LUCAS: Ô Renata,eu ouvi o que Alice disse,viu? Ela falou na sua cara,lá dentro! Como é que você tem a corag- em de olhar pra sua mãe depois de ter jogado sua própria irmã nessa cova?
RENATA (fingindo indignação,olhos marejados): E você acredita nela, Lucas? Alice tá é em choque,tá delir- ando! Ela precisa arranjar um culpado pra sujeira dela e escolheu logo a irmã que sempre cuidou dela. Você tá sendo manipulado por um rostinho bonito e uma dancinha de pé no chão,isso sim!
LUCAS: Eu não sou otário,Renata. Eu vi seu nervosismo desde o primeiro segundo. Se eu descobrir que você to- cou num grão de areia da minha empr- esa pra incriminar Alice,eu mesmo garanto que você ocupe o lugar dela naquela cela!
RENATA (chegando perto,gélida): Pois tente,meu bem. Mas se lembre: se eu cair,não caio sozinha não. Eu levo muita gente comigo. Inclusive os po- dres que seu pai deixou escondido no fundo daquelas minas. Cuidado onde pisa,herdeiro.
Instrumental Off.
CENA 02-CASA DA FAMÍLIA AZEV- EDO/QUARTO DE ROSA-DIA
Rosa segura um terço. Sara tenta con- vencê-la a comer.
ROSA: Eu sinto um aperto aqui dentro, Sara... Uma coisa ruim, visse? Parece que a casa tá assombrada. Alice presa, Renata com aquele olhar de gelo... O que foi que eu fiz de errado na criação dessas meninas, meu Deus?
SARA: Dona Rosa,a senhora não fez nada de errado,não. O problema é que o mundo lá fora tá cão, e a ganância faz o pior brotar nas pessoas. Alice vai sair dessa,a gente tá movendo o Pelou- rinho inteiro por ela.
ROSA: Eu rezo por justiça,mas tenho um medo da verdade, Sara... Porque se for o que eu tô pensando, meu coração não aguenta tanta decepção.
Lúcia e o Prefeito Carlos em meio a um almoço de negócios.
LÚCIA: Lucas tá fora de controle, Car- los. Ameaçou o delegado e tá fuçando os arquivos antigos da mineração. Se ele chegar na pasta de 1994, nosso esquema de desapropriação aqui no Pelô vai tudo por água abaixo.
CARLOS: Já mandei Régis dar um "su- miço" em uns documentos na prefei- tura,Lúcia. Mas seu filho é insistente. Se ele continuar cavando,vai descobrir que a família daquela dançarina é a dona legítima de metade das terras que a gente quer pro resort.
LÚCIA (sorrindo de lado): Alice não vai ser dona de nada se for condenada por tráfico e roubo. Criminoso não tem direito a nada, né? Por isso a condena- ção dela é vital. Garanta que o juiz seja "compreensivo" com nossas provas, ouviu bem?
Instrumental Off.
CENA 04-RUA DAS LARANJEIRAS/ PELOURINHO-DIA
Jorginho lidera manifestantes.
JORGINHO: Eles querem nosso chão pra construir piscina pra turista! Que- rem prender nosso povo pra calar nosso tambor! Mas aqui o couro come, viu? Ninguém derruba uma parede desse casarão enquanto Alice não estiver livre!
FABIULA: Tito,o agiota mandou avi- sar: se você não aparecer com mil contos até amanhã,eles vão levar até o seu batom,seus discos de vinil e suas fantasias de Carnaval!
TITO (desesperado): Meus figurinos não,Fabi! É a minha vida! Eu preciso de um milagre! Ou de um babado muito forte que eu possa vender...
FABIULA: Que babado,Tito? Desem- bucha logo antes que eu te entregue pros homens de bandeja!
TITO: Eu vi... eu vi o motorista do pre- feito entregando um envelope pardo pra Renata no beco da delegacia. Era dinheiro vivo,Fabiula. Muita nota!
LORENZO (baixo): Diga a Dona Lúcia que o "serviço" no arquivo foi feito. Ninguém acha mais o registro de 94. Mas o preço subiu,o risco agora é outro, viu?
SEGURANÇA: A patroa não gosta de chantagem,Lorenzo. Cuidado pra não acabar igual aos documentos: virando cinza.
CLÓVIS: Você tem a cara do seu pai, rapaz. Mas o olho é diferente. Seu pai tinha uma dureza que você não tem.
LUCAS: O senhor conheceu meu pai, Seu Clóvis? Ele era esse monstro que o povo fala aqui no Pelô?
CLÓVIS: Ele era um homem que não aceitava "não". Fez muita miséria pra levantar aquele império. Mas a pior de todas foi o que ele fez com o pai de Alice. Aquele sangue ainda não secou, Lucas. E a história tá querendo se rep- etir agora com vocês dois.
MARISA: Você vai embora,Sara. Arrumei uma vaga pra você na casa da sua tia no Rio. Você tá se metendo com gente perigosa por causa dessa Alice!
SARA: Eu não vou a lugar nenhum, mãe! A senhora tá com medo de quê? Do que o prefeito vai dizer nas festas da elite? Eu não vou abandonar minha amiga agora!
MARISA (gritando): Eu tô é com medo de te perder! Você não sabe do que Lú- cia Barros Brito é capaz! Ela destruiu o passado daquela família e vai destruir seu futuro se você continuar atravess- ada no caminho dela!
RICARDO (sussurrando): Alice... sou eu. Eu vi tudo. Vi sua irmã botando as pedras na sua mochila. Eu quero aju- dar, mas tô jurado de morte, na moral.
ALICE (se levantando): Ricardo! Pelo amor de Deus,conte a verdade! Lucas te protege, ele tem poder!
RICARDO: O poder deles é o que me deixa com medo,Alice. Toma. É o chip da câmera de segurança do bar. Peg- uei antes que apagassem. A imagem tá ruim, mas dá pra ver ela entrando.
CENA 10-CORREDOR DA DELEGA- CIA-NOITE
Delegado Almeida chega.
DELEGADO ALMEIDA: Com quem você tava falando,Alice? O que te entr- egaram aí?
ALICE (escondendo o chip,firme): Com minha consciência,delegado. Coisa que o senhor esqueceu onde deixou faz tempo,né?
Enquanto isso,na Mansão,Renata entra no escritório de Lúcia.
RENATA: O chip sumiu,Dona Lúcia. O menino do bar pegou. Se Alice botar a mão naquilo,o acordo acaba e eu conto tudo sobre a morte do pai dela.
Lúcia encara Renata com ódio puro. O clima é de guerra declarada.
Sandrinha e Lorena continuam olhan- do fixamente para a tela,enquanto o videoclipe roda sem parar. Sobre a mesa,um notebook Toshiba Satellite dos anos 2000,com aparência já desg- astada.
SANDRINHA: Não tem como reverter isso. O notebook que usei para gravar e editar queimou completamente, não sobrou nada para apagar.
LORENA (Cobertando a boca com a mão): É que está em todo lugar! Nos blogs,nos fóruns,em todo vlog que eu abro aparece.
Sandrinha apoia as mãos firmes na mesa,sem desviar o olhar da tela.
SANDRINHA: A internet hoje em dia é exatamente isso: polêmica e fofoca. O que entra ali, nunca mais sai.
Sandrinha e Lorena assistem os clipes, Sandrinha fica sem saber o que fazer.
CENA 02-CIDADE DE MONTE AMA- RO-ANOITECER
A luz suave da noite vai tomando conta das ruas. A câmera passeia lentame- nte,mostrando as lojas e pequenos co- mércios fechando suas portas, as luzes das casas se acendendo uma por uma.
CORTE PARA:
CENA 03-FAVELA MORRO DO SOL- NOITE
O som alto e contagiante do baile funk toma conta do ambiente. Luzes colori- das piscam entre as casas.
No meio da multidão,Gabriela,com a barriga já bem visível da gravidez, acompanhada de suas amigas. Ela dan- ça devagar,seguindo o ritmo da músi- ca,rodeada pelo movimento animado da favela.
CORTE PARA
CENA 04-CASA DE MARLENE- NOITE
Marlene e Selma terminam de se arr- umar,ajustando roupas e sapatos.
Trilha Sonora Off.
SELMA: Filha,estou bem vestida assim para o culto? Não estou chamando muita atenção?
MARLENE: Está ótima,mãe. Simples e respeitosa,como deve ser.
MARLENE: E a Gabriela? Já não des- ceu para jantar nem nada.
SELMA: Ela disse que foi na casa da Brenda, aquela amiga dela.
MARLENE (Com um olhar de preocu- pação): Hoje tem baile funk no Morro do Sol. Espero de coração que ela não esteja por lá. O médico pediu absoluto descanso.
SELMA (Balançando a cabeça)v Ah, mas agora é mais difícil ainda de segu- rar uma menina dessa idade em casa. Adolescente é assim mesmo: quer libe- rdade, quer conhecer o mundo.
MARLENE: E agora vai ser duas cria- nças pra se preocupar. Melhor a gente ir..
SELMA: Bom,melhor,se não chegamos atrasadas e já não conseguimos ajudar a abrir o culto.
As duas saem de casa,fechando a porta com cuidado atrás de si.
CENA 05-SALA/CASA DE ZARA/ MONTE AMARO-NOITE
À mesa arrumada com simplicidade e carinho,Zara e Thiago jantam calma- mente.
ZARA: Que comida deliciosa. Está rea- lmente saborosa.
Thiago se inclina e da um beijo suave em Zara.
THIAGO: Fico feliz que tenha gostado amor. Fui eu mesmo que escolhi os ingredientes e preparei tudo com muito carinho.
ZARA: É a melhor refeição que eu comi hoje, sem dúvida. No colégio, com tanta coisa para resolver,mal tive tempo de apreciar o almoço da Sônia,a meren- deira.
THIAGO (Sorrindo): eu Entendo. E co- mo foi o dia lá? Os alunos estão se co- mportando bem?
ZARA: Foi muito bom! Já estava com saudade de dar aula,de estar em con- tato com eles. Me sinto muito realiza- da. Assim até me tira do tédio que eu sentia
THIAGO: Que ótimo,amor. Sabe que eu te amo muito, não é?
ZARA (Rindo suavemente): Também te amo muito, muito mesmo.
Os dois se beijam com ternura. O clima fica leve e romântico; eles brincam um com o outro,trocando carinhos e olha- res afetuosos entre um garfada e outra.
CENA 06-SALA DE JANTAR/MAN- SÃO/MONTE AMARO-NOITE
À mesa de jantar,luxuosa e ricamente arrumada,estão Camila,Alfredo, Isab- elita,Eduardo e Joaquim. Todos serv- em-se com calma.
CAMILA: Que mesa tão caprichada hoje. Há algum motivo especial para tanta fartura?
ALFREDO: De fato,há. Estou planeja- ndo abrir filiais das minhas empresas fora do Brasil. Os negócios vão muito bem e estão crescendo cada vez mais.
CAMILA (Sorrindo,satisfeita): Para- béns, pai! Que ótima notícia.
ISABELITA: Quem sabe, com o tempo, não deixamos essa cidade pequena e vamos morar em um lugar melhor,com mais possibilidades.
JOAQUIM: Monte Amaro é pequena, meio caipira e tem poucas opções, esp- ecialmente para mim. Mas tem seus po- ntos positivos,melhor que muitos lug- ares por aí.
CAMILA: Concordo com você pela pri- meira vez, Joaquim. Eu sempre gostei muito de morar aqui, me sinto em casa.
ALFREDO: É só uma hipótese,nada decidido. Mas seria interessante conh- ecer outras culturas e experimentar um ritmo diferente.
ISABELITA: E você,Eduardo? Também deve ter vontade de viajar e conhecer o mundo né?
EDUARDO (Comendo calmamente): Com certeza. Adoraria viajar,conhe- cer novos países.
CAMILA: Então podemos ir todos ju- ntos! Seria uma viagem maravilhosa.
ALFREDO (Olhando para Camila e Ed- uardo): Quem sabe até como parte da lua de mel, não é mesmo?
JOAQUIM (Olhando surpreso para os dois): Vocês vão se casar então?
Camila fica com um sorriso cheio de orgulho e olhando para Eduardo.
CAMILA: Sim, pretendemos sim.
EDUARDO: Mas antes,precisamos nos conhecer melhor,com calma. Não po- demos decidir algo tão importante sem ter certeza.
Camila acaba chegando mais perto e dando um beijo rápido nos lábios dele.
CAMILA: Mas já nos conhecemos há tanto tempo..
ISABELITA: Não o suficiente,na minha opinião. E concordo com Eduardo. O casamento pode ficar para depois,qua- ndo ambos estiverem realmente prepa- rados.
ALFREDO: É o mais sensato. Assim não se apressam e não correm riscos de se arrepender depois.
CAMILA (Sorrindo,sem se abalar): Tudo bem por mim. Espero o tempo que for necessário,sem pressa.
A conversa continua animada,e todos voltam a comer e falar como uma fam- ília aparentemente unida e feliz.
CENA 07-QUARTO DE TIA LISA- NOITE
Sentada na cama,Tia Lisa folheia com carinho um álbum de fotografias anti- gas. Em seu rosto,uma mistura de sor- riso e tristeza.
LISA: Sinto tanta saudade do meu ir- mão... Se ele estivesse aqui,com cert- eza teria muito orgulho da mulher for- te e digna que Chloé se tornou.
Na porta,Chloé observa em silêncio, apoiando a cabeça no batente,sem inte- rromper o momento.
LISA: Mas agora aquela Isabelita quer aparecer e estragar tudo o que constr- uímos. Não vou deixar que ela se apro- xime nem que machuque a minha sob- rinha mais do que ela já sofreu,espec- ialmente com esse Eduardo.
Chloé franze a testa,seu olhar fica sério e atento.
LISA: Mesmo que ela seja a mãe bioló- gica dela,não tem o direito de apare- cer do nada e tentar controlar a vida de Chloé.
Chloé caminha devagar até ficar em frente à tia,que se surpreende ao vê-la ali.
CHLOÉ: Como é que é,tia? A Isabelita é realmente a minha mãe? E a senhora mentiu para mim todos esses anos?
Lisa levanta-se rapidamente da cama, visivelmente surpresa e sem saber co- mo reagir. Chloé fica parada,olhando- a fixamente,com uma expressão de ressentimento e confusão.
CENA 08-CASA DE PENÉLOPE- NOITE
Penélope,Dona Fátima e João jantam à mesa. O ambiente é agradável e tranq- uilo.
PENÉLOPE: Mãe,essa comida está di- vina como sempre! Ninguém cozinha como a senhora.
DONA FÁTIMA (Rindo satisfeita): Que bom que gostou,filha. Fico muito feliz em poder agradar com minha comida.
Todos sorriem,aproveitando a refei- ção.
JOÃO: Realmente tá muito boa minha sogra. E os meninos? Já comeram?
PENÉLOPE: Foram com Roberto assi- stir ao jogo no centro da cidade. Ama- nhã combinamos de jantar com a Beatriz
DONA FÁTIMA: É muito bom ver a família reunida assim,depois de tanto tempo distantes uns dos outros.
PENÉLOPE: Graças a Deus por isso.
De repente,a campainha da porta toca alto e claro.
JOÃO: Quer que eu atenda, querida?
PENÉLOPE: Não precisa,eu mesma vou ver quem é.
Ela levanta-se da mesa e caminha até a porta.
DONA FÁTIMA (Em voz baixa para João): Quem será a essa hora?
Penélope abre a porta e se depara com Sandrinha,que está visivelmente agita- da mas com um brilho nos olhos.
SANDRINHA (Sorrindo,um pouco an- siosa): Aconteceu sim,e envolve nós todas.
PENÉLOPE: Envolve a gente? O que foi?
SANDRINHA: Os videoclipes que gra- vamos por brincadeira,quando estáva- mos bêbadas... acabaram vazados para a internet.
Penélope leva a mão até a boca,choca- da.
SANDRINHA: Mas não para por aí. Recebemos uma proposta para reto- mar a nossa carreira,gravar de novo. Penélope,a chance das Amoras voltar com tudo é agora.
PENÉLOPE (Olhando para ela,sem ac- reditar): E agora? O que vamos fazer?
Sandrinha continua sorrindo,enqua- nto Penélope fica pensativa e surpresa. A câmera faz um close no rosto das duas: uma animada,a outra atordoada, sem saber o que esperar do futuro.
Um vento agita a mata. Ana Clara empaca o cavalo ao dar de cara com uma senhora de cajado.
ANA CLARA: Quem é a senhora?
A mulher sorri, enigmática.
VELHA: Está voltando para casa, menina... mas sua alma busca outro lugar. Respostas. O passado.
ANA CLARA (choque): Como sabe disso?
VELHA (gargalhada sobrenatural): Eu sei de tudo. Venha, minha choupana é ali. Tenho as respostas que você ainda nem ousou pedir.
ANA CLARA (apavorada): Não, obrigada!
VELHA: Nem quer saber quem chorou no seu nascimento? Ou por que o dest- ino cruzou seus caminhos com os daquele rapaz? Alguns me chamam de louca, outros de bruxa... sou a Guardiã dos Segredos.
Um trovão ruge. Ana Clara vira o cavalo, em pânico.
VELHA: Fuja! Mas a verdade virá atrás de você. E nada será como antes!
Ana Clara dispara em galope. A velha observa, rindo até o som ecoar pela mata. A câmera foca em um medalhão em seu pescoço: o símbolo da Comuni- dade da Cruz Sagrada.
CENA 04-SÍTIO DOS FONSECA- NOITE
Dona Rita caminha inquieta pela sala enquanto Seu Gomes tenta disfarçar a tensão.
DONA RITA: Essa menina nunca demorou tanto! Depois daquela mulher que apareceu na feira...
O som de cascos interrompe. Ana Clara entra, pálida.
DONA RITA: Onde você estava?! Quase morri!
ANA CLARA: Encontrei uma mulher na estrada. Ela parecia me conhecer, sabia sobre minhas buscas, meu passado.
Rita e Gomes trocam um olhar de terror contido.
SEU GOMES (firme): Deve ser uma louca da região. Esqueça isso, vá descansar.
Ana Clara hesita, percebendo o nervo- sismo dos pais.
CENA 05-QUARTO DE ANA CLARA –NOITE
Ana Clara senta-se na cama, pensa- tiva. Lembra-se de Lúcio e sorri, mas a imagem da velha a invade novamente.
ANA CLARA (sussurrando): Quem era aquela mulher? Preciso falar com o Lúcio.
O vento uiva lá fora, trazendo o eco de uma risada feminina. Ela arregala os olhos, em alerta.
CENA 06-ESCRITÓRIO DE OTÁVIO- MANHÃ
Madalena e Otávio analisam pilhas de documentos.
MADALENA: Mais um registro adult- erado. Gente poderosa está por trás disso.
A porta abre. Entram Joana, Irmã Adélia e os adolescentes Pedro e Vitor. O clima gela.
MADALENA: O que vocês querem aqui?
JOANA: Viemos consertar as coisas.
MADALENA (ríspida): Minha vida foi destruída por vocês.
PEDRO (tímido): Tia Madalena? Min- ha mãe fala muito da senhora.
Madalena se emociona, mas mantém a guarda alta. Adélia aproxima-se, chorando.
ADÉLIA: Eu errei muito, filha. Não tenho justificativas.
OTÁVIO (desconfiado): Por que agora?
JOANA: Porque tudo está vindo à tona.
Adélia coloca comida sobre a mesa, num gesto conciliador que ninguém ali compra.
MADALENA: A senhora nunca faz nada por acaso.
ADÉLIA (sorrindo): Talvez eu esteja mudando.
A câmera foca em Adélia. Por trás do sorriso arrependido, esconde-se uma intenção sombria que ninguém ali percebe.
CENA 01-HOTEL IMPERIAL DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS/SUÍTE- NOITE
O clima na suíte muda. O silêncio entre os dois já não é constrangedor, mas carregado de sentimentos que nenhum deles esperava encontrar. Verônica se afasta alguns passos. Cruza os braços, como se tentasse erguer novamente as muralhas que passou anos construindo.
VERÔNICA (séria): Não faz isso.
HENRIQUE (confuso): Fazer o quê?
VERÔNICA: Falar desse jeito.
HENRIQUE: Que jeito?
VERÔNICA (olhando nos olhos dele): Como se eu fosse uma mulher normal.
Henrique fica surpreso.
HENRIQUE: E você é?
Verônica solta uma risada amarga.
VERÔNICA: Não. Você não me conhece.
Ela pega a bolsa sobre uma cadeira.
VERÔNICA (cont.): Eu vim aqui para trabalhar. Só isso. Não vim ouvir promessas bonitas.
Henrique permanece em silêncio.
VERÔNICA: Nem histórias de amor.
Ela abre a bolsa e tira uma pequena agenda.
VERÔNICA (cont.): O valor do progr- ama é o mesmo que minha secretária informou. Sem descontos e sem confu- são sentimental.
Henrique balança a cabeça.
HENRIQUE (suave): Você realmente acha que eu te chamei aqui por isso?
VERÔNICA: É o que os homens fazem.
HENRIQUE: Eu não sou os outros homens.
Verônica desvia o olhar.
VERÔNICA: Todos dizem isso.
HENRIQUE: Talvez. Mas quantos sen- taram para ouvir sua história?
Ela não responde.
HENRIQUE (cont.): Quantos pergun- taram o que você sente? Quantos quis- eram saber quem é Verônica quando ela não está interpretando um papel?
Os olhos dela começam a marejar.
VERÔNICA (tentando manter a firm- eza): Não faz isso comigo.
HENRIQUE: Isso o quê?
VERÔNICA: Me tratar como alguém importante.
Henrique sorri com tristeza.
HENRIQUE: Porque você é importante.
Verônica abaixa a cabeça.
VERÔNICA: Você não sabe nada sobre mim.
HENRIQUE: Sei que você protege a irmã. Sei que enfrenta o Joaquim sem medo. Sei que vive carregando dores que ninguém vê. E sei que está cansada de fingir que nada te machuca.
As palavras atingem Verônica em cheio. Ela se senta na beira da cama.
VERÔNICA (voz embargada): Eu não quero ser iludida,Henrique. Pela pri- meira vez, ela parece vulnerável.
VERÔNICA (cont): Já me prometeram muita coisa. Amor. Respeito. Uma vida melhor.
Ela sorri sem humor.
VERÔNICA (cont): No fim, ninguém ficou.
Henrique senta-se numa poltrona pró- xima,mantendo uma distância respeitosa.
HENRIQUE: Então não vou prometer nada.
Verônica o encara.
VERÔNICA: Não?
HENRIQUE: Não. Só vou dizer a verdade.
VERÔNICA: E qual é?
HENRIQUE (sincero): Eu gostei de você.
O silêncio domina a suíte.
HENRIQUE (cont):Gostei da mulher inteligente que existe por trás dessa armadura. Gostei da coragem. Gostei do seu jeito de enfrentar o mundo. Gostei de você.
Verônica sente as lágrimas se acum- ularem.
VERÔNICA (quase sussurrando): Você é louco.
HENRIQUE (sorrindo): Possivelmente.
Os dois riem. A tensão diminui.
VERÔNICA: E se eu disser que não sei mais amar ninguém?
HENRIQUE: Então a gente começa pela amizade.
VERÔNICA: E se eu fugir?
HENRIQUE: Eu espero você voltar.
VERÔNICA (rindo): Você realmente é advogado?
HENRIQUE: Sou.
VERÔNICA: Porque parece persona- gem de livro.
Henrique ri.
HENRIQUE: E você parece muito mel- hor do que imagina.
Os dois trocam um olhar profundo. Pela primeira vez em muitos anos, Verônica sente que alguém a vê além dos rótulos. Lá fora, a chuva continua caindo sobre São Miguel das Pedras. Enquanto a cidade mergulha cada vez mais em corrupção, segredos e conspi- rações, algo inesperado começa a nascer entre os dois: uma esperança.
CORTA PARA:
CENA 02-CONVENTO ABANDO- NADO DE SANTA CECÍLIA/SALÃO PRINCIPAL-MADRUGADA
A chuva bate contra as janelas quebr- adas do antigo convento. O lugar está tomado pela poeira, pelo silêncio e pelo abandono. Velas iluminam precariam- ente o salão principal. Sobre uma gra- nde mesa de madeira estão espalhados documentos antigos,fotografias,mapas, relatórios,certidões,jornais velhos e pastas marcadas como "CONFIDENCIAL". O Bispo Eustáquio, ainda debilitado, mas recuperado, está de pé diante do grupo. Ao seu redor estão Irmã Bernadete, Leôncio, Cecília e Marcello. O clima é de guerra.
BISPO EUSTÁQUIO (sério): Antes de qualquer coisa,quero agradecer a to- dos vocês. Irmã Bernadete salvou minha vida. Leôncio arriscou a própria existência para proteger um homem que mal conhecia. Cecília teve coragem de enfrentar o próprio marido. E Mar- cello enfrentou sozinho o sistema inteiro desta cidade.
MARCELLO (sorrindo): Eu só faço pe- rguntas que ninguém quer responder.
LEÔNCIO: E quase morreu por isso umas vinte vezes.
Alguns dão uma leve risada. A tensão diminui por um instante, mas logo o bispo fica sério novamente.
BISPO EUSTÁQUIO: Agora chega de agradecimentos. É hora da verdade.
Ele abre uma pasta grossa e retira várias fotografias. Cecília observa tudo com atenção.
BISPO EUSTÁQUIO (CONT): Durante anos, eu investiguei secretamente a chamada Cúpula da Cruz Sagrada.
Marcello imediatamente pega um bloco de anotações.
MARCELLO: Então ela existe mesmo.
BISPO EUSTÁQUIO: Existe.
Ele espalha diversas fotos sobre a mesa. Todos se aproximam.
IRMÃ BERNADETE (fazendo o sinal da cruz): Meu Deus...
CECÍLIA (chocada): Essas fotos...
BISPO EUSTÁQUIO: São reuniões se- cretas. Transferências bancárias. Empresas fantasmas. Desvios de ver- bas públicas. Compra de silêncio. Pagamentos para capangas.
Marcello examina uma das imagens.
MARCELLO: Esse é o prefeito Raul.
LEÔNCIO: E esse do lado dele é o delegado Joaquim.
IRMÃ BERNADETE: Padre Augusto também está ali.
BISPO EUSTÁQUIO: E irmã Adélia.
O silêncio domina o salão. Cecília fecha os olhos por alguns segundos. A dor é visível.
CECÍLIA (abatida): Eu me casei com um monstro.
BISPO EUSTÁQUIO: Você não é resp- onsável pelos crimes dele.
MARCELLO: E isso é só a ponta do iceberg, não é?
O bispo concorda e abre outra pasta, desta vez muito mais pesada.
BISPO EUSTÁQUIO: Aqui estão os desaparecimentos de crianças registr- ados nos últimos vinte e cinco anos.
Leôncio empalidece.
IRMÃ BERNADETE: Meu Deus do céu...
CECÍLIA: Então era verdade...
BISPO EUSTÁQUIO: Sim. Crianças eram retiradas de suas famílias media- nte falsificação de documentos.
MARCELLO: E depois?
O bispo respira fundo.
BISPO EUSTÁQUIO: Algumas eram enviadas ilegalmente para outras cida- des. Outras desapareciam sem deixar rastros.
O choque é geral. Marcello aperta os punhos.
MARCELLO: Esses desgraçados...
LEÔNCIO (indignado): Quantas famí- lias sofreram por causa deles?
BISPO EUSTÁQUIO: Centenas.
O silêncio se torna pesado. Bernadete começa a chorar discretamente.
IRMÃ BERNADETE: E tudo isso usa- ndo o nome de Deus.
BISPO EUSTÁQUIO: O maior pecado deles foi exatamente esse.
Ele abre mais uma pasta. Desta vez aparecem fotografias de reuniões clandestinas,relatórios,depoimentos, nomes, datas e endereços.
MARCELLO (chocado): Isso pode der- rubar toda a estrutura de poder de São Miguel das Pedras.
BISPO EUSTÁQUIO: Pode.
CECÍLIA: Então por que não divulgar tudo agora?
O bispo fecha lentamente a pasta.
BISPO EUSTÁQUIO: Porque eles ainda são poderosos. Joaquim controla parte da polícia,Raul controla a prefei- tura,Augusto controla os fiéis e Adélia conhece todos os segredos. Se ataca- rmos agora, eles destruirão as provas e desaparecerão.
Marcello concorda.
MARCELLO: Precisamos agir com inteligência.
LEÔNCIO: Então qual é o plano?
O bispo olha para cada um deles. A expressão é firme.
BISPO EUSTÁQUIO: Primeiro, vamos identificar todos os membros da orga- nização. Depois, vamos reunir testem- unhas. Em seguida, entregaremos tudo às autoridades estaduais e à imprensa nacional.
CECÍLIA: E Joaquim?
BISPO EUSTÁQUIO: Joaquim vai res- ponder pelos crimes dele.
MARCELLO: Todos eles vão.
IRMÃ BERNADETE: Que Deus nos dê força.
O bispo ergue um crucifixo.
BISPO EUSTÁQUIO: A partir desta noite não somos mais fugitivos. Somos a resistência.
Todos se entreolham, determinados e prontos para a batalha que está apenas começando. A câmera se afasta lenta- mente. Do lado de fora,um raio corta o céu.
CORTE SECO.
CENA 03-ESTRADA DE TERRA/ ARREDORES DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS-ENTARDECER
O céu está tingido de laranja e roxo. O sol desaparece lentamente atrás das montanhas. Ana Clara cavalga sozinha pela estrada de terra. O vento balança seus cabelos enquanto ela revive men- talmente tudo o que conversou com Lúcio. As descobertas sobre o passado dos dois continuam ecoando em sua mente.
ANA CLARA (para si mesma): Filho adotivo... procurando os pais biológi- cos... Será possível que eu também...?
Ela interrompe o pensamento. O cavalo começa a demonstrar inquietação. As orelhas se levantam e o animal diminui o passo.
ANA CLARA (estranhando): O que foi, Estrela?
O cavalo resfolega forte, bufa e recus- a-se a continuar. Ana Clara puxa levemente as rédeas.
ANA CLARA (CONT): Vamos, menina. Mas o animal permanece imóvel.
Jorginho lidera um coro de atabaques e gritos de "Liberdade para Alice". O Delegado Almeida observa de cima, nervoso,enquanto fuma.
JORGINHO (gritando): Vocês prend- eram o corpo, mas não prenderam a nossa voz! Alice é inocente! Queremos justiça pra quem trabalha e dança por essa terra, meu irmão!
A multidão ruge. Lucas chega e tenta passar, mas é barrado.
LUCAS (exaltado): Eu sou Lucas Bar- ros Brito,visse? Deixe eu passar! Eu exijo falar com o delegado agora! Eu trouxe o advogado da família!
POLICIAL RIBEIRO: Pode ser o dono da Bahia todinha,doutor,mas aqui nin- guém entra enquanto o delegado não autorizar! A ordem é isolar essa bag- aça, tá ligado?
ALICE (esperançosa): Renata? Você veio me tirar daqui? A mãe... como é que ela tá,minha irmã?
RENATA (fria): A mãe tá toda quebra- da,Alice. Mas eu não vim te tirar daqui,não. Vim te perguntar: valeu a pena? Valeu a pena posar de santinha pra acabar assim,como uma ladra de joias?
ALICE (chocada): Do que você tá fala- ndo? Você sabe que eu não fiz nada! Você vive comigo,conhece minha vida de cabo a rabo!
RENATA (sussurrando): O que eu sei é que Lucas nunca vai querer uma presi- diária de esposa. Ele é um Barros Brito,Alice. Ele precisa de uma mulher que brilhe, não de uma que tá mofando aqui. Esqueça ele. Se você abrir o bico e confessar,talvez a pena seja menor.
ALICE (encarando): Foi você... Foi vo- cê que botou aquelas pedras na minha bolsa! Eu tô vendo no teu olho,Renata! Como é que você teve coragem de ser tão baixa,visse? Eu sou teu sangue, oxente!
PATRÍCIA: A cidade tá pegando fogo, Lúcia. O meu marido não para de rece- ber ligação por causa dessa menina. Você foi longe demais com essa histó- ria de prisão, viu?
LÚCIA: Eu só dei o empurrão que pre- cisava pra justiça ser feita, Patrícia. Se a menina era um estorvo no caminho do nosso resort,agora é uma pedra atrás das grades. Carlos deveria é me agradecer.
PATRÍCIA: Carlos tá com o c na mão, Lúcia! Ele teme que Lucas descubra a ligação da mineração com a prefeitura. Se seu filho começar a cavar,vai achar muito mais que esmeralda.
LÚCIA (firme): Lucas é meu filho,eu sei como dobrar ele. Preocupe-se com se- us casos,Patrícia. A moral da sua fam- ília é bem mais frágil que a minha empresa.
Instrumental Off.
CENA 04-CASA DA FAMÍLIA AZE- VEDO/QUARTO DE RENATA-DIA
SARA (desconfiada): Que pressa é es- sa, Renata? Tá escondendo o quê? O ouro? Ou as esmeraldas?
RENATA: Saia daqui,Sara! Você não tem o direito de invadir meu espaço! Vá cuidar da sua vida e desses seus protestos inúteis, garota!
SARA: Inútil é a sua falta de caráter! Eu vi o jeito que você olhou pra Lucas ontem. Você quer a vida de Alice,né? Mas preste atenção: eu vou provar que minha amiga é inocente e, quando eu fizer isso, não vai ter buraco na Bahia onde você possa se esconder!
Fabiula com búzios na mão. Tito ama- rrando as sandálias para fugir.
FABIULA: Pode parar aí, Tito! Se você botar o pé fora dessa loja sem me dizer quem é o homem que tava falando com Renata ontem no beco,eu mesma te ent- rego pros agiotas, ouviu bem?
TITO: Eu não sei de nada não,mana! Era só um homem de terno, parecia motorista de gente rica, oxente!
FABIULA: Motorista? De quem? Da mineração? Tito, se Renata tá metida com esse povo que quer derrubar o Pelourinho,o negócio é bem mais emb- aixo do que eu pensava! A gente preci- sa falar com Lucas agora!
CARLOS (suando): Sim, eu entendo... O cronograma tá mantido. A manifesta- ção é só um detalhe, Salvador continua segura pra investimento.
Ele desliga e soca a mesa. Régis entra.
RÉGIS: Lucas tá lá embaixo querendo os registros das desapropriações de dez anos atrás,prefeito. E aí,faço o quê?
CARLOS: Minta! Diga que o arquivo pegou fogo,invente qualquer história! Aquele rapaz não pode ter acesso aos nomes dos donos das minas. Se ele souber do pai de Alice, tamo tudo frito!
RICARDO: Eu vou embora,Seu Clóvis. Não aguento mais ver tanta injustiça e ficar de braço cruzado. Vou tentar a vida no Rio ou em São Paulo.
CLÓVIS: Fugir não resolve o problema do coração, não,meu filho. Você carr- ega sua verdade pra onde for. Por que tá com tanto medo?
RICARDO (chorando): Porque eu vi quem botou as joias na bolsa de Alice, Seu Clóvis! Vi Renata saindo do ensaio na surdina! Mas se eu falar,eles matam a minha família! O senhor não sabe com quem essa gente tá metida!
LUCAS: Eu quero a soltura de Alice Azevedo pra ontem! Trouxe o pagame- nto da fiança e o habeas corpus.
DELEGADO ALMEIDA: Não é tão sim- ples, Lucas. O crime é inafiançável pelo valor das peças e suspeita de associa- ção criminosa.
LUCAS (batendo na mesa): Associação criminosa é o que vocês estão fazendo aqui! Eu sei que houve mutreta nas provas. Se eu tiver que botar a audit- oria da minha empresa pra investigar cada centavo dessa delegacia, eu vou botar! Solte Alice, ou amanhã você não vai ter nem distintivo pra segurar!
RUAN: Olha lá, mãe! A sua "filha" vir- ou líder de bando! Agora sim que a gente vai cair na boca do povo de vez.
MARISA: Cale a boca,Ruan! Eu não criei Sara pra isso... mas, pelo menos, ela tem coragem de lutar por quem ama. Coisa que você,que só vive de deboche, nunca teve.
Instrumental Off.
CENA 10-GANCHO FINAL/CORRE- DOR DA DELEGACIA-NOITE
Ainda na mesa do café da manhã, Chloé mexia distraidamente na xícara de café.
CHLOÉ: Tia, a senhora sabe de alguma coisa sobre o Eduardo?
TIA LISA: Não sei de nada,minha filha. Juro pra você.
CHLOÉ: É melhor esquecer isso tudo. É mais fácil cair na real e aceitar que o Eduardo escolheu o lado dele.
Tia Lisa pega na mão da sobrinha com carinho.
TIA LISA: Você merece ser feliz com um homem de verdade, Chloé. Não se contente com menos.
CHLOÉ: Vou focar apenas em mim por enquanto. Estou atrasada pra dar aula.
As duas sorriram e voltaram a tomar o café da manhã,conversando baixinho sobre o dia que teriam pela frente.
CENA 02-COBERTURA/MONTE AMARO-DIA
Lucimara chega em casa e vai direto para o sofá da cobertura, sentando-se com elegância. Cruza as pernas e apoia o braço no encosto, ficando pensativa.
Sandrinha desce as escadas e se aproxima.
SANDRINHA: Mãe?
Sandrinha senta-se ao lado dela.
LUCIMARA: Meu amor, você tava aí?
SANDRINHA: Eu esperei você pra tomar café, mas fiquei sabendo que você foi até o cemitério.
LUCIMARA: Fui conversar com a Verônica e levar as flores preferidas dela.
SANDRINHA: Se eu soubesse, teria ido com a senhora.
LUCIMARA: Fica tranquila. Sinto que ela está em paz.
SANDRINHA: A senhora está bem?
LUCIMARA: Sim. Sinto saudades, tenho recaídas… mas acima de tudo volto a ficar bem.
Lucimara abre os braços. Sandrinha deita a cabeça em seu colo enquanto as duas conversam.
SANDRINHA: Pensei em voltar à carreira de cantora.
LUCIMARA: Sério?
SANDRINHA: Na verdade,eu queria unir as meninas novamente. Isso é uma das coisas que me fazem mais feliz.
LUCIMARA: É uma boa ideia.
Lucimara acaricia os cabelos da filha enquanto sorri.
SANDRINHA: Vou marcar com as meninas.
As duas continuaram conversando carinhosamente,com Lucimara brinca- ndo e sorrindo.
CENA 03-FÁBRICA DE TECIDOS/ MONTE AMARO-DIA
Na Fábrica de Tecidos, Eduardo é apresentado aos funcionários como genro e novo sócio de Alfredo. Ele observava cada detalhe da empresa com atenção.
A cena corta para a sala de Alfredo.
ALFREDO: Você herdará o talento do seu avô pros negócios, Eduardo.
EDUARDO: Não sei se vou sair bem nisso.
ALFREDO: Tudo é uma questão de tempo.
Eduardo sorri. Viviane entra com uma bandeja, servindo dois cafés.
VIVIANE: Fiquei sabendo da novidade e vim parabenizar.
EDUARDO: Obrigado. Que novidade?
VIVIANE: A Camila está contando pra todo mundo que vocês vão se casar.
EDUARDO: Casar?
Eduardo e Viviane trocaram olhares preocupados, enquanto Alfredo não demonstrava nenhuma reação.
CENA 04-SORVETERIA DO POVO/ MONTE AMARO-DIA
Na sorveteria, Penélope atendia os pedidos enquanto anotava na bancada.
KIRA: Vou te ajudar enquanto não visito os parentes.
PENÉLOPE: Quem vocês vão ver?
KIRA: Uns tios e amigos da minha cidade natal.
PENÉLOPE: Que bom. Já eu estou cada vez mais satisfeita com a vida.
KIRA: Aconteceu mais alguma coisa boa?
PENÉLOPE: Não, mas descobrir que o João não me traía tirou um peso enorme das minhas costas.
KIRA: Fico muito feliz por isso. Você merece ser feliz. Aliás, ele também. Eu gosto dos dois.
PENÉLOPE: Você também merece. E como está a Bibi?
KIRA: Ela vai viajar junto com a gente
PENÉLOPE: Que bom, assim da tempo de vocês duas namorar né?
KIRA (Sorrindo): Pois é, nem me fale. Tô morrendo de saudades dela.
PENÉLOPE: Aproveita bastante a via- gem. Vou dar um tempo na sorveteria também.
KIRA: Vai fechar?
PENÉLOPE: Não. Estou pensando em tirar alguns dias de descanso enquanto o feriado chega.
KIRA: Você está certa. Vou atender o pedido da madame.
As duas olharam para uma mulher rica sentada à mesa, esperando.
PENÉLOPE: Vai lá. Essa aí é ranzinza e reclama de qualquer coisinha.
Kira pega o sorvete e leva na bandeja. Penélope continua atendendo os outros clientes com simpatia,entregando car- dápios e trocando conversas.
CENA 05-SALA DE AULA/COLÉGIO DOM PEDRO II-MONTE AMARO
Na sala de aula, Zara continua dando sua aula com entusiasmo.
ZARA: O Brasil foi descoberto em 15- 00,e a história do nosso país é import- ante para todas as gerações.
ZARA: A Princesa Isabel não é a ver- dadeira heroína da libertação dos esc- ravos. Ela assinou a Lei Áurea de acordo com uma ordem. É necessário falar sobre isso nas aulas, para que ninguém mais seja enganado como eu já fui.
Todos os alunos prestavam atenção em silêncio.
ZARA: Ser preta é um desafio e um orgulho ao mesmo tempo. Além de ter a cor da pele bonita, infelizmente lá fora também enfrentamos preconce- itos e injustiças.
ZARA: Quero que vocês contem relatos sobre situações de pessoas injustiçadas pelo sistema. Se não conhecem nenhu- ma, podem criar como enredo para as próximas aulas.
ZARA: Esse será o último dever e a última aula de história do dia. Boa sorte.
Os alunos abrem os cadernos e come- çam a escrever concentrados. Zara senta-se na cadeira e abre seu livro de Dom Casmurro, lendo atentamente.
CENA 06-SALA/CASA DE KIRA/ MONTE AMARO-DIA
Marlene lê um livro em voz alta para Seu Osmar, que dorme tranquilamente na poltrona do sofá.
Marlene sorri enquanto lê, pausando por um momento.
MARLENE: A história desse livro é parecida com a minha vida. Cheia de altos e baixos, como a de qualquer mulher que veio da favela.
Ela fecha o livro e percebe que Seu Osmar estava dormindo.
MARLENE: É, Seu Osmar, o senhor finalmente conseguiu dormir, pelo jeito, né?
Marlene ri baixinho, desliga a televi- são e abre o livro novamente, voltando a ler concentrada.
CENA 07-QUARTO DE LORENA/ COBERTURA/MONTE AMARO-DIA
Sandrinha entra no quarto de Lorena, procurando por algo. O quarto exibe o estilo típico dos anos 2000 com a pale- ta cor de rosa.
Lorena estava sentada em frente ao computador,assistindo a uma gravação um clipe das meninas.
SANDRINHA: Lorena?
Lorena se virou.
LORENA: Foi você que gravou isso, tia.
SANDRINHA: Foi sim.
LORENA: O clipe ficou bom.
SANDRINHA: Foi só uma brincadeira com as amigas. Onde você viu isso?
LORENA: Está na internet.
SANDRINHA: Como?
Sandrinha se aproxima e vê os clipes dela e das meninas bêbadas no bar. No vídeo,elas cantavam Chitãozinho e Xororó, com figurinos variados, inclu- sive do Bonde do Tigrão.
LORENA: Os clipes viralizaram. Até a Xuxa comentou.
SANDRINHA: Era só uma brincade- ira… Ué gente. Lorena tem como apagar será?
LORENA: Vixe tia, agora eu acho que é tarde…
SANDRINHA: Meu Deus… as meninas vão me matar.
As duas continuam olhando os vídeos que estavam em um blog conhecido dos anos 2000.
Isabela encara os pais, chocada. Gabriel fica vermelho de indignação.
GABRIEL: Ninguém perguntou se a gente queria!
ISABELA: Pai, isso é sério?
RAUL (sorriso forçado): Conversamos depois.
GABRIEL: Não,vamos conversar agora!
BÁRBARA (apertando o braço dele): Gabriel...
ISABELA (encarando os pais): Vocês já decidiram tudo sem consultar a gen- te, não foi?
O clima pesa. Pela primeira vez, os convidados percebem o desconforto.
DIOGO (tentando amenizar): Talvez seja uma oportunidade única para seu futuro...
GABRIEL: Fácil falar quando a vida dos outros está sendo decidida.
Silêncio. As câmeras registram tudo. Raul força um sorriso para a impre- nsa, mas seu olhar revela preocupa- ção. A festa continua,os aplausos con- tinuam. Porém, no meio da comemor- ação,a família está mais dividida do que nunca.
CLOSE NOS ROSTOS DE ISABELA E GABRIEL.
CORTE SECO.
CENA 03-SÍTIO DOS FONSECA/ CASA PRINCIPAL-FIM DE TARDE
Quase seis da tarde. O clima de fim de dia é interrompido pela ansiedade na cozinha: Dona Rita vigia a janela sem parar, enquanto o Sr. Gomes, tenso, nem consegue tocar no café à sua frente.
DONA RITA (apreensiva): Essa meni- na nunca demorou tanto assim. Já está quase escurecendo!
SR. GOMES (tentando parecer calmo): Deve ter ido cavalgar mais longe. Da- qui a pouco ela aparece.
DONA RITA (irritada): Não! Eu con- heço minha filha. Tem alguma coisa errada.
Ela para diante da janela.
DONA RITA (CONT): Depois daquela conversa na feira... depois das pergu- ntas que ela fez...
SR. GOMES (tenso): Rita...
DONA RITA (olhando para ele): Não adianta me olhar assim. Você viu o jeito que ela ficou.
SR. GOMES: E você também viu o jeito que respondeu.
DONA RITA (defensiva): Eu fiz o que precisava fazer!
SR. GOMES: Dar um tapa na cara dela era necessário?
Silêncio. Dona Rita baixa os olhos por um instante.
DONA RITA (mais baixa): Ela estava passando dos limites.
SR. GOMES: Ou talvez estivesse procurando respostas.
DONA RITA: Você acha que eu não tenho medo? Todos os dias eu acordo com medo de alguém aparecer e destr- uir tudo.
SR. GOMES: E eu também tenho.
DONA RITA (com lágrimas nos olhos): Ela é nossa filha.
SR. GOMES: É sim.
DONA RITA: Eu a amo como se tivesse saído de mim.
SR. GOMES (abaixa a cabeça): Porque, para nós, ela saiu.
Uma lágrima escorre pelo rosto de Rita.
DONA RITA: Se ela descobrir a verdade...
SR. GOMES: Talvez ela tenha o direito de descobrir.
Dona Rita não responde. Ao longe, o latido dos cachorros ecoa pelo sítio. Ela corre até a varanda.
DONA RITA (gritando): Ana Clara!
Nenhuma resposta. A angústia aum- enta.
Instrumental Off.
CORTE PARA
CENA 04-TRILHA PRÓXIMA À LA- GOA ESCONDIDA-FIM DE TARDE
Ao pôr do sol,Ana Clara e Lúcio caminham ao lado de seus cavalos. Em meio a uma atmosfera carregada de emoção,eles param na bifurcação da trilha e trocam um olhar carregado de significado.
ANA CLARA (sorrindo sem graça): Acho que agora eu preciso voltar.
LÚCIO (brincando): Tem certeza? A gente pode fugir para o Paraguai e abrir uma vendinha de água de coco.
Ana Clara ri.
ANA CLARA: E viver de quê?
LÚCIO: Do seu charme.
ANA CLARA: Então morreríamos de fome.
Os dois riem.
LÚCIO (colocando a mão sobre o cora- ção): Essa doeu.
LÚCIO: Não estou brincando. Se nos- sas suspeitas estiverem certas... esta- mos mexendo com algo muito maior do que imaginávamos.
Ana Clara concorda.
ANA CLARA: Eu sei. (pausa) Mas eu preciso descobrir quem eu sou.
LÚCIO: E eu também.
Ele segura delicadamente a mão dela.
LÚCIO (CONT): Promete que não vai desistir?
ANA CLARA: Só se você prometer também.
LÚCIO: Prometo.
Eles se aproximam lentamente. Trocam um beijo carinhoso e demorado. Qua- ndo se afastam, Ana Clara sorri.
ANA CLARA: Engraçado...
LÚCIO: O quê?
ANA CLARA: Hoje eu saí de casa ach- ando que estava sozinha no mundo.
LÚCIO (sorri): E agora?
ANA CLARA: Agora acho que encon- trei alguém que entende exatamente o que eu sinto.
Lúcio acaricia o rosto dela.
LÚCIO: Então esse foi só o primeiro capítulo.
ANA CLARA: Dos próximos muitos capítulos.
Os dois trocam mais um beijo rápido.
LÚCIO: Amanhã?
ANA CLARA: Amanhã.
LÚCIO: Cidade de São Miguel das Pedras?
ANA CLARA: Investigação secreta.
LÚCIO: Gostei do nome.
ANA CLARA (rindo): Não conta para ninguém.
LÚCIO: Nem sob tortura.
Eles montam em seus cavalos. Por alg- uns segundos ficam se olhando à distâ- ncia.
ANA CLARA (gritando): Até amanhã, doutor juiz!
LÚCIO (gritando de volta): Até ama- nhã, senhorita mistério!
Eles se separam. Ana Clara cavalga em direção à noite, sendo vigiada por uma silhueta escondida. Na escuridão da mata, um sorriso misterioso é a única coisa visível.
Sob a penumbra do quarto e ao som da chuva,Madalena e Otávio enfim desca- nsam. Abraçados na cama, compar- tilham um momento de silêncio e paz após o trauma da prisão.
MADALENA (baixinho): Eu achei que não fosse conseguir sair de lá.
OTÁVIO (acariciando os cabelos de- la): Eu também tive medo.
MADALENA: Eu também tive...
OTÁVIO: De quê?
MADALENA (com os olhos mareja- dos): De perder você.
Eles se beijam com ternura. A câmera registra os gestos de afeto: mãos entre- laçadas,abraços e olhares apaixona- dos. Mais tarde,o casal descansa, deit- ado lado a lado sob uma manta.
MADALENA: Obrigada por não desi- stir de mim.
OTÁVIO (sorri): Você fala como se eu tivesse escolha.
MADALENA (rindo): Tinha, sim.
OTÁVIO: Não tinha, não.
Os dois riem.
OTÁVIO (CONT): Desde o dia em que você entrou no meu escritório com aq- uele olhar teimoso... eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma.
Madalena sorri emocionada.
MADALENA: Eu te amo.
OTÁVIO: Eu também te amo.
Trilha Sonora Off.
Silêncio. Um silêncio confortável. Mas logo a expressão dela muda.
MADALENA (apreensiva): Sabe o que mais dói?
OTÁVIO: O quê?
MADALENA: Saber que minha filha está em algum lugar por aí... talvez perto... talvez longe. E ela nem imagina que eu nunca deixei de procurá-la.
Otávio segura a mão dela.
OTÁVIO: Nós vamos encontrá-la.
MADALENA: E se ela me odiar?
OTÁVIO: Ela vai conhecer a verdade e entender tudo.
MADALENA: Joaquim,Adélia,Raul e Padre Augusto... eles destruíram tan- tas vidas em nome de Deus.
OTÁVIO (firme): E vão responder por cada uma delas. Isso você pode ter certeza.
Ele se senta na cama.
OTÁVIO (CONT): Agora não estamos mais sozinhos. Temos Henrique. Temos provas surgindo. E,pela primeira vez, Joaquim está cometendo erros.
Madalena concorda.
MADALENA: Então vamos derrubar todos eles.
OTÁVIO (estende a mão): Juntos.
Ela aperta a mão dele.
MADALENA: Juntos.
CORTE PARA:
CENA 06-HOTEL IMPERIAL DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS/SUÍTE- NOITE
Henrique entra na suíte e logo é acom- panhado por Verônica, que mantém uma postura impecável para esconder sua dor real sob um sorriso.
VERÔNICA (brincando): Então o fam- oso advogado da capital finalmente resolveu tirar uma noite de folga.
HENRIQUE (sorri): E a famosa
Verônica continua chegando com res- postas antes mesmo das perguntas. Ela ri.
VERÔNICA: Faz parte do meu trabalho, doutor.
Henrique observa o sorriso dela.
HENRIQUE: Engraçado...
VERÔNICA: O quê?
HENRIQUE: Você parece estar em qualquer lugar... menos aqui.
A frase a surpreende.
VERÔNICA: Essa foi profunda.
HENRIQUE: Foi sincera.
Ela se aproxima da janela.
VERÔNICA: Talvez porque eu esteja cansada.
HENRIQUE: Do trabalho?
VERÔNICA: Da vida de acompanhante. Silêncio. Henrique percebe que existe muito mais por trás daquela mulher.
HENRIQUE: Você já pensou em fazer outra coisa?
VERÔNICA (sorri sem humor): Todos os dias.
HENRIQUE: E por que não faz?
VERÔNICA: Porque às vezes a gente passa tanto tempo sobrevivendo... que esquece como é viver.
A frase toca Henrique profundamente.
HENRIQUE: Acho que você merece mais do que sobreviver.
Verônica o encara. Pela primeira vez em muito tempo, alguém parece enxergá-la de verdade.
VERÔNICA (emocionada): Você fala como alguém que acredita realmente nisso.
HENRIQUE: Porque eu acredito. Não sou só mais um homem que só pensa em sexo.
Os dois trocam um olhar intenso. Um olhar diferente. Sem interesse. Sem máscaras. Sem jogo. Apenas conexão.
VERÔNICA (sorri): Cuidado, doutor Henrique.
HENRIQUE: Por quê cuidado?
VERÔNICA: Você corre o risco de me fazer sonhar de novo.
HENRIQUE (sorrindo): Talvez seja exatamente isso que está faltando na sua vida.
A emoção toma conta do ambiente. Lá fora,as luzes de São Miguel das Pedr- as brilham na noite. Enquanto a cidade se aproxima de uma guerra sem prece- dentes,dois novos sentimentos começam a nascer.
CENA 01-PREFEITURA DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS/GABINETE SECRETO DO PREFEITO-NOITE
Sob a luz fraca de um abajur, o gabinete do prefeito é um cenário de desespero. Raul caminha inquieto enquanto Bárbara tenta se controlar com um calmante. Assessores e copeiras completam a cena, divididos entre a tensão política e o som dos protestos que ecoam lá fora.
RAUL (irritado): Isso está saindo do controle! Eu mandei o Joaquim acabar com essa história antes que virasse um escândalo!
VILMA (tentando ajudar): Prefeito, talvez seja melhor fazermos uma nota oficial...
RAUL (interrompendo): Nota oficial?! O povo está me chamando de ladrão nas redes sociais!
SEVERINO: Tecnicamente,prefeito, eles estão chamando o senhor de lad- rão,corrupto,vigarista,enganador, sanguessuga...
RAUL (apontando): Cala a boca, Seve- rino!
MÁRCIO: Severino só estava atualiza- ndo o senhor.
BÁRBARA (cínica): E eu fui chamada de "rainha do Botox municipal".
As copeiras tentam segurar o riso.
DONA NEIDE (baixinho para Jurema): Pelo menos rainha ela continua sendo.
DONA JUREMA: Shhh! Quer ser demitida?
RAUL (nervoso): A culpa é daquela Madalena,daquele advogado Otávio e daquele jornalista fofoqueiro!
MÁRCIO: Marcello Dias.
RAUL: Isso! Esse Marcello!
VILMA: O vídeo dele já passou de cin- quenta mil visualizações.
Silêncio. Raul fica pálido.
RAUL: Quanto?!
VILMA: Cinquenta mil.
SEVERINO: E subindo.
RAUL (segurando o peito): Me dá água.
DONA JUREMA (entregando): Com açúcar ou sem, prefeito?
RAUL: Com fé.
BÁRBARA (revirando os olhos): Nem um caminhão de fé resolve isso agora, Raul.
Ela encara Raul.
BÁRBARA: E me explica uma coisa: sua irmã,Adélia,sabe que a própria filha está metida nessa confusão?
RAUL: Sabe.
BÁRBARA: E continua calma?
RAUL: Calma não. Furiosa.
SEVERINO: A irmã Adélia sempre me deu medo.
MÁRCIO: Ela me dá medo até quando sorri.
DONA NEIDE (baixinho): Principalm- ente quando sorri.
As copeiras fazem o sinal da cruz.
BÁRBARA (cruzando os braços): E por falar em problemas... (pausa) O que foi essa história de chamar Diogo e Joana de volta para este fim de mundo?
Raul evita olhar para ela.
BÁRBARA (desconfiada): Raul...
RAUL: Eu já pedi para eles voltarem. Todos na sala congelam.
BÁRBARA (indignada): Você fez o quê?!
RAUL: Eles já estão vindo para cá.
BÁRBARA: Sem me consultar?!
RAUL: Era urgente.
BÁRBARA: Urgente nada! Você deci- diu isso sozinho!
SEVERINO (baixinho para Márcio): Agora o prefeito morre.
MÁRCIO: Cala a boca.
BÁRBARA: E para que eles estão vindo?
RAUL (sentando-se): Porque nós esta- mos politicamente acabados.
Silêncio. Até as copeiras param.
RAUL (CONT): Nossa popularidade despencou.
VILMA: Despencou é pouco.
SEVERINO: Foi um mergulho sem par- aquedas.
RAUL (fuzilando-o com o olhar): Seve- rino!
SEVERINO: Desculpa.
RAUL: Precisamos de um novo rosto para a prefeitura.
BÁRBARA: E esse rosto seria...
RAUL: Nosso filho, Diogo.
MÁRCIO: Estratégico.
VILMA: Jovem.
SEVERINO: Bonito.
RAUL: Obrigado.
SEVERINO: Não estava falando do senhor.
Raul fecha os olhos,respirando fundo.
BÁRBARA: E a Joana? Você sabe que eu e ela não nos damos bem, né?
RAUL: Joana pode ajudar.
BÁRBARA (irônica): Ah, claro. A filha da irmã Adélia.
RAUL: Exatamente.
BÁRBARA: Uma mulher que consegue ser mais calculista que você.
RAUL: Isso é impossível.
BÁRBARA: Você não conhece sua nora.
DONA JUREMA (baixinho): Nem eu queria conhecer.
DONA NEIDE: Nem eu.
BÁRBARA: Precisamos descobrir se ela está do nosso lado.
RAUL: É justamente isso que vamos fazer.
MÁRCIO: E se ela não estiver?
Silêncio. Raul e Bárbara se encaram.
RAUL: Então teremos outro problema para resolver.
O som dos protestos aumenta lá fora. "PREFEITO LADRÃO!" "PREFEITO LADRÃO!"
Todos se calam.
BÁRBARA (desanimada): Você ouviu isso?
RAUL: Ouvi.
BÁRBARA: Estão gritando seu nome.
SEVERINO: Pelo menos ainda lembram dele.
RAUL: Severino, eu vou te demitir.
SEVERINO: O senhor promete isso desde 2018.
As copeiras não conseguem conter uma gargalhada.
BÁRBARA (finalmente sorrindo): Pela primeira vez hoje alguém me fez rir.
Raul suspira derrotado. Depois, aproxima-se da esposa e beija sua testa.
RAUL (com mais carinho): Me descul- pe por não ter te consultado.
BÁRBARA: Você foi um idiota.
RAUL: Eu sei.
BÁRBARA: Um grande idiota.
RAUL: Também sei.
BÁRBARA (suspira): Mas agora já foi. Ela segura a mão dele.
BÁRBARA (CONT.): Só espero que esse plano não afunde a gente ainda mais.
A câmera se afasta lentamente. Lá fora, os gritos dos manifestantes continuam ecoando pela noite. Dentro do gabinete, ninguém parece realmente acreditar que a situação ainda possa ser controlada.
CORTE PARA
CENA 02-MANSÃO DA FAMÍLIA RAUL/SALÃO PRINCIPAL-NOITE
A mansão está pronta para a recepção. Em meio a mesas fartas e a expectativa da imprensa, Bárbara coordena a equipe com pulso firme. Apesar do luxo, o som dos protestos ecoa do lado de fora, lembrando a todos da crise que o prefeito enfrenta.
BÁRBARA (para uma copeira): Endir- eita esse arranjo de flores, minha filha. Está parecendo um enterro.
COPEIRA (nervosa): Sim, dona Bárbara.
RAUL (sorrindo para os fotógrafos): Hoje é um novo começo.
SEVERINO: Esperamos que o povo pense a mesma coisa.
RAUL (olhando torto): Severino, você nasceu pessimista ou fez curso?
Buzinas ecoam e os portões se abrem. Da caminhonete luxuosa descem Diogo, com uma Bíblia à mão, e a confiante Joana. Logo atrás, os filhos do casal completam o grupo: o introspectivo Pedro e o agitado Vitor.
RAUL (emocionado): Meu filho!
Raul abre os braços. Diogo o abraça.
DIOGO: Pai!
BÁRBARA (emocionada): Meu menino!
Ela o abraça logo depois.
DIOGO (sorrindo): Mãe.
VITOR (olhando a mansão): Nossa...
PEDRO: Continua enorme.
VITOR: Eu lembrava menor.
PEDRO: A última vez que viemos aqui, você tinha oito anos e eu, nove.
VITOR: Faz sentido.
Risadas gerais. Isabela e Gabriel se aproximam.
ISABELA (sorrindo): Finalmente apareceram.
DIOGO: Minha irmã favorita.
GABRIEL: E eu?
DIOGO: Você continua sendo o mais complicado.
Todos riem. Nesse instante, Joana e Bárbara se encaram. Silêncio. As duas sorriem. Aquele sorriso falso que não engana ninguém.
BÁRBARA: Joana... como você está bonita.
JOANA (sorriso perfeito): Obrigada, sogra. Você também está ótima. (pausa) Nem parece que está passando por uma crise política.
Alguns assessores engasgam.
BÁRBARA (sorriso congelado): E você continua muito engraçada.
JOANA: Eu tento.
BÁRBARA: Eu percebi.
JOANA: Que bom.
O clima fica estranho.
VITOR (para Pedro): Elas estão brig- ando?
PEDRO: Não. (pausa) Isso é só aque- cimento.
Os dois adolescentes trocam olhares. Do outro lado do salão,chegam novos convidados: Irmã Adélia,Delegado Jo- aquim e Padre Augusto. Todos cumpr- imentam Diogo.
IRMÃ ADÉLIA (orgulhosa): Que Deus abençoe essa família linda, filha.
Joana a abraça rapidamente. O abraço parece cordial demais para ser sincero.
PADRE AUGUSTO: Seja bem-vindo de volta, Diogo.
DELEGADO JOAQUIM: A cidade sen- tiu sua falta.
GABRIEL (baixinho para Isabela): Me- ntira. Ninguém sabia que ele existia.
ISABELA (segurando o riso): Gabriel...
RAUL (batendo uma taça com uma col- her): Atenção!
O salão silencia. As câmeras são liga- das. Os fotógrafos se posicionam. Raul sobe num pequeno palco improvisado.
RAUL: Amigos, familiares, autorida- des e imprensa... (pausa dramática) Hoje é um dia muito especial para nossa família.
Aplausos.
RAUL (CONT): São Miguel das Pedras vive um momento difícil.
SEVERINO (baixo): Essa foi a única verdade da noite.
MÁRCIO: Shhh!
RAUL: E é justamente por isso que precisamos renovar nossas forças.
Ele aponta para Diogo.
RAUL (CONT.): Tenho orgulho de apresentar oficialmente o homem que dará continuidade ao nosso legado.
Diogo se levanta. Aplausos.
RAUL: Meu filho, Diogo!
Mais aplausos.
RAUL (CONT): Homem de fé.
PADRE AUGUSTO: Amém.
RAUL: Homem de princípios.
JOAQUIM (sarcástico): Aleluia.
RAUL: E futuro candidato à Prefeitura de São Miguel das Pedras!
O salão explode em aplausos. Fotógra- fos registram tudo.
DIOGO (emocionado): Que Deus me dê sabedoria para servir esta cidade.
IRMÃ ADÉLIA (aplaudindo): Muito bem!
PADRE AUGUSTO: Um verdadeiro servo de Deus!
VITOR (para Pedro): Já começou a campanha.
PEDRO: Faz uns cinco minutos.
Enquanto isso... Bárbara e Joana volt- am a se encarar.
BÁRBARA: Então você vai ser a prim- eira-dama.
JOANA (sorrindo): Se Deus quiser.
BÁRBARA: E se eu deixar.
JOANA: Achei que a senhora estivesse se aposentando.
BÁRBARA: Ainda não,querida.
As duas sorriem novamente.
ISABELA (para Gabriel): Isso vai terminar em tragédia.
GABRIEL: Ou numa novela das nove. Raul ergue novamente a mão.
RAUL: E tenho mais um anúncio! O salão silencia.
ISABELA (baixo): Lá vem.
GABRIEL: Nunca é coisa boa.
RAUL: Pensando no futuro dos meus filhos... (pausa) Decidi que Isabela e Gabriel irão estudar no exterior!
Alice chega para mais um dia de aula, radiante,ainda sentindo o beijo de Lu- cas. De repente,três viaturas da polí- cia cercam o local. O Delegado Almei- da desce do carro,acompanhado do Policial Ribeiro.
ALICE (assustada): Oxi,Delegado! Que bafafá é esse? Aconteceu alguma desg- raça com alguém da comunidade? Algum acidente?
DELEGADO ALMEIDA/Milhem Cortaz (firme): Alice Azevedo,nós temo um mandado de busca e apreensão. Recebemo uma denúncia anônima que diz que material desviado da Mineração Barros Brito tá aí com você.
ALICE (rindo,nervosa): O senhor só pode tá brincando com a minha cara! Eu sou professora de dança, delegado! Eu não sei nem onde fica a sede dessa mineração,visse? O senhor me conhece desde pequena,sabe quem eu sou!
DELEGADO ALMEIDA: Justamente por te conhecer que eu espero que isso seja um engano. Ribeiro,revista a moc- hila dela.
Ribeiro abre a mochila e,entre os pa- nos de dança, retira um saco de veludo. Ele abre e revela esmeraldas brutas de altíssimo valor. Alice perde o chão.
ALICE (gritando): Isso não é meu, pelo amor de Deus! Eu nunca vi isso na min- ha vida! Alguém botou isso aí pra me prejudicar! Delegado,acredite em mim, isso é armação!
DELEGADO ALMEIDA: Alice,você tá presa em flagrante por receptação de carga roubada. Ribeiro,algeme a moça.
Alice é levada sob os olhares chocados dos alunos e vizinhos.
Rosa entra em casa em prantos,ampar- ada por Sara. Renata está sentada no sofá, fingindo choque.
ROSA (em desespero): Levaram minha menina, Sara! Levaram Alice como se fosse uma bandida qualquer. Eu vi as algemas no pulso dela... Aqueles polic- iais não tiveram um pingo de piedade, meu Deus!
SARA: Calma,Dona Rosa! Isso é uma armação braba, todo mundo sabe que Alice não mata nem formiga! Alguém plantou aquelas pedras na bolsa dela, eu tenho certeza absoluta!
RENATA (fingida): Ô,mãe,a senhora tem que encarar a realidade. Alice vivia deslumbrada com aquele rapaz da mineração. Vai ver ela achou que podia tirar uma casquinha... A gente nunca conhece as pessoas de verdade, nem quem dorme no quarto do lado da gente.
ROSA (reagindo com ódio): Cale a bo- ca, Renata! Não ouse falar da sua irmã desse jeito! Alice tem um coração de ouro, coisa que você nunca vai enten- der com essa sua amargura. Se eu des- cobrir que alguém da nossa gente teve o dedo nisso,eu juro que não respondo por mim!
Lucas entra como um furacão. Lúcia está lendo um jornal, tranquilamente.
LUCAS (furioso): Foi você,não foi? Você não aguentou me ver interessado em uma mulher que não faz parte desse seu círculo de cobras! Você armou pra Alice ser presa!
LÚCIA (gélida): Meça suas palavras, Lucas. Eu não preciso sujar minhas mãos com esse tipo de mediocridade. A moça foi pega com esmeraldas da nos- sa empresa. A polícia fez o trabalho dela. Você devia me agradecer por eu ter aberto seus olhos antes que ela des- se um golpe maior em você.
LUCAS: Eu conheço Alice! Ela não é ladra! Eu vou agora mesmo na delega- cia e vou contratar o melhor advogado dessa Bahia! Se eu descobrir que você teve dedo nisso,Lúcia... eu nunca mais piso aqui e renuncio a tudo o que tem seu nome!
LÚCIA (firme): Se você cruzar aquela porta pra defender uma criminosa, não é mais bem-vindo aqui. Escolha: seu legado ou uma aventura de ladeira.
O Prefeito Carlos está nervoso. Patrí- cia observa a movimentação pela janela.
CARLOS/DAN STULBACH: O escân- dalo já tá em todos os portais! "Profes- sora de dança e ativista presa com esmeraldas roubadas". Isso vai deses- tabilizar a oposição ao resort.
PATRÍCIA/SUZY REGÔ: Engraçado como as coisas acontecem exatamente como você e Lúcia precisam,né, Carlos? Uma prisão conveniente, justo quando ela tava liderando os protestos. Você é um mestre da conveniência.
CARLOS: Eu não tive nada a ver com isso, Patrícia! Foi trabalho da polícia!
PATRÍCIA (chegando perto dele): Não minta pra mim. Eu conheço o seu chei- ro, e hoje você tá cheirando a medo. Só garanta que essa moça não abra a bo- ca, ou seu "progresso" vai virar caso de polícia federal.
Fabiula está com o rosto inchado de chorar. Tito tenta ajudar a organizar as prateleiras, trêmulo.
FABIULA: Minha irmã... minha irmãz- inha numa cela! Como é que o mundo pode ser tão injusto, Tito? Alice é a pessoa mais honesta que eu conheço!
TITO: Mana, eu ouvi uns papos lá no Largo... Disseram que viram uma pes- soa estranha perto da mochila dela no ensaio. Mas ninguém quer falar, tá todo mundo com medo da polícia.
FABIULA: Pois eles vão falar! Eu vou bater de porta em porta! E você, Tito, em vez de ficar aí tremendo por causa de agiota, vai usar seus ouvidos de fofoqueiro pra descobrir quem armou pra nossa irmã! Se você fizer isso, eu dou um jeito na sua dívida!
Alice está sentada. O Policial Ribeiro entra com um copo de água, sem jeito.
ALICE: Ribeiro,você me conhece... Vo- cê sabe que eu não fiz isso. Por favor, me deixa falar com minha mãe, ela tem pressão alta,não vai aguentar isso!
POLICIAL RIBEIRO/MARCOS VERAS (baixo): Alice,as provas são muito fortes. O Delegado tá sob pres- são lá de cima. Tem gente grande querendo sua cabeça numa bandeja. Eu não posso fazer muita coisa, só gara- ntir que ninguém te encoste a mão aqui dentro.
ALICE: Quem,Ribeiro? Quem quer me destruir? Eu só quero dar minhas aul- as, eu só quero que meu povo tenha um lugar pra morar! É crime amar o Pelo- urinho?
CLÓVIS/JACKSON ANTUNES: O Pelourinho tá em luto, Jorginho. A prisão de Alice foi um golpe no cora- ção de todo mundo aqui.
JORGINHO/MATHEUS ABREU: A gente vai protestar, Seu Clóvis! Ama- nhã o casarão vai ser o centro de uma manifestação que Salvador nunca viu! Se eles acham que prendendo Alice eles param a gente, eles não conhecem a força da nossa capoeira!
Jorginho sai determinado. Clóvis limpa o balcão com os olhos marejados.
Laura tenta esconder um hematoma no braço. Lorenzo entra batendo a porta.
LORENZO/ARMANDO BABAIOFF: Ficou sabendo da sua amiga Alice? A santinha caiu! Viu como o mundo é? Todo mundo tem um preço, Laura! Até aquela bailarina de araque!
LAURA/GIOVANNA ANTONELLI (com raiva): Não fale dela! Alice é mil vezes melhor que você, Lorenzo! Pelo menos ela luta por alguma coisa, enq- uanto você só luta contra sua própria família!
Lorenzo avança,mas para ao ver o fi- lho,Igor,na porta com um pedaço de pau.
Renata está ao telefone. Ela sorri enqu- anto olha para uma joia.
RENATA: O plano foi perfeito. Alice tá fora do jogo e Lucas tá vindo direto pra minhas mãos. Continue de olho no delegado. Não quero surpresas. Ama- nhã a gente começa a segunda fase.
Lúcia está diante de uma imensa janela de vidro que dá vista para a orla de Salvador. Ela segura uma taça de cris- tal com champanhe.
LÚCIA (Observando as luzes da cidade lá embaixo,um leve sorriso de canto): É impressionante como as pessoas são previsíveis. Basta uma pedra preciosa e um pouco de encenação para que todo o castelo de cartas desmorone.
Ela dá um gole no champanhe, sentindo o sabor da vitória.
LÚCIA: Adeus,bailarina. O seu palco, a partir de agora,é apenas o concreto frio daquela cela. E quanto ao meu filho... ele vai entender,com o tempo, que o amor é um luxo que ele não pode se dar.
Ela levanta a taça,como se estivesse brindando com a própria Bahia, que ela tanto deseja dominar.
LÚCIA: Um brinde à ordem. Um brin- de a quem realmente manda neste estado.
Ela vira a taça de uma vez. O brilho do diamante no anel que ela usa reflete a luz, parecendo um olho que vigia toda a cidade lá fora.
A câmera se afasta,deixando Lúcia so- zinha na imensidão da sala.
A tensão paira no ar. Isabelita conti- nua parada na porta,com os olhos arr- egalados, sem acreditar no que acabou de ouvir.
ISABELITA (Incrédula e com voz cor- tante): Isso não pode ser verdade… Vo- cê está inventando tudo!
LISA (Olhando firme para ela): É me- lhor você se afastar de Chloé enquanto ainda pode. Se não,não terei escolha a não ser contar toda a verdade sobre quem você realmente é e o que prete- nde fazer.
ISABELITA (Ri com desprezo): Você é uma hipócrita! Sempre foi e sempre será. Nunca vai subir na vida, vivendo de mentiras e se escondendo atrás de uma menina. E saiba de uma coisa: farei o que for preciso para destruir Chloé e tudo o que ela representa!
LISA: Você nunca mudou..
ISABELITA (Apontando o dedo em ris- te): E essa “professorinha” jamais será minha filha!
Lisa fica com autoridade, abrindo mais a porta para o lado de fora.
LISA: Já disse o que tinha para dizer. Agora vá embora e não volte mais aqui.
Isabelita a olha de cima a baixo, com um sorriso de ameaça.
ISABELITA: Me aguarde. Ainda não acabou entre nós.
Isabelita vira-se e sai apressada. Lisa fecha a porta com força,respirando fundo,visivelmente nervosa e com as mãos trêmulas.
CENA 02-CEMITÉRIO/MONTE AMARO
Lucimara chega até o túmulo de Verô- nica,carregando um buquê de flores. Ela coloca o vaso com cuidado sobre a lápide e acaricia a superfície fria com carinho.
LUCIMARA (Com voz suave,mas cheia de saudade): Minha filha… Sinto tanta falta de você. Tudo está tão difícil sem a sua presença. É como se o tempo tiv- esse parado para mim,parece que uma parte de mim foi embora junto com você.
Ela levanta os olhos para o céu claro e azul, suspirando profundamente.
LUCIMARA: O céu continua o mesmo, o mundo continua girando… mas para mim, ainda é tudo muito doloroso.
Volta a olhar para a lápide,sorrindo de leve.
LUCIMARA: Trouxe as suas flores preferidas. Sei que,de alguma forma, você ainda pode me escutar. Queria te dizer que a sua presença ainda é sen- tida em cada detalhe da nossa casa, da nossa vida. Você faz muita falta. Eu, sua irmã,sua filha e seus sobrinhos todos nós estaremos sempre com você, onde quer que esteja. E não só nós: to- dos que te amaram e estiveram ao seu lado enquanto você esteve aqui também nunca vão te esquecer.
Ela respira fundo,deixando uma lágri- ma escorrer pelo rosto.
LUCIMARA: Eu te amo, meu bem. A mãe nunca vai deixar você sozinha. Sei que preciso seguir em frente, mas é tão difícil… Se for para continuar vivendo, que seja sentindo você sempre por pe- rto, mesmo que de outra forma.
Acaricia novamente a lápide,com um olhar de paz e amor.
CENA 03-SALA DE ESTAR. CASA DE OSMAR E MARLENE-MONTE AMARO
Marlene varre o chão com cuidado; alguns móveis estão ligeiramente des- locados,como se houvesse uma refor- ma ou limpeza geral em andamento. De repente,Seu Osmar surge na sala,arr- astando a própria cadeira de rodas devagar. Marlene se vira ao perceber sua presença.
MARLENE: Seu Osmar? O senhor não estava dormindo?
OSMAR (Com voz cansada): Não con- sigo mais pregar o olho. Com toda essa barulheira lá fora, não tem jeito.
MARLENE: Ah,é verdade! Hoje a pra- ça está bem mais movimentada, né? Quando cheguei, já estava cheia de gente.
Seu Osmar balança a cabeça, com tom de reclamação.
SEU OSMAR: E vai ser assim o dia todo. Tudo culpa do prefeito, que reso- lveu transformar Monte Amaro em cidade turística!
Marlene ri suavemente com o jeito do senhor.
MARLENE: O senhor quer comer alguma coisa? Posso preparar um café ou um biscoito.
OSMAR: Não,obrigado. Vou ficar aqui lendo o jornal. E me diga: precisa de ajuda com alguma coisa? Posso ao me- nos pegar algo para você.
MARLENE: Não se preocupa,Seu Os- mar. Esse é o meu serviço,e eu faço com gosto. O senhor só precisa desca- nsar.
Enquanto ela termina de limpar o chão, os dois conversam sobre assuntos le- ves. Marlene pega o controle remoto no sofá e liga a televisão para ele. Os- mar abre o jornal e aponta algumas notícias para ela,e os dois comentam e brincam,criando um clima tranquilo e amigável.
CENA 04-COLÉGIO DOM PEDRO II/ MONTE AMARO
O colégio é amplo,com áreas abertas ao ar livre. Crianças e adolescentes entram correndo e conversando anim- adamente. Em seguida,Zara entra na sala de aula.
ZARA: Bom dia, turma!
ALUNOS: Bom dia, professora!
Zara coloca sua bolsa e os materiais sobre a mesa do professor,pega um pedaço de giz e se vira para a classe.
ZARA: Finalmente retomamos as au- las como deve ser. Hoje vamos apre- nder mais sobre a história do Brasil. Mas antes disso,quero que todos abram os cadernos e anotem tudo com atenção isso vai cair na prova, hein? Vamos lá!
Todos obedecem rapidamente. Zara começa a escrever no quadro e a expli- car a história da família de Dom Pedro, falando também sobre o fim da escra- vidão no país.
ZARA: É por isso também que a nossa escola leva esse nome: para lembrar da nossa história, dos nossos desafios e das conquistas que moldaram o Brasil que conhecemos hoje.
CENA 05-COZINHA/CASA DE CHL- OÉ-MONTE AMARO
Lisa está sentada à mesa,tomando café da manhã. Chloé entra e se aproxima, sentando-se ao seu lado.
LISA: Dormiu bem, minha sobrinha?
CHLOÉ: Sim,tia. Finalmente consegui ter uma noite de sono tranquila.
Ela pega uma xícara e se serve de café.
LISA: Que bom ouvir isso. Você mer- ece ser feliz, sem tantas preocupações.
CHLOÉ (Com um tom decidido): Sabe, tia… depois de tudo o que aconteceu, decidi uma coisa: nunca mais quero saber de casamento, e muito menos de homem.
LISA (Assente com compreensão): Eu também pensava exatamente assim, de- pois que fui enganada pelo meu prim- eiro marido. Mas com o tempo,conheci alguém que me fez mudar de ideia… infelizmente ele faleceu alguns anos depois.
CHLOÉ: Sinto muito por isso,de verdade.
LISA: Não fique assim. Você é bonita, inteligente e muito jovem. Um dia vai encontrar alguém que a ame de verda- de, sem segundas intenções.
As duas comem um pedaço de bolo que está sobre a mesa. Chloé fica pensativa.
CHLOÉ: Sabe o que mais me intriga? O que o Eduardo fez foi tão de repen- te… Será que é realmente por causa de dinheiro? Para mim,ele vai se casar com a Camila só para ter mais desta- que como médico. Mesmo sabendo que, com a minha ajuda, ele conseguiria crescer também e de forma honesta.
LISA: Olha,pelo que eu conheço dele, acho que a ambição sempre esteve pre- sente no coração dele. Só que dessa vez ela falou mais alto do que o amor que ele dizia sentir por você ou que você achava que ele sentia. É uma his- tória estranha, mas ao mesmo tempo muito óbvia.
CHLOÉ (Olhando para longe): Tenho a sensação de que há muito mais coisas escondidas por trás de tudo isso…
Lisa fica nervosa sem saber o que diz- er. Temendo que seu segredo também seja descoberto. Chloé e Lisa trocam olhares. Ambas pensativas enquanto o clima fica pesado.
CineNovelas
O MAIS BELO DOS BELOS • Capí 04
escrita e criada por:
PEDRO RABELO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
🥁🎙️🪇🥁🎙️🪇🥁🪇🥁🪇🥁🪇🥁
CENA 01-DELEGACIA/PÁTIO INTE-
RNO-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/S40ImSwbccI?si=YnQyA...
Lucas confronta Renata.
LUCAS: Ô Renata,eu ouvi o que Alice disse,viu? Ela falou na sua cara,lá dentro! Como é que você tem a corag-
em de olhar pra sua mãe depois de ter jogado sua própria irmã nessa cova?
RENATA (fingindo indignação,olhos marejados): E você acredita nela,
Lucas? Alice tá é em choque,tá delir-
ando! Ela precisa arranjar um culpado pra sujeira dela e escolheu logo a irmã que sempre cuidou dela. Você tá sendo manipulado por um rostinho bonito e uma dancinha de pé no chão,isso sim!
LUCAS: Eu não sou otário,Renata. Eu vi seu nervosismo desde o primeiro segundo. Se eu descobrir que você to-
cou num grão de areia da minha empr-
esa pra incriminar Alice,eu mesmo garanto que você ocupe o lugar dela naquela cela!
RENATA (chegando perto,gélida): Pois tente,meu bem. Mas se lembre: se eu cair,não caio sozinha não. Eu levo muita gente comigo. Inclusive os po-
dres que seu pai deixou escondido no fundo daquelas minas. Cuidado onde pisa,herdeiro.
Instrumental Off.
CENA 02-CASA DA FAMÍLIA AZEV-
EDO/QUARTO DE ROSA-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/vXbmaBeLCrA?si=p0KBd...
Rosa segura um terço. Sara tenta con-
vencê-la a comer.
ROSA: Eu sinto um aperto aqui dentro, Sara... Uma coisa ruim, visse? Parece que a casa tá assombrada. Alice presa, Renata com aquele olhar de gelo... O que foi que eu fiz de errado na criação dessas meninas, meu Deus?
SARA: Dona Rosa,a senhora não fez nada de errado,não. O problema é que o mundo lá fora tá cão, e a ganância faz o pior brotar nas pessoas. Alice vai sair dessa,a gente tá movendo o Pelou-
rinho inteiro por ela.
ROSA: Eu rezo por justiça,mas tenho um medo da verdade, Sara... Porque se for o que eu tô pensando, meu coração não aguenta tanta decepção.
Instrumental Off.
CENA 03-MANSÃO BARROS BRITO
/TERRAÇO-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/SOUTW2k20Ic?si=tOiII...
Lúcia e o Prefeito Carlos em meio a um almoço de negócios.
LÚCIA: Lucas tá fora de controle, Car-
los. Ameaçou o delegado e tá fuçando os arquivos antigos da mineração. Se ele chegar na pasta de 1994, nosso esquema de desapropriação aqui no Pelô vai tudo por água abaixo.
CARLOS: Já mandei Régis dar um "su-
miço" em uns documentos na prefei-
tura,Lúcia. Mas seu filho é insistente. Se ele continuar cavando,vai descobrir que a família daquela dançarina é a dona legítima de metade das terras que a gente quer pro resort.
LÚCIA (sorrindo de lado): Alice não vai ser dona de nada se for condenada por tráfico e roubo. Criminoso não tem direito a nada, né? Por isso a condena-
ção dela é vital. Garanta que o juiz seja "compreensivo" com nossas provas, ouviu bem?
Instrumental Off.
CENA 04-RUA DAS LARANJEIRAS/ PELOURINHO-DIA
Jorginho lidera manifestantes.
JORGINHO: Eles querem nosso chão pra construir piscina pra turista! Que-
rem prender nosso povo pra calar nosso tambor! Mas aqui o couro come, viu? Ninguém derruba uma parede desse casarão enquanto Alice não estiver livre!
CENA 05-LOJA AXÉ E ARTE/DEPÓ-
SITO-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/HLRJyaWzuPI?si=jU4OY...
Tito escondido. Fabiula entra nervosa.
FABIULA: Tito,o agiota mandou avi-
sar: se você não aparecer com mil contos até amanhã,eles vão levar até o seu batom,seus discos de vinil e suas fantasias de Carnaval!
TITO (desesperado): Meus figurinos não,Fabi! É a minha vida! Eu preciso de um milagre! Ou de um babado muito forte que eu possa vender...
FABIULA: Que babado,Tito? Desem-
bucha logo antes que eu te entregue pros homens de bandeja!
TITO: Eu vi... eu vi o motorista do pre-
feito entregando um envelope pardo pra Renata no beco da delegacia. Era dinheiro vivo,Fabiula. Muita nota!
Instrumental Off.
CENA 06-HOSPITAL REGIONAL/ CORREDOR-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/cVBRl_A_SuI?si=P8F54...
Laura flagra Lorenzo falando com um segurança.
LORENZO (baixo): Diga a Dona Lúcia que o "serviço" no arquivo foi feito. Ninguém acha mais o registro de 94. Mas o preço subiu,o risco agora é outro, viu?
SEGURANÇA: A patroa não gosta de chantagem,Lorenzo. Cuidado pra não acabar igual aos documentos: virando cinza.
Instrumental Off.
CENA 07-BAR MARÉ ALTA-NOITE
Trilha Sonora fundo On:
https://youtu.be/boSVJTM1JKc?si=q8mUs...
Lucas bebe enquanto Clóvis observa.
CLÓVIS: Você tem a cara do seu pai, rapaz. Mas o olho é diferente. Seu pai tinha uma dureza que você não tem.
LUCAS: O senhor conheceu meu pai, Seu Clóvis? Ele era esse monstro que o povo fala aqui no Pelô?
CLÓVIS: Ele era um homem que não aceitava "não". Fez muita miséria pra levantar aquele império. Mas a pior de todas foi o que ele fez com o pai de Alice. Aquele sangue ainda não secou, Lucas. E a história tá querendo se rep-
etir agora com vocês dois.
Trilha Sonora Off.
CENA 08-CASA DA FAMÍLIA ÁLVA-
RES DANTAS-NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/3yw0to6PYdg?si=ANVHk...
Sara chega em casa. Marisa está com mala pronta.
MARISA: Você vai embora,Sara. Arrumei uma vaga pra você na casa da sua tia no Rio. Você tá se metendo com gente perigosa por causa dessa Alice!
SARA: Eu não vou a lugar nenhum, mãe! A senhora tá com medo de quê? Do que o prefeito vai dizer nas festas da elite? Eu não vou abandonar minha amiga agora!
MARISA (gritando): Eu tô é com medo de te perder! Você não sabe do que Lú-
cia Barros Brito é capaz! Ela destruiu o passado daquela família e vai destruir seu futuro se você continuar atravess-
ada no caminho dela!
Instrumental Off.
CENA 09-CELA DA DELEGACIA-
NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/8W_fEyqMcW8?si=MsxXC...
RICARDO (Ruan Aguiar) aparece na grade.
RICARDO (sussurrando): Alice... sou eu. Eu vi tudo. Vi sua irmã botando as pedras na sua mochila. Eu quero aju-
dar, mas tô jurado de morte, na moral.
ALICE (se levantando): Ricardo! Pelo amor de Deus,conte a verdade! Lucas te protege, ele tem poder!
RICARDO: O poder deles é o que me deixa com medo,Alice. Toma. É o chip da câmera de segurança do bar. Peg-
uei antes que apagassem. A imagem tá ruim, mas dá pra ver ela entrando.
CENA 10-CORREDOR DA DELEGA-
CIA-NOITE
Delegado Almeida chega.
DELEGADO ALMEIDA: Com quem você tava falando,Alice? O que te entr-
egaram aí?
ALICE (escondendo o chip,firme): Com minha consciência,delegado. Coisa que o senhor esqueceu onde deixou faz tempo,né?
Enquanto isso,na Mansão,Renata entra no escritório de Lúcia.
RENATA: O chip sumiu,Dona Lúcia. O menino do bar pegou. Se Alice botar a mão naquilo,o acordo acaba e eu conto tudo sobre a morte do pai dela.
Lúcia encara Renata com ódio puro. O clima é de guerra declarada.
FIM DO CAPÍTULO
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ASSIM QUE SÃO ELAS • Capítulo 39
#PenúltimoCapítulo
escrita e criada por:
JOÃO VITOR PRADO
E ANTÔNIO FERRO
colaboração de:
ANTÔNIO FERRO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
https://youtu.be/uLG4U8cTAeE?si=_RjzR...
✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨
CENA 01-CASA DE SANDRINHA/ MONTE AMARO-DIA
Sandrinha e Lorena continuam olhan-
do fixamente para a tela,enquanto o videoclipe roda sem parar. Sobre a mesa,um notebook Toshiba Satellite dos anos 2000,com aparência já desg-
astada.
SANDRINHA: Não tem como reverter isso. O notebook que usei para gravar e editar queimou completamente, não sobrou nada para apagar.
LORENA (Cobertando a boca com a mão): É que está em todo lugar! Nos blogs,nos fóruns,em todo vlog que eu abro aparece.
Sandrinha apoia as mãos firmes na
mesa,sem desviar o olhar da tela.
SANDRINHA: A internet hoje em dia é exatamente isso: polêmica e fofoca. O que entra ali, nunca mais sai.
Sandrinha e Lorena assistem os clipes, Sandrinha fica sem saber o que fazer.
CENA 02-CIDADE DE MONTE AMA-
RO-ANOITECER
A luz suave da noite vai tomando conta das ruas. A câmera passeia lentame-
nte,mostrando as lojas e pequenos co-
mércios fechando suas portas, as luzes das casas se acendendo uma por uma.
CORTE PARA:
CENA 03-FAVELA MORRO DO SOL- NOITE
O som alto e contagiante do baile funk toma conta do ambiente. Luzes colori-
das piscam entre as casas.
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/IYi--0Yza7k?is=_A61a...
No meio da multidão,Gabriela,com a barriga já bem visível da gravidez, acompanhada de suas amigas. Ela dan-
ça devagar,seguindo o ritmo da músi-
ca,rodeada pelo movimento animado da favela.
CORTE PARA
CENA 04-CASA DE MARLENE-
NOITE
Marlene e Selma terminam de se arr-
umar,ajustando roupas e sapatos.
Trilha Sonora Off.
SELMA: Filha,estou bem vestida assim para o culto? Não estou chamando muita atenção?
MARLENE: Está ótima,mãe. Simples e respeitosa,como deve ser.
MARLENE: E a Gabriela? Já não des-
ceu para jantar nem nada.
SELMA: Ela disse que foi na casa da Brenda, aquela amiga dela.
MARLENE (Com um olhar de preocu-
pação): Hoje tem baile funk no Morro do Sol. Espero de coração que ela não esteja por lá. O médico pediu absoluto descanso.
SELMA (Balançando a cabeça)v Ah, mas agora é mais difícil ainda de segu-
rar uma menina dessa idade em casa. Adolescente é assim mesmo: quer libe-
rdade, quer conhecer o mundo.
MARLENE: E agora vai ser duas cria-
nças pra se preocupar. Melhor a gente ir..
SELMA: Bom,melhor,se não chegamos atrasadas e já não conseguimos ajudar a abrir o culto.
As duas saem de casa,fechando a porta com cuidado atrás de si.
CENA 05-SALA/CASA DE ZARA/ MONTE AMARO-NOITE
À mesa arrumada com simplicidade e carinho,Zara e Thiago jantam calma-
mente.
ZARA: Que comida deliciosa. Está rea-
lmente saborosa.
Thiago se inclina e da um beijo suave em Zara.
THIAGO: Fico feliz que tenha gostado amor. Fui eu mesmo que escolhi os ingredientes e preparei tudo com muito carinho.
ZARA: É a melhor refeição que eu comi hoje, sem dúvida. No colégio, com tanta coisa para resolver,mal tive tempo de apreciar o almoço da Sônia,a meren-
deira.
THIAGO (Sorrindo): eu Entendo. E co-
mo foi o dia lá? Os alunos estão se co-
mportando bem?
ZARA: Foi muito bom! Já estava com saudade de dar aula,de estar em con-
tato com eles. Me sinto muito realiza-
da. Assim até me tira do tédio que eu sentia
THIAGO: Que ótimo,amor. Sabe que eu te amo muito, não é?
ZARA (Rindo suavemente): Também te amo muito, muito mesmo.
Os dois se beijam com ternura. O clima fica leve e romântico; eles brincam um com o outro,trocando carinhos e olha-
res afetuosos entre um garfada e outra.
CENA 06-SALA DE JANTAR/MAN-
SÃO/MONTE AMARO-NOITE
À mesa de jantar,luxuosa e ricamente arrumada,estão Camila,Alfredo, Isab-
elita,Eduardo e Joaquim. Todos serv-
em-se com calma.
CAMILA: Que mesa tão caprichada hoje. Há algum motivo especial para tanta fartura?
ALFREDO: De fato,há. Estou planeja-
ndo abrir filiais das minhas empresas fora do Brasil. Os negócios vão muito bem e estão crescendo cada vez mais.
CAMILA (Sorrindo,satisfeita): Para-
béns, pai! Que ótima notícia.
ISABELITA: Quem sabe, com o tempo, não deixamos essa cidade pequena e vamos morar em um lugar melhor,com mais possibilidades.
JOAQUIM: Monte Amaro é pequena, meio caipira e tem poucas opções, esp-
ecialmente para mim. Mas tem seus po-
ntos positivos,melhor que muitos lug-
ares por aí.
CAMILA: Concordo com você pela pri-
meira vez, Joaquim. Eu sempre gostei muito de morar aqui, me sinto em casa.
ALFREDO: É só uma hipótese,nada decidido. Mas seria interessante conh-
ecer outras culturas e experimentar um ritmo diferente.
ISABELITA: E você,Eduardo? Também deve ter vontade de viajar e conhecer o mundo né?
EDUARDO (Comendo calmamente): Com certeza. Adoraria viajar,conhe-
cer novos países.
CAMILA: Então podemos ir todos ju-
ntos! Seria uma viagem maravilhosa.
ALFREDO (Olhando para Camila e Ed-
uardo): Quem sabe até como parte da lua de mel, não é mesmo?
JOAQUIM (Olhando surpreso para os dois): Vocês vão se casar então?
Camila fica com um sorriso cheio de orgulho e olhando para Eduardo.
CAMILA: Sim, pretendemos sim.
EDUARDO: Mas antes,precisamos nos conhecer melhor,com calma. Não po-
demos decidir algo tão importante sem ter certeza.
Camila acaba chegando mais perto e dando um beijo rápido nos lábios dele.
CAMILA: Mas já nos conhecemos há tanto tempo..
ISABELITA: Não o suficiente,na minha opinião. E concordo com Eduardo. O casamento pode ficar para depois,qua-
ndo ambos estiverem realmente prepa-
rados.
ALFREDO: É o mais sensato. Assim não se apressam e não correm riscos de se arrepender depois.
CAMILA (Sorrindo,sem se abalar):
Tudo bem por mim. Espero o tempo que for necessário,sem pressa.
A conversa continua animada,e todos voltam a comer e falar como uma fam-
ília aparentemente unida e feliz.
CENA 07-QUARTO DE TIA LISA- NOITE
Sentada na cama,Tia Lisa folheia com carinho um álbum de fotografias anti-
gas. Em seu rosto,uma mistura de sor-
riso e tristeza.
LISA: Sinto tanta saudade do meu ir-
mão... Se ele estivesse aqui,com cert-
eza teria muito orgulho da mulher for-
te e digna que Chloé se tornou.
Na porta,Chloé observa em silêncio, apoiando a cabeça no batente,sem inte-
rromper o momento.
LISA: Mas agora aquela Isabelita quer aparecer e estragar tudo o que constr-
uímos. Não vou deixar que ela se apro-
xime nem que machuque a minha sob-
rinha mais do que ela já sofreu,espec-
ialmente com esse Eduardo.
Chloé franze a testa,seu olhar fica sério e atento.
LISA: Mesmo que ela seja a mãe bioló-
gica dela,não tem o direito de apare-
cer do nada e tentar controlar a vida de Chloé.
Chloé caminha devagar até ficar em frente à tia,que se surpreende ao vê-la ali.
CHLOÉ: Como é que é,tia? A Isabelita é realmente a minha mãe? E a senhora mentiu para mim todos esses anos?
Lisa levanta-se rapidamente da cama, visivelmente surpresa e sem saber co-
mo reagir. Chloé fica parada,olhando-
a fixamente,com uma expressão de ressentimento e confusão.
CENA 08-CASA DE PENÉLOPE- NOITE
Penélope,Dona Fátima e João jantam à mesa. O ambiente é agradável e tranq-
uilo.
PENÉLOPE: Mãe,essa comida está di-
vina como sempre! Ninguém cozinha como a senhora.
DONA FÁTIMA (Rindo satisfeita): Que bom que gostou,filha. Fico muito feliz em poder agradar com minha comida.
Todos sorriem,aproveitando a refei-
ção.
JOÃO: Realmente tá muito boa minha sogra. E os meninos? Já comeram?
PENÉLOPE: Foram com Roberto assi-
stir ao jogo no centro da cidade. Ama-
nhã combinamos de jantar com a Beatriz
DONA FÁTIMA: É muito bom ver a família reunida assim,depois de tanto tempo distantes uns dos outros.
PENÉLOPE: Graças a Deus por isso.
De repente,a campainha da porta toca alto e claro.
JOÃO: Quer que eu atenda, querida?
PENÉLOPE: Não precisa,eu mesma vou ver quem é.
Ela levanta-se da mesa e caminha até a porta.
DONA FÁTIMA (Em voz baixa para João): Quem será a essa hora?
Penélope abre a porta e se depara com Sandrinha,que está visivelmente agita-
da mas com um brilho nos olhos.
PENÉLOPE: Sandrinha? Você aqui? Aconteceu alguma coisa,está tudo bem?
SANDRINHA (Sorrindo,um pouco an-
siosa): Aconteceu sim,e envolve nós todas.
PENÉLOPE: Envolve a gente? O que foi?
SANDRINHA: Os videoclipes que gra-
vamos por brincadeira,quando estáva-
mos bêbadas... acabaram vazados para a internet.
Penélope leva a mão até a boca,choca-
da.
SANDRINHA: Mas não para por aí. Recebemos uma proposta para reto-
mar a nossa carreira,gravar de novo. Penélope,a chance das Amoras voltar com tudo é agora.
PENÉLOPE (Olhando para ela,sem ac-
reditar): E agora? O que vamos fazer?
Sandrinha continua sorrindo,enqua-
nto Penélope fica pensativa e surpresa. A câmera faz um close no rosto das duas: uma animada,a outra atordoada, sem saber o que esperar do futuro.
FIM DO CAPÍTULO
11 hours ago | [YT] | 7
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Um vento agita a mata. Ana Clara empaca o cavalo ao dar de cara com uma senhora de cajado.
ANA CLARA: Quem é a senhora?
A mulher sorri, enigmática.
VELHA: Está voltando para casa, menina... mas sua alma busca outro lugar. Respostas. O passado.
ANA CLARA (choque): Como sabe disso?
VELHA (gargalhada sobrenatural): Eu sei de tudo. Venha, minha choupana é ali. Tenho as respostas que você ainda nem ousou pedir.
ANA CLARA (apavorada): Não, obrigada!
VELHA: Nem quer saber quem chorou no seu nascimento? Ou por que o dest-
ino cruzou seus caminhos com os daquele rapaz? Alguns me chamam de louca, outros de bruxa... sou a Guardiã dos Segredos.
Um trovão ruge. Ana Clara vira o cavalo, em pânico.
VELHA: Fuja! Mas a verdade virá atrás de você. E nada será como antes!
Ana Clara dispara em galope. A velha observa, rindo até o som ecoar pela mata. A câmera foca em um medalhão em seu pescoço: o símbolo da Comuni-
dade da Cruz Sagrada.
CENA 04-SÍTIO DOS FONSECA- NOITE
Dona Rita caminha inquieta pela sala enquanto Seu Gomes tenta disfarçar a tensão.
DONA RITA: Essa menina nunca demorou tanto! Depois daquela mulher que apareceu na feira...
O som de cascos interrompe. Ana Clara entra, pálida.
DONA RITA: Onde você estava?! Quase morri!
ANA CLARA: Encontrei uma mulher na estrada. Ela parecia me conhecer, sabia sobre minhas buscas, meu passado.
Rita e Gomes trocam um olhar de terror contido.
SEU GOMES (firme): Deve ser uma louca da região. Esqueça isso, vá descansar.
Ana Clara hesita, percebendo o nervo-
sismo dos pais.
CENA 05-QUARTO DE ANA CLARA –NOITE
Ana Clara senta-se na cama, pensa-
tiva. Lembra-se de Lúcio e sorri, mas a imagem da velha a invade novamente.
ANA CLARA (sussurrando): Quem era aquela mulher? Preciso falar com o Lúcio.
O vento uiva lá fora, trazendo o eco de uma risada feminina. Ela arregala os olhos, em alerta.
CENA 06-ESCRITÓRIO DE OTÁVIO- MANHÃ
Madalena e Otávio analisam pilhas de documentos.
MADALENA: Mais um registro adult-
erado. Gente poderosa está por trás disso.
A porta abre. Entram Joana, Irmã Adélia e os adolescentes Pedro e Vitor. O clima gela.
MADALENA: O que vocês querem aqui?
JOANA: Viemos consertar as coisas.
MADALENA (ríspida): Minha vida foi destruída por vocês.
PEDRO (tímido): Tia Madalena? Min-
ha mãe fala muito da senhora.
Madalena se emociona, mas mantém a guarda alta. Adélia aproxima-se, chorando.
ADÉLIA: Eu errei muito, filha. Não tenho justificativas.
OTÁVIO (desconfiado): Por que agora?
JOANA: Porque tudo está vindo à tona.
Adélia coloca comida sobre a mesa, num gesto conciliador que ninguém ali compra.
MADALENA: A senhora nunca faz nada por acaso.
ADÉLIA (sorrindo): Talvez eu esteja mudando.
A câmera foca em Adélia. Por trás do sorriso arrependido, esconde-se uma intenção sombria que ninguém ali percebe.
CLOSE NOS OLHOS DE ADÉLIA. CORTE SECO.
FIM DO CAPÍTULO
13 hours ago | [YT] | 5
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GRAÇA PROFANA • Capítulo 19
Escrita e criada por:
AMIZAEL HONORATTO
supervisão de texto:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO
direção geral:
DIOGO ITAMAR
⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪
CENA 01-HOTEL IMPERIAL DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS/SUÍTE-
NOITE
O clima na suíte muda. O silêncio entre os dois já não é constrangedor, mas carregado de sentimentos que nenhum deles esperava encontrar. Verônica se afasta alguns passos. Cruza os braços, como se tentasse erguer novamente as muralhas que passou anos construindo.
VERÔNICA (séria): Não faz isso.
HENRIQUE (confuso): Fazer o quê?
VERÔNICA: Falar desse jeito.
HENRIQUE: Que jeito?
VERÔNICA (olhando nos olhos dele):
Como se eu fosse uma mulher normal.
Henrique fica surpreso.
HENRIQUE: E você é?
Verônica solta uma risada amarga.
VERÔNICA: Não. Você não me conhece.
Ela pega a bolsa sobre uma cadeira.
VERÔNICA (cont.): Eu vim aqui para trabalhar. Só isso. Não vim ouvir promessas bonitas.
Henrique permanece em silêncio.
VERÔNICA: Nem histórias de amor.
Ela abre a bolsa e tira uma pequena agenda.
VERÔNICA (cont.): O valor do progr-
ama é o mesmo que minha secretária informou. Sem descontos e sem confu-
são sentimental.
Henrique balança a cabeça.
HENRIQUE (suave): Você realmente acha que eu te chamei aqui por isso?
VERÔNICA: É o que os homens fazem.
HENRIQUE: Eu não sou os outros homens.
Verônica desvia o olhar.
VERÔNICA: Todos dizem isso.
HENRIQUE: Talvez. Mas quantos sen-
taram para ouvir sua história?
Ela não responde.
HENRIQUE (cont.): Quantos pergun-
taram o que você sente? Quantos quis-
eram saber quem é Verônica quando ela não está interpretando um papel?
Os olhos dela começam a marejar.
VERÔNICA (tentando manter a firm-
eza): Não faz isso comigo.
HENRIQUE: Isso o quê?
VERÔNICA: Me tratar como alguém importante.
Henrique sorri com tristeza.
HENRIQUE: Porque você é importante.
Verônica abaixa a cabeça.
VERÔNICA: Você não sabe nada sobre mim.
HENRIQUE: Sei que você protege a irmã. Sei que enfrenta o Joaquim sem medo. Sei que vive carregando dores que ninguém vê. E sei que está cansada de fingir que nada te machuca.
As palavras atingem Verônica em cheio. Ela se senta na beira da cama.
VERÔNICA (voz embargada): Eu não quero ser iludida,Henrique. Pela pri-
meira vez, ela parece vulnerável.
VERÔNICA (cont): Já me prometeram muita coisa. Amor. Respeito. Uma vida melhor.
Ela sorri sem humor.
VERÔNICA (cont): No fim, ninguém ficou.
Henrique senta-se numa poltrona pró-
xima,mantendo uma distância respeitosa.
HENRIQUE: Então não vou prometer nada.
Verônica o encara.
VERÔNICA: Não?
HENRIQUE: Não. Só vou dizer a verdade.
VERÔNICA: E qual é?
HENRIQUE (sincero): Eu gostei de você.
O silêncio domina a suíte.
HENRIQUE (cont):Gostei da mulher inteligente que existe por trás dessa armadura. Gostei da coragem. Gostei do seu jeito de enfrentar o mundo. Gostei de você.
Verônica sente as lágrimas se acum-
ularem.
VERÔNICA (quase sussurrando):
Você é louco.
HENRIQUE (sorrindo): Possivelmente.
Os dois riem. A tensão diminui.
VERÔNICA: E se eu disser que não sei mais amar ninguém?
HENRIQUE: Então a gente começa pela amizade.
VERÔNICA: E se eu fugir?
HENRIQUE: Eu espero você voltar.
VERÔNICA (rindo): Você realmente é advogado?
HENRIQUE: Sou.
VERÔNICA: Porque parece persona-
gem de livro.
Henrique ri.
HENRIQUE: E você parece muito mel-
hor do que imagina.
Os dois trocam um olhar profundo. Pela primeira vez em muitos anos, Verônica sente que alguém a vê além dos rótulos. Lá fora, a chuva continua caindo sobre São Miguel das Pedras. Enquanto a cidade mergulha cada vez mais em corrupção, segredos e conspi-
rações, algo inesperado começa a nascer entre os dois: uma esperança.
CORTA PARA:
CENA 02-CONVENTO ABANDO-
NADO DE SANTA CECÍLIA/SALÃO PRINCIPAL-MADRUGADA
A chuva bate contra as janelas quebr-
adas do antigo convento. O lugar está tomado pela poeira, pelo silêncio e pelo abandono. Velas iluminam precariam-
ente o salão principal. Sobre uma gra-
nde mesa de madeira estão espalhados documentos antigos,fotografias,mapas, relatórios,certidões,jornais velhos e pastas marcadas como "CONFIDENCIAL". O Bispo Eustáquio, ainda debilitado, mas recuperado, está de pé diante do grupo. Ao seu redor estão Irmã Bernadete, Leôncio, Cecília e Marcello. O clima é de guerra.
BISPO EUSTÁQUIO (sério): Antes de qualquer coisa,quero agradecer a to-
dos vocês. Irmã Bernadete salvou minha vida. Leôncio arriscou a própria existência para proteger um homem que mal conhecia. Cecília teve coragem de enfrentar o próprio marido. E Mar-
cello enfrentou sozinho o sistema inteiro desta cidade.
MARCELLO (sorrindo): Eu só faço pe-
rguntas que ninguém quer responder.
LEÔNCIO: E quase morreu por isso umas vinte vezes.
Alguns dão uma leve risada. A tensão diminui por um instante, mas logo o bispo fica sério novamente.
BISPO EUSTÁQUIO: Agora chega de agradecimentos. É hora da verdade.
Ele abre uma pasta grossa e retira várias fotografias. Cecília observa tudo com atenção.
BISPO EUSTÁQUIO (CONT): Durante anos, eu investiguei secretamente a chamada Cúpula da Cruz Sagrada.
Marcello imediatamente pega um bloco de anotações.
MARCELLO: Então ela existe mesmo.
BISPO EUSTÁQUIO: Existe.
Ele espalha diversas fotos sobre a mesa. Todos se aproximam.
IRMÃ BERNADETE (fazendo o sinal da cruz): Meu Deus...
CECÍLIA (chocada): Essas fotos...
BISPO EUSTÁQUIO: São reuniões se-
cretas. Transferências bancárias. Empresas fantasmas. Desvios de ver-
bas públicas. Compra de silêncio. Pagamentos para capangas.
Marcello examina uma das imagens.
MARCELLO: Esse é o prefeito Raul.
LEÔNCIO: E esse do lado dele é o delegado Joaquim.
IRMÃ BERNADETE: Padre Augusto também está ali.
BISPO EUSTÁQUIO: E irmã Adélia.
O silêncio domina o salão. Cecília fecha os olhos por alguns segundos. A dor é visível.
CECÍLIA (abatida): Eu me casei com um monstro.
BISPO EUSTÁQUIO: Você não é resp-
onsável pelos crimes dele.
MARCELLO: E isso é só a ponta do iceberg, não é?
O bispo concorda e abre outra pasta, desta vez muito mais pesada.
BISPO EUSTÁQUIO: Aqui estão os desaparecimentos de crianças registr-
ados nos últimos vinte e cinco anos.
Leôncio empalidece.
IRMÃ BERNADETE: Meu Deus do céu...
CECÍLIA: Então era verdade...
BISPO EUSTÁQUIO: Sim. Crianças eram retiradas de suas famílias media-
nte falsificação de documentos.
MARCELLO: E depois?
O bispo respira fundo.
BISPO EUSTÁQUIO: Algumas eram enviadas ilegalmente para outras cida-
des. Outras desapareciam sem deixar rastros.
O choque é geral. Marcello aperta os punhos.
MARCELLO: Esses desgraçados...
LEÔNCIO (indignado): Quantas famí-
lias sofreram por causa deles?
BISPO EUSTÁQUIO: Centenas.
O silêncio se torna pesado. Bernadete começa a chorar discretamente.
IRMÃ BERNADETE: E tudo isso usa-
ndo o nome de Deus.
BISPO EUSTÁQUIO: O maior pecado deles foi exatamente esse.
Ele abre mais uma pasta. Desta vez aparecem fotografias de reuniões clandestinas,relatórios,depoimentos, nomes, datas e endereços.
MARCELLO (chocado): Isso pode der-
rubar toda a estrutura de poder de São Miguel das Pedras.
BISPO EUSTÁQUIO: Pode.
CECÍLIA: Então por que não divulgar tudo agora?
O bispo fecha lentamente a pasta.
BISPO EUSTÁQUIO: Porque eles ainda são poderosos. Joaquim controla parte da polícia,Raul controla a prefei-
tura,Augusto controla os fiéis e Adélia conhece todos os segredos. Se ataca-
rmos agora, eles destruirão as provas e desaparecerão.
Marcello concorda.
MARCELLO: Precisamos agir com inteligência.
LEÔNCIO: Então qual é o plano?
O bispo olha para cada um deles. A expressão é firme.
BISPO EUSTÁQUIO: Primeiro, vamos identificar todos os membros da orga-
nização. Depois, vamos reunir testem-
unhas. Em seguida, entregaremos tudo às autoridades estaduais e à imprensa nacional.
CECÍLIA: E Joaquim?
BISPO EUSTÁQUIO: Joaquim vai res-
ponder pelos crimes dele.
MARCELLO: Todos eles vão.
IRMÃ BERNADETE: Que Deus nos dê força.
O bispo ergue um crucifixo.
BISPO EUSTÁQUIO: A partir desta noite não somos mais fugitivos. Somos a resistência.
Todos se entreolham, determinados e prontos para a batalha que está apenas começando. A câmera se afasta lenta-
mente. Do lado de fora,um raio corta o céu.
CORTE SECO.
CENA 03-ESTRADA DE TERRA/ ARREDORES DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS-ENTARDECER
O céu está tingido de laranja e roxo. O sol desaparece lentamente atrás das montanhas. Ana Clara cavalga sozinha pela estrada de terra. O vento balança seus cabelos enquanto ela revive men-
talmente tudo o que conversou com Lúcio. As descobertas sobre o passado dos dois continuam ecoando em sua mente.
ANA CLARA (para si mesma): Filho adotivo... procurando os pais biológi-
cos... Será possível que eu também...?
Ela interrompe o pensamento. O cavalo começa a demonstrar inquietação. As orelhas se levantam e o animal diminui o passo.
ANA CLARA (estranhando): O que foi, Estrela?
O cavalo resfolega forte, bufa e recus-
a-se a continuar. Ana Clara puxa levemente as rédeas.
ANA CLARA (CONT): Vamos, menina.
Mas o animal permanece imóvel.
CONTÍNUA NO PRÓXIMO PÔSTER
13 hours ago | [YT] | 6
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O MAIS BELO DOS BELOS • Capí 03
escrita e criada por:
PEDRO RABELO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
🥁🎙️🪇🥁🎙️🪇🥁🪇🥁🪇🥁🪇🥁
CENA 01-DELEGACIA/PÁTIO EXTE-
RIOR-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/S40ImSwbccI?si=6wgOk...
Jorginho lidera um coro de atabaques e gritos de "Liberdade para Alice". O Delegado Almeida observa de cima, nervoso,enquanto fuma.
JORGINHO (gritando): Vocês prend-
eram o corpo, mas não prenderam a nossa voz! Alice é inocente! Queremos justiça pra quem trabalha e dança por essa terra, meu irmão!
A multidão ruge. Lucas chega e tenta passar, mas é barrado.
LUCAS (exaltado): Eu sou Lucas Bar-
ros Brito,visse? Deixe eu passar! Eu exijo falar com o delegado agora! Eu trouxe o advogado da família!
POLICIAL RIBEIRO: Pode ser o dono da Bahia todinha,doutor,mas aqui nin-
guém entra enquanto o delegado não autorizar! A ordem é isolar essa bag-
aça, tá ligado?
Instrumental Off.
CENA 02-DELEGACIA/CORREDOR DAS CELAS-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/0-sbICB0cJE?si=YtTTh...
Renata para diante da cela de Alice.
ALICE (esperançosa): Renata? Você veio me tirar daqui? A mãe... como é que ela tá,minha irmã?
RENATA (fria): A mãe tá toda quebra-
da,Alice. Mas eu não vim te tirar daqui,não. Vim te perguntar: valeu a pena? Valeu a pena posar de santinha pra acabar assim,como uma ladra de joias?
ALICE (chocada): Do que você tá fala-
ndo? Você sabe que eu não fiz nada! Você vive comigo,conhece minha vida de cabo a rabo!
RENATA (sussurrando): O que eu sei é que Lucas nunca vai querer uma presi-
diária de esposa. Ele é um Barros Brito,Alice. Ele precisa de uma mulher que brilhe, não de uma que tá mofando aqui. Esqueça ele. Se você abrir o bico e confessar,talvez a pena seja menor.
ALICE (encarando): Foi você... Foi vo-
cê que botou aquelas pedras na minha bolsa! Eu tô vendo no teu olho,Renata! Como é que você teve coragem de ser tão baixa,visse? Eu sou teu sangue, oxente!
Instrumental Off.
CENA 03-MANSÃO BARROS BRITO
/SALA DE JANTAR-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/cXiTxHeuSBQ?si=9Uvxc...
Lúcia toma café enquanto Patrícia entra.
PATRÍCIA: A cidade tá pegando fogo, Lúcia. O meu marido não para de rece-
ber ligação por causa dessa menina. Você foi longe demais com essa histó-
ria de prisão, viu?
LÚCIA: Eu só dei o empurrão que pre-
cisava pra justiça ser feita, Patrícia. Se a menina era um estorvo no caminho do nosso resort,agora é uma pedra atrás das grades. Carlos deveria é me agradecer.
PATRÍCIA: Carlos tá com o c na mão, Lúcia! Ele teme que Lucas descubra a ligação da mineração com a prefeitura. Se seu filho começar a cavar,vai achar muito mais que esmeralda.
LÚCIA (firme): Lucas é meu filho,eu sei como dobrar ele. Preocupe-se com se-
us casos,Patrícia. A moral da sua fam-
ília é bem mais frágil que a minha empresa.
Instrumental Off.
CENA 04-CASA DA FAMÍLIA AZE-
VEDO/QUARTO DE RENATA-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/s7O-KHzIrO0?si=GX1Mt...
Sara flagra Renata escondendo o recibo.
SARA (desconfiada): Que pressa é es-
sa, Renata? Tá escondendo o quê? O ouro? Ou as esmeraldas?
RENATA: Saia daqui,Sara! Você não tem o direito de invadir meu espaço! Vá cuidar da sua vida e desses seus protestos inúteis, garota!
SARA: Inútil é a sua falta de caráter! Eu vi o jeito que você olhou pra Lucas ontem. Você quer a vida de Alice,né? Mas preste atenção: eu vou provar que minha amiga é inocente e, quando eu fizer isso, não vai ter buraco na Bahia onde você possa se esconder!
Instrumental Off.
CENA 05-LOJA AXÉ E ARTE/FUN-
DOS-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/vXbmaBeLCrA?si=VeyxP...
Fabiula com búzios na mão. Tito ama-
rrando as sandálias para fugir.
FABIULA: Pode parar aí, Tito! Se você botar o pé fora dessa loja sem me dizer quem é o homem que tava falando com Renata ontem no beco,eu mesma te ent-
rego pros agiotas, ouviu bem?
TITO: Eu não sei de nada não,mana! Era só um homem de terno, parecia motorista de gente rica, oxente!
FABIULA: Motorista? De quem? Da mineração? Tito, se Renata tá metida com esse povo que quer derrubar o Pelourinho,o negócio é bem mais emb-
aixo do que eu pensava! A gente preci-
sa falar com Lucas agora!
Instrumental Off.
CENA 06-GABINETE DO PREFEITO-
DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/9Bra_RBGB10?si=juZQ_...
CARLOS (suando): Sim, eu entendo... O cronograma tá mantido. A manifesta-
ção é só um detalhe, Salvador continua segura pra investimento.
Ele desliga e soca a mesa. Régis entra.
RÉGIS: Lucas tá lá embaixo querendo os registros das desapropriações de dez anos atrás,prefeito. E aí,faço o quê?
CARLOS: Minta! Diga que o arquivo pegou fogo,invente qualquer história! Aquele rapaz não pode ter acesso aos nomes dos donos das minas. Se ele souber do pai de Alice, tamo tudo frito!
Instrumental Off.
CENA 07-BAR MARÉ ALTA/EXTER-
IOR-NOITE
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/ssJ7rEdLh1M?si=ibnmg...
Clóvis olha o mar. Ricardo se aproxima.
RICARDO: Eu vou embora,Seu Clóvis. Não aguento mais ver tanta injustiça e ficar de braço cruzado. Vou tentar a vida no Rio ou em São Paulo.
CLÓVIS: Fugir não resolve o problema do coração, não,meu filho. Você carr-
ega sua verdade pra onde for. Por que tá com tanto medo?
RICARDO (chorando): Porque eu vi quem botou as joias na bolsa de Alice, Seu Clóvis! Vi Renata saindo do ensaio na surdina! Mas se eu falar,eles matam a minha família! O senhor não sabe com quem essa gente tá metida!
Trilha Sonora Off.
CENA 08-DELEGACIA/SALA DO DELEGADO-NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/MXJRCXagYXA?si=KcVpP...
Lucas entra sem bater.
LUCAS: Eu quero a soltura de Alice Azevedo pra ontem! Trouxe o pagame-
nto da fiança e o habeas corpus.
DELEGADO ALMEIDA: Não é tão sim-
ples, Lucas. O crime é inafiançável pelo valor das peças e suspeita de associa-
ção criminosa.
LUCAS (batendo na mesa): Associação criminosa é o que vocês estão fazendo aqui! Eu sei que houve mutreta nas provas. Se eu tiver que botar a audit-
oria da minha empresa pra investigar cada centavo dessa delegacia, eu vou botar! Solte Alice, ou amanhã você não vai ter nem distintivo pra segurar!
Instrumental Off.
CENA 09-CASA DA FAMÍLIA ÁLVA-
RES DANTAS-NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/oLHedRyMu7w?si=6H0jl...
Marisa assiste ao jornal. Ruan ri.
RUAN: Olha lá, mãe! A sua "filha" vir-
ou líder de bando! Agora sim que a gente vai cair na boca do povo de vez.
MARISA: Cale a boca,Ruan! Eu não criei Sara pra isso... mas, pelo menos, ela tem coragem de lutar por quem ama. Coisa que você,que só vive de deboche, nunca teve.
Instrumental Off.
CENA 10-GANCHO FINAL/CORRE-
DOR DA DELEGACIA-NOITE
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/T0Gf-8XJios?si=kQ-sj...
Lucas cruza com Alice.
LUCAS: Eu vou te tirar daqui,Alice. Juro pela memória de meu pai.
ALICE (com lágrimas): Não foi sua mãe,Lucas... Foi Renata. Foi minha própria irmã que me traiu.
Instrumental On:
https://youtu.be/SOUTW2k20Ic?si=tWjNf...
Lucas recua,chocado. Renata observa de longe, com ódio.
RENATA (para si): Pode até saber a verdade,Alice... mas ninguém vai acre-
ditar em você. Agora o jogo vai come-
çar de verdade.
CONGELA NO ROSTO DE RENATA COM UM SORRISO SOMBRIO.
FIM DO CAPÍTULO
1 day ago | [YT] | 11
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ASSIM QUE SÃO ELAS • Capítulo 38
#PenúltimosCapítulos
escrita e criada por:
JOÃO VITOR PRADO
E ANTÔNIO FERRO
colaboração de:
ANTÔNIO FERRO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
https://youtu.be/uLG4U8cTAeE?si=_RjzR...
✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨
CENA 01-CASA DE CHLOÉ/MONTE AMARO-DIA
Ainda na mesa do café da manhã, Chloé mexia distraidamente na xícara de café.
CHLOÉ: Tia, a senhora sabe de alguma coisa sobre o Eduardo?
TIA LISA: Não sei de nada,minha filha. Juro pra você.
CHLOÉ: É melhor esquecer isso tudo. É mais fácil cair na real e aceitar que o Eduardo escolheu o lado dele.
Tia Lisa pega na mão da sobrinha com carinho.
TIA LISA: Você merece ser feliz com um homem de verdade, Chloé. Não se contente com menos.
CHLOÉ: Vou focar apenas em mim por enquanto. Estou atrasada pra dar aula.
As duas sorriram e voltaram a tomar o café da manhã,conversando baixinho sobre o dia que teriam pela frente.
CENA 02-COBERTURA/MONTE AMARO-DIA
Lucimara chega em casa e vai direto para o sofá da cobertura, sentando-se com elegância. Cruza as pernas e apoia o braço no encosto, ficando pensativa.
Sandrinha desce as escadas e se aproxima.
SANDRINHA: Mãe?
Sandrinha senta-se ao lado dela.
LUCIMARA: Meu amor, você tava aí?
SANDRINHA: Eu esperei você pra tomar café, mas fiquei sabendo que você foi até o cemitério.
LUCIMARA: Fui conversar com a Verônica e levar as flores preferidas dela.
SANDRINHA: Se eu soubesse, teria ido com a senhora.
LUCIMARA: Fica tranquila. Sinto que ela está em paz.
SANDRINHA: A senhora está bem?
LUCIMARA: Sim. Sinto saudades, tenho recaídas… mas acima de tudo volto a ficar bem.
Lucimara abre os braços. Sandrinha deita a cabeça em seu colo enquanto as duas conversam.
SANDRINHA: Pensei em voltar à carreira de cantora.
LUCIMARA: Sério?
SANDRINHA: Na verdade,eu queria unir as meninas novamente. Isso é uma das coisas que me fazem mais feliz.
LUCIMARA: É uma boa ideia.
Lucimara acaricia os cabelos da filha enquanto sorri.
SANDRINHA: Vou marcar com as meninas.
As duas continuaram conversando carinhosamente,com Lucimara brinca-
ndo e sorrindo.
CENA 03-FÁBRICA DE TECIDOS/ MONTE AMARO-DIA
Na Fábrica de Tecidos, Eduardo é apresentado aos funcionários como genro e novo sócio de Alfredo. Ele observava cada detalhe da empresa com atenção.
A cena corta para a sala de Alfredo.
ALFREDO: Você herdará o talento do seu avô pros negócios, Eduardo.
EDUARDO: Não sei se vou sair bem nisso.
ALFREDO: Tudo é uma questão de tempo.
Eduardo sorri. Viviane entra com uma bandeja, servindo dois cafés.
VIVIANE: Fiquei sabendo da novidade e vim parabenizar.
EDUARDO: Obrigado. Que novidade?
VIVIANE: A Camila está contando pra todo mundo que vocês vão se casar.
EDUARDO: Casar?
Eduardo e Viviane trocaram olhares preocupados, enquanto Alfredo não demonstrava nenhuma reação.
CENA 04-SORVETERIA DO POVO/ MONTE AMARO-DIA
Na sorveteria, Penélope atendia os pedidos enquanto anotava na bancada.
KIRA: Vou te ajudar enquanto não visito os parentes.
PENÉLOPE: Quem vocês vão ver?
KIRA: Uns tios e amigos da minha cidade natal.
PENÉLOPE: Que bom. Já eu estou cada vez mais satisfeita com a vida.
KIRA: Aconteceu mais alguma coisa boa?
PENÉLOPE: Não, mas descobrir que o João não me traía tirou um peso enorme das minhas costas.
KIRA: Fico muito feliz por isso. Você merece ser feliz. Aliás, ele também. Eu gosto dos dois.
PENÉLOPE: Você também merece. E como está a Bibi?
KIRA: Ela vai viajar junto com a gente
PENÉLOPE: Que bom, assim da tempo de vocês duas namorar né?
KIRA (Sorrindo): Pois é, nem me fale. Tô morrendo de saudades dela.
PENÉLOPE: Aproveita bastante a via-
gem. Vou dar um tempo na sorveteria também.
KIRA: Vai fechar?
PENÉLOPE: Não. Estou pensando em tirar alguns dias de descanso enquanto o feriado chega.
KIRA: Você está certa. Vou atender o pedido da madame.
As duas olharam para uma mulher rica sentada à mesa, esperando.
PENÉLOPE: Vai lá. Essa aí é ranzinza e reclama de qualquer coisinha.
Kira pega o sorvete e leva na bandeja. Penélope continua atendendo os outros clientes com simpatia,entregando car-
dápios e trocando conversas.
CENA 05-SALA DE AULA/COLÉGIO DOM PEDRO II-MONTE AMARO
Na sala de aula, Zara continua dando sua aula com entusiasmo.
ZARA: O Brasil foi descoberto em 15-
00,e a história do nosso país é import-
ante para todas as gerações.
ZARA: A Princesa Isabel não é a ver-
dadeira heroína da libertação dos esc-
ravos. Ela assinou a Lei Áurea de acordo com uma ordem. É necessário falar sobre isso nas aulas, para que ninguém mais seja enganado como eu já fui.
Todos os alunos prestavam atenção em silêncio.
ZARA: Ser preta é um desafio e um orgulho ao mesmo tempo. Além de ter a cor da pele bonita, infelizmente lá fora também enfrentamos preconce-
itos e injustiças.
ZARA: Quero que vocês contem relatos sobre situações de pessoas injustiçadas pelo sistema. Se não conhecem nenhu-
ma, podem criar como enredo para as próximas aulas.
ZARA: Esse será o último dever e a última aula de história do dia. Boa sorte.
Os alunos abrem os cadernos e come-
çam a escrever concentrados. Zara senta-se na cadeira e abre seu livro de Dom Casmurro, lendo atentamente.
CENA 06-SALA/CASA DE KIRA/ MONTE AMARO-DIA
Marlene lê um livro em voz alta para Seu Osmar, que dorme tranquilamente na poltrona do sofá.
Marlene sorri enquanto lê, pausando por um momento.
MARLENE: A história desse livro é parecida com a minha vida. Cheia de altos e baixos, como a de qualquer mulher que veio da favela.
Ela fecha o livro e percebe que Seu Osmar estava dormindo.
MARLENE: É, Seu Osmar, o senhor finalmente conseguiu dormir, pelo jeito, né?
Marlene ri baixinho, desliga a televi-
são e abre o livro novamente, voltando a ler concentrada.
CENA 07-QUARTO DE LORENA/ COBERTURA/MONTE AMARO-DIA
Sandrinha entra no quarto de Lorena, procurando por algo. O quarto exibe o estilo típico dos anos 2000 com a pale-
ta cor de rosa.
Lorena estava sentada em frente ao computador,assistindo a uma gravação um clipe das meninas.
SANDRINHA: Lorena?
Lorena se virou.
LORENA: Foi você que gravou isso, tia.
SANDRINHA: Foi sim.
LORENA: O clipe ficou bom.
SANDRINHA: Foi só uma brincadeira com as amigas. Onde você viu isso?
LORENA: Está na internet.
SANDRINHA: Como?
Sandrinha se aproxima e vê os clipes dela e das meninas bêbadas no bar. No vídeo,elas cantavam Chitãozinho e Xororó, com figurinos variados, inclu-
sive do Bonde do Tigrão.
LORENA: Os clipes viralizaram. Até a Xuxa comentou.
SANDRINHA: Era só uma brincade-
ira… Ué gente. Lorena tem como apagar será?
LORENA: Vixe tia, agora eu acho que é tarde…
SANDRINHA: Meu Deus… as meninas vão me matar.
As duas continuam olhando os vídeos que estavam em um blog conhecido dos anos 2000.
FIM DO CAPÍTULO
1 day ago | [YT] | 11
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Silêncio. Os dois irmãos congelam.
ISABELA: O quê?
GABRIEL: Como é que é?
O restante do salão explode em aplausos.
PADRE AUGUSTO: Excelente ideia!
IRMÃ ADÉLIA: Maravilhoso!
JOAQUIM: Um futuro brilhante.
SEVERINO: Eu também queria ir.
BÁRBARA (aplaudindo sem graça): Que surpresa...
Isabela encara os pais, chocada. Gabriel fica vermelho de indignação.
GABRIEL: Ninguém perguntou se a gente queria!
ISABELA: Pai, isso é sério?
RAUL (sorriso forçado): Conversamos depois.
GABRIEL: Não,vamos conversar agora!
BÁRBARA (apertando o braço dele): Gabriel...
ISABELA (encarando os pais): Vocês já decidiram tudo sem consultar a gen-
te, não foi?
O clima pesa. Pela primeira vez, os convidados percebem o desconforto.
DIOGO (tentando amenizar): Talvez seja uma oportunidade única para seu futuro...
GABRIEL: Fácil falar quando a vida dos outros está sendo decidida.
Silêncio. As câmeras registram tudo. Raul força um sorriso para a impre-
nsa, mas seu olhar revela preocupa-
ção. A festa continua,os aplausos con-
tinuam. Porém, no meio da comemor-
ação,a família está mais dividida do que nunca.
CLOSE NOS ROSTOS DE ISABELA E GABRIEL.
CORTE SECO.
CENA 03-SÍTIO DOS FONSECA/ CASA PRINCIPAL-FIM DE TARDE
Quase seis da tarde. O clima de fim de dia é interrompido pela ansiedade na cozinha: Dona Rita vigia a janela sem parar, enquanto o Sr. Gomes, tenso, nem consegue tocar no café à sua frente.
DONA RITA (apreensiva): Essa meni-
na nunca demorou tanto assim. Já está quase escurecendo!
SR. GOMES (tentando parecer calmo): Deve ter ido cavalgar mais longe. Da-
qui a pouco ela aparece.
DONA RITA (irritada): Não! Eu con-
heço minha filha. Tem alguma coisa errada.
Ela para diante da janela.
DONA RITA (CONT): Depois daquela conversa na feira... depois das pergu-
ntas que ela fez...
SR. GOMES (tenso): Rita...
DONA RITA (olhando para ele): Não adianta me olhar assim. Você viu o jeito que ela ficou.
SR. GOMES: E você também viu o jeito que respondeu.
DONA RITA (defensiva): Eu fiz o que precisava fazer!
SR. GOMES: Dar um tapa na cara dela era necessário?
Silêncio. Dona Rita baixa os olhos por um instante.
DONA RITA (mais baixa): Ela estava passando dos limites.
SR. GOMES: Ou talvez estivesse procurando respostas.
Dona Rita se vira bruscamente.
DONA RITA: Respostas que não po-
dem ser dadas!
SR. GOMES (nervoso): Fala baixo!
Instrumental On:
https://youtu.be/72CrrNQk4V0?si=RwPlq...
Os dois se encaram.
DONA RITA: Você acha que eu não tenho medo? Todos os dias eu acordo com medo de alguém aparecer e destr-
uir tudo.
SR. GOMES: E eu também tenho.
DONA RITA (com lágrimas nos olhos): Ela é nossa filha.
SR. GOMES: É sim.
DONA RITA: Eu a amo como se tivesse saído de mim.
SR. GOMES (abaixa a cabeça): Porque, para nós, ela saiu.
Uma lágrima escorre pelo rosto de Rita.
DONA RITA: Se ela descobrir a verdade...
SR. GOMES: Talvez ela tenha o direito de descobrir.
Dona Rita não responde. Ao longe, o latido dos cachorros ecoa pelo sítio. Ela corre até a varanda.
DONA RITA (gritando): Ana Clara!
Nenhuma resposta. A angústia aum-
enta.
Instrumental Off.
CORTE PARA
CENA 04-TRILHA PRÓXIMA À LA-
GOA ESCONDIDA-FIM DE TARDE
Ao pôr do sol,Ana Clara e Lúcio caminham ao lado de seus cavalos. Em meio a uma atmosfera carregada de emoção,eles param na bifurcação da trilha e trocam um olhar carregado de significado.
ANA CLARA (sorrindo sem graça): Acho que agora eu preciso voltar.
LÚCIO (brincando): Tem certeza? A gente pode fugir para o Paraguai e abrir uma vendinha de água de coco.
Ana Clara ri.
ANA CLARA: E viver de quê?
LÚCIO: Do seu charme.
ANA CLARA: Então morreríamos de fome.
Os dois riem.
LÚCIO (colocando a mão sobre o cora-
ção): Essa doeu.
ANA CLARA: Você sobrevive.
O sorriso dos dois diminui aos poucos.
LÚCIO (mais sério): Falando sério... toma cuidado.
ANA CLARA: Você também.
LÚCIO: Não estou brincando. Se nos-
sas suspeitas estiverem certas... esta-
mos mexendo com algo muito maior do que imaginávamos.
Ana Clara concorda.
ANA CLARA: Eu sei. (pausa) Mas eu preciso descobrir quem eu sou.
LÚCIO: E eu também.
Ele segura delicadamente a mão dela.
LÚCIO (CONT): Promete que não vai desistir?
ANA CLARA: Só se você prometer também.
LÚCIO: Prometo.
Eles se aproximam lentamente. Trocam um beijo carinhoso e demorado. Qua-
ndo se afastam, Ana Clara sorri.
ANA CLARA: Engraçado...
LÚCIO: O quê?
ANA CLARA: Hoje eu saí de casa ach-
ando que estava sozinha no mundo.
LÚCIO (sorri): E agora?
ANA CLARA: Agora acho que encon-
trei alguém que entende exatamente o que eu sinto.
Lúcio acaricia o rosto dela.
LÚCIO: Então esse foi só o primeiro capítulo.
ANA CLARA: Dos próximos muitos capítulos.
Os dois trocam mais um beijo rápido.
LÚCIO: Amanhã?
ANA CLARA: Amanhã.
LÚCIO: Cidade de São Miguel das Pedras?
ANA CLARA: Investigação secreta.
LÚCIO: Gostei do nome.
ANA CLARA (rindo): Não conta para ninguém.
LÚCIO: Nem sob tortura.
Eles montam em seus cavalos. Por alg-
uns segundos ficam se olhando à distâ-
ncia.
ANA CLARA (gritando): Até amanhã, doutor juiz!
LÚCIO (gritando de volta): Até ama-
nhã, senhorita mistério!
Eles se separam. Ana Clara cavalga em direção à noite, sendo vigiada por uma silhueta escondida. Na escuridão da mata, um sorriso misterioso é a única coisa visível.
CORTE SECO
CENA 05-CASA DE OTÁVIO/QUAR-
TO DO CASAL-NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/TGXkdU9S0OU?si=5I-3K...
Sob a penumbra do quarto e ao som da chuva,Madalena e Otávio enfim desca-
nsam. Abraçados na cama, compar-
tilham um momento de silêncio e paz após o trauma da prisão.
MADALENA (baixinho): Eu achei que não fosse conseguir sair de lá.
OTÁVIO (acariciando os cabelos de-
la): Eu também tive medo.
MADALENA: Eu também tive...
OTÁVIO: De quê?
MADALENA (com os olhos mareja-
dos): De perder você.
Otávio segura o rosto dela com delic-
adeza.
OTÁVIO: Oh,meu amor,você não vai me perder.
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/Y59pC4FcBxM?si=Ks-Qa...
Eles se beijam com ternura. A câmera registra os gestos de afeto: mãos entre-
laçadas,abraços e olhares apaixona-
dos. Mais tarde,o casal descansa, deit-
ado lado a lado sob uma manta.
MADALENA: Obrigada por não desi-
stir de mim.
OTÁVIO (sorri): Você fala como se eu tivesse escolha.
MADALENA (rindo): Tinha, sim.
OTÁVIO: Não tinha, não.
Os dois riem.
OTÁVIO (CONT): Desde o dia em que você entrou no meu escritório com aq-
uele olhar teimoso... eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma.
Madalena sorri emocionada.
MADALENA: Eu te amo.
OTÁVIO: Eu também te amo.
Trilha Sonora Off.
Silêncio. Um silêncio confortável. Mas logo a expressão dela muda.
MADALENA (apreensiva): Sabe o que mais dói?
OTÁVIO: O quê?
MADALENA: Saber que minha filha está em algum lugar por aí... talvez perto... talvez longe. E ela nem imagina que eu nunca deixei de procurá-la.
Otávio segura a mão dela.
OTÁVIO: Nós vamos encontrá-la.
MADALENA: E se ela me odiar?
OTÁVIO: Ela vai conhecer a verdade e entender tudo.
MADALENA: Joaquim,Adélia,Raul e Padre Augusto... eles destruíram tan-
tas vidas em nome de Deus.
OTÁVIO (firme): E vão responder por cada uma delas. Isso você pode ter certeza.
Ele se senta na cama.
OTÁVIO (CONT): Agora não estamos mais sozinhos. Temos Henrique. Temos provas surgindo. E,pela primeira vez, Joaquim está cometendo erros.
Madalena concorda.
MADALENA: Então vamos derrubar todos eles.
OTÁVIO (estende a mão): Juntos.
Ela aperta a mão dele.
MADALENA: Juntos.
CORTE PARA:
CENA 06-HOTEL IMPERIAL DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS/SUÍTE-
NOITE
Henrique entra na suíte e logo é acom-
panhado por Verônica, que mantém uma postura impecável para esconder sua dor real sob um sorriso.
VERÔNICA (brincando): Então o fam-
oso advogado da capital finalmente resolveu tirar uma noite de folga.
HENRIQUE (sorri): E a famosa
Verônica continua chegando com res-
postas antes mesmo das perguntas.
Ela ri.
VERÔNICA: Faz parte do meu trabalho, doutor.
Henrique observa o sorriso dela.
HENRIQUE: Engraçado...
VERÔNICA: O quê?
HENRIQUE: Você parece estar em qualquer lugar... menos aqui.
A frase a surpreende.
VERÔNICA: Essa foi profunda.
HENRIQUE: Foi sincera.
Ela se aproxima da janela.
VERÔNICA: Talvez porque eu esteja cansada.
HENRIQUE: Do trabalho?
VERÔNICA: Da vida de acompanhante.
Silêncio. Henrique percebe que existe muito mais por trás daquela mulher.
HENRIQUE: Você já pensou em fazer outra coisa?
VERÔNICA (sorri sem humor): Todos os dias.
HENRIQUE: E por que não faz?
VERÔNICA: Porque às vezes a gente passa tanto tempo sobrevivendo... que esquece como é viver.
A frase toca Henrique profundamente.
HENRIQUE: Acho que você merece mais do que sobreviver.
Verônica o encara. Pela primeira vez em muito tempo, alguém parece enxergá-la de verdade.
VERÔNICA (emocionada): Você fala como alguém que acredita realmente nisso.
HENRIQUE: Porque eu acredito. Não sou só mais um homem que só pensa em sexo.
Os dois trocam um olhar intenso. Um olhar diferente. Sem interesse. Sem máscaras. Sem jogo. Apenas conexão.
VERÔNICA (sorri): Cuidado, doutor Henrique.
HENRIQUE: Por quê cuidado?
VERÔNICA: Você corre o risco de me fazer sonhar de novo.
HENRIQUE (sorrindo): Talvez seja exatamente isso que está faltando na sua vida.
A emoção toma conta do ambiente. Lá fora,as luzes de São Miguel das Pedr-
as brilham na noite. Enquanto a cidade se aproxima de uma guerra sem prece-
dentes,dois novos sentimentos começam a nascer.
CORTE PARA:
FIM DO CAPÍTULO
1 day ago | [YT] | 5
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GRAÇA PROFANA • Capítulo 18
Escrita e criada por:
AMIZAEL HONORATTO
supervisão de texto:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO
direção geral:
DIOGO ITAMAR
⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪🕯️⛪
CENA 01-PREFEITURA DE SÃO MIGUEL DAS PEDRAS/GABINETE SECRETO DO PREFEITO-NOITE
Sob a luz fraca de um abajur, o gabinete do prefeito é um cenário de desespero. Raul caminha inquieto enquanto Bárbara tenta se controlar com um calmante. Assessores e copeiras completam a cena, divididos entre a tensão política e o som dos protestos que ecoam lá fora.
RAUL (irritado): Isso está saindo do controle! Eu mandei o Joaquim acabar com essa história antes que virasse um escândalo!
VILMA (tentando ajudar): Prefeito, talvez seja melhor fazermos uma nota oficial...
RAUL (interrompendo): Nota oficial?! O povo está me chamando de ladrão nas redes sociais!
SEVERINO: Tecnicamente,prefeito, eles estão chamando o senhor de lad-
rão,corrupto,vigarista,enganador, sanguessuga...
RAUL (apontando): Cala a boca, Seve-
rino!
MÁRCIO: Severino só estava atualiza-
ndo o senhor.
BÁRBARA (cínica): E eu fui chamada de "rainha do Botox municipal".
As copeiras tentam segurar o riso.
DONA NEIDE (baixinho para Jurema): Pelo menos rainha ela continua sendo.
DONA JUREMA: Shhh! Quer ser demitida?
RAUL (nervoso): A culpa é daquela Madalena,daquele advogado Otávio e daquele jornalista fofoqueiro!
MÁRCIO: Marcello Dias.
RAUL: Isso! Esse Marcello!
VILMA: O vídeo dele já passou de cin-
quenta mil visualizações.
Silêncio. Raul fica pálido.
RAUL: Quanto?!
VILMA: Cinquenta mil.
SEVERINO: E subindo.
RAUL (segurando o peito): Me dá água.
DONA JUREMA (entregando): Com açúcar ou sem, prefeito?
RAUL: Com fé.
BÁRBARA (revirando os olhos): Nem um caminhão de fé resolve isso agora, Raul.
Ela encara Raul.
BÁRBARA: E me explica uma coisa: sua irmã,Adélia,sabe que a própria filha está metida nessa confusão?
RAUL: Sabe.
BÁRBARA: E continua calma?
RAUL: Calma não. Furiosa.
SEVERINO: A irmã Adélia sempre me deu medo.
MÁRCIO: Ela me dá medo até quando sorri.
DONA NEIDE (baixinho): Principalm-
ente quando sorri.
As copeiras fazem o sinal da cruz.
BÁRBARA (cruzando os braços): E por falar em problemas... (pausa) O que foi essa história de chamar Diogo e Joana de volta para este fim de mundo?
Raul evita olhar para ela.
BÁRBARA (desconfiada): Raul...
RAUL: Eu já pedi para eles voltarem.
Todos na sala congelam.
BÁRBARA (indignada): Você fez o quê?!
RAUL: Eles já estão vindo para cá.
BÁRBARA: Sem me consultar?!
RAUL: Era urgente.
BÁRBARA: Urgente nada! Você deci-
diu isso sozinho!
SEVERINO (baixinho para Márcio): Agora o prefeito morre.
MÁRCIO: Cala a boca.
BÁRBARA: E para que eles estão vindo?
RAUL (sentando-se): Porque nós esta-
mos politicamente acabados.
Silêncio. Até as copeiras param.
RAUL (CONT): Nossa popularidade despencou.
VILMA: Despencou é pouco.
SEVERINO: Foi um mergulho sem par-
aquedas.
RAUL (fuzilando-o com o olhar): Seve-
rino!
SEVERINO: Desculpa.
RAUL: Precisamos de um novo rosto para a prefeitura.
BÁRBARA: E esse rosto seria...
RAUL: Nosso filho, Diogo.
MÁRCIO: Estratégico.
VILMA: Jovem.
SEVERINO: Bonito.
RAUL: Obrigado.
SEVERINO: Não estava falando do senhor.
Raul fecha os olhos,respirando fundo.
BÁRBARA: E a Joana? Você sabe que eu e ela não nos damos bem, né?
RAUL: Joana pode ajudar.
BÁRBARA (irônica): Ah, claro. A filha da irmã Adélia.
RAUL: Exatamente.
BÁRBARA: Uma mulher que consegue ser mais calculista que você.
RAUL: Isso é impossível.
BÁRBARA: Você não conhece sua nora.
DONA JUREMA (baixinho): Nem eu queria conhecer.
DONA NEIDE: Nem eu.
BÁRBARA: Precisamos descobrir se ela está do nosso lado.
RAUL: É justamente isso que vamos fazer.
MÁRCIO: E se ela não estiver?
Silêncio. Raul e Bárbara se encaram.
RAUL: Então teremos outro problema para resolver.
O som dos protestos aumenta lá fora.
"PREFEITO LADRÃO!" "PREFEITO LADRÃO!"
Todos se calam.
BÁRBARA (desanimada): Você ouviu isso?
RAUL: Ouvi.
BÁRBARA: Estão gritando seu nome.
SEVERINO: Pelo menos ainda lembram dele.
RAUL: Severino, eu vou te demitir.
SEVERINO: O senhor promete isso desde 2018.
As copeiras não conseguem conter uma gargalhada.
BÁRBARA (finalmente sorrindo): Pela primeira vez hoje alguém me fez rir.
Raul suspira derrotado. Depois, aproxima-se da esposa e beija sua testa.
RAUL (com mais carinho): Me descul-
pe por não ter te consultado.
BÁRBARA: Você foi um idiota.
RAUL: Eu sei.
BÁRBARA: Um grande idiota.
RAUL: Também sei.
BÁRBARA (suspira): Mas agora já foi.
Ela segura a mão dele.
BÁRBARA (CONT.): Só espero que esse plano não afunde a gente ainda mais.
A câmera se afasta lentamente. Lá fora, os gritos dos manifestantes continuam ecoando pela noite. Dentro do gabinete, ninguém parece realmente acreditar que a situação ainda possa ser controlada.
CORTE PARA
CENA 02-MANSÃO DA FAMÍLIA RAUL/SALÃO PRINCIPAL-NOITE
A mansão está pronta para a recepção. Em meio a mesas fartas e a expectativa da imprensa, Bárbara coordena a equipe com pulso firme. Apesar do luxo, o som dos protestos ecoa do lado de fora, lembrando a todos da crise que o prefeito enfrenta.
BÁRBARA (para uma copeira): Endir-
eita esse arranjo de flores, minha filha. Está parecendo um enterro.
COPEIRA (nervosa): Sim, dona Bárbara.
RAUL (sorrindo para os fotógrafos): Hoje é um novo começo.
SEVERINO: Esperamos que o povo pense a mesma coisa.
RAUL (olhando torto): Severino, você nasceu pessimista ou fez curso?
Buzinas ecoam e os portões se abrem. Da caminhonete luxuosa descem Diogo, com uma Bíblia à mão, e a confiante Joana. Logo atrás, os filhos do casal completam o grupo: o introspectivo Pedro e o agitado Vitor.
RAUL (emocionado): Meu filho!
Raul abre os braços. Diogo o abraça.
DIOGO: Pai!
BÁRBARA (emocionada): Meu menino!
Ela o abraça logo depois.
DIOGO (sorrindo): Mãe.
VITOR (olhando a mansão): Nossa...
PEDRO: Continua enorme.
VITOR: Eu lembrava menor.
PEDRO: A última vez que viemos aqui, você tinha oito anos e eu, nove.
VITOR: Faz sentido.
Risadas gerais. Isabela e Gabriel se aproximam.
ISABELA (sorrindo): Finalmente apareceram.
DIOGO: Minha irmã favorita.
GABRIEL: E eu?
DIOGO: Você continua sendo o mais complicado.
Todos riem. Nesse instante, Joana e Bárbara se encaram. Silêncio. As duas sorriem. Aquele sorriso falso que não engana ninguém.
BÁRBARA: Joana... como você está bonita.
JOANA (sorriso perfeito): Obrigada, sogra. Você também está ótima. (pausa) Nem parece que está passando por uma crise política.
Alguns assessores engasgam.
BÁRBARA (sorriso congelado): E você continua muito engraçada.
JOANA: Eu tento.
BÁRBARA: Eu percebi.
JOANA: Que bom.
O clima fica estranho.
VITOR (para Pedro): Elas estão brig-
ando?
PEDRO: Não. (pausa) Isso é só aque-
cimento.
Os dois adolescentes trocam olhares. Do outro lado do salão,chegam novos convidados: Irmã Adélia,Delegado Jo-
aquim e Padre Augusto. Todos cumpr-
imentam Diogo.
IRMÃ ADÉLIA (orgulhosa): Que Deus abençoe essa família linda, filha.
Joana a abraça rapidamente. O abraço parece cordial demais para ser sincero.
PADRE AUGUSTO: Seja bem-vindo de volta, Diogo.
DELEGADO JOAQUIM: A cidade sen-
tiu sua falta.
GABRIEL (baixinho para Isabela): Me-
ntira. Ninguém sabia que ele existia.
ISABELA (segurando o riso): Gabriel...
RAUL (batendo uma taça com uma col-
her): Atenção!
O salão silencia. As câmeras são liga-
das. Os fotógrafos se posicionam. Raul sobe num pequeno palco improvisado.
RAUL: Amigos, familiares, autorida-
des e imprensa... (pausa dramática) Hoje é um dia muito especial para nossa família.
Aplausos.
RAUL (CONT): São Miguel das Pedras vive um momento difícil.
SEVERINO (baixo): Essa foi a única verdade da noite.
MÁRCIO: Shhh!
RAUL: E é justamente por isso que precisamos renovar nossas forças.
Ele aponta para Diogo.
RAUL (CONT.): Tenho orgulho de apresentar oficialmente o homem que dará continuidade ao nosso legado.
Diogo se levanta. Aplausos.
RAUL: Meu filho, Diogo!
Mais aplausos.
RAUL (CONT): Homem de fé.
PADRE AUGUSTO: Amém.
RAUL: Homem de princípios.
JOAQUIM (sarcástico): Aleluia.
RAUL: E futuro candidato à Prefeitura de São Miguel das Pedras!
O salão explode em aplausos. Fotógra-
fos registram tudo.
DIOGO (emocionado): Que Deus me dê sabedoria para servir esta cidade.
IRMÃ ADÉLIA (aplaudindo): Muito bem!
PADRE AUGUSTO: Um verdadeiro servo de Deus!
VITOR (para Pedro): Já começou a campanha.
PEDRO: Faz uns cinco minutos.
Enquanto isso... Bárbara e Joana volt-
am a se encarar.
BÁRBARA: Então você vai ser a prim-
eira-dama.
JOANA (sorrindo): Se Deus quiser.
BÁRBARA: E se eu deixar.
JOANA: Achei que a senhora estivesse se aposentando.
BÁRBARA: Ainda não,querida.
As duas sorriem novamente.
ISABELA (para Gabriel): Isso vai terminar em tragédia.
GABRIEL: Ou numa novela das nove.
Raul ergue novamente a mão.
RAUL: E tenho mais um anúncio!
O salão silencia.
ISABELA (baixo): Lá vem.
GABRIEL: Nunca é coisa boa.
RAUL: Pensando no futuro dos meus filhos... (pausa) Decidi que Isabela e Gabriel irão estudar no exterior!
CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER
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O MAIS BELO DOS BELOS • Capí 02
escrita e criada por:
PEDRO RABELO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
🥁🎙️🪇🥁🎙️🪇🥁🪇🥁🪇🥁🪇🥁
CENA 01-LARGO DO PELOURINHO/ EXTERIOR-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/4FTwoikQr40?si=0dJb1...
Alice chega para mais um dia de aula, radiante,ainda sentindo o beijo de Lu-
cas. De repente,três viaturas da polí-
cia cercam o local. O Delegado Almei-
da desce do carro,acompanhado do Policial Ribeiro.
ALICE (assustada): Oxi,Delegado! Que bafafá é esse? Aconteceu alguma desg-
raça com alguém da comunidade? Algum acidente?
DELEGADO ALMEIDA/Milhem Cortaz (firme): Alice Azevedo,nós temo um mandado de busca e apreensão. Recebemo uma denúncia anônima que diz que material desviado da Mineração Barros Brito tá aí com você.
ALICE (rindo,nervosa): O senhor só pode tá brincando com a minha cara! Eu sou professora de dança, delegado! Eu não sei nem onde fica a sede dessa mineração,visse? O senhor me conhece desde pequena,sabe quem eu sou!
DELEGADO ALMEIDA: Justamente por te conhecer que eu espero que isso seja um engano. Ribeiro,revista a moc-
hila dela.
Ribeiro abre a mochila e,entre os pa-
nos de dança, retira um saco de veludo. Ele abre e revela esmeraldas brutas de altíssimo valor. Alice perde o chão.
ALICE (gritando): Isso não é meu, pelo amor de Deus! Eu nunca vi isso na min-
ha vida! Alguém botou isso aí pra me prejudicar! Delegado,acredite em mim, isso é armação!
DELEGADO ALMEIDA: Alice,você tá presa em flagrante por receptação de carga roubada. Ribeiro,algeme a moça.
Alice é levada sob os olhares chocados dos alunos e vizinhos.
Instrumental Off.
CENA 02-CASA DA FAMÍLIA AZEV-
EDO/SALA-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/AszdC-Ma24k?si=8nUAH...
Rosa entra em casa em prantos,ampar-
ada por Sara. Renata está sentada no sofá, fingindo choque.
ROSA (em desespero): Levaram minha menina, Sara! Levaram Alice como se fosse uma bandida qualquer. Eu vi as algemas no pulso dela... Aqueles polic-
iais não tiveram um pingo de piedade, meu Deus!
SARA: Calma,Dona Rosa! Isso é uma armação braba, todo mundo sabe que Alice não mata nem formiga! Alguém plantou aquelas pedras na bolsa dela, eu tenho certeza absoluta!
RENATA (fingida): Ô,mãe,a senhora tem que encarar a realidade. Alice vivia deslumbrada com aquele rapaz da mineração. Vai ver ela achou que podia tirar uma casquinha... A gente nunca conhece as pessoas de verdade, nem quem dorme no quarto do lado da gente.
ROSA (reagindo com ódio): Cale a bo-
ca, Renata! Não ouse falar da sua irmã desse jeito! Alice tem um coração de ouro, coisa que você nunca vai enten-
der com essa sua amargura. Se eu des-
cobrir que alguém da nossa gente teve o dedo nisso,eu juro que não respondo por mim!
Instrumental Off.
CENA 03-MANSÃO BARROS BRITO
/BIBLIOTECA-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/RW6ywhYot4I?si=zlxrm...
Lucas entra como um furacão. Lúcia está lendo um jornal, tranquilamente.
LUCAS (furioso): Foi você,não foi? Você não aguentou me ver interessado em uma mulher que não faz parte desse seu círculo de cobras! Você armou pra Alice ser presa!
LÚCIA (gélida): Meça suas palavras, Lucas. Eu não preciso sujar minhas mãos com esse tipo de mediocridade. A moça foi pega com esmeraldas da nos-
sa empresa. A polícia fez o trabalho dela. Você devia me agradecer por eu ter aberto seus olhos antes que ela des-
se um golpe maior em você.
LUCAS: Eu conheço Alice! Ela não é ladra! Eu vou agora mesmo na delega-
cia e vou contratar o melhor advogado dessa Bahia! Se eu descobrir que você teve dedo nisso,Lúcia... eu nunca mais piso aqui e renuncio a tudo o que tem seu nome!
LÚCIA (firme): Se você cruzar aquela porta pra defender uma criminosa, não é mais bem-vindo aqui. Escolha: seu legado ou uma aventura de ladeira.
Instrumental Off.
CENA 04-GABINETE DO PREFEITO-
DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/rHbyuRWMZnk?si=8qQF_...
O Prefeito Carlos está nervoso. Patrí-
cia observa a movimentação pela janela.
CARLOS/DAN STULBACH: O escân-
dalo já tá em todos os portais! "Profes-
sora de dança e ativista presa com esmeraldas roubadas". Isso vai deses-
tabilizar a oposição ao resort.
PATRÍCIA/SUZY REGÔ: Engraçado como as coisas acontecem exatamente como você e Lúcia precisam,né,
Carlos? Uma prisão conveniente, justo quando ela tava liderando os protestos. Você é um mestre da conveniência.
CARLOS: Eu não tive nada a ver com isso, Patrícia! Foi trabalho da polícia!
PATRÍCIA (chegando perto dele): Não minta pra mim. Eu conheço o seu chei-
ro, e hoje você tá cheirando a medo. Só garanta que essa moça não abra a bo-
ca, ou seu "progresso" vai virar caso de polícia federal.
Instrumental Off.
CENA 05-LOJA AXÉ E ARTE-DIA
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/GSQLVTuqDxk?si=lF3In...
Fabiula está com o rosto inchado de chorar. Tito tenta ajudar a organizar as prateleiras, trêmulo.
FABIULA: Minha irmã... minha irmãz-
inha numa cela! Como é que o mundo pode ser tão injusto, Tito? Alice é a pessoa mais honesta que eu conheço!
TITO: Mana, eu ouvi uns papos lá no Largo... Disseram que viram uma pes-
soa estranha perto da mochila dela no ensaio. Mas ninguém quer falar, tá todo mundo com medo da polícia.
FABIULA: Pois eles vão falar! Eu vou bater de porta em porta! E você, Tito, em vez de ficar aí tremendo por causa de agiota, vai usar seus ouvidos de fofoqueiro pra descobrir quem armou pra nossa irmã! Se você fizer isso, eu dou um jeito na sua dívida!
Trilha Sonora Off.
CENA 06-DELEGACIA/INTERROGA-
TÓRIO-DIA
Instrumental On:
https://youtu.be/uUNsjkz3eb0?si=qnE1n...
Alice está sentada. O Policial Ribeiro entra com um copo de água, sem jeito.
ALICE: Ribeiro,você me conhece... Vo-
cê sabe que eu não fiz isso. Por favor, me deixa falar com minha mãe, ela tem pressão alta,não vai aguentar isso!
POLICIAL RIBEIRO/MARCOS VERAS (baixo): Alice,as provas são muito fortes. O Delegado tá sob pres-
são lá de cima. Tem gente grande querendo sua cabeça numa bandeja. Eu não posso fazer muita coisa, só gara-
ntir que ninguém te encoste a mão aqui dentro.
ALICE: Quem,Ribeiro? Quem quer me destruir? Eu só quero dar minhas aul-
as, eu só quero que meu povo tenha um lugar pra morar! É crime amar o Pelo-
urinho?
Instrumental Off.
CENA 07-BAR MARÉ ALTA-NOITE
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/ZfB8VUS0wmM?si=q9-V1...
Clóvis serve uma dose para Jorginho.
CLÓVIS/JACKSON ANTUNES: O Pelourinho tá em luto, Jorginho. A prisão de Alice foi um golpe no cora-
ção de todo mundo aqui.
JORGINHO/MATHEUS ABREU: A gente vai protestar, Seu Clóvis! Ama-
nhã o casarão vai ser o centro de uma manifestação que Salvador nunca viu! Se eles acham que prendendo Alice eles param a gente, eles não conhecem a força da nossa capoeira!
Jorginho sai determinado. Clóvis limpa o balcão com os olhos marejados.
Trilha Sonora Off.
CENA 08-CASA DA FAMÍLIA LACE-
RDA-NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/pJ5BepjSIy8?si=2cFLk...
Laura tenta esconder um hematoma no braço. Lorenzo entra batendo a porta.
LORENZO/ARMANDO BABAIOFF: Ficou sabendo da sua amiga Alice? A santinha caiu! Viu como o mundo é? Todo mundo tem um preço, Laura! Até aquela bailarina de araque!
LAURA/GIOVANNA ANTONELLI (com raiva): Não fale dela! Alice é mil vezes melhor que você, Lorenzo! Pelo menos ela luta por alguma coisa, enq-
uanto você só luta contra sua própria família!
Lorenzo avança,mas para ao ver o fi-
lho,Igor,na porta com um pedaço de pau.
Instrumental Off.
CENA 09-QUARTO DE RENATA-
NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/0-sbICB0cJE?si=t9S8J...
Renata está ao telefone. Ela sorri enqu-
anto olha para uma joia.
RENATA: O plano foi perfeito. Alice tá fora do jogo e Lucas tá vindo direto pra minhas mãos. Continue de olho no delegado. Não quero surpresas. Ama-
nhã a gente começa a segunda fase.
Instrumental Off.
CENA 10-CELA DA DELEGACIA-
NOITE
Instrumental On:
https://youtu.be/yBjfMenPezU?si=68UCf...
Alice está encolhida na cela. Lucas aparece na grade.
LUCAS: Eu não vou te deixar aqui,
Alice. Eu prometo. Eu vou destruir quem fez isso,nem que seja a última coisa que eu faça.
ALICE (chorando): Vai embora, Lucas
... Sua mãe venceu. O seu mundo me engoliu. Olha onde eu tô por causa de-
sse amor maldito!
LUCAS: Não é o fim,Alice. É só o com-
eço da minha guerra contra eles.
A câmera foca no rosto de Alice.
Instrumental Off.
CENA 11-MANSÃO BARROS BRITO
/SALA DE ESTAR-NOITE
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/kg0lFuJe-e4?si=TTQQw...
Lúcia está diante de uma imensa janela de vidro que dá vista para a orla de Salvador. Ela segura uma taça de cris-
tal com champanhe.
LÚCIA (Observando as luzes da cidade lá embaixo,um leve sorriso de canto): É impressionante como as pessoas são previsíveis. Basta uma pedra preciosa e um pouco de encenação para que todo o castelo de cartas desmorone.
Ela dá um gole no champanhe, sentindo o sabor da vitória.
LÚCIA: Adeus,bailarina. O seu palco, a partir de agora,é apenas o concreto frio daquela cela. E quanto ao meu filho... ele vai entender,com o tempo, que o amor é um luxo que ele não pode se dar.
Ela levanta a taça,como se estivesse brindando com a própria Bahia, que ela tanto deseja dominar.
LÚCIA: Um brinde à ordem. Um brin-
de a quem realmente manda neste estado.
Ela vira a taça de uma vez. O brilho do diamante no anel que ela usa reflete a luz, parecendo um olho que vigia toda a cidade lá fora.
A câmera se afasta,deixando Lúcia so-
zinha na imensidão da sala.
Corte abrupto para o preto.
FIM DO CAPÍTULO
2 days ago | [YT] | 12
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ASSIM QUE SÃO ELAS • Capítulo 37
#ÚltimosCapítulos
escrita e criada por:
JOÃO VITOR PRADO
E ANTÔNIO FERRO
colaboração de:
ANTÔNIO FERRO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
https://youtu.be/uLG4U8cTAeE?si=_RjzR...
✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨
CENA 01-SALA DE ESTAR/CASA DE CHLOÉ/MONTE AMARO
A tensão paira no ar. Isabelita conti-
nua parada na porta,com os olhos arr-
egalados, sem acreditar no que acabou de ouvir.
ISABELITA (Incrédula e com voz cor-
tante): Isso não pode ser verdade… Vo-
cê está inventando tudo!
LISA (Olhando firme para ela): É me-
lhor você se afastar de Chloé enquanto ainda pode. Se não,não terei escolha a não ser contar toda a verdade sobre quem você realmente é e o que prete-
nde fazer.
ISABELITA (Ri com desprezo): Você é uma hipócrita! Sempre foi e sempre será. Nunca vai subir na vida, vivendo de mentiras e se escondendo atrás de uma menina. E saiba de uma coisa: farei o que for preciso para destruir Chloé e tudo o que ela representa!
LISA: Você nunca mudou..
ISABELITA (Apontando o dedo em ris-
te): E essa “professorinha” jamais será minha filha!
Lisa fica com autoridade, abrindo mais a porta para o lado de fora.
LISA: Já disse o que tinha para dizer. Agora vá embora e não volte mais aqui.
Isabelita a olha de cima a baixo, com um sorriso de ameaça.
ISABELITA: Me aguarde. Ainda não acabou entre nós.
Isabelita vira-se e sai apressada. Lisa fecha a porta com força,respirando fundo,visivelmente nervosa e com as mãos trêmulas.
CENA 02-CEMITÉRIO/MONTE AMARO
Lucimara chega até o túmulo de Verô-
nica,carregando um buquê de flores. Ela coloca o vaso com cuidado sobre a lápide e acaricia a superfície fria com carinho.
LUCIMARA (Com voz suave,mas cheia de saudade): Minha filha… Sinto tanta falta de você. Tudo está tão difícil sem a sua presença. É como se o tempo tiv-
esse parado para mim,parece que uma parte de mim foi embora junto com você.
Ela levanta os olhos para o céu claro e azul, suspirando profundamente.
LUCIMARA: O céu continua o mesmo, o mundo continua girando… mas para mim, ainda é tudo muito doloroso.
Volta a olhar para a lápide,sorrindo de leve.
LUCIMARA: Trouxe as suas flores preferidas. Sei que,de alguma forma, você ainda pode me escutar. Queria te dizer que a sua presença ainda é sen-
tida em cada detalhe da nossa casa, da nossa vida. Você faz muita falta. Eu, sua irmã,sua filha e seus sobrinhos todos nós estaremos sempre com você, onde quer que esteja. E não só nós: to-
dos que te amaram e estiveram ao seu lado enquanto você esteve aqui também nunca vão te esquecer.
Ela respira fundo,deixando uma lágri-
ma escorrer pelo rosto.
LUCIMARA: Eu te amo, meu bem. A mãe nunca vai deixar você sozinha. Sei que preciso seguir em frente, mas é tão difícil… Se for para continuar vivendo, que seja sentindo você sempre por pe-
rto, mesmo que de outra forma.
Acaricia novamente a lápide,com um olhar de paz e amor.
CENA 03-SALA DE ESTAR. CASA DE OSMAR E MARLENE-MONTE AMARO
Marlene varre o chão com cuidado; alguns móveis estão ligeiramente des-
locados,como se houvesse uma refor-
ma ou limpeza geral em andamento. De repente,Seu Osmar surge na sala,arr-
astando a própria cadeira de rodas devagar. Marlene se vira ao perceber sua presença.
MARLENE: Seu Osmar? O senhor não estava dormindo?
OSMAR (Com voz cansada): Não con-
sigo mais pregar o olho. Com toda essa barulheira lá fora, não tem jeito.
MARLENE: Ah,é verdade! Hoje a pra-
ça está bem mais movimentada, né? Quando cheguei, já estava cheia de gente.
Seu Osmar balança a cabeça, com tom de reclamação.
SEU OSMAR: E vai ser assim o dia todo. Tudo culpa do prefeito, que reso-
lveu transformar Monte Amaro em cidade turística!
Marlene ri suavemente com o jeito do senhor.
MARLENE: O senhor quer comer alguma coisa? Posso preparar um café ou um biscoito.
OSMAR: Não,obrigado. Vou ficar aqui lendo o jornal. E me diga: precisa de ajuda com alguma coisa? Posso ao me-
nos pegar algo para você.
MARLENE: Não se preocupa,Seu Os-
mar. Esse é o meu serviço,e eu faço com gosto. O senhor só precisa desca-
nsar.
Enquanto ela termina de limpar o chão, os dois conversam sobre assuntos le-
ves. Marlene pega o controle remoto no sofá e liga a televisão para ele. Os-
mar abre o jornal e aponta algumas notícias para ela,e os dois comentam e brincam,criando um clima tranquilo e amigável.
CENA 04-COLÉGIO DOM PEDRO II/ MONTE AMARO
O colégio é amplo,com áreas abertas ao ar livre. Crianças e adolescentes entram correndo e conversando anim-
adamente. Em seguida,Zara entra na sala de aula.
ZARA: Bom dia, turma!
ALUNOS: Bom dia, professora!
Zara coloca sua bolsa e os materiais sobre a mesa do professor,pega um pedaço de giz e se vira para a classe.
ZARA: Finalmente retomamos as au-
las como deve ser. Hoje vamos apre-
nder mais sobre a história do Brasil. Mas antes disso,quero que todos abram os cadernos e anotem tudo com atenção isso vai cair na prova, hein? Vamos lá!
Todos obedecem rapidamente. Zara começa a escrever no quadro e a expli-
car a história da família de Dom Pedro, falando também sobre o fim da escra-
vidão no país.
ZARA: É por isso também que a nossa escola leva esse nome: para lembrar da nossa história, dos nossos desafios e das conquistas que moldaram o Brasil que conhecemos hoje.
CENA 05-COZINHA/CASA DE CHL-
OÉ-MONTE AMARO
Lisa está sentada à mesa,tomando café da manhã. Chloé entra e se aproxima, sentando-se ao seu lado.
LISA: Dormiu bem, minha sobrinha?
CHLOÉ: Sim,tia. Finalmente consegui ter uma noite de sono tranquila.
Ela pega uma xícara e se serve de café.
LISA: Que bom ouvir isso. Você mer-
ece ser feliz, sem tantas preocupações.
CHLOÉ (Com um tom decidido): Sabe, tia… depois de tudo o que aconteceu, decidi uma coisa: nunca mais quero saber de casamento, e muito menos de homem.
LISA (Assente com compreensão): Eu também pensava exatamente assim, de-
pois que fui enganada pelo meu prim-
eiro marido. Mas com o tempo,conheci alguém que me fez mudar de ideia… infelizmente ele faleceu alguns anos depois.
CHLOÉ: Sinto muito por isso,de verdade.
LISA: Não fique assim. Você é bonita, inteligente e muito jovem. Um dia vai encontrar alguém que a ame de verda-
de, sem segundas intenções.
As duas comem um pedaço de bolo que está sobre a mesa. Chloé fica pensativa.
CHLOÉ: Sabe o que mais me intriga? O que o Eduardo fez foi tão de repen-
te… Será que é realmente por causa de dinheiro? Para mim,ele vai se casar com a Camila só para ter mais desta-
que como médico. Mesmo sabendo que, com a minha ajuda, ele conseguiria crescer também e de forma honesta.
LISA: Olha,pelo que eu conheço dele, acho que a ambição sempre esteve pre-
sente no coração dele. Só que dessa vez ela falou mais alto do que o amor que ele dizia sentir por você ou que você achava que ele sentia. É uma his-
tória estranha, mas ao mesmo tempo muito óbvia.
CHLOÉ (Olhando para longe): Tenho a sensação de que há muito mais coisas escondidas por trás de tudo isso…
Lisa fica nervosa sem saber o que diz-
er. Temendo que seu segredo também seja descoberto. Chloé e Lisa trocam olhares. Ambas pensativas enquanto o clima fica pesado.
FIM DO CAPÍTULO
2 days ago (edited) | [YT] | 11
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