principalmente, pela lateralização acima da 0,382 da Fibonacci em 4,646%. Se 4,759% for rompido e posteriormente confirmado como suporte, a próxima faixa relevante aparece em 4,927%, seguida pelo segundo alvo em torno de 4,986%. O movimento é particularmente importante porque o US10Y é referência central para hipotecas, crédito corporativo e valuations: sua alta combina hoje expectativas de Fed mais restritivo, inflação energética e maior prêmio de prazo, apertando as condições financeiras mesmo antes de qualquer nova decisão formal de juros.

www.tradingview.com/x/XM6bMyQm/

O DXY permanece acima do Golden Pocket em 99,06, depois de retestar com sucesso a antiga LTB rompida, que vinha desde maio de 2025. Ao mesmo tempo, perdeu a estrutura ascendente de curto prazo e ainda não conseguiu retomá-la, mantendo 100,20 pontos como resistência decisiva. No RSI, a configuração entre fundos ascendentes no preço e fundos descendentes no indicador caracteriza uma divergência de alta oculta, compatível com continuidade de uma estrutura maior de recuperação, mas ela ainda precisa ser confirmada pelo rompimento da LTB do próprio RSI e pela retomada das resistências em preço. Se 99,06 for preservado e 100,20 vencido, o cenário de valorização do dólar ganha força; abaixo de 99,06, voltam ao radar 97,69 e 96,87–97,13.

www.tradingview.com/x/jEPze8xH/

O ouro fechou abaixo do Golden Pocket em torno de US$ 4.539–4.553 e também perdeu o patamar mensal próximo de US$ 4.550, confirmando enfraquecimento de curto prazo após a forte rejeição recente. Abaixo, os suportes mais relevantes aparecem em US$ 4.433–4.382, depois US$ 4.358 e US$ 4.236. Ao mesmo tempo, começa a aparecer uma pequena divergência de alta oculta, com fundo mais alto no preço e fundo mais baixo no RSI, o que pode produzir um repique. No quadro maior, o rompimento anterior da cunha descendente continua preservando uma projeção potencial para US$ 5.340–5.450, mas depende da recuperação dos níveis perdidos. No macro, dólar e yields elevados seguem pressionando o metal, enquanto risco fiscal e geopolítico ainda oferecem sustentação estrutural.

www.tradingview.com/x/m8tPVvzF/

O Bitcoin continua sustentado acima de US$ 77,2 mil, mas ainda não confirmou a mudança estrutural que a alta recente sugeriu. A principal barreira permanece entre US$ 81,16 mil e US$ 82,50 mil: abaixo dessa região, o preço ainda forma um topo inferior ao anterior, enquanto o RSI produz topo mais alto, configurando uma divergência de baixa oculta. A recuperação foi expressiva e rompeu resistências importantes, mas ocorreu com volume inferior ao observado nas grandes pernas de baixa anteriores. O ambiente macro também exige cautela: os patamares dos juros de 10 anos, do DXY e do petróleo restringem a melhora da liquidez. Se a resistência atual prevalecer, permanecem relevantes a zona de demanda entre aproximadamente US$ 59,3 mil e US$ 49,4 mil, a 0,5 da Fibonacci em US$ 48 mil e, em um cenário mais profundo, a região de US$ 40 mil.

O quadro geral volta a mostrar como guerra, energia e financiamento do Estado americano passaram a fazer parte do mesmo problema. A retomada dos ataques ao Irã eleva o custo energético justamente quando o Fed sinaliza disposição para manter a política monetária restritiva e toda a curva de juros volta a sofrer pressão. Washington tenta compensar essas tensões buscando petróleo venezuelano, ampliando capacidade de refino e administrando o mercado de Treasuries, mas nenhuma dessas respostas elimina o choque no curto prazo. Nesse ambiente, um fortalecimento adicional do dólar transformaria a pressão doméstica americana em aperto de liquidez global. A recuperação recente dos ativos de risco, especialmente do Bitcoin, passa assim por um teste mais difícil: provar que consegue sobreviver a uma combinação de juros elevados, energia politizada e crescente custo de sustentação da própria ordem econômica americana.

Bons estudos e bons trades!

1 week ago | [YT] | 36