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A primeira semana de julho recolocou o mercado diante de uma configuração macro bastante sensível: desaceleração do mercado de trabalho americano, queda do dólar, alívio parcial nos yields e recuperação de ativos ligados à proteção monetária, como ouro e prata. O payroll mais fraco reduziu as apostas de aperto adicional pelo Fed e reacendeu a expectativa de que a política monetária possa voltar a caminhar para um viés menos restritivo. Ainda assim, o alívio não é linear, porque a fraqueza dos dados também levanta dúvidas sobre a força da economia americana e sobre a sustentabilidade dos lucros corporativos em um ambiente de valuations elevados.
Ao mesmo tempo, o mercado acionário dos EUA mostra sinais claros de rotação interna. Enquanto parte dos índices segue sustentada pela expectativa de juros mais baixos e pela busca seletiva por qualidade, os setores que mais se valorizaram nos últimos meses, especialmente tecnologia, semicondutores e inteligência artificial, começam a sofrer realização e compressão de múltiplos. Isso indica que o mercado não abandonou completamente o apetite por risco, mas passou a operar de forma mais seletiva, alternando entre ativos defensivos, setores tradicionais e nomes de crescimento com narrativa mais forte de lucros. Para cripto, esse pano de fundo é ambíguo: dólar e yields mais fracos ajudam, mas a perda de tração em growth e Nasdaq limita uma retomada mais agressiva.
O elemento geopolítico adiciona uma camada extra de instabilidade. A tensão em torno do Estreito de Ormuz mantém vivo o risco de choque energético, aumento de fretes, seguros e pressão inflacionária importada, justamente no momento em que o Fed tenta avaliar se a desaceleração do emprego será suficiente para abrir espaço a cortes. Assim, o mercado entra em julho dividido entre duas forças: de um lado, a expectativa de alívio monetário, dólar mais fraco e melhora relativa das condições financeiras; de outro, o risco de inflação por energia, tarifas, instabilidade geopolítica e desaceleração econômica. Nesse contexto, ativos de risco seguem dependentes de uma combinação delicada entre queda consistente dos juros reais, enfraquecimento do DXY e preservação do apetite global por risco.
www.tradingview.com/x/nqfa52J0/
O DXY formou uma divergência de baixa no diário, que pode ter acionado a correção recente, mas o preço ainda se mantém acima da antiga resistência em 100,19 pontos, agora funcionando como suporte importante. Movimentos parecidos acima dessa região ocorreram em maio de 2025, quando as tentativas de avanço também geraram correções, uma mais curta e outra mais profunda em direção ao Golden Pocket. Apesar disso, o rompimento segue relevante e a estrutura ainda permite leituras ambíguas, entre triângulo ascendente e triângulo simétrico, com alvo possível na 0,786 de Fibonacci, em 104,89 pontos. Assim, mesmo com novas correções no curto prazo, o dólar continua tecnicamente sustentado enquanto preservar a região recém-rompida.
www.tradingview.com/x/YA7kY5Ia/
O rendimento dos Treasuries de 10 anos tomou suporte na região de 4,36%, preservando uma estrutura ainda relevante depois do rompimento da figura anterior, que podia ser lida tanto como bandeira de alta quanto como triângulo ascendente. O movimento encontrou resistência na antiga linha de tendência rompida e também na região da 0,382 de Fibonacci, em 4,64%, sem atingir ainda os alvos mais altos do rompimento, em 4,75% e 5%. Mesmo assim, a defesa desse suporte é importante dentro do quadro macro atual, porque mostra que os juros longos seguem sustentados, apesar da desaceleração do mercado de trabalho e da tentativa do mercado de precificar um Fed menos agressivo.
www.tradingview.com/x/pAlkvUFZ/
O S&P 500 segue em região de neutralidade, ainda sem confirmar entrada em continuidade de alta. A resistência imediata está na 0,382 de Fibonacci, em 7.555, antes do cluster mais importante entre 7.611 e 7.737, patamares associados à entrada de força pelo RSI semanal e diário. Apesar da recuperação recente, o índice ainda carrega uma divergência de baixa relevante desde abril, sem rompimento claro dessa estrutura. Do lado dos suportes, a região de 7.388, em confluência com o Golden Pocket e o RSI 45 diário, é o ponto que impede uma entrada mais clara em força de baixa. No mensal, a estrutura segue positiva enquanto o índice se mantiver acima de 7.226.
www.tradingview.com/x/WYJAfSDQ/
O ouro segue dentro de uma cunha descendente formada desde a correção iniciada no começo do ano, após ter atingido uma região bastante esticada em Fibonacci. Apesar da queda, o ativo não chegou a buscar o suporte mais profundo da estrutura, tendo encontrado fundo antes disso, próximo da região de 3.957, e agora tenta retomar uma zona neutra importante. A defesa da 0,382 e do Golden Pocket fortalece a leitura de suporte, especialmente com uma possível divergência de alta se formando no RSI desde junho, ou até desde março, em uma leitura mais ampla. O fechamento acima de 4.187 é relevante para recolocar o ouro em neutralidade e abrir espaço para buscar resistências em 4.287 e, depois, 4.565, onde a continuidade de alta ficaria mais clara. Caso rompa a cunha para cima, o alvo técnico ficaria próximo do topo da estrutura; já uma perda para baixo mudaria bastante a leitura, abrindo risco de uma correção mais longa.
www.tradingview.com/x/nT6CxhT4/
O Bitcoin fez fundo próximo ao suporte principal, tocando o topo do Golden Pocket em 57.980, após entrar em sobrevenda no diário e quase atingir também a sobrevenda semanal. O repique atual forma uma possível divergência de alta no semanal, ainda inicial, com dois toques; por isso, a leitura conservadora ainda admite um terceiro ponto mais abaixo antes de uma reversão mais forte. A região decisiva agora é 63.000/64.800, onde passa a área neutra do diário e o topo do canal das médias semanais. Se não romper essa faixa, permanece o risco de continuidade da baixa, com possível busca de 55.580, região que conflui com a base do Golden Pocket. Acima, as resistências seguem em 66.000 no mensal e 69.415 no semanal; abaixo, a perda da estrutura abriria espaço para 48.330.
A leitura geral é de um mercado ainda em fase de alívio, mas sem confirmação plena de retomada de risco. O DXY corrigiu com divergência de baixa, mas segue tecnicamente sustentado acima da antiga resistência, o que limita uma leitura excessivamente favorável para ativos de risco. Os juros de 10 anos também defenderam suporte relevante, mostrando que o mercado ainda não comprou completamente a tese de afrouxamento monetário forte. O S&P 500 permanece em alta no mensal, mas preso em região neutra e ainda carregando divergência de baixa, enquanto o ouro tenta retomar força a partir de suporte, reforçando uma busca simultânea por proteção. Nesse contexto, o Bitcoin reage bem a partir do Golden Pocket e de regiões de sobrevenda, mas ainda precisa romper a faixa de neutralidade entre 63 mil e 64.800 para afastar o risco de continuidade baixista. Portanto, o cenário é de melhora parcial das condições financeiras, mas ainda com dólar, juros e divergências técnicas impedindo uma leitura claramente bullish.
Bons estudos e bons trades!
5 days ago (edited) | [YT] | 21
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