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CONFLITO • Capítulo 30
#ÚltimosCapítulos

escrita e criada por:
JOÃO GABRIEL FERNANDES

Supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO

direção geral:
DIOGO ITAMAR

abertura: https://youtu.be/5ZqTP2gLy28?is=FlRUn...

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CENA 01-EXT/FÓRUM/ENTRADA-DIA

Movimento intenso de pedestres e advogados. Clara aguarda na entrada. Está sozinha no meio da multidão. Olhos baixos, mãos cruzadas, demonstrando extrema vulnerabili-
dade. O silêncio dura pouco. Pessoas ao redor começam a notá-la. Olhares tortos e murmúrios tomam conta do ambiente.

PESSOA 1: É ela… A menina do caso.

PESSOA 2: A irmã da vítima…

Clara percebe os cochichos e encolhe os ombros, tentando se afastar da vista de todos. Miguel aproxima-se rapidamente, mas o constrangimento já está instalado.

MULHER 1 (falando alto, para quem quiser ouvir): Coitado desse rapaz… podia arrumar alguém melhor.

MULHER 2 (com deboche): Ela nem entende direito o que está acontecendo…

Cada frase atinge Clara como um golpe físico. Miguel nota o estado dela.

MIGUEL (baixo): Ignora.

POPULAR 1: Ela está com ele por quê?

POPULAR 2: Isso não é normal…

A respiração de Clara acelera. Seus olhos se enchem de lágrimas.

CLARA (sussurrando, em pânico): Eu não quero ficar aqui…

Miguel segura a mão dela com firmeza.

MIGUEL: Fica comigo.

HOMEM NA MULTIDÃO: Isso é exploração emocional.

Clara paralisa. A frase ecoa em sua cabeça. Ela congela, a respiração falha.

CLARA (sussurro imperceptível): Não…

Miguel tenta puxá-la para longe do tumulto.

MIGUEL: Clara, não escuta—

CLARA (explodindo, em prantos): EU NÃO SOU UM ERRO!

Um silêncio abrupto toma a fachada do Fórum. Todos para para olhar. Clara treme inteira.

CLARA (voz embargada): Eu não sou um erro…

Miguel a abraça imediatamente com força, envolvendo-a para protegê-la dos olhares.

MIGUEL: Você não é.

Clara desaba no peito dele, chorando sem forças. Miguel levanta o olhar em direção à multidão, encarando os curiosos com firmeza.

MIGUEL: Chega! Ninguém aqui tem o direito de falar da vida dela! (Ninguém responde, mas a tensão continua) Ela não fez nada de errado. E quem fala dela assim… não sabe nada da nossa história.

O silêncio permanece. O julgamento público hesita. Clara, ainda nos braços dele, respira fundo tentando se recompor.

CLARA: Eu estou cansada disso…

Miguel segura suavemente o rosto dela.

MIGUEL: Olha para mim. Você não precisa se esconder. Você só precisa viver.

Clara engole o choro. Pela primeira vez,ela decide manter o olhar levan-
tado. A pouca distância dali, Letícia observa a cena. No olhar dela,cruzam-
se dor, ciúme e confusão.

Cristian aproxima-se de Letícia.

CRISTIAN: Está tudo bem?

LETÍCIA (hesitante): Eu não sei mais.

Mais afastada, Helena observa o grupo com uma prancheta e caneta. Ela anota rapidamente seus pensamentos.

HELENA (murmurando para si): Todos estão emocionalmente envolvidos… Isso vai interferir diretamente no caso.

CENA 02-INT/FÓRUM/CORREDOR- CONTINUAÇÃO

Silêncio pesado após o encerramento da sessão. Cristian e Letícia estão frente a frente. A tensão romântica reprimida finalmente transborda.

LETÍCIA: Eu não consigo mais fingir…

CRISTIAN: Nem eu.

LETÍCIA: Estou cansada de lutar contra isso.

CRISTIAN (voz baixa): Então não luta.

Os dois se aproximam e se beijam com paixão um beijo carregado de sentimentos contidos há muito tempo.

CENA 03-INT/DELEGACIA/SALA DE INVESTIGAÇÃO-DIA

Helena está diante do computador, analisando novamente as filmagens de segurança do hospital. Ela dá pausa na imagem e aplica um zoom na tela.
A imagem mostra Cristian entrando em uma área restrita.

HELENA: Ele estava lá…

Helena abre outro arquivo: Registro de medicação e controle de acesso. Ela fecha o laptop devagar, unindo as peças do quebra-cabeça.

HELENA: Ele participou disso… Ou sabe muito mais do que disse.

CENA 04-INT/CASA DE KARINA/SALA -DIA

Karina segura o celular, processando a notícia que acabou de receber: Clara decidiu morar com Miguel. Karina respira fundo, contendo a emoção, e faz uma ligação.

INTERCORTAR COM:

CENA 05-INT/CASA DE OLÍVIA/SALA

Clara atende o telefone.

CLARA: Mãe…?

KARINA: Eu só queria ouvir a sua voz…

CLARA (sincera): Eu estou feliz.

Karina engole o choro, aceitando a decisão da filha.

KARINA: Então… eu aceito.

CENA 06-INT/CASA DE OLÍVIA- CONTINUAÇÃO

Clara desliga o telefone e olha ao redor do imóvel. Miguel se aproxima.

CLARA: Agora é de verdade?

MIGUEL (sorrindo): Agora é a nossa vida.

CLARA: Eu nunca tive isso…

MIGUEL (segurando a mão dela):
Agora você tem.

Clara sorri, finalmente demonstrando um momento genuíno de paz.

CENA 07-INT/HOSPITAL/QUARTO DE OLÍVIA-DIA

Olívia está na cama, visivelmente recuperada. Marcelo está sentado ao lado dela, atento.

OLÍVIA (sorrindo): Você sempre aparece quando eu estou caindo…

MARCELO: Talvez eu goste disso.
(pausa) Eu gosto de você, Olívia.

Olívia se emociona.

OLÍVIA: Então fica.

Eles se aproximam e trocam um olhar afetuoso.

CENA 08-INT/CASA DE DONA LOURDES/COZINHA-DIA

Dona Lourdes prepara algo no fogão. Cristian entra de forma inquieta, com a respiração pesada e olhar desesperado.

CRISTIAN: Vó… eu preciso te contar uma coisa.

Dona Lourdes percebe a gravidade na voz do neto e se vira para ele.

DONA LOURDES: O que foi, meu filho?

Cristian tenta segurar o choro, mas desaba. As lágrimas escorrem sem controle.

CRISTIAN: Fui eu…

DONA LOURDES: O quê…?

CRISTIAN (caindo de joelhos, choro convulsivo): Eu ajudei a Júlia a morrer! Ela me pediu, vó… Ela não aguentava mais sofrer! Eu fiz por amor!

Dona Lourdes fecha os olhos, chocada. O silêncio na cozinha é avassalador. Ela absorve o impacto da revelação, respira fundo e se aproxima de Cristian.

DONA LOURDES: Você errou… mas não fez por maldade.

Ela toca o rosto de Cristian e o abraça com força. Cristian chora nos braços da avó.

CENA 09-INT/CASA DE DONA LOURDES/CORREDOR-ENTRADA

A porta de entrada está entreaberta.
Letícia está parada no corredor, com a mão sobre a boca, em choque absoluto. Ela ouviu toda a confissão de Cristian.

Ela paralisa, sem reação, compreendendo que a verdade que temia acabou de ser confirmada.

Uma sequência ágil de imagens corta entre os núcleos, unida pelas vozes e pelos últimos suspiros de cada personagem neste ponto de virada.

CENA 10-INT/CASA DE DONA LOURDES-COZINHA

Cristian continua encolhido no colo de Dona Lourdes, em prantos, soluçando baixo.

CRISTIAN (voz sufocada): Eu perdi tudo, vó…

DONA LOURDES (sussurrando, acari-
ciando a cabeça dele): Agora é encarar a verdade, meu filho. É o único jeito de curar essa ferida.

Letícia recua um passo devagar, sem fazer barulho. Lágrimas silenciosas rolam pelo seu rosto.

LETÍCIA (VOZ OFF / sussurro para si mesma): Como é que eu continuo te amando… sabendo do que você fez?

CENA 11-INT/DELEGACIA/SALA DE INVESTIGAÇÃO

Helena insere o pen drive no computador, salvando o relatório com as provas do hospital. Ela olha para a tela fixamente.

HELENA (para si mesma): Não existe crime perfeito… existe apenas o tempo certo para a verdade aparecer.

CENA 12-INT/CASA DE KARINA/SALA

Karina coloca o telefone sobre a mesa, olha para uma foto antiga de Clara e passa os dedos sobre a imagem.

KARINA (voz embargada): Que você encontre a paz que eu não soube te dar, minha filha…

CENA 13-INT/CASA DE OLÍVIA/SALA

Clara e Miguel estão abraçados junto à janela, olhando a vista da cidade.

CLARA: Você acha que um dia eles vão esquecer?

MIGUEL (beijando a testa dela): Eles não precisam esquecer, Clara. A gente só precisa recomeçar.

CENA 14-INT/HOSPITAL/QUARTO DE OLÍVIA-CONTINUAÇÃO

Marcelo segura a mão de Olívia com carinho. Os dois trocam um sorriso leve.

MARCELO: A partir de hoje, você não passa por nada disso sozinha.

OLÍVIA: Promete?

MARCELO: Prometo.

CENA 15-INT/CASA DE DONA LOURDES/CORREDOR-CONTINUAÇÃO

Corte rápido de volta para Letícia,que dá uma última olhada em Cristian an-
tes de virar as costas para ir embora, dividida entre o amor e o choque.

LETÍCIA (VOZ OFF): Quando o amor nasce junto com uma mentira… nem mesmo a verdade consegue salvar os dois.

A imagem escurece lentamente

(FADE OUT).

FIM DO CAPÍTULO

2 hours ago |[YT] | 1

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CENA 05-ENTRADA DO MERCADO MUNICIPAL/EXT-NOITE

A fachada do Mercadão está iluminada. Carros chegam a todo instante e convidados entram animados para a inauguração. Um carro elegante para na entrada. Cecília desce primeiro, observando o movimento ao redor, com certo desconforto. Edgar vem logo atrás.

CECÍLIA: Olha isso... Parece que São Paulo inteira resolveu vir ao Mercadão hoje.

Ela observa um casal simples entrando, carregando flores.

CECÍLIA: Tem gente que realmente se arruma para inauguração de restaurante popular.

EDGAR: Às vezes você faz um esforço enorme para parecer pior do que é.

CECÍLIA: Eu só estou constatando um fato, querido.

EDGAR: Não, Cecília. Você está debochando das pessoas, é diferente.

CECÍLIA (Impaciente): Edgar, nós frequentamos lugares muito diferentes desse. Eu mesma, só vim porque a Beatriz me convidou!

EDGAR: E qual é o problema do lugar ser diferente do que nós frequentamos? A Carmem e a filha dela trabalham aqui, vão entrar para o círculo social da família Aranha. É a festa delas.

Cecília cruza os braços, antipática.

CECÍLIA: Só se for a festa da pulga e do percevejo na caixa do filme feira. (Bufa) Os nossos filhos já devem estar lá dentro.

EDGAR: Exatamente. Vamos entrar.

Ela dá dois passos e para.

CECÍLIA: Agora eles têm motivos demais no Mercadão para querer estar aqui. E eu continuo não gostando nada dessa história.

Edgar apenas balança a cabeça e entra, deixando Cecília segui-lo.
Nesse instante, outro carro estaciona. Celina desce elegante, acompanhada de Pierre.

CELINA: Ainda não entendi tanto a sua insistência em vir à essa inauguração, Pierre.

PIERRE: Curiosidade profissional. Quero saber como é o tempero da concorrência, já que vamos estar na mesma competição culinária.

CELINA (Sorrindo): Claro... Profissional.

Pierre ajeita o paletó e entra acompanhado de Celina.

CENA 06-RESTAURANTE DONA DA FEIRA/SALÃO/INT-NOITE

Logo na entrada, Monalisa aparece organizando a lista de convidados. Ela levanta os olhos e dá de cara com Pierre.

MONALISA: Olha só quem está aqui... (Debocha) O famoso chef francês Não Sei Quem Bonjour.

Pierre abre um sorriso provocador.

PIERRE: Se não é a troglodita dos tomates.

MONALISA: A camisa já secou?

PIERRE: Ao contrário do molho aguado que deve estar as receitas de vocês...

MONALISA (Força o sorriso): Sejam bem-vindos ao Dona da Feira. Aqui a comida é brasileira... Tem sustância... Seu estômago acostumado a receber ostra e caramujo será que aguenta comida de verdade?

PIERRE (Força o sorriso): Trouxe o antiácido de sobremesa. (Olha o movimento no salão) Vim conferir a concorrência.

MONALISA: Chegou cedo. O concurso é outro, mas aproveite a noite! Vai acabar descobrindo hoje o que é comida de verdade.

Pierre sorri amarelo e entra acompanhado de Celina. Monalisa revira os olhos.

CELINA: Entendi porque você ficou tão... Mexido, com a moça do tomate. Até que fazem um par bem bonitinho, a gata e o rato.

PIERRE (Encara): Ah, e o rato sou eu?! Tá bom... Mamãe ratona!

Celina ri. Vão se encaminhando até uma mesa. O salão cheio.

CENA 07-MERCADO MUNICIPAL/ CORREDOR/INT-NOITE

O movimento da inauguração chega aos corredores do Mercadão. Próximo do restaurante, em uma das galerias, Cadú sai do salão para respirar. Logo depois, Rafael aparece ao seu encontro.

Trilha Sonora On:https://youtu.be/ELawQg5ntfs?is=muj0o...

RAFAEL: Você fugiu... Eu tava procurando você.

CADÚ: Só por dois minutos, tá muito quente lá dentro. (Sorri) Mas eu percebi que você estava me procurando.

RAFAEL: Percebeu?

CADÚ: Você não é exatamente discreto.

RAFAEL (Ri): Eu queria te ver. Desde a noite do bar.

CADÚ: Eu também queria te ver. (Olha ao redor) Tem muita gente que eu conheço aqui.

RAFAEL (Percebe o desconforto): Seu pai?

CADÚ: Também. (Coça a cabeça) É complicado.

RAFAEL: Você não precisa fazer nada que não queira. É só que... Quando eu tô com você, as coisas parecem mais fáceis.

CADÚ (Sorri): Pra mim também. (Se encaram próximos) Aquele vídeo que você fez... Eu gostei. Foi importante me reconhecer como artista ali.

RAFAEL: Não era só papo de quem achou um cara bonito. (Ri) Eu realmente te acho um artista muito talentoso. Um cara... Incrível... E bonito, também.

Os dois riem, nervosos.

CADÚ: Você fala umas coisas que complicam tudo.

RAFAEL: E você foge quando eu falo.

CADÚ: Talvez eu esteja esperando você parar de falar e fazer alguma coisa.

Rafael entende. Se aproxima. Os dois se olhando com carinho e vontade. Cadú sorri. Rafael se aproxima e eles se beijam pela primeira vez. Um beijo delicado, mas intenso. Cadú segura na cintura de Rafael, que passa os braços em torno do seu pescoço. A câmera em close no primeiro beijo do casal.

EFEITO FINAL: Frutas variadas caem sobre a imagem, a cobrindo por completo. Uma porta metálica desce, encerrando o capítulo.

FIM DO CAPÍTULO

3 hours ago |[YT] | 1

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DONA DA FEIRA • Capítulo 12

Escrita por:
ERICK PAVANELLI

Livremente inspirada na peça “Dona Xepa” de: PEDRO BLOCH

Direção Geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura: https://youtu.be/7K4NfXEKqMA?is=pnBnq...

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CENA 01-RESTAURANTE DONA DA FEIRA/INT-NOITE

As portas do Dona da Feira ainda estão fechadas ao público, mas o restaurante já está iluminado, decorado e tomado pela correria dos últimos preparativos. Lalá circula pelo salão com uma lista nas mãos.

LALÁ: Tico, aquelas mesas precisam ficar mais afastadas. Monalisa, confere as reservas. (Se vira) E mãe, pelo amor de Deus, não mexe mais na cozinha!

Carmem vem da cozinha, já vestida para a inauguração, mas com um avental na cintura.

CARMEM: Oxe, tem é graça! O restaurante tem meu nome e eu não posso entrar na cozinha?

LALÁ: Pode... Depois que inaugurar.

Nair chegando junto com Jurema.

NAIR: Já decidi minha função: Relações públicas. Li num site, achei tão chique...

CARMEM (Mão na cintura): Quem te contratou?

NAIR: Ninguém. Por isso mesmo eu aceitei.

JUREMA: E o que é que faz essa tal de Relações públicas?

NAIR: Recebe os convidados, conversa, elogia o restaurante... E impede gente inconveniente de chegar perto da Carmem.

CARMEM: Então pode começar impedindo você.

Todos riem. Gustavo chega com uma caixa.

GUSTAVO: Última entrega, Lalá. Trouxe mais queijos e uns embutidos.

JUREMA (Metida): Deixa eu conferir a qualidade dos produtos.

GUSTAVO (Revoltado): Vinte anos vendendo no Mercadão e agora preciso passar pela fiscalização da Jurema. É mole?!

JUREMA: Antes até podia ser, agora vai entrar no Dona da Feira, meu filho. Aqui o padrão é alto!

Gustavo ri, balançando a cabeça. Olavo entra carregando um bonito buquê de flores. Carmem sem graça.

CARMEM: Olavo... Pra que isso?

OLAVO (Sorri): Pra você. A dona dessa noite.

Ele entrega as flores. Carmem sorri, tentando esconder o nervosismo.

CARMEM: Mas a inauguração é da Lalá.

OLAVO (Corrige): O restaurante é da Lalá. As flores são suas.

Jurema e Nair se cutucam e começam a rir. Carmem vira, cara de poucos amigos.

CARMEM: E vocês duas, não tem mais o que fazer não?!

Carmem ri. Mais adiante, Lalá para por um instante. Observa o restaurante. As mesas estão postas, a iluminação valoriza do a decoração. Na entrada, em posição de destaque, está a escultura da baiana do acarajé que Gael lhe deu.

CENA 02-RESTAURANTE DONA DA FEIRA/FRENTE/INT-NOITE

Lalá olhando tudo, emocionada. Carmem para ao seu lado.

CARMEM: Ficou bonito.

LALÁ (Sorrindo): Muito. Mais do que eu imaginava.

CARMEM (A olhando): Tá com medo?

LALÁ (Ri): Muito. Mais do que eu imaginava.

As duas riem. Carmem segura a mão da filha.

CARMEM: Meu pai dizia que só tem medo, quem sabe o tamanho do sonho que tem.

LALÁ: E se não der certo, mãe?

CARMEM: Você tenta de novo.

LALÁ: E se der?

CARMEM: Aí você trabalha o dobro.

Lalá sorri, olhos marejados.

LALÁ: Puxei você mesmo.

Carmem sorri, emocionada. Lalá abraça a mãe, que aperta a filha em seus braços, e contempla o restaurante por cima de seu ombro. Respira fundo.

CARMEM: Vamos abrir essa porta? O Dona da Feira tá pronto pra fazer história!

Lalá concorda, respira nervosa. Carmem sorri, orgulhosa. Mãe e filha seguem juntas em direção à entrada. A noite está prestes a começar.

CENA 03-ENTRADA DO MERCADO MUNICIPAL/EXT-NOITE

Trilha Sonora On:https://youtu.be/EPtrQpx9VDw?is=W0FyN...

O Mercadão está iluminado e cheio de movimento. Convidados entram para a inauguração do restante. Do lado de fora, um carro estaciona. Bernardo desce primeiro, veste-se com elegância, mas o nervosismo é evidente. Sofia sai ao seu lado e percebe que ele não consegue tirar os olhos da entrada do Mercado Municipal.

SOFIA: Você travou.

BERNARDO (Respira fundo): Tô pensando em voltar pro carro.

SOFIA: Tá com medo da sua irmã? Você veio atrás de uma segunda chance, amor, não pra fingir que nada aconteceu.

BERNARDO: Na infância, a Lalá sempre me defendia. Agora ela deve querer me ver bem longe daqui.

Sofia segura a mão do namorado.

SOFIA: Ela tem motivos pra estar magoada, mas eu conheci uma família que ama demais pra ficar diferente pra sempre.

BERNARDO: Você acredita mesmo nisso?

SOFIA: Eu acredito na sua mãe... E acredito que a Lalá tem o mesmo coração da dona Carmem. (Carinhosa) Vai, dá o primeiro passo.

Bernardo respira fundo, sorri e toma coragem. André e Beatriz descem do carro. Beatriz observa a movimentação do Mercadão com certo desconforto.

BEATRIZ: Nunca imaginei que pisaria aqui usando um vestido desses.

ANDRÉ: Você vai sobreviver, meu bem.

Ela ajeita a bolsa. Enquanto isso, André tira discretamente o celular do bolso e checa as mensagem. Franze a testa e guarda o aparelho. Beatriz percebe.

BEATRIZ: Você já olhou esse celular umas dez vezes desde que saímos de casa, André.

ANDRÉ: Coisas da empresa, meu amor.

BEATRIZ: Sábado à noite? Você está estranho, tem alguma coisa acontecendo?

ANDRÉ (Sorri): Estou ansioso. Afinal, não é todo dia que fazemos essa excursão pelo Centrão de São Paulo.

Beatriz o analisa friamente. Sente que há algo errado.

BEATRIZ: Você está esperando alguma coisa acontecer. Pra enganar Beatriz Aranha Alencar, você vai precisar ser mais criativo, meu amor.

André desmancha o sorriso, oferece o braço.

ANDRÉ: Vamos entrar? Não fica elegante fazer os anfitriões esperarem.

Beatriz lança um último olhar, desconfiada. Os quatro caminham em direção ao Dona da Feira. Bernardo encara a porta do restaurante, ansioso. André também encara a entrada do restaurante, calculando.

CENA 04-RESTAURANTE DONA DA FEIRA/SALÃO/INT-NOITE

As portas do Dona da Feira finalmente abriram. O restaurante enche rapidamente. Música, risadas e garçons circulando pelo salão dão o tom da grande inauguração. Lalá recebe do os convidados, ao lado de Carmem.

LALÁ: Sejam muito bem-vindos! Hoje a casa é de vocês.

Nair tomando conta da recepção.

NAIR: Reserva em nome de quem? Ah, entra, meu filho. Hoje ninguém sai daqui com fome!

Ao lado, Jurema distribui petiscos antes mesmo dos clientes se sentarem.

JUREMA: Experimenta esse bolinho. Se não gostar, pode reclamar... Mas isso não vai acontecer!

MONALISA: Mãe, pelo amor de Cristo, deixa o povo sentar primeiro!

JUREMA: Barriga vazia não espera essas etiquetas não, minha filha!

Os convidados riem. Jurema continua servindo os petiscos. Nesse instante, Gael entra acompanhado de Rafael. Lalá sorri automaticamente ao vê-los.

GAEL (Se aproxima): Parabéns, chef.

LALÁ: Obrigada por terem vindo.

Lalá e Gael permanecem se olhando por alguns segundos, até que Tico aparece por ali.

TICO: Lalá, a mesa do fundo tá pronta.

LALÁ (Desviando o olhar de Gael): Já vou lá.

Tico percebe a troca de olhares entre os dois e fecha a cara.

GAEL: Se precisar de qualquer coisa...

TICO: Ela já tem quem ajude!

O clima pesa. Lalá sorri, nervosa.

LALÁ: Meninos, hoje não.

Gael entende o recado e desvia. Rafael percorre o salão com os olhos, procurando alguém. Do outro lado, Cadú entra pela porta principal, vestido para a festa. Assim que vê Rafael, abre um sorriso tímido. Rafael retribui imediatamente. Se aproximam.

RAFAEL: Achei que você não vinha.

CADÚ: Imagina. Até desmarquei uma apresentação hoje, só pra prestigiar. (Olha em volta) Tá lindo.

Rafael o encara. Sorriem, constrangidos. Quem observa a cena é Gustavo, que franze a testa ao perceber a sintonia entre eles.

GUSTAVO: Tico, quem é aquele rapaz que tento fala com o seu irmão?

Tico olha para os dois e depois para o pai.

TICO: Nada, pai. Ele gravou um vídeo do Cadú cantando no bar. Devem estar falando disso.

GUSTAVO: Hum... Que menino estranho. Tanta risadinha dos dois...

Tico respira nervoso. Gustavo continua observando, à distância, ainda desconfiado. O salão está cheio quando a família Aranha Alencar entra. À frente vem André e Beatriz, mais atrás Sofia de mãos dadas com Bernardo. Do outro lado do salão, Lalá está recepcionando convidados. Assim que vê o irmão, seu sorriso desaparece. Carmem percebe a tensão.

CARMEM: Lalá...

LALÁ: Você convidou ele.

CARMEM: Claro que convidei, minha filha. Não só ele, mas em consideração à Sofia que sempre me tratou muito bem. Hoje é o seu dia, não deixa um briga roubar isso de você.

Lalá respira fundo, engolindo a mágoa. Bernardo se aproxima devagar.

BERNARDO: Parabéns pelo restaurante, Lalá. Ficou lindo.

Lalá demora alguns segundos para responder.

LALÁ: Obrigada.

BERNARDO: Escuta, eu sei que você tá com raiva de mim, decepcionada... Eu não espero que você me perdoe hoje, mas saiba que eu me arrependo de verdade, e preciso conversar com você em algum momento.

LALÁ: Ainda bem que você não espera que eu te perdoe hoje.

Carmem toca o ombro da filha.

CARMEM: Lalá... Vai receber os convidados, filha.

Lalá concorda e se afasta deles. Bernardo permanece parado, olhando a mãe por algum tempo e se afasta também. Nesse momento, Olavo se aproxima de Carmem.

OLAVO: Posso te dar os parabéns?

CARMEM (Ri): Os parabéns são da Lalá.

OLAVO: Também são seus. (Olha ao redor) Você criou dois filhos praticamente sozinha. Um restaurante cheio de gente... Uma filha realizando um sonho... Isso também é obra da mãe. (Encara) Eu tenho muito orgulho da mulher que você se tornou, Carminha.

Olavo segura suas mãos com delicadeza. Carmem olha ao redor, sem graça.

CARMEM: Para, Olavo, o povo tá olhando.

OLAVO: Que olhem! Eu tenho o maior orgulho de estar do lado de uma mulher tão incrível quanto você.

Ela sorri nervosa e emocionada para Olavo. Nair passa ao fundo, vê a cena e solta um sorrisinho malicioso.

🍉🍌CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER 🍓🍇

3 hours ago |[YT] | 2

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CENA 06-CIDADE/PRAÇA-FIM DE TARDE

No núcleo pitoresco da praça, Catarina caminha flertando com mais um pretendente audacioso, quando Durval surge de súbito, brandindo a sua bengala com furor.

DURVAL: Ora vejam só! Que espécime de sujeito é esse rondando a porta da minha filha?!

CATARINA: Pelo amor do céu, papai! É apenas um cavalheiro de boa estirpe conversando comigo!

DURVAL: Todo pretendente mal intencionado começa sempre por ser “apenas um cavalheiro”! Fora daqui, infeliz!

O rapaz, aterrorizado com a fúria do patriarca, dá meia-volta em disparada.

DURVAL: Volte aqui para eu medir o lombo do senhor com esta bengala!

Catarina segura o braço do pai, escandalizada.

CATARINA: Papai, por caridade, cesse com esse escândalo em praça pública!

DURVAL: Eu não consentirei que qualquer aventureiro fisgue o coração da minha filha!

Nesse instante, o pretendente em fuga desequilibra-se e vai esborrachar-se bem na beirada de um chiqueiro de porcos.

CATARINA: Virgem Santa! Papai, o senhor atirou o rapaz aos porcos!

DURVAL: Pelo menos agora ele aprenderá a não mexer com a família de Durval de Souza!

Dona Carmelita aproxima-se, balançando a cabeça em sinal de reprovação cômica.

CARMELITA: Ora, Durval, se continuas assim, vais entrar para a história como o carrasco dos genros desta freguesia.

DURVAL: Antes temê-lo-ão como carrasco do que vê-los folgados com o sangue da minha casa!

DIAS DEPOIS

CENA 07-PRAÇA/VARANDA-NOITE

A cidade inteira já ferve com os mexericos sobre o fim abrupto do romance entre Rosinha e Juca. O boato corre de boca em boca pelas ruas, alcançando os ouvidos de Felipe, que estampa um sorriso de triunfo.
Em uma elegante varanda da praça central, Felipe conversa animadamente com seu melhor amigo, Otávio, saboreando a novidade.

FELIPE: Você soube, Otávio? A barreira ruiu! O atorzinho de quinta categoria e a menina Rosinha já não caminham mais juntos. O caminho está livre!

OTÁVIO: Fiquei sabendo dos mexericos da vila, sim. Mas vejo-te demasiado alegre com uma desgraça alheia. Quais são vossos planos, então?

FELIPE: Planos claros como a luz do sol! Eu preciso marchar até o casarão da família dela e pedir formalmente a mão de Rosa em casamento aos seus pais. Com Francisco debilitado e a família aturdida com tantas revelações, é a oportunidade perfeita!

Otávio ergue uma sobrancelha, visivelmente cético diante da empáfia do amigo.

OTÁVIO: Dize-me uma coisa, Felipe... Tu realmente acreditas que Rosinha gostará de saber disso? Pelo que sei, até o momento atual a moça nutre profunda ojeriza por ti e não te ama nem um pouco.

O sorriso de Felipe desmancha-se num relâmpago, substituído por uma feição sombria e dominada pela arrogância. Ele cerra os punhos sobre a mesa de ferro.

FELIPE (Com a voz carregada de fúria contida): Isso pouco me importa! Ela há de ser minha, Otávio... Querendo ela ou não!

MANHÃ SEGUINTE... 🌤️

CENA 08-HOSPITAL/QUARTO-DIA

Jamily visita Juca na enfermaria do hospital pouco após a saída de Joel.

JAMILY: Estais com a fisionomia carregada, Juca. Que tormenta vos consome a alma?

JUCA: É a Rosinha... Não consigo tirá-la do meu pensamento, e agora temo ainda mais pela segurança dela.

JAMILY: Acaso vos enamorastes da menina da mansão?

Juca cora até a raiz dos cabelos, desconcertado.

JUCA: Talvez... Quem sabe? Mas preciso ser forte para protegê-la.

JAMILY: Pois então criai brio! O amor exige coragem contra as sombras que nos cercam.

JUCA: Tendes razão. Custar o que custar, hei de guardá-la das garras de quem quer que seja.

Ambos trocam um olhar de determinação.

CENA 09-CONFEITARIA DOIS AMORES-MANHÃ

O salão da confeitaria parece diminuir de tamanho. O tilintar das xícaras e o murmúrio abafado dos fregueses tornam-se distantes, irrelevantes diante da dor pesada que paira no ar. Rosinha avança por entre as mesas com passos firmes, mas trôpegos de angústia. O olhar de Rosinha já não carrega a suavidade de outrora, mas sim um brilho cortante, banhado em lágrimas contidas, desespero e mágoa acumulada.

KASSANDRA (com a voz estrangulada, pondo-se de pé): Aconteceu alguma desgraça, meu Deus? Estais pálida como uma hóstia...

Rosinha recua um passo, apertando rigidamente a fotografia contra o peito, sob as dobras do casaco, como quem protege uma brasa viva entre a dor do amor perdido e o choque da traição.

ROSINHA: Aconteceu, sim, Kassandra. A pior de todas. O mundo desabou sobre a minha cabeça.

KASSANDRA (as pernas fraquejando, as mãos trêmulas apoiadas no balcão):
O... o quê? Por todos os santos, fazei o favor de falar!

ROSINHA: Fiz uma descoberta terrível a teu respeito.

O pouco de cor que restava no rosto de Kassandra esvai-se por completo. O corpo inteiro começa a tremer, num calafrio que lhe gela a alma.

KASSANDRA: A meu respeito? O que sabes tu de mim, Rosinha? O quê?!

ROSINHA: Tudo.

Rosinha dá um passo decisivo à frente, a respiração curta, os olhos faiscando de indignação e dor imposta por quem deveria protegê-la.

ROSINHA: Por que razão guardaste segredo por tanto tempo? Por que calaste a verdade mais sagrada enquanto eu sofria e cedia o meu coração?

Kassandra, muda de pavor, cambaleia para trás até esbarrar pesadamente na fruteira de cristal, que chacoalha com o impacto. Com um gesto súbito e enérgico, Rosinha puxa o retrato de trás das costas e estende-o no ar, revelando os dois rostos idênticos capturados pela chapa fotográfica.

ROSINHA: Por que nunca me disseste
... por que nunca me confessaste que nós somos irmãs de sangue?!

Nesse instante, o silêncio desaba sobre a confeitaria. O burburinho cessa por completo; até o respirar dos clientes parece emudecer diante do drama que se desenrola.

KASSANDRA (com os lábios trêmulos, num sussurro quase inaudível): Tu... tu soubeste...

As lágrimas, enfim, irrompem sem controle pelos olhos de Kassandra, sulcando-lhe as faces pálidas.

KASSANDRA: Tu descobriste tudo...

Rosinha aproxima-se, a voz embargada por um misto de revolta e uma dor que lhe esmaga os pulmões.

ROSINHA: Descobri! Enquanto eu chorava a rejeição de Juca e me desfazia em mágoa, tu me escondias isto! Vasculhei o passado que quiseste sepultar. E pergunto-te, olhando nos meus olhos: por que calaste a boca todo esse tempo?

Kassandra abaixa a cabeça, os ombros curvados sob o peso da culpa e da vergonha.

KASSANDRA: Porque... porque o medo tolheu-me a alma, Rosinha. O pavor de perder-te antes mesmo de ter-te encontrado.

ROSINHA (franzindo o cenho, incrédula e magoada): Medo de quê? De mim, porventura? Acaso julgas que eu te rejeitaria como os outros fizeram?

KASSANDRA (chorando copiosamente, o peito arfando numa ânsia dolorosa):
Medo de que soubesses quem eu fui... dos abismos e dos erros que enlamearam o meu passado!

ROSINHA (com firmeza desmedida, dando mais um passo): Pouco me importa o teu passado, sua toula! Já me bastam as feridas da alma e a rejeição de quem eu amava! O pó do caminho lava-se com lágrimas. O que me rasga o coração é quem tu és agora... minha própria carne, meu sangue, minha outra metade!

Kassandra desaba sobre uma cadeira, cobrindo o rosto com as mãos, o corpo sacudido por soluços profundos.

KASSANDRA: Eu já nem sei quem sou, Rosinha! Estou perdida neste mundo cão, à deriva...

Num ímpeto de amor fraternal que vence qualquer dor ou ressentimento, Rosinha estende a mão e aperta com força os dedos gelados e trêmulos da gêmea.

ROSINHA: Então reerguer-nos-emos juntas, ouço-te bem? Vamos desvendar essa teia de mentiras e desgraças, fio a fio, até que restem apenas a verdade e a nossa união.

Kassandra ergue lentamente o rosto. Seus olhos fitam os traços perfeitamente idênticos aos seus no espelho da alma da irmã. Kassandra recua bruscamente, arrancando as mãos das de Rosinha, tomada por um pavor irracional.

KASSANDRA (num grito abafado):
Não... Não posso!

ROSINHA (surpresa e exasperada):
Por que dizes isso, criatura? Por quê?!

KASSANDRA (olhando freneticamente ao redor, como se as paredes tivessem ouvidos): Porque dona Filomena guarda segredos terríveis sobre a minha vida... Se eu abrir a boca, se eu ousar dizer um ai sequer, ela destruirá o pouco que restou de mim! Ela não tem piedade!

Rosinha fecha o cenho, petrificada pela gravidade da ameaça, mas irredutível como a justiça divina.

ROSINHA: Que espécie de segredos são esses, Kassandra? Fala!

Kassandra morde os lábios até sangrar, emudecida pelo terror absoluto,enqua-
nto o eco da ameaça de Filomena ressoa em sua mente como uma sentença de morte.

CORTE SECO.

FIM DO CAPÍTULO

5 hours ago |[YT] | 2

CineNovelas

DOIS AMORES • Capítulo 18
#ÚltimosCapítulos

escrita e criada por:
CALEBE TEIXEIRA

supervisão de:
VANESSA COUTO

direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura: https://youtu.be/MOHUTX8M590?si=j6K82...

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CENA 01-CASA ONDE FRANCISCO ESTÁ-MANHÃ

Francisco encara Joel e Donatela. A confusão está estampada em seu olhar.

FRANCISCO: Por Deus... Vocês sabem dizer quem sou eu?

JOEL: Sabemos, sim, seu Francisco. O senhor é o dono deste nome.

Francisco respira fundo, levando a mão à fronte.

FRANCISCO: Francisco…

Ele repete o próprio nome como se tateasse uma lembrança perdida na neblina.

DONATELA: O senhor sofreu um grave desastre, meu caro. Perdeu parte da memória.

FRANCISCO. E... e a minha família? Onde estão os meus?

Joel troca um olhar compadecido com Donatela.

JOEL: Sua esposa chama-se dona Adriana.

Francisco cerra os olhos com força, buscando na alma algum vislumbre.

FRANCISCO: Adriana…

DONATELA: E o senhor tem uma filha de coração puro.

Francisco, num sobressalto, indaga de imediato:

FRANCISCO: Seria a minha Rosinha?

Joel espanta-se com a fulguração repentina.

JOEL: Ora vejam! O senhor se lembrou dela!

As lágrimas sulcam o rosto de Francisco.

FRANCISCO: Não me recordo de tudo... mas trago gravado no peito o amor por essa menina.

CENA 02-CASARÃO DE ADRIANA-MANHÃ

Rosinha encontra-se no gabinete de Adriana, o espírito ainda perturbado pelos recentes acontecimentos envolvendo Kassandra.

ROSINHA: Por que razão ela agiu daquela maneira? Por quê?

Adriana entra no recinto, passos firmes, mas o semblante carregado.

ADRIANA: Estais a falar de Kassandra, minha filha?

ROSINHA: Sim, mamãe.

ADRIANA: Talvez... talvez ela oculte algum segredo que a atormente.

ROSINHA: Eu tenho a certeza absoluta de que há algo mais.

Os olhos de Rosinha recaem sobre uma antiga estante de mogno.

ROSINHA: Mamãe, permiti-me fazer uma pergunta.

ADRIANA: Pois não, fale.

ROSINHA: A senhora já conhecia Kassandra antes de ela cruzar o meu caminho?

Adriana sobressalta-se, o corpo tencionando-se.

ADRIANA: Jamais. Nunca a tinha visto.
Rosinha capta a hesitação na voz da mãe.

ROSINHA: Tem absoluta certeza?

ADRIANA: Ora, decerto que sim!

Rosinha cruza os braços, convicta de que há meias-verdades no ar.

Adriana retira-se, deixando o ambiente em silêncio.

Rosinha aproxima-se vagarosamente da estante. Uma caixa de veludo antigo, empoeirada pelo tempo, desperta-lhe a cobiça.

ROSINHA: Que mistérios repousarão aqui dentro?

Com delicadeza, ela puxa a caixa. No interior, jazem fotografias amareladas, documentos de cartório e cartas de caligrafia mui delicada. Rosinha remexe os papéis até deparar-se com um retrato de Adriana embalando dois recém-nascidos.

ROSINHA: Duas crianças...

Curiosa, ela volta a fotografia. No verso, lê-se em tinta preta:
“Minhas duas meninas.”

Um calafrio percorre a espinha de Rosinha.

ROSINHA: Duas meninas?... Mas como?

Entre os papéis, Rosinha tateia um envelope desgastado pelo uso. Nele está grafado: “Para Adriana sobre as meninas.”

Afoita, ela rasga o lacre e desdobra a folha.

ROSINHA: “As duas criaturas vieram ao mundo na mesma noite...”

Ela prossegue a leitura, a respiração fatiada pelo nervosismo.

ROSINHA. “Uma delas ficará sob a guarda de Antenor. A outra deverá ser entregue à família de...”

O papel termina rasgado abruptamente.

ROSINHA: Não! Por Santa Luzia, rasgaram o resto!

Ela vasculha o fundo da caixa em busca do trecho faltante. Encontra uma segunda folha, mas, antes que possa fixar os olhos nela, uma fotografia desliza e vai de encontro ao assoalho. Rosinha agacha-se e apanha o retrato.

São duas bebês idênticas, espelhos uma da outra. No verso, a caligrafia de Adriana sentencia: “Rosinha e Kassandra.”

O mundo parece desabar ao redor de Rosinha. Ela paralisa.

ROSINHA: Kassandra...

Ela ergue o retrato, colando-o quase junto ao rosto.

ROSINHA: Não pode ser verdade... Não!

A porta range. Adriana adentra o gabinete.

ADRIANA: Rosinha? O que faz...

A moça volta-se lentamente, a fotografia trêmula entre os dedos.

ROSINHA: Mamãe...

Adriana perde a cor do semblante ao fitar o retrato.

ROSINHA: Por que razão o nome de Kassandra está escrito no verso desta lembrança?

Nenhuma resposta sai dos lábios de Adriana.

ROSINHA: Eu exijo saber! Por que este nome está aqui?

ADRIANA: Minha filha...

ROSINHA: Acaso ela é minha irmã de sangue?

O silêncio no escritório pesa como chumbo.

ROSINHA: Olhe bem nos meus olhos, mamãe!

As lágrimas saltam aos olhos de Adriana, que cede à exaustão da mentira.

ADRIANA: Sim... É verdade.

Rosinha cambaleia, o espírito atônito.

ROSINHA: Sim o quê, meu Deus?

Adriana respira fundo, amargurada pela confissão tardia.

ADRIANA: Kassandra é sua irmã. Sua irmã gêmea, sangue do meu sangue.
Rosinha leva as mãos à boca, sufocando um grito de dor.

ROSINHA: Gêmea... Oh, Virgem Santíssima...

As lágrimas jorram sem controle.

ROSINHA: E eu... eu que passei tanto tempo a penar à procura de uma irmã...

Adriana avança para abraçá-la, mas Rosinha recua, enternecida e magoada.

ROSINHA: ...E ela esteve todo este tempo diante dos meus olhos. Por que me ocultaram tal desatino? Por que ninguém ousou me dizer a verdade?

ADRIANA: Porque os fatos deram-se numa época em que vossa inocência não alcançaria a gravidade de tal desgraça.

ROSINHA: Eu já tinha brio suficiente para saber a verdade!

ADRIANA: Eu bien sei, minha filha...

ROSINHA: Quem foi o monstro que nos separou no berço?

Adriana cala-se, o olhar fugidio.

ROSINHA: Responda, mamãe!

ADRIANA: Eu... eu ainda não possuo toda a verdade sobre aquela noite infinda.

ROSINHA: Mas a senhora desconfia de alguém. Quem foi?

ADRIANA: Sei que houve mentes diabólicas por detrás de tudo isto.

Rosinha fita novamente os papéis espalhados.

ROSINHA: Filomena... Acaso foi obra de dona Filomena?

Adriana emudece. A confirmação está no silêncio.

ROSINHA: Foi ela... Eu sabia.

NO DIA SEGUINTE:

CENA 03-QUARTO DO HOSPITAL-MANHÃ

Juca recupera-se em um leito do hospital local. Joel adentra o quarto com passos cautelosos e fecha a porta atrás de si.

JUCA: Joel? O que fazes aqui? Alguma novidade sobre o seu Francisco?

JOEL: Acalme-se, meu jovem. O seu Francisco está são e salvo e logo há de reaparecer perante todos. Mas o motivo de minha visita é outro... É sobre a Rosinha.

Juca ajeita-se na cama, visivelmente tenso.

JUCA: O que aconteceu com ela? Diga de uma vez!

JOEL: Nada de mal, graças a Deus. Mas venho pedir-lhe prudência. A menina Rosinha possui a alma pura e o coração precipitado. Com os fatos que estão prestes a vir à tona, ela correrá sério perigo se resolver agir por conta própria.

JUCA: Eu jamais permitiria que qualquer mal a atingisse!

JOEL: Pois então ouça o meu conselho: resguarde a moça. Preserve a inocência e a integridade de Rosinha a todo custo, ao menos até desmesclar-
mos essa teia e descobrirmos quem realmente orquestra todas essas maldades contra vós.

Juca cerra os punhos sobre o lençol, compenetrado.

JUCA: Tendes a minha palavra, Joel. Protegerei a Rosinha com a minha própria vida, se preciso for.

CENA 04-HOSPITAL-TARDE

No dia seguinte, Rosinha cruza os corredores do hospital com o coração apertado até alcançar a enfermaria onde Juca repousa. Ao vê-la entrar, Juca tenta endireitar-se no leito, o semblante severo e contido.

ROSINHA: Juca... Vim correndo assim que pude. Como estás?

JUCA: Estou bem, Rosinha. Mas a verdade é que a vossa visita aqui é desnecessária.

Rosinha sobressalta-se, o sorriso congelando nos lábios.

ROSINHA: Desnecessária? Juca, que modo de falar é esse comigo?

Juca desvia o olhar, cravando os olhos na parede branca para não sucumbir às lágrimas que ameaçam traí-lo.

JUCA: Eu estive a pensar... O nosso romance não tem futuro. Nós viemos de mundos opostos, e eu não quero continuar a alimentar ilusões.

ROSINHA: Ilusões?! Tu dizias que o nosso amor era a coisa mais verdadeira do mundo! O que mudou de ontem para hoje?

JUCA: Eu mudei! Cansou-me esta vida de incertezas, de confusões à tua volta. Não posso mais caminhar ao teu lado. Por favor, Rosinha... Acabou. Esquece-me.

Rosinha recua um passo, o peito estalando de dor, as lágrimas a inundarem-lhe o rosto.

ROSINHA: Tu... tu nunca me amaste de verdade...

JUCA (PENSAMENTO): Se soubesses, meu amor, que faço isto unicamente para afastar de ti a mira dos assassinos que nos cercam... Que a minha alma chora enquanto os meus lábios te ferem...

JUCA (Em voz alta, ríspido): É isso mesmo. Passar bem, Rosinha.

Rosinha vira as costas a correr, desfeita em pranto, sem imaginar que, no peito de Juca, o amor por ela sangra de forma irreversível e solitária.

CENA 05-CONFEITARIA-FIM DE TARDE

Na confeitaria movimentada, Kassandra atende a freguesia com esmero, esforçando-se por disfarçar a tormenta interior.
Dona Marocas, atenta como sempre, cerra os olhos para a moça.

MAROCAS: Vós estais com a cabeça nas nuvens hoje, menina. Que desassossego é esse?

KASSANDRA: Eu? Ora, dona Marocas, decerto que não.

MAROCAS: Não me venha com subterfúgios.

Kassandra, nervosa, leva o indicador à ponta do nariz, tiquinho antigo.

MAROCAS: Ora vejam só! Lá vem vós outra vez com essa mania de coçar o nariz quando o pensamento voa longe.
Kassandra ri sem graça.

KASSANDRA: É o meu jeito de arquitetar as coisas, benza Deus.

MAROCAS: Pois ponha menos o dedo no nariz e mais açúcar nos bolos, que o movimento hoje está forte!

Kassandra volta-se para a bancada de doces. No entanto, ao erguer os olhos, avista Rosinha a transpor a ombreira da porta.

O sangue gela-lhe nas veias. O prato que segura quase estilhaça no chão.

KASSANDRA: Rosinha...

💐🥥 CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER 💐🥥

5 hours ago |[YT] | 1

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CONFLITO • Capítulo 29
#ÚltimosCapítulos

escrita e criada por:
JOÃO GABRIEL FERNANDES

Supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO

direção geral:
DIOGO ITAMAR

abertura: https://youtu.be/5ZqTP2gLy28?is=FlRUn...

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CENA 01-EXT/FÓRUM/ENTRADA-DIA

Movimento intenso de pedestres, imprensa e curiosos. O clima é tenso.
Clara e Miguel sobram no meio da multidão. Clara caminha com os olhos baixos, as mãos cruzadas e ombros encolhidos.
As pessoas ao redor começam a notar Clara. Cochichos e olhares julgadores surgem.

CURIOSA 1: É ela… A menina do acidente… A irmã da vítima.

CURIOSA 2: Ela nem devia estar aqui.

Clara se encolhe ainda mais e agarra com força a mão de Miguel. Ela treme.

CLARA (baixo, voz trêmula): Eu não gosto disso…

Miguel para de andar e segura suavemente os ombros dela.

MIGUEL: Olha pra mim.

Clara ergue o olhar, assustada.

MIGUEL: Você não deve nada a ninguém.

CLARA (baixa o olhar): Eu só queria minha irmã aqui… Ela me protegeria disso…

Miguel a abraça com força, acolhendo-a.

MIGUEL: Eu tô aqui.

CURIOSA 3 (passa ao lado, alto): Coitado desse rapaz… Podia arrumar alguém melhor.

CURIOSA 4 (ri): Ela nem entende direito o que tá acontecendo…

As palavras atingem Clara como golpes.

MIGUEL (sussurra): Ignora.

GRUPO DE CURIOSOS: Ela tá com ele por quê? Isso não é normal…

MIGUEL: Fica comigo.

HOMEM DA MULTIDÃO: Isso é exploração emocional!

Clara trava. A respiração acelera. A pressão acumulada atinge o limite.

CLARA (sussurro desesperado): Não…

MIGUEL: Clara, não escuta—

CLARA (grita, em prantos): EU NÃO SOU UM ERRO!

O barulho ao redor cessa imediata-
mente. Silêncio constrangedor. Clara treme sem parar.

CLARA (voz sufocada pelo choro):
Eu não sou um erro…

Miguel a puxa para um abraço protetor e firme.

MIGUEL: Você não é.

Clara desaba em seu peito, chorando copiosamente. Miguel ergue o olhar para as pessoas ao redor. Seu olhar é severo.

MIGUEL: Chega! Ninguém aqui tem o direito de falar da vida dela. Ela não fez nada de errado. E quem fala dela assim… não sabe nada da história.

A multidão se cala, envergonhada, mas ainda observando.

CLARA (no peito dele): Eu tô cansada disso…

MIGUEL (segura o rosto dela com as duas mãos): Olha pra mim. Você não precisa se esconder. Você só precisa viver.

Clara engole o choro e limpa as lágrimas. Pela primeira vez, ergue a cabeça.

A pouca distância dali, Letícia observa a cena. Ela sente um misto de dor, ciúme e confusão. Cristian se aproxima.

CRISTIAN: Tá tudo bem?

LETÍCIA (hesita): Eu não sei mais.

Do outro lado do saguão, Helena anota algo discretamente num bloco de notas enquanto observa Miguel e Clara, e depois Cristian e Letícia.

HELENA (murmura): Todos estão emocionalmente envolvidos… Isso vai interferir no caso.

CENA 02-INT/FÓRUM/CORREDOR- CONTÍNUO

O corredor está mais calmo, mas a tensão permanece. Cristian está visivelmente nervoso, encostado na parede. Letícia se aproxima lentamente.

LETÍCIA: Você tá bem?

CRISTIAN (sorriso fraco): Tentando. E você?

Letícia respira fundo, encarando-o com sinceridade.

LETÍCIA: Eu tô perdida entre o que sinto e o que eu preciso ser. (Silên-
cio entre os dois) O que você fez mexe comigo… E isso tá ficando perigoso.

CRISTIAN (voz baixa): Eu não queria isso…

LETÍCIA: Eu sei. (sussurra) Mas eu tô gostando de você.

Um silêncio pesado se estabelece. Não há mais como negar a atração e o conflito entre eles.

A distância, Helena acompanha Cristian com um olhar analítico e atento. Ela faz mais uma anotação.

HELENA (murmura para si): Ele sabe mais do que deveria…

CENA 03-INT/FÓRUM/SALA DO TRIBUNAL-MINUTOS DEPOIS

A sala do tribunal está lotada. Clima pesado. Câmeras de TV a postos, plateia tensa e olhares atentos.
Bernardo entra algemado, vestindo trajes do sistema prisional, caminhar cabisbaixo.

Na plateia, Fernanda assiste a tudo de longe, visivelmente emocionada.
Do outro lado da plateia estão Cristian, Letícia e Miguel. Clara está sentada ao lado de Olívia. Leonas está sentado na plateia, algemado e escoltado por guardas, observando com ódio contido. O Juiz entra e bate o martelo. Silêncio absoluto no recinto.

JUIZ. Iniciamos o julgamento do réu Bernardo Almeida.

PROMOTOR (ergue-se): O réu é acusado de homicídio culposo com fuga do local do acidente, tentativa de homicídio e fraude na investigação.

Bernardo abaixa a cabeça, imóvel.

JUIZ: Chamo à tribuna a testemunha Letícia.

Letícia se levanta. Caminha até o depoimento. Ela está firme, mas transparece emoção.

LETÍCIA: Eu fui a responsável pela investigação jurídica inicial do Cristian… E foi através dela que descobrimos inconsistências no caso.

Letícia faz uma pausa e encara Bernardo diretamente.

LETÍCIA: E hoje está claro que ele estava no local do acidente… E não prestou socorro.

A plateia murmura. O clima fica tenso.

JUIZ: Próxima testemunha: Karina.

Karina entra na sala. Pálida, mas com postura decidida. Olhas para o Juiz e, em seguida, para Bernardo. Respira fundo.

KARINA: Eu… conheci o réu.
(pausa longa) E sei que ele estava envolvido no acidente.

Leonas aperta os punhos nas algemas, com raiva transparecendo no olhar.

KARINA: E também sei que pessoas tentaram esconder isso.

Silêncio absoluto na sala de audiência.

KARINA (quebrando a voz): Eu não vou mais proteger ninguém.

Leonas perde o controle e se levanta bruscamente da cadeira.

LEONAS (grita): ISSO É UMA FARSA! MEU FILHO NÃO VAI SER CONDENADO!

Os seguranças o seguram imediatamente, forçando-o a se sentar. Miguel observa o pai de longe, sem reagir apenas contemplando o fim e a ruína de Leonas.

JUIZ: Ordem no tribunal! Chamo o réu, Bernardo Almeida, para depor.

Bernardo se levanta devagar. As mãos e as pernas tremem. Ele caminha até o microfone, respira fundo e olha para todos no tribunal.

Bernardo abre a boca para falar. O silêncio na sala é total.

CENA 04-INT/FÓRUM/SALA DO TRIBUNAL

CÂMERA PASSAGEM RÁPIDA (RITMO DE CLÍMAX):

• BERNARDO parado no microfone, prestes a confessar tudo.

• LEONAS contido pelos seguranças, tentando manter o controle e falhando miseravelmente.

• KARINA de cabeça erguida, quebrando alianças do passado.

• LETÍCIA E CRISTIAN trocando olhares carregados de divisão emocional e sentimentos proibidos.

• CLARA segurando a mão de Miguel, exausta do julgamento da sociedade, mas encontrando forças para continuar.

• HELENA fechando seu bloco de anotações, registrando cada detalhe da derrocada dos envolvidos.

LOCUÇÃO: "Quando o julgamento começa, ninguém sai o mesmo. Nem os culpados. Nem os inocentes. Quando a verdade vira notícia, o mundo decide julgar antes de entender. Mas agora a verdade não é mais descoberta… Ela está sendo pronunciada. Não é só justiça. É sobrevivência emocional."

Corte rápido para tela preta.

FIM DO CAPÍTULO

1 day ago |[YT] | 9

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CENA 04-SÃO PAULO/SHOPPING/ BOUTIQUE/INT-DIA

Trilha Sonora On:https://youtu.be/nrzoQGcc4oc?is=LEFPw...

Beatriz sai do provador com um vestido sofisticado. Dá uma volta diante do espelho enquanto uma vendedora ajeita a peça. Cecília está sentada em uma poltrona, cercada por sacolas, mas sua cabeça parece estar longe dali.

BEATRIZ (Para a vendedora): É esse, queridinha!

CECÍLIA: Mas você nem experimentou os outros três.

BEATRIZ: Não preciso. Esse vestido diz exatamente o que eu quero dizer.

CECÍLIA: E o que exatamente você pretende dizer na inauguração de um restaurante no Mercadão?

Beatriz se admira no espelho, ajeitando o vestido.

BEATRIZ: Que elegância não depende do endereço. Depois daquele jantar, Carmem deve ter saído da minha casa achando que bastava pegar uma lagosta com a mão pra transformar falta de modos em personalidade. Pois eu vou deslumbrante. Um pequeno choque de realidade não faz mal a ninguém.

CECÍLIA: Você vai à inauguração da filha dela ou a uma competição imaginária com a Carmem?

BEATRIZ: Eu não compito com feirante, Cecília.

CECÍLIA: Claro. Por isso está escolhendo vestido há quarenta minutos.

Beatriz lança um olhar atravessado.

BEATRIZ: Você hoje está especialmente desagradável.

Ela entra novamente no provador. Cecília desfaz o sorriso. Olha para a bolsa, inquieta. A imagem da promissória assinada por Edgar parece não sair de sua cabeça.

CECÍLIA: Bia... Eu queria te pedir uma coisa.

Beatriz reaparece, já tirando os brincos que havia experimentado.

BEATRIZ: Se for dinheiro emprestado, fala com o André. Pelo visto ele abriu uma financeira e esqueceu de me avisar.

CECÍLIA: É justamente sobre isso. Eu descobri o empréstimo que o Edgar fez com o seu marido.

BEATRIZ (Cortando): Ceci, você é minha amiga há anos. Sabe que André não me consulta sobre os negócios dele. Já tentou conversar com Edgar?

CECÍLIA: Eu já tive essa conversa com ele. (Nervosa) Edgar estava desesperado, fez uma besteira e procurou seu marido. Mas é muito dinheiro, Beatriz. Só estou pedindo que o André se lembre de que nós somos amigos há anos. Nossos filhos cresceram juntos. Edgar não é um desconhecido que apareceu na porta da casa de vocês.

BEATRIZ (Seca): Cecília, eu não vou me meter num acordo comercial feito entre dois homens adultos.

Beatriz começa a escolher uma bolsa, tentando encerrar o assunto. Cecília a observando.

CECÍLIA: Curioso. Você não se mete nos negócios do André... Mas outro dia estava bastante metida naquela história do Bernardo. Você mesma disse que precisava apoiar o namoro da Sofia porque André precisava do Bernardo para os tais “esquemas” dele.

Beatriz devolve a bolsa à bancada com certa força.

BEATRIZ: Você está misturando assuntos que não têm absolutamente nada a ver. Pare de especular coisas que você desconhece, querida.

Cecília a encarando, nervosa. Beatriz abre um sorriso falso.

BEATRIZ: Vamos terminar as compras? A inauguração daquela cafonalha é hoje, e eu ainda preciso escolher os sapatos.

Beatriz sai da área de provador, indo abordar a vendedora no salão da loja. Cecília fica a encarando à distância, irritada e preocupada.

CENA 05-MERCADO MUNICIPAL/ FUTURO RESTAURANTE/INT-DIA

O restaurante está em plena correria de preparação. Tico ajeita mesas enquanto Lalá confere uma lista. Jurema aparece da cozinha com um pano no ombro. Olavo chega carregando uma caixa junto com um entregador.

LALÁ: Você bem podia ter deixado pra um dos seus funcionários terem feito essa entrega hein, Olavo!

OLAVO (Olha Carmem, sorri): E perder a oportunidade de ouro em encontrar a sua mãe?

Lalá ri. Carmem ri e desvia o olhar de Olavo. Do outro lado, Américo nega com a cabeça, cheio de ciúmes. Nair percebe.

NAIR: Vai acabar roendo o cotovelo de tanta dor, seu Américo.

AMÉRICO (Rabugento): Quem tá com dor de cotovelo aqui, sua enxerida?

Nair joga um pano nele, que continua reprovando o flerte entre Carmem e Olavo. Jurema se aproxima.

JUREMA: É esse então o famoso Olavo?

OLAVO (Ri): Famoso porque?

JUREMA: Pelo namorico antigo.

MONALISA: Mãe!

Jurema e Nair riem. Carmem se aproxima.

CARMEM: Vocês tão querendo saber mais da minha vida do que eu. Bora querer arrumar isso aqui tudo rápido, porque hoje, a gente tem uma inauguração daquelas?

Lalá puxa a mãe para longe daquela bagunça toda. Vai levando-a para frente do restaurante.

LALÁ: Tá vendo isso tudo, dona Carmem? Só é possível porque a senhora me fez acreditar um dia que seria.

CARMEM (Emocionada): Imagina, filha. Foi o seu esforço, a sua luta todo dia que fez isso aqui acontecer.

Lalá segura a mão da mãe, as duas se olham emocionadas.

LALÁ: Eu tenho o maior exemplo bem pertinho de mim. O exemplo a seguir e meu maior orgulho. Eu te amo, mãe.

CARMEM (Olhos marejados): Saiba que você também é meu maior orgulho, filha. (Suspira) Queria que seu irmão também tivesse o mesmo sentimento que você tem por mim.

Lalá desfaz o sorriso um pouco. Respira fundo.

LALÁ: O Bernardo ainda vai precisar levar uma grande rasteira da vida pra aprender, mãe. Infelizmente. Só espero que não seja tarde quando ele cair em si de todas as besteiras que já fez.

Carmem fecha os olhos, suspira. Encara a fachada do restaurante e sorri orgulhosa.

CARMEM: Agora bora agilizar que a gente ainda tem um restaurante para abrir!

Lalá segura a mão da mãe. As duas sorriem, encarando uma à outra e depois encarando o restaurante Dona da Feira, prestes a inaugurar. CLOSE FINAL em mãe e filha.

EFEITO FINAL: Frutas variadas caem sobre a imagem, a cobrindo por completo. Uma porta metálica desce, encerrando o capítulo.

FIM DO CAPÍTULO

1 day ago |[YT] | 3

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DONA DA FEIRA • Capítulo 11

Escrita por:
ERICK PAVANELLI

Livremente inspirada na peça “Dona Xepa” de: PEDRO BLOCH

Direção Geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura: https://youtu.be/7K4NfXEKqMA?is=pnBnq...

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CENA 01-CASA DE CARMEM/SALA/ INT-NOITE

Bernardo encara a mãe, com medo de sua resposta. Ela se aproxima dele.

CARMEM: Eu posso ficar com raiva, posso mandar você embora, posso passar uma semana dizendo que nunca mais quero olhar na sua cara... (Voz embargada) Mas continuo sendo sua mãe. Isso é justamente o que torna tudo mais difícil.

BERNARDO: Eu sinto muito, mãe. Por tudo.

CARMEM: Eu acredito que você sente. Mas a ferida não vai desaparecer porque você veio aqui e falou bonito. Vai levar um tempo... Mas... Eu te perdoo.

Bernardo ensaia um sorriso. Ela abre os braços, ele se aproxima devagar e os dois se abraçam, emocionados.

BERNARDO: Obrigado, mãe. Obrigado de coração.

CARMEM (Encara): Espero que você realmente esteja sentindo isso de coração. (Se afastando) E a Sofia? Ela veio conversar comigo.

BERNARDO (Sorri): Nós reatamos o namoro. Ela resolveu me dar outra chance também.

CARMEM (Sorri carinhosa): Então não desperdiça. Aquela moça é rara de se encontrar por aí, Bernardo.

BERNARDO: Eu sei. Ela me faz querer ser um homem melhor. E eu vou ser!

CARMEM: Mas lembre de uma coisa, filho: Ninguém faz ninguém virar coisa nenhuma. Sofia pode caminhar do seu lado, mas quem tem que buscar essa mudança é você mesmo!

Bernardo balança a cabeça positivamente. Olha ao redor.

BERNARDO: A inauguração do Dona da Feira é amanhã, né?

CARMEM: É sim. Os preparativos estão correndo que é uma loucura!

BERNARDO (Sorri discretamente): Eu queria ir. Não quero aparecer como se nada tivesse acontecido. Só queria estar lá... Pela Lalá, por você.

Carmem respira fundo, hesita para responder.

CARMEM: O nome pode até ser meu, meu filho, mas o restaurante é da sua irmã. Então não sou eu que tenho que deixar você ir. Comigo, você começou uma conversa hoje, mas com ela, você ainda nem começou.

Bernardo engole seco, concorda.

BERNARDO: Espero que ela também possa me perdoar, e talvez, recomeçarmos.

Carmem suspira, encara o filho. Em Bernardo.

CENA 02-CASA DE GUSTAVO/SALA/ INT-NOITE

Gustavo exulta diante de Cadú. Tico ao lado, pronto para sair em defesa do irmão.

TICO: Pai, escuta o que o Cadú tem pra dizer!

GUSTAVO: Escutar o que? Esse sonho absurdo de virar cantor de boteco, e largar tudo o que eu construí pra vocês uma vida inteira? (Ri nervoso) É inacreditável isso!

CADÚ: Pai, eu só tô dizendo que vou começar a diminuir meus horários na barraca, e que quero investir na música. Ensaiar, fazer mais apresentações, aproveitar as oportunidades que aparecerem. Não tô largando a barraca completamente, mas quero me afastar um pouco.

GUSTAVO (Tom/ Nervoso): PRA VIRAR CHACOTA DE BÊBADO!

CADÚ (Tom): Pra tentar ser o que eu quero ser!

Gustavo olha para Tico, esperando apoio.

GUSTAVO: E você acha bonito?

TICO: Eu acho bonito ele ter coragem.

Gustavo braço e contrariado, pega a caixa que trouxe para casa, e encara os filhos.

GUSTAVO: Tudo bem! Tá certo! O errado aqui sou eu! Mas depois não venham dizer que eu não avisei, quando alguém quebrar a cara, ou coisa pior por aí! Não venham!

Ele sai da sala, pisando firme. Cadú observa o pai se afastar, fraqueja por um instante.

CADÚ: Um dia ele ainda vai me odiar.

TICO (Toca em seus ombros): Não deixa o medo do que ele vai pensar escolher a sua vida por você. (Sorri) Agora abre esse vídeo de novo aí. Quero analisar melhor os interesses profissionais do carinha lá, qual o nome mesmo?

CADÚ (Ri): Rafael.

TICO: Isso, Rafael. Meu futuro cunhado.

Os dois riem, divertidos. Cadú abre novamente o vídeo, tentando distrair daquele embate com o pai. Suspira fundo.

A tela escurece.

CENA 03-CASA DE JUREMA/COZINHA/INT-MANHÃ

O Sol entrando pela cozinha, que parece ter enfrentado uma batalha. Panelas abertas, potes de temperos, farinha espalhada, queijos, ervas e legumes por todos os lados. Monalisa entra pela calçada, vindo do quintal, vê Jurema mexendo umas panelas ao mesmo tempo. Nair observa sentada à mesa, beliscando ingredientes, enquanto está com um cronômetro na mão.

JUREMA (Acelerada): Nair, prova aquele molho ali pra mim!

MONALISA (Severa): Não prova! Ainda faltam três minutos de redução.

JUREMA: Minha filha, eu faço esse molho desde antes de você ter dente.

MONALISA: E agora vai fazer diante de jurado. Tem tempo, apresentação, empratamento...

NAIR (Rindo): Vocês duas vão sair no tapa antes mesmo da primeira prova.

O cronômetro apita, encerrando o tempo. Monalisa pega o objeto de Nair.

MONALISA: Acabou o tempo! Seu prato tinha que estar pronto agora.

JUREMA (Revoltada): Mas não tá! E eu não vou apressar o frango pra cozinhar mais rápido, porque um telefone apitou não!

Monalisa passa a mão pelo rosto. Coça o queixo.

MONALISA: Mãezinha, eu sei que a sua comida é maravilhosa, incrível, deliciosa, mas... Precisa levar essa competição à sério. Tem que encarar com profissionalismo. Se você levar pra competição essa comida que a gente conhece, sem tentar imitar chef metido a besta... Você pode chegar longe.

JUREMA: Não quero chegar longe, quero chegar no prêmio!

NAIR (Implica): Mas ninguém vai dar 50 mil reais pra uma competidora desaforenta e barraqueira assim!

Jurema joga um pedaço de legume nela, que desvia, rindo. Monalisa se coloca no meio das duas.

MONALISA: Tá, tá bom! Vamos de novo então. Dessa vez tentar fazer dentro do tempo, tá bom?

Jurema concorda. Monalisa solta o cronômetro, e Jurema começa a correr novamente com os ingredientes, atordoada. Nair ri, se divertindo com a situação.

🍌🍓 CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER 🍉🍓

1 day ago |[YT] | 3

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CENA 05-CASA DE KASSANDRA- TARDE

Instrumental On:https://youtu.be/qd7KH6FHyBw?is=9DScC...

Kassandra está de pé diante de Filomena, que a encara com altivez.

FILOMENA: Acredito que não lhe tenha escapado o destempero de ontem.
Rosinha agora dedica-se a xeretar o meu passado! Quero que faça aquela garotinha desistir dessa insensatez.

KASSANDRA (Nervosa): E de que maneira?

FILOMENA: Faça com que ela conclua que você não é digna de confiança.

KASSANDRA (Horrorizada): Não! Isso eu não farei!

FILOMENA: Pois então eu mesma encarrego-me de revelar toda a verdade. Se a ingênua da Rosinha descobrir o seu passado sórdido, duvido que volte a olhar na sua cara.
Julga que sua irmã continuaria a dedicar-lhe afeição após saber de todas as suas desonras?

Kassandra desaba a chorar em desespero, cabisbaixa.

KASSANDRA: Ela é a única alma que me restou neste mundo...

FILOMENA (Fria): Portanto, faça o que for preciso se não quiser perdê-la para sempre!

Instrumental off.

CENA 06-PRAÇA-FIM DE TARDE

Rosinha aproxima-se e encontra Kassandra cabisbaixa num banco.

ROSINHA: Que sorte a minha! Preciso conversar com você... Ontem tentaram matar o Juca! Por um triz ele escapou... Não suportaria perder meu grande amor.

KASSANDRA (Arregala os olhos, em pavor): Meu Deus! Ele está bem?!

ROSINHA: Está... Mas o Joel apurou que Filomena pode estar envolvida nisso e na separação das duas meninas. Você sabe de algo?

KASSANDRA (Desvia o olhar, tensa): Absolutamente nada! Cesse essa investigação, eu lhe imploro!

ROSINHA: Não posso parar! Passei a vida sem saber quem sou, e agora descubro que tentaram ocultar tudo de mim. Prefiro uma verdade dolorosa a uma mentira!

KASSANDRA (Desesperada): E se essa verdade a fizer abominar-me?!

ROSINHA: Por qual motivo haveria eu de odiá-la?

Instrumental On:https://youtu.be/krb49yMgrpg?is=zLZBf...

Dominada pelo pânico e lembrando das ameaças de Filomena, Kassandra empurra Rosinha violentamente. Rosinha recua, pasma.

ROSINHA: Kassandra! Ficou louca?! Eu sou sua amiga! Por que fez isso?!

KASSANDRA: Porque estou tomada pelo pavor... Você não sabe quem eu sou de verdade!

Sem aguentar a pressão, Kassandra dá as costas e sai correndo em disparada.

CENA 07-ALAMEDA DESERTA CONTINUAÇÃO

Kassandra para na alameda deserta, arfante e em lágrimas. Coça o nariz num gesto nervoso.

KASSANDRA: Meu Deus... O que foi que eu fiz?! Agredi a Rosinha... Aquela maldita Filomena conseguiu o que queria...

Kassandra solta uma gargalhada nervosa e histérica. Interrompe o riso de estalo e ergue a cabeça, encarando o horizonte.

KASSANDRA: Não. Ela não triunfará.

Instrumental off.

CENA 08-INTERIOR. CASARÃO/SALA-DIA

Rosinha adentra o casarão, pálida. Adriana nota o estado da filha.

ADRIANA: Valha-me Deus, Rosinha! O que aconteceu?!

ROSINHA (Abalada): A Kassandra... Ela perdeu a razão e me atacou!

ADRIANA: O quê?! Por qual motivo essa moça faria isso?

ROSINHA (Olhar firme): Não sei. Mas agora tenho certeza de uma coisa: a Kassandra esconde algum segredo valioso sobre o meu passado.

CENA 09-INTERIOR/GABINETE DE FILOMENA-DIA

Kassandra entra no gabinete. Filomena esboça um sorriso vitorioso.

FILOMENA: Excelente. Pelo visto, a garotinha agora treme só de ouvir seu nome.

KASSANDRA: Fiz o que me pediu. Agora me deixe em paz!

FILOMENA (Exibe os documentos amarelados): Ainda não. Você continuará fazendo o que eu mandar, ou prefere a ruína pública?

CENA 10-INTERIOR/CASA NO INTERIOR/QUARTO-MADRUGADA

Francisco acorda sobressaltado, suando frio. Visões rápidas cortam sua mente: um casarão, uma mulher e duas crianças.

FRANCISCO (Arfante, mãos às têmporas): Duas... Eram duas menininhas!

O Camponês que o acolheu entra no quarto.

CAMPONÊS: Outro pesadelo, Chico?

FRANCISCO (Chocado): Não... Eu lembrei! Eu tive duas filhas!

CENA 11-EXTERIOR/INTERIOR/ COMÉRCIO LOCAL-DIA

Joel e Donatela mostram uma foto antiga de Francisco a um Comerciante.

JOEL: O senhor porventura reconhece este homem?

COMERCIANTE (Ajusta os óculos): O Chico? Claro! Está abrigado no sítio do seu Antônio, logo ali na travessa.

Joel e Donatela trocam olhares radiantes.

JOEL (Aliviado): Finalmente, meu Deus!

CENA 12-INTERIOR/QUARTO DE KASSANDRA-NOITE

Kassandra encara a si mesma no espelho. A angústia transborda em seu olhar.

KASSANDRA (Sussurrando): Eu não sou uma pessoa má... Estou apenas tentando sobreviver a este inferno.

Ela aperta o próprio rosto, tentando se convencer, mas não consegue suportar a própria imagem no espelho.

CENA 13-INTERIOR/CASARÃO/SALA- DIA

Instrumental On:https://youtu.be/_E-a1cUYjTo?is=OHgoF...

Rosinha segura o gancho do telefone, ansiosa.

ROSINHA: Joel! Encontrou alguma pista do meu pai?

JOEL (TELEFONE): As melhores notícias, Rosinha! Estamos a caminho do local onde ele está abrigado.

ROSINHA (Emocionada, contendo as lágrimas): Se encontrar meu pai... diga a ele que sua filha jamais desistiu de procurá-lo.

Instrumental off.

CENA 14-INTERIOR/GABINETE DE FILOMENA-DIA

Instrumental On:https://youtu.be/qd7KH6FHyBw?is=PMVMq...

Filomena atira outro envelope pardo sobre a mesa.

FILOMENA: A prova definitiva para afastar Rosinha de você para sempre.

Kassandra encara o envelope. Em vez de medo, surge nos seus olhos uma fúria contida.

KASSANDRA: Um dia a senhora vai pagar por tudo isso. E eu farei questão de assistir à sua ruína!

Filomena apenas desdenha com uma gargalhada fria.

Instrumental off.

CENA 15-INTERIOR/CASA DO CAMPONÊS-DIA

O Camponês abre a porta para Joel e Donatela e os indica o cômodo. Ao fundo, Francisco está de costas, olhando a janela.

JOEL (Voz embargada): Seu Francisco?...

Instrumental On:https://youtu.be/IGeBVzuyneA?is=abjtI...

Francisco vira-se devagar. Donatela leva as mãos à boca, chocada.

DONATELA: Santo Deus... É ele!

Francisco os observa, confuso.

FRANCISCO: Os senhores... me conhecem?

JOEL (Dá um passo à frente): Muito bem, meu amigo.

FRANCISCO (Com o olhar distante, buscando a memória): Então me digam, por favor... Quem é Rosinha?

CORTA PARA:

FIM DO CAPÍTULO

1 day ago |[YT] | 5

CineNovelas

DOIS AMORES • Capítulo 17

escrita e criada por:
CALEBE TEIXEIRA

supervisão de:
VANESSA COUTO

direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura: https://youtu.be/MOHUTX8M590?si=j6K82...

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CENA 01-EXTERIOR DO TEATRO- NOITE

Instrumental On:https://youtu.be/YKBi-eSTuRU?is=z4iFv...

A noite está fria. Em frente à fachada imponente do teatro, Juca caminha com dificuldade,cambaleante, com as vestes rasgadas e o rosto coberto de escoriações.
Ele tenta apoiar-se numa pilastra de mármore.

JUCA (Voz fraca e rouca): Socorro... Alguém me ajude...

Alguns transeuntes passam apressados sem lhe dar a devida atenção, julgando tratar-se de um ébrio.

JUCA: Por favor... É urgente...

A vista de Juca escurece. As forças faltam-lhe por completo e ele desaba inconsciente sobre o paralelepípedo molhado da calçada. Nesse exato instante, Joel surge dobrando a esquina, vindo dos estúdios da Rádio onde acabara de encerrar seu expediente. Ao avistar o corpo estendido no chão, apressa os passos, sobressaltado.

JOEL: Valha-me Deus! O que ocorreu aqui?!

Joel ajoelha-se ao lado de Juca e reconhece o rapaz, ficando horrorizado com o seu estado.

JOEL: Juca! acorde! Quem lhe fez uma atrocidade dessas?!

Ao perceber que o rapaz não responde e respira com dificuldade, Joel ergue-se em desespero e acena para as casas e estabelecimentos ao redor.

JOEL: Socorro! Venham depressa! Um homem ferido! Chamem a assistência médica, por quem sois!

Vozes indignadas da vizinhança começam a surgir nas janelas. Pouco tempo depois, o som agudo da sirene ecoa pela travessa. Um carro-móvel de emergência embica na rua e para bruscamente. Dois socorristas de uniforme branco desembarcam rapidamente com uma maca de lona.

SOCORRISTA: Afaste-se, meu senhor! Vamos recolher o ferido!

JOEL: Cuidado com ele! Levem-no imediatamente ao Hospital Central, eu os acompanharei.

Os socorristas acomodam Juca na maca e o colocam no interior do veículo, que parte em disparada com a sirene aberta pela noite adentro.

Instrumental off.

CENA 02-MANSÃO/QUARTO DE ROSINHA-NOITE

Instrumental On:https://youtu.be/c-z1wIKg448?is=s-HSD...

Rosinha está diante do espelho da toucadeira. Seu novo e refinado toucado contrasta com a modéstia de sua antiga vida. Adriana adentra o recinto.

ADRIANA: Já se encontra pronta, minha filha?

ROSINHA: Perfeitamente, mãe.

ADRIANA: Aonde tenciona ir com tanta pressa?

ROSINHA: Em busca de respostas que me foram negadas por anos.

ADRIANA: Rosinha...

ROSINHA: Ora, mãe! Já descobri que sou sua filha e de papai. Agora, pretendo desvendar por qual razão fui separada de minha irmã e por que dona Filomena guarda tantos segredos a esse respeito.

Adriana demonstra profunda apreensão.

ADRIANA: Suplico-lhe que tenha extrema cautela com essa criatura perversa.

ROSINHA: A senhora pode sossegar. Não nutro mais temor algum por ela.

Instrumental off.

CENA 03-HOSPITAL CENTRAL/SALA DE ESPERA/LEITO-NOITE

Instrumental On:https://youtu.be/IGeBVzuyneA?is=kRUdE...

O ambiente hospitalar é austero e silencioso. Joel caminha de um lado para o outro no corredor, visivelmente inquieto, segurando o chapéu entre as mãos. O médico de jaleco branco surge do quarto e aproxima-se de Joel.

JOEL: Doutor! Diga-me, por misericórdia, como se encontra o rapaz?!

MÉDICO: Acalme-se, meu caro senhor. O jovem sofreu escoriações severas e um trauma considerável na cabeça, mas felizmente conseguiu resistir à madrugada. O pior já passou.

Joel solta um suspiro profundo de alívio e leva a mão ao peito.

JOEL: Louvado seja Deus! Ele já se encontra consciente?

MÉDICO: Recobrou os sentidos há poucos instantes. Todavia, encontra-se bastante debilitado e confuso. Concedo-lhe apenas alguns minutos para vê-lo.

Joel adentra o quarto silenciosamente. Juca repousa no leito, com ataduras na cabeça e no rosto. Ao ver Joel aproximar-se, tenta mover-se com dificuldade.

JUCA (Voz fraca, entrecortada): ... Joel...

JOEL: Sossegue! Não faça esforços indevidos. Você está em segurança no Hospital Central. Quem cometeu tamanha covardia contra a sua pessoa?

Juca fecha os olhos por um momento, tomado por uma dor física e emocional.

JUCA: Foram... os capangas dela... Queriam me calar a todo custo...

JOEL: Capangas de quem, Juca? De dona Filomena?!

Juca segura a manga do paletó de Joel com o pouco de força que lhe resta.

JUCA: Tome muito cuidado, doutor... Ela é capaz das maiores atrocidades para proteger seus segredos... Não permita que ela destrua a Rosinha...
Joel concorda com a cabeça, com o semblante grave e determinado.

JOEL: Fique descansado, meu jovem. A justiça há de prevalecer, e aquela mulher pagará por cada uma de suas vilezas!

De repente, a porta da recepção abre-se bruscamente. Jandira entra em desespero puro, amparada por Arnaldo, que tenta em vão conter as próprias lágrimas.

JANDIRA (Gritando em pavor): Meu filho! Onde está o meu Juca?! Por quem sois, digam-me onde está o meu menino!

ARNALDO: Calma, Jandira, pelo amor de Deus! Não faça escândalo na casa de saúde!

JANDIRA: Como quer que eu tenha calma, Arnaldo?! Receber um aviso de que nosso filho deu entrada quase morto neste lugar?! (Ao avistar Joel no corredor) Joel! Valha-me Nossa Senhora! O que aconteceu com o meu filho?!

Joel aproxima-se com pressa e segura as mãos trêmulas de Jandira.

JOEL: Dona Jandira, seu Arnaldo... Acalmem os vossos corações! O Juca está vivo e o médico assegurou-nos que o pior já passou.

Arnaldo tira o chapéu, emocionado, e abraça a esposa, que chora copiosamente.

ARNALDO: Santo Deus... Louvado seja o Senhor nas alturas!

JANDIRA: Quem foi o monstro que fez uma barbárie dessas com o meu rapaz, Joel?! Ele nunca fez mal a ninguém!

JOEL: Foi uma covardia sem tamanho, dona Jandira. Eu próprio o encontrei desacordado e banhado em sangue em frente ao teatro. Mas garanto-lhes: não descansarei enquanto os culpados não estiverem atrás das grades! Venham, o doutor autorizou uma breve visita.

Instrumental off.

CENA 02-RÁDIO-MANHÃ SEGUINTE

Joel caminha pensativo com uma carta anônima nas mãos trêmulas. Donatela serve-lhe um café.

DONATELA: Então... Francisco está vivo? Sem memória?

JOEL: Sim, e alguém ocultou isso de nós por anos. Só pode ser obra de Filomena!

DONATELA: Mas e o ataque ao Juca ontem à noite? Acha que ela agiu sozinha?

JOEL: Tenho minhas dúvidas. Se há outra mente por trás disso...

DONATELA: Joel! Correm boatos de que o playboy Felipe anda correndo atrás da Rosinha e semeando veneno para separar o casal!

JOEL (Intrigado): Felipe... Será que a soberba o levou a encomendar uma emboscada contra o rival? Se assim for, o perigo é ainda maior. Precisamos achar o Francisco antes que essa corja o alcance!

Joel ajusta o chapéu com determinação e sai apressado.

CENA 03-MANSÃO/SALA DE ESTAR- MANHÃ

Rosinha está prestes a sair quando Joel entra, arfante.

JOEL: Rosinha! Que sorte encontrá-la. Trago notícias graves sobre o Juca.

ROSINHA (Assustada): Do Juca?! O que aconteceu?!

JOEL: Ele está internado. Ontem à noite, encontrei-o ferido e desacordado em frente ao teatro. Armaram uma emboscada contra ele!

ROSINHA (Chocada): Meu Deus! Mas quem faria uma barbaridade dessas?!

JOEL: Juca murmura que foram capangas mandados por dona Filomena. Alguém quer calar quem nos aproxima da verdade.

ROSINHA: Aquela mulher é uma monstra! Preciso ir ao hospital agora mesmo!

JOEL: Vá, minha querida, mas suplico: tome cuidado. O perigo ronda a todos nós.

CENA 04-ESCRITÓRIO PRIVADO/ FELIPE E OTÁVIO-TARDE

Instrumental On:https://youtu.be/EWWRF2r0Amg?is=dg6wZ...

Felipe e Otávio estão reunidos a portas fechadas. Felipe serve duas doses generosas de uísque num decantador de cristal e entrega um copo a Otávio. Ambos exibem um sorriso sórdido de triunfo.

FELIPE: À saúde dos nossos negócios, meu caro Otávio! E ao fim das pedras no nosso caminho!

Eles brindam com um estalido de copos.

OTÁVIO: Confesso que o trabalho dos rapazes ontem à noite foi impecável. Aquele metido a valente do Juca não teve nem tempo de esboçar reação!

FELIPE (Dando uma gargalhada maquiavélica): Aquele miserável julgava mesmo que poderia cruzar o meu caminho e sair impune? Devia imaginar que algo muito pior estava reservado para ele! Se teve sorte, está no leito de um hospital... e se não teve, o cemitério é o seu destino!

OTÁVIO: Sem aquele coitado rondando e enchendo os ouvidos de Rosinha, o caminho fica completamente livre para você.

Felipe caminha até a janela, contemplando a cidade com olhar ambicioso e confiante.

FELIPE: Exatamente, meu amigo! Com Juca fora de combate e essa poeira baixando, Rosinha ficará vulnerável, indefesa... E eu serei o seu grande protetor.

OTÁVIO: Um plano magistral, Felipe.

FELIPE (Sorrindo com vaidade): Já posso vislumbrar o dia do nosso matrimônio! Rosinha será minha esposa, a fortuna da família estará sob o meu domínio, e ninguém absolutamente ninguém ousará nos deter!

💐🥥 CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER 🥥💐

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