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O bitcoin fechou a primeira semana de agosto sustentando o preço acima dos 65K, resistindo ao teste do fim de semana sem devolver o ganho conquistado ao longo dos últimos cinco pregões. É a primeira vez em várias semanas que o mercado consegue fechar um fim de semana inteiro sem devolver parte relevante do movimento, o que já muda a leitura de curto prazo mesmo antes de qualquer confirmação técnica mais robusta.
O pano de fundo que sustenta essa resiliência mudou de personagem principal nesta semana, saindo da geopolítica e migrando para o mercado de trabalho americano.
O payroll oficial de julho, divulgado na sexta, surpreendeu negativamente ao mostrar perda de 23 mil vagas, muito abaixo do consenso que projetava um ganho próximo de 80 mil, com revisões para baixo somando mais de 100 mil postos nos dois meses anteriores.
O crescimento de salários também desacelerou para o menor patamar desde 2021.
A leitura reforça as apostas de corte de juros em setembro justamente na semana em que o mercado de ETFs de bitcoin encadeou cinco dias seguidos de captação, somando mais de 850 milhões de dólares só entre terça e sexta, o maior fluxo semanal desde meados de abril, puxado principalmente pela IBIT da BlackRock.
Vale o contraponto de que o ano ainda acumula saldo negativo bilionário em resgates, então essa semana forte precisa de continuidade para virar tendência de fato.
Ainda assim, o volume concentrado majoritariamente em um único produto chama atenção: cerca de 80 centavos de cada dólar que entrou na categoria durante a semana foram parar só na IBIT, o que reduz um pouco a leitura de participação ampla do mercado institucional como um todo.
No campo geopolítico, as negociações entre Irã e Omã sobre uma rota segura pelo Estreito de Hormuz seguem avançando, mas Teerã deixou claro no fim de semana que um acordo com Mascate não significa reabertura automática do canal, condicionando qualquer avanço maior à retirada do bloqueio naval americano, à saída de forças militares da região e a compensações financeiras. Os houthis seguem hostilizando petroleiros ligados à Arábia Saudita, mantendo o quadro tecnicamente instável mesmo com o tom mais otimista da imprensa. É otimismo real, mas ainda frágil. Isso é o tipo de detalhe que costuma passar batido na manchete otimista, mas que segue pesando no prêmio de risco residual embutido nos preços de energia e, por extensão, no apetite a risco mais amplo.
Price Action Diário
Das últimas cinco velas diárias, três mostram divergência bearish no CVD que não acompanha a pressão compradora que tirou o preço da mínima de 62K no início do mês.
A vela deste domingo, no entanto, mostra alinhamento bullish entre momento, volume e tendência, exatamente o tipo de leitura que o CCT SuperTrade 2025 foi desenhado para sinalizar através da cor do candle, e que está disponível de graça no TradingView para quem quiser acompanhar essa mesma lógica de alinhamento em tempo real.
A EMA8 cruzou para cima da SMA21, a média central das Bollinger Bands, com o preço se sustentando acima da EMA50 ao longo de toda a semana. O BBWP começa a descomprimir, agora em 3.86%, sinal de que a fase de represamento extremo dos últimos dias pode estar perto do fim.
O gráfico também mostra a confluência entre EMA50 e EMA200 logo abaixo do preço atual como zona de suporte relevante, junto de um cruzamento dourado recente no MACD sustentando o viés de curto prazo, detalhe que não está explícito no gráfico, mas aparece no painel Info do indicador CCT Supertrade 2025.
www.tradingview.com/x/fkZDWCfS/
Price Action Semanal
O gráfico semanal já está mais chato…
Aqui vemos quase um engolfo bearish na vela da semana passada, ainda a poucas horas do fechamento oficial, mas já exibindo uma divergência bearish própria via CVD.
Vale explicar o mecanismo aqui: o CVD acumula a diferença entre volume comprado e vendido de forma agressiva, e uma divergência bearish aparece quando o preço consegue fazer um topo mais alto enquanto esse fluxo agressivo de compra faz um topo mais baixo, evidenciando que a alta de preço não está sendo sustentada pela mesma intensidade de agressão compradora que sustentou o movimento anterior.
Na prática, o mercado está subindo com menos convicção estrutural do que aparenta no candle isolado.
No plano macro, isso sugere mais entusiasmo do varejo do que dos grandes players em levar o preço de volta para acima dos 67.5K, que segue sendo o POC do perfil de volume estendido e o principal desafio técnico do momento.
A EMA8 segue funcionando como resistência mais imediata, e mesmo com o spike da semana e o fluxo positivo dos ETFs, o mercado não conseguiu romper essa resistência com convicção.
Um fechamento acima da linha 0.5 do Fibo de todos os tempos seria o próximo sinal bullish relevante, mas o pouco entusiasmo do movimento atual ainda deixa a porta aberta para continuidade da correção maior.
O ADX no semanal segue em tendência forte, mas classificado como distribuição bearish pelo próprio painel, o que reforça que o viés estrutural de fundo ainda não virou, mesmo com o soluço de força compradora vista nesta semana.
www.tradingview.com/x/lEhvPM2M/
Osciladores
O RSI semanal mostra uma divergência bullish escondida que vem se formando há meses, com fundos de RSI cada vez mais altos enquanto o preço ainda testava mínimas locais.
A divergência segue tecnicamente válida, sem invalidação até agora, mas o ritmo lento de recuperação do próprio RSI mostra que o sinal está mais em fase de desconstrução do que de cumprimento efetivo.
O estocástico fez bouncing exatamente na linha de sobrevenda, mas dessa vez o repique não se converteu em expansão de volatilidade nem em força altista visível no preço.
A linha J segue colada em K e D, sem o tipo de descolamento que normalmente acompanha um movimento com tração real, reforçando a leitura de que o mercado está testando o fundo sem ainda provar que quer sair dele com convicção.
As WaveTrends do painel de momentum seguem em território negativo, mas o gráfico vem subindo devagar, ainda sem cruzar para o lado positivo. É a fotografia de um mercado saindo de pressão vendedora aos poucos, sem pressa.
Já o CMF, que estava positivo na semana passada, virou negativo com alguma força nesta virada de semana, um contraponto direto ao CVD que já mostrava fraqueza na ponta agressiva.
Os dois indicadores lendo na mesma direção fortalecem a leitura de fluxo estrutural ainda hesitante por trás do preço.
Para a semana que vem, com o mercado reprecificando corte de juros em setembro depois do payroll fraco, mas ainda sem uma resolução real no front geopolítico, o cenário mais provável é de continuidade da tentativa de recuperação, porém sem a violência de um movimento de convicção plena enquanto CMF e CVD não virarem de vez.
www.tradingview.com/x/PdKvDs4i/
Ouro
O ouro fechou a primeira semana de agosto com redenção, voltando para a casa dos 4.3K e engolfando praticamente oito semanas de distribuição em um único candle semanal.
Dando sequência à leitura da análise anterior, o histograma de momentum do painel próprio segue em recuperação lenta dentro de território ainda negativo, e o estocástico dinâmico, que já havia feito o cruzamento bullish, segue sem convicção plena e tecnicamente ainda dentro da zona de sobrevenda.
O gatilho por trás do movimento parece ser mais o mesmo payroll fraco de sexta do que qualquer fator de aversão a risco ligado à guerra, o que ajuda a explicar por que ouro e bitcoin subiram juntos nesta janela, algo pouco comum quando o pano de fundo é geopolítico.
Quando o gatilho é reprecificação de juros, ativos sem rendimento como ouro e bitcoin tendem a reagir na mesma direção contra o dólar mais fraco.
www.tradingview.com/x/NzpyZXTq/
Conclusão
A semana deixou claro que o verdadeiro furo no consenso não veio do front de guerra, veio do mercado de trabalho americano, e isso muda o cálculo de risco para as próximas duas semanas.
Bitcoin e ouro subiram pela mesma razão: reprecificação do corte de juros de setembro, mas nenhum dos dois mostrou o tipo de fluxo estrutural que costuma validar uma virada de ciclo: CVD fraco em ambos, CMF virando negativo no ouro, ETFs de bitcoin concentrados majoritariamente numa única gestora…
Para o fechamento da quinzena, o nível que decide tudo continua sendo o mesmo: uma reação real acima dos 67.5K no bitcoin com volume que confirme a virada de convicção, e no ouro uma continuidade que rompa de vez a zona de distribuição sem voltar para dentro do canal de baixa mais amplo.
Enquanto isso não acontecer, o mercado segue precificando esperança de corte de juros mais rápido do que precificando confirmação real de que o pior já passou, seja no emprego americano, seja no Estreito de Hormuz.
O bônus da semana fica por conta do próprio comportamento das velas: o candle de domingo no diário mostrando alinhamento raro entre momento, volume e tendência é o tipo de leitura que vale mais a pena vigiar de perto na abertura de amanhã do que qualquer manchete isolada.
Por hoje fico por aqui, Família!
3 days ago | [YT] | 19
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