Entretenimento para todos só aqui


CineNovelas

CENA 05-EXT/CEMITÉRIO-OUTRO LADO DA RUA

Inácio, de olhos fechados com as mãos no bolso,está virado pro sol, sozinho. Leonor surge com elegância estudada. Veste preto,sim,mas é impossível ign-
orar o corte justo do vestido, os brin-
cos discretos tudo perfeitamente calc-
ulado. Seus olhos seguem Inácio. Ela caminha até ele com foco,mas suaviza os traços no último passo.

LEONOR: Seu Inácio... (um sorriso ensaiado) Sei que é um momento difícil,
mas… eu precisava vir até você.

Inácio levanta o olhar, os olhos verm-
elhos. Sorri de leve,com o que resta de energia.

INÁCIO: Obrigado por isso. De verd-
ade. Você é?

Leonor fica ao lado dele com o ar de quem pertence a qualquer ambiente. A mão repousa brevemente sobre o om-
bro dele calorensaiado,contato mínimo.

LEONOR: Leonor Negreiros. Eu gra-
ças a seu pai arranjei um emprego na Fundação Newman como vendedora. (Respira fundo) Chica fala tanto de você. Sempre admirei sua força. (pau-
sa sutil) Imagino que agora ela vá pre-
cisar ainda mais de você, né?

Inácio apenas suspira. O desconforto é visível, mas ele não diz nada. Leonor inclina levemente a cabeça. Finge escu-
ta. Finge entrega.

LEONOR: Se precisar de algo… qualq-
uer coisa. Eu estou aqui, mesmo de longe.

Inácio sorri em agradecimento.

Foco em Serpa, mais ao fundo, que acabou de sair pra ver Inácio,assiste
tudo.

CORTE PARA:

CENA 06-EXT/CEMITÉRIO/CANTO PRÓXIMO A ENTRADA-TARDE

Paulo César está parado, mãos nos bolsos, olhar distante. Luiza se apro-
xima ao lado dele, distraída, girando o pingente do colar entre os dedos.

LUIZA: Oi.

Paulo se vira

LUIZA: Te achei. Sinto muito... A todos nós, na verdade. Vítor era um homem muito bem-visto. E sempre será.

Paulo César vira o rosto, encontra o olhar dela. Concorda com a cabeça.

PAULO CÉSAR: Sem dúvidas.

O silêncio que se instala é pessoal. Co-
nfortável. Familiar.

Luiza respira fundo. Inclina levemente a cabeça. Tensa e serena ao mesmo te-
mpo. Passa a língua pelos lábios, apro-
xima um passo.

LUIZA: Da última vez que nos vimos... Eu falei que era imaturo tomar decis-
ões impulsivas e... (Ela desvia o olhar para o movimento ao longe.)...mas, sendo sincera, eu fui pior. Saí como uma adolescente correndo como se aquele elevador fosse corredor do colégio.

Ela ri fraco. Um riso breve, frágil um disfarce. Paulo a observa. Com ternu-
ra. Com memória. Ele vira o corpo todo em direção a ela, prestes a falar mas Luiza o interrompe com um gesto.

LUIZA: E antes de dizer qualquer coi-
sa, quero me desculpar. Ok?

Ela o encara com um olhar leve, quase brincalhão. Mas honesto.

PAULO CÉSAR: Acha mesmo que eu te julguei por causa disso? (Um sorriso afetuoso.) Agora… eu vou te julgar se continuar.

LUIZA: Falo sério, Paulo César!

PAULO CÉSAR: Só relaxa quanto a isso, Luiza. De verdade. Tá tudo bem.

Luiza ajeita a postura. Ombros pra trás. O corpo mais leve.

LUIZA: Eu sei, eu sei. Só acho que devo pedir desculpas mesmo assim. Somos adultos.

PAULO CÉSAR: Realmente, tá certa. Te admiro por isso.

Eles se encaram. Por segundos a mais do que a amizade recomenda.

Trilha Sonora On:
https://youtu.be/p5UCS7yUa-Q?si=5kzbC...

LUIZA: Espero que isso não interfira na nossa relação. Quero ser sua ami-
ga,mais que isso. Manter o companhe-
irismo que temos...

Paulo sorri, emocionado. O olhar dire-
to, denso, com algo a mais. Ela retribui. Um carinho íntimo. Contido.

Foco em Paulo segura a mão de Luiza, que ainda brincava com o colar. Aper-
ta suavemente. Ela não solta. Só obser-
va o toque entre os dois. Um gesto pequeno,mas cheio de desejo contido. Contradiz o que ela acabou de dizer.
Paulo acaricia os dedos dela. O olhar ainda esperançoso. O que não é dito paira. Forte. Mas nenhum dos dois
quebra o silêncio.

CORTE PARA:

CENA 07-EXT/CEMITÉRIO/ LATE-
RAL DA CAPELA-TARDE

Sérgio contorna a capela cuidadosa-
mente. Os passos são lentos,silenciosos
. No rodapé da parede da capela, Iná-
cio está chorando. Os braços estão estendidos no joelho e a cabeça baixa. Sérgio sente um peso no peito. Sem dizer nada, coloca a mão no braço de Inácio,que está apoiado no joelho. Pre-
ssiona os dedos com leveza. Espera. Então, fala, com voz baixa, sincera:

SÉRGIO: Se a gente quiser... a gente fica em silêncio.

Inácio solta um fungado discreto.

SÉRGIO: Você sabe que eu não sou de falar muito, mas...

Sérgio olha para frente. A voz falha um pouco, mas continua.

SÉRGIO: Eu tenho orgulho de você. Or-
gulho de você ser quem é... Acho muito admirável o modo como você sempre dá o melhor de si, mesmo quando é algo que nem te interessa tanto assim.

Respira fundo. A emoção transborda na calma das palavras. Inácio continua com a cabeça baixa.

SÉRGIO: Não se culpe pela morte do seu pai. Tem coisa que já tá escrita... E só Deus muda.

Inácio tenta responder, mas a emoção o engole.

INÁCIO: É... eu...

Ele chora mais forte. Mão tremendo.

Trilha Sonora On:
https://youtu.be/7alcXYN3X5I?si=W80YG...

Sérgio se aproxima mais. O envolve num abraço firme. Inácio retribui.

SÉRGIOv Você poderia ser conside-
rado um anjo. Tem o coração mais puro que eu já conheci.

Longa pausa. O choro diminui. Inácio respira. Enfim, fala, a voz frágil mas presente.

INÁCIO: Como um gay pode ser consi-
derado anjo?

SÉRGIO (sorrindo): Acho que só sendo você.

Inácio suspira e solta uma risada cur-
ta, quase um alívio.

INÁCIO: Acho que esse momento mer-
ece uma música. Que tal ?

Trilha Sonora On:
youtube.com/clip/UgkxJ7ru83NctntxAuLnpsHzlGEe4rtcf…

Sérgio sorri, cúmplice.

SÉRGIO: Estereotipado… Mas põe na playlist.

Eles permanecem sentados lado a lado. Inácio apoia a cabeça no ombro de Sérgio.

CORTE PARA

CENA 08-EXT/CEMITÉRIO/ JAR-
DIM DE ENTRADA-TARDE

Paulo César e Luiza caminham entre as pessoas que se dispersam. Conversam com leveza, em tom amistoso.

PAULO CÉSAR (com as mãos no bol-
so): Mas que dor de cabeça.

LUIZA: Nossa,sim, nem me fale, e (olha pra frente de relance e volta) Ah, Isabel! Aqui!

Luiza sorri, acena pra alguém longe. Começa a se aproximar.

Paulo César disfarça. Um desconforto sutil toma seu rosto.

Isabel, vibrante, apressa os passos até eles, animada.

ISABEL: Paulo! Finalmente você con-
heceu aquela minha amiga que eu te falei, amor!

Instrumental On:
https://youtu.be/wZJK4iYZsVI?si=z2soi...

Luiza para no lugar. O sorriso morre no rosto. O corpo trava. Olha para Paulo, incrédula. A mente tenta buscar um erro na escuta não há enquanto Isabel fala, completamente alheia ao que está acontecendo diante dela.

ISABEL: Minha amiga é ela, Luiza Sampaio!

Luiza sente o mundo afundar. Olhos em Paulo. Ele parece longe. Tudo parece longe. Luiza enxerga só ele. Paulo a encara de volta. Chocado. Imóvel. Levanta a mão, mas hesita. Boca entre-
aberta. Nenhuma palavra. Engole seco.

Silêncio. Olhares cruzados. A tensão pesa. Respirações presas.

FREEZE FRAME NO ROSTO DE LUIZA.

Sobe, cortando o silêncio.


FIM DO CAPÍTULO

6 hours ago | [YT] | 4

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INTOLERÂNCIA • Capítulo 12

escrita e criada por:
BRENO STOCCO
Baseado na novela
"BRILHANTE" (1981) DE GILBERTO BRAGA.
colaboração:
MATEO PERGENTINO
RAYNARA FERREIRA
GUSTAVO COSTA
SOL DOMINGUES
SUELEN KREIN
WILLIAM FERREIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura:

Não recomendado para menores de 14 anos por conter temas delicados e linguagem imprópria.

💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨

CENA 01-INT/EMPRESA JOALHE-
RIA NEWMAN/ESTÚDIO DE FOTO-
GRAFIA-DIA

Sérgio caminha devagar pelo espaço. Está com o celular na mão. Olha para a tela. Sem resposta. Suspira. Leva o celular ao ouvido. A chamada toca. Nada. Ele encerra. Reflete. Aperta o botão de gravação de áudio.

SÉRGIO (baixo, delicado): Inácio... oi, é o Sérgio. Eu sei que esse não é o mom-
ento. Eu só... só queria dizer que sinto muito, de verdade. (pausa, sincero) Teu pai sempre foi um cara firme. Difí-
cil, mas íntegro. E você... você não tá sozinho, tá?

A voz embarga um pouco.

SÉRGIO: Quando quiser, quando pu-
der... me chama. Nem que seja só pra ouvir. Força, cara.

Ele encerra a gravação. Permanece parado por um instante, em silêncio.
Depois coloca o celular de lado, senta-
se na beirada da bancada,pensativo.

CORTA PARA:

CENA 02-INT/CAPELA MEMORIAL
/BANHEIRO-DIA

Chica enxuga as lágrimas e a porta se abre. Gira o rosto e levanta as sobran-
celhas de maneira discreta. Luiza entra e vê a mulher,calma,com passos suaves.

CHICA (lança um olhar de cima a bai-
xo): Luiza,você veio. Quanta gentileza.

LUIZA: Os meus sinceros pêsames, se-
nhora. (Mantém a feição neutra,
afastada)

Luiza percebe a análise, mas ignora.

CHICA: Está tudo bem,obrigada. (Cru-
za os braços, sorri de leve, forçada)

LUIZA: Preciso falar com a Isabel, ela está me esperando...

CHICA (Inspira,lamentando com a voz): Sabe... ao menos está sendo útil para Isabel,visto que infelizmente per-
deu a oportunidade de ajudar o Inácio. (Encara com desdém,mantendo o sorriso falso)

LUIZA (respira fundo e aproxima pas-
sos de Chica,sem pressa): O que eu estou fazendo é dar todo o apoio que aqueles que realmente se importam com Inácio estão preocupados em fazer.

CHICA (Finge interesse): Ah, é mesmo, querida?

LUIZA: Uhum, querida. Eu tenho de ir, mas não se preocupe! (Levanta o quei-
xo) Como amiga estou já buscando aju-
dar Inácio. Vou fazer com que nin-
guém apague quem ele é,e menos ain-
da... o seu brilho. (Termina, confiante. Balançando a cabeça positivamente) Agora com licença.

CHICA: Toda,querida. (Se afasta, con-
tinuando o caminhar, Aperta as mãos sem perceber)

Luiza segue em frente saindo, relax-
ando o rosto. Chica faz o mesmo, se olha no espelho.

CHICA: Brilho... só se for de desgosto...

Foco em Chica arruma o cabelo,disfar-
çando a expressão tensa.

CENA 03-INT/CAPELA MEMORIAL CELESTE-DIA

Bruno veste luto como quem veste ar-
madura. Tristeza contida,mas os olhos calculam. Observa o ambiente como se estudasse um mapa. Sonia se aproxima e toca o braço do pai com delicadeza.

SONIA (baixo): Vou ali falar com a Marília, tá?

BRUNO (só com um aceno, sem des-
viar o olhar): Vai.

Sônia se afasta. Renan, terno impecá-
vel, aproxima-se com discrição. Fica ao lado de Bruno. Eles observam juntos.

RENAN (murmura): Muita gente... e pouca certeza.

BRUNO (baixo,calculista): Deus ajuda os preparados.(pausa) A mesa vai mudar.

RENAN (sorri,sutilmente): Já começou.

Trilha Sonora On:
https://youtu.be/qmO37rivtQI?si=qHk83...

Eles continuam observando o ambiente, cúmplices na leitura do cenário. Vemos paisagens do Rio de Janeiro

CORTA PARA

CENA 04-EXT/CEMITÉRIO-TARDE

Isabel caminha entre pequenos grupos de pessoas enlutadas. Os olhos incha-
dos escaneiam o ambiente, tensos.

ISABEL (sussurra,exausta): Cadê você, Paulo...

FOCO EM: Pessoas em trajes escuros conversam em voz baixa. Alguns com lenços. Outros apenas olhares.

Isabel aperta os próprios braços, cru-
zados. Um gesto de contenção. O corpo rígido. Ela dá mais alguns passos, mas o andar já denuncia o desgaste.

De repente, ela vira o rosto com pres-
sa. Pensou ouvir algo. Uma voz famil-
iar. Mas não é Paulo. Apenas um conhecido da família pra quem sorri.

Ela fecha os olhos por um instante,des-
animada. Respira fundo. Ergue o quei-
xo. Volta a caminhar. A busca continua.

CORTE PARA:

CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER

6 hours ago | [YT] | 5

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NA MIRA DO VAMPIRO 🦇 Cap 12

criada e escrita por:
AMIZAEL HONORATTO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR

ABERTURA:

Esta obra é recomendada para jovens a partir de 14 anos, pois contém elementos de fantasia sombria e aventuras de vampiros.

🧛🫀🩸🧛🫀🩸🧛🩸🫀🧛🩸🫀🧛

CENA 01-PENSÃO “SOLAR SANTA TERESA”/ÁREA COMUM-NOITE

Rico e Mari permanecem estáticos no centro da sala. O detector paranormal está em silêncio,e o celular da live, desligado. O ar é denso,quase palpável.

MARI (Sussurrando): Rico… você também sentiu isso?

RICO: Senti. (Ele perscruta a penum-
bra,inquieto) Como se alguém estivesse olhando a gente.

BIP. O detector emite um sinal curto e agudo. Mari arregala os olhos para a tela.

MARI: Não… não… não…

RICO (Aproximando-se rápido): O que foi, amor?

Mari vira o visor para ele. O texto brilha:

“PRESENÇA ANÔMALA – NÍVEL ALTO”.

Rico empalidece.

RICO: Isso não é bom. (Pausa) Essa pensão parece estar mal-assombrada.

MARI (Nervosa, olhando ao redor): Parece que tem espíritos observando a gente.

Subitamente,uma corrente de ar gélido atravessa o recinto. As velas se apagam. ESCURIDÃO TOTAL. No silêncio absoluto, um PASSO ECOA NA ESCADA. Eles olham na direção do som, mas não veem ninguém. O pavor é mútuo.

RICO: Vamos embora desse lugar.

MARI (Fazendo o sinal da cruz): Cruz credo. (Pausa) Vamos embora daqui agora!

Eles recolhem as malas freneticamente e saem quase correndo.

CENA 02-PENSÃO “SOLAR SANTA TERESA”/RECEPÇÃO-NOITE

Rico e Mari cruzam a recepção em disparada. Próximo ao balcão, Dona Jussara e Dona Vilma observam a fuga com curiosidade irônica.

DONA JUSSARA: Olha isso, Vilma… (Pausa) o casal mais estiloso da pensão indo embora.

DONA VILMA: Ué,meus lindos… (Pausa) já estão indo embora da pensão?

MARI (Ainda trêmula): Sim… estamos indo. (Pausa) Porque essa pensão par-
ece estar mal-assombrada.

RICO: É, vovós… aqui tá tudo muito estranho,muito mórbido. Por isso a gente decidiu ir embora.

O casal sai batendo a porta. Jussara e Vilma trocam um olhar cúmplice, nada surpresas.

DONA JUSSARA: Mais dois que não aguentaram o tranco.

DONA VILMA: Essa pensão anda da-
ndo susto demais nos hóspedes. Preci-
samos conversar com Eulália.

No fundo da sala,envolta em sombras, Dona Eulália observa tudo, imóvel, co-
mo se estivesse separada da realidade por um véu.

DONA EULÁLIA (Baixo): Já começa-
ram a rodear a pensão. (Ela respira fundo,olhos intensos) Que venham
quentes… (Pausa) porque eu estou fervendo.

Uma energia sutil ondula no ar. Eulália permanece ali: a guardiã silenciosa.

CENA 03-CLÃ NOTURNO/PRISÃO SUBTERRÂNEA-NOITE

Um ambiente opressivo de pedra an-
tiga,marcas de garras e tochas tremu-
lantes. Nero está acorrentado ao teto e às paredes por elos negros. Passos ec-
oam. Igor surge da penumbra,observ-
ando-o com desdém.

NERO (Raiva contida): Veio zombar?

IGOR (Frio): Não. (Aproxima-se das grades) Vim agradecer.

NERO: Agradecer?

IGOR: Se você não tivesse fracassado… (Pausa) eu nunca teria sido promovido.

Nero rosna, fazendo as correntes tilin-
tarem.

NERO: Você não faz ideia do que está enfrentando.

IGOR (Divertido): Bruxas velhas numa pensão decadente? (Ri seco) Isso eu resolvo antes do amanhecer.

NERO (Sério): Não são as bruxas que deveriam te preocupar. É o que está dentro da casa.

Igor perde o interesse e vira as costas.

IGOR: Boa sorte na prisão.

NERO (Gritando): Vincenzo vai te matar!

Igor hesita por um segundo, mas conti-
nua andando até sumir na escuridão. Momentos depois, outra presença se manifesta. Lorena De Sade surge das sombras. Elegante e perigosa.

LORENA: Ora, ora, ora… (Pausa) Po-
bre prisioneiro.

NERO: Majestade… (Pausa) o que faz nessa masmorra dos infernos?

LORENA: Digamos que eu possa ser… (Pausa) a sua salvação. Se você aceitar as minhas condições.

NERO (Desconfiado): Como posso acreditar em você? (Pausa) Isso pode ser uma cilada para acabar comigo de uma vez por todas.

LORENA (Sarcástica): Como você é tosco,Nero. Você já está acabado. (Pausa) Verena te descartou como se fosse lixo.

Nero respira fundo,vencido pelo argumento.

NERO: Está bem. (Pausa) Chega de hu-
milhação por hoje. Qual é a sua proposta?

Lorena se aproxima das grades,sussu-
rrando,após checar os arredores.

LORENA: Eu tiro você daqui. Mas, em troca… você me promete lealdade. Você se junta a mim… (Pausa) para destruir o trono de Verena. Essa coroa do Clã Noturno… (Pausa) é minha por direito.

Nero silencia, processando a oportuni-
dade em meio à traição.

CENA 04-CASA DOS MONTEZ/ QUARTO DE LÍVIA-NOITE

Lívia se revira na cama, inquieta. Ela fecha os olhos e entra em uma VISÃO:
Um corredor de pedra manchado de sangue. Velas tremulam e se apagam. No fundo, Vincenzo aparece ferido, ensanguentado, com olhos vermelhos intensos.

VINCENZO (Ecoando): Corre…

Lívia acorda com um GRITO CONTIDO
. A luz do quarto acende sozinha. Nor-
ma, Paula e Cadu entram às pressas.

NORMA: Lívia! Filha! O que tá aconte-
cendo?

LÍVIA (Trêmula): Eu vi ele. Aquele
rapaz… (Pausa) o que apareceu aqui naquela noite.

CADU: O maltrapilho?

LÍVIA: Ele tava ferido… (Pausa) sang-
rando…

PAULA: Isso tá ficando estranho demais.

NORMA: Lívia… isso foi só um sonho.

LÍVIA: Não foi. (Pausa) Ele me viu. Era como se eu estivesse lá… (Pausa) naquele lugar com ele. Ele mandou eu correr…

PAULA: Correr de quê?

LÍVIA: Eu não sei… (Pausa) mas pare-
cia que… alguma coisa vinha atrás dele.

A lâmpada do quarto PISCA violent-
amente. O medo se instala no grupo.

LÍVIA (Sussurro final): Ele tá em perigo…

CENA 05-BASE DA ORDEM LUMI-
NOSA /SALA DE CONTROLE-NOITE

Monitores e sinais energéticos preen-
chem a sala. Um alarme soa. Isis foca no painel.

ISIS: Temos movimentação vampírica. Bairro da pensão.

Augusto entra bruscamente.

AUGUSTO: Isso não é patrulha polic-
ial. É um grupo de ataque.

RENATO : Verena se cansou de esp-
erar. Se Vincenzo sair da proteção da pensão… (Pausa) ela vai sentir.

ISIS: Ligação espiritual… ou algo ainda mais forte.

RENATO: Preparem a equipe. Hoje à noite… ninguém dorme.

CENA 06-ESCRITÓRIO DE SAMUEL VALLADÃO/REDAÇÃO-NOITE

Samuel Valladão fala ao telefone em seu escritório sombrio. Na redação, Helena Prado atende.

SAMUEL: Tudo sob controle. (Pausa) Estive na base da Ordem Luminosa. Eu controlo a informação. (Pausa) E fui eu quem criou… esses seres evoluídos. Vampiros.

HELENA (Empalidecendo): O senhor tá falando sério? (Pausa) Então… os ataques na Paulista… tudo isso…

SAMUEL: Tem o meu dedo. E automat-
icamente… você virou minha cúmplice. Ou trabalha comigo… (Pausa) ou será exterminada.

Ele desliga. Helena entra em choque. Bel aparece atrás dela, encostada na porta.

BEL : Nossa, Helena… (Pausa) tantos anos de casa… e ainda não enxerga um palmo à frente do nariz. Por que você acha que a matéria da Lívia foi censur-
ada antes mesmo de ir ao ar?

CENA 07-REDAÇÃO DO SP URGEN-
TE-NOITE

Rafael, Silvinha E Sandro conversam em um canto reservado.

RAFAEL: Isso não foi erro técnico. A matéria da Lívia foi sabotada. Alguém não queria aquilo exposto.

SANDRO: Aqui dentro tem pessoas malignas.

RAFAEL: Depois daquela reportagem, a Lívia começou a ser perseguida. Ou a gente descobre quem tá por trás disso… (Pausa) ou a Lívia pode ser a próxima a desaparecer.

Uma tela próxima pisca com uma inte-
rferência rápida, como se os estivesse vigiando.

RAFAEL: A partir de agora… (Pausa) a gente joga junto.


Eles assentem, sem saber que o perigo é imensamente maior do que imaginam.

CORTE SECO.

FIM DO CAPÍTULO

7 hours ago | [YT] | 5

CineNovelas

TERRA DA LUZ 🔸 Capítulo 17

escrita e criada por:
LUIZ GUILHERME
supervisão de texto:
VANESSA COUTO
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura:
https://youtu.be/ePgX4JpAXQU?si=nA6qm...

{ Não recomendado para menores de 14 anos por conter temas delicados e linguagem imprópria}.

🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵

PEDRA CLARA, CE ☀️

CENA 01-HOTEL DA PEDRA/QUAR-
TO DE NONATO-DIA

Chico e Nonato estão no quarto. Chico caminha de um lado para o outro, alterado. Nonato permanece sentado, mantendo uma calma calculista.

CHICO: Num adianta mais esconder! Eu sei que você veio pra Pedra Clara pra mexer nas minhas terras atrás de alguma coisa valiosa que eu ainda vou saber o que é!

NONATO: Quem disse isso ao senhor? Foi Dona Marcela Medeiros, não foi?

CHICO: Não interessa! Arrume as suas coisas e sai do meu hotel e principalm-
ente das minhas terras,ou então eu falo com o delegado.

NONATO: Seu Chico,eu não tenho on-
de ficar. O seu hotel é o único da cidade e eu não posso sair daqui…

CHICO (Para,pensativo): É… eu posso até pensar em fazer você continuar aqui. Mas só se você contar o que está a procurar nas minhas terras.

CENA 02-PRAÇA DA MATRIZ/EN-
TRADA DA PREFEITURA-DIA

O expediente encerra. Serena e Amb-
rósio saem do prédio. Anísio observa de perto.

SERENA: É que eu ia caindo, painho, Anísio passou e me segurou.

AMBRÓSIO (Sério): Já acabou o exp-
ediente da prefeitura? Então vá pra casa.

SERENA (Para Anísio): Preciso ir, Anísio. Obrigada.

Serena e Ambrósio se afastam. Anísio permanece na praça, olhando-os par-
tir com uma expressão de tristeza.

CENA 03-CASA DE ANTENOR/ QUARTO-DIA

Leila termina de se arrumar enquanto Antenor parece distante.

LEILA: O almoço tava ótimo, não tava, Antenor? Foi Viviane que deu as instr-
uções para a Felícia preparar. Sim, co-
mo foi a sua conversa com o Roberto?

ANTENOR: Ele negou outra vez. Mas nada me convence que o Roberto tá mentindo pra mim. Eu sinto isso, Leila.

LEILA: Você não acha melhor avisar a Viviane e a Alcina? Sim,elas são mãe e esposa dele,elas podem arrancar algu-
ma coisa do Roberto.

ANTENOR: Não. As duas são escand-
alosas demais, isso só ia me causar dor de cabeça.

LEILA: Faça o que você quiser, meu amor. Agora eu vou tirar um cochilo depois do almoço que é de lei. Você não vem?

ANTENOR: Não. Se eu cochilar um pouco me falta sono mais tarde. Eu vou fazer uma visita na plantação. Até mais tarde.

CENA 04-CASA DE MARCELA/SALA-DIA

Paulo e Cecília estão de visita. Regina, recém-chegada, conversa com eles.

PAULO: Quanto tempo, né? A última vez que a gente se viu foi há 10 anos atrás. Pensei que você não fosse demo-
rar para voltar.

REGINA: Pra ser sincera,só voltei me-
smo porque o médico me receitou um lugar de clima bom, arejado. E como todo mundo sabe, São Paulo não é ter-
ra da garoa coisa nenhuma, é terra da poluição, isso sim.

CECÍLIA: Cada dia mais linda, hein, Regina.

REGINA: E você mudou muito! Era tão pequenininha quando me viu pela últi-
ma vez, hoje já é uma mulher, tá a cara da sua mãe.

MARCELA (Entrando): Senta, Paulo. Quer um café?

PAULO: Não, eu vim só deixar a Cecí-
lia. Preciso vacinar os bichos da faze-
nda. Boa tarde! Foi bom te ver de novo, Regina.

Paulo sai. Marcela olha para Regina com um sorriso malicioso.

MARCELA- Hum… pelo visto alguém ficou mexida, hein!

🌙 ANOITECE EM PEDRA CLARA...

CENA 05-CASA DE ANTENOR/SALA-NOITE

Antenor entra apressado. Alcina está em um canto, concentrada em rezar o terço.

ANTENOR: Desculpa incomodar a sua reza aí, Alcina, mas Mariana tá em casa?!

ALCINA (Sem parar a reza): Rum, vo-
cê devia saber do paradeiro de sua fil-
ha,visse? Ela é muito nova pra tá soltinha por aí…

ANTENOR: Eu acredito na minha filha, Alcina! Eu liguei pra ela, mas parece que o diacho do celular tá desligado.

ALCINA: Ela deve tá na igreja. Mas pra que é essa urgência toda?

ANTENOR: Num é de sua conta! Eu preciso ter uma conversa com ela.

ALCINA: Tá bom,num precisa me ata-
car não! Pra lhe mostrar que eu sou uma irmã e tia muito da porreta, vou procurar Mariana.

Alcina sai, deixando Antenor bufando de impaciência.

CENA 06-HOTEL DA PEDRA/RECE-
PÇÃO-NOITE

Bibiana termina de ajeitar uma bolsa de comida. CHICO observa do balcão.

BIBIANA: Seu Chico,eu tô indo deixar a marmita de meu primo, visse?

CHICO: Tá, tá, eu já sei, pode ir.

BIBIANA (Curiosa): Senhor não me ache enxerida… Mas como foi a conve-
rsa com o Nonato?

CHICO: Tá querendo saber demais! Vá deixar a marmita do seu primo e volte logo.

Bibiana sai. Chico fica sozinho na rece-
pção,o olhar se perde no vazio enqua-
nto ele se recorda da conversa mais cedo.

🏜️ FLASHBACK DE CHICO

CHICO: Vá, me diga o que tá caçando nas minhas terras.

NONATO: Eu tô atrás de ouro, seu Chico. Eu sou formado em engenharia de minas. Fazia tempo que eu tava ron-
dando Pedra Clara até que um dia eu criei coragem e vim.

Chico solta uma gargalhada alta e ruidosa.

CHICO: Ouro?! Ah, conta outra, Non-
ato! Ouro aqui nesse fim de mundo?! É mais fácil tirar leite de pedra do que nessas bandas ter ouro.

NONATO: O marido de Dona Marcela Medeiros também investigou, mas infe-
lizmente morreu antes de começar as buscas.

CHICO (Cessando o riso,interessado): Mas qual é a possibilidade de existir mesmo ouro nas minhas terras?

NONATO: Muita. O senhor não tem nem noção,seu Chico. Mas agora, se o senhor me permitir,eu posso muito bem cuidar desse assunto pro senhor…

CHICO: Tá bom,eu aceito. Fique com o trabalho pesado,mas se achar alguma coisa,me mostre! E olhe,cabra,num ten-
te me passar a perna, porque se você tentar…

🏜️ FIM DO FLASHBACK

Chico volta ao presente,um sorriso
ambicioso surgindo em seu rosto.

CHICO: É,Chico… se isso for verdade, se existir mesmo ouro naquelas terras, o forasteiro vai ser seu aliado...

FIM DO CAPÍTULO

9 hours ago | [YT] | 4

CineNovelas

CORTA PARA:

CANTO DA CAPELA-CONTÍNUO

Instrumental On:
https://youtu.be/haIBrYLbAb4?si=Qshmb...

Leonor se aproxima de Chica Newman, que está perto do caixão,imponente, segurando um lenço branco com classe.

LEONOR: Dona Chica... Sinto muito pe-
la sua perda. Vim lhe dar minhas condolências.

CHICA (com postura e orgulho): Obri-
gada,minha querida. Meu marido era um homem excepcional… Poucas vezes moralista, mas... ainda assim, excepc-
ional.

Leonor observa Chica por um breve segundo, quase como se estivesse deci-
frando-a.

LEONOR: Disso eu não tenho dúvidas. Afinal, para estar ao seu lado, não
esperaria menos.

CHICA (com emoção contida): Esse momento... me consome. Mas você me fez lembrar de algo importante: Vítor jamais estará morto. Ele vive nos patrimônios.

Nas paredes. Nos quadros. No nome Newman. Leonor sorri, tentando dis-
farçar o espanto.

LEONOR: Sim,senhora. Ele sempre se-
rá lembrado. Até por mim, que só conhecia o nome. A importância dele... transborda proximidade.

Chica ergue o queixo, com um olhar triunfante.

CHICA: Esse é o conceito do meu sobr-
enome, querida:onipresença.

As palavras pairam no ar. Leonor so-
rri, discreta compreendendo,enfim
,a verdadeira natureza da matriarca.

Instrumental Off.

CENA 06-INT/CASA DE ALDA E HERNANI/SALA-DIA

No sofá largo,Hernani está com as mãos sobre as coxas, em silêncio. O clima é pesado após a notícia do fale-
cimento de Vítor. Alda, ao lado dele, segura uma xícara de café. A testa franzida. Do outro lado da sala, Luiza senta num sofá menor, um caderno jogado ao lado.

HERNANI: Que situação, viu...

ALDA (encarando Luiza): É péssimo ver uma família passar por isso. E a Isabel... tão querida, deve estar arras-
ada!

Luiza apoia os braços nos joelhos e ap-
erta as mãos, cabisbaixa.

LUIZA: Ela e Inácio já não estavam bem... E tudo o que menos precisam agora é carregar o peso da mãe daqui pra frente. Não quero nem ver.

Virgínia, de pé, apoia a mão no ombro da irmã. Ergue as sobrancelhas,
concordando.

VIRGÍNIA: Pois é. Uma mãe narcisista e ambiciosa é complicado. Segurar isso sozinhos vai ser um baita desafio.

ALDA: Bem, vocês têm razão. Indepe-
ndentemente do quão velhas fiquem, filho é filho. E o nosso apoio, amor, é importantíssimo, não é?

Ela cutuca Hernani com o cotovelo. Ele apenas assente, pensativo.

VIRGÍNIA: E o Inácio é o que mais demonstra a falta disso quando fala dela. O pior é que, depois de tudo, não acho que vá melhorar, não.

LUIZA: A única coisa que talvez aum-
ente é a cobrança nas costas dos dois. Tenho certeza.

Luiza ergue a cabeça, encara Alda.
Alda suaviza a voz e deposita o café na mesinha de centro.

ALDA: Olha, Luiza, filha... Se algum conselho meu for servir: eu daria todo esse apoio que estão precisando,se fo-
sse você. E ficaria ainda mais ao lado deles. É pouco, mas faz uma diferença enorme.

Luiza se levanta com certa pressa,ajei-
tando os cabelos.

LUIZA: É, mãe... verdade. Precisam de alguém pra estar ali, acolhendo eles. E a Chica não vai fazer esse papel. Muito menos agora, quando tudo desanda. Seria mais provável ela enlouquecer os dois do que ajudar.

VIRGÍNIA: Então você vai ao enterro, Lu?

Luiza confirma com um gesto. Um sor-
riso triste se forma no canto da boca.

LUIZA: Sim, eu vou sim. O trabalho espera. (Sai)

CENA 07-INT/CAPELA MEMORIAL-DIA

Perto da entrada da capela, Isabel está de braços cruzados. O corpo rígido. O rosto abatido. Paulo está com o braço em volta dela. Ela respira fundo. Caut-
elosa, pega o celular e desbloqueia a tela. Lê uma mensagem. Close no visor:

LUIZA (TEXTO): ESTOU CHEGANDO.

Um sorriso genuíno rompe o peso do momento. Isabel encara o celular por alguns segundos. A emoção se acumula nos olhos. Ela digita uma resposta com os dedos trêmulos:

ISABEL (TEXTO): Muito obrigada,am-
iga. Obrigada mesmo!

Ela envia. A tela escurece. Isabel per-
manece ali. Olhar marejado. Silêncio.

CORTA PARA

FIM DO CAPÍTULO

1 day ago | [YT] | 6

CineNovelas

INTOLERÂNCIA • Capítulo 11

escrita e criada por:
BRENO STOCCO
Baseado na novela
"BRILHANTE" (1981) DE GILBERTO BRAGA.
colaboração:
MATEO PERGENTINO
RAYNARA FERREIRA
GUSTAVO COSTA
SOL DOMINGUES
SUELEN KREIN
WILLIAM FERREIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura:

Não recomendado para menores de 14 anos por conter temas delicados e linguagem imprópria.

💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨💎

CENA 01-INT/MANSÃO NEWMAN
/SALA DE ESTAR-NOITE

A discussão entre Chica e Inácio chega ao ápice. O ambiente é pesado, tenso. Isabel tenta intervir, aflita.

CHICA (berrando, cruel): Você é uma bosta de filho! Filho ingrato!

Inácio,com os olhos marejados, bate palmas, irônico. Sua dor transborda.

INÁCIO (ríspido): Bravo, mãe. Bravo! Que espetáculo de amor. Palmas para senhora que nasceu para ser adulada!

ISABEL (intervindo): Pelo amor de Deus,parem com isso! Isso tá indo longe demais!

Ao fundo,Vítor, pálido, vacilante, tenta se levantar. Está acompanhado de Paulo César e Serpa, que notam algo errado.

PAULO CÉSAR (tenso): Senhor Vítor
... espera, senta um pouco.

SERPA: Ele tá gelado. Vítor?

DE REPENTE VÍTOR CAI.

Um baque surdo. Todos congelam por um segundo. Então correm até ele.

ISABEL (gritando): Pai!

Inácio chega primeiro,amparando o pai caído. Se ajoelha, o segura nos braços, desesperado.

INÁCIO: Pai?! Olha pra mim! Paulo César, chama ajuda!

Chica observa espantada. Vítor, com dificuldade extrema, murmura suas últimas palavras. Sua mão toca o rosto do filho.

VÍTOR (voz fraca, emocionado): Você
... não é nada disso de ruim... filho. Você... você é incrível... como você é...

Com um último suspiro, Vítor morre nos braços de Inácio.

Inácio,que grita, fora de si. As lágri-
mas escorrem. Ele o segura com força, o corpo tremendo, em completo estado de choque.

INÁCIO (gritando): NÃO! NÃO! PAI! NÃO FAZ ISSO COMIGO! PAI!!

Chica fica paralisada. Em silêncio, se apoia no braço da poltrona, então se senta. Leva a mão à testa, cobrindo os olhos. Não chora se fecha.

Paulo César assume o controle, com olhos marejados também e precisão. Vai até Inácio e se ajoelha ao lado.

PAULO CÉSAR: Inácio... (Engole enq-
uanto Inácio faz negação com a cabe-
ça) escuta. Ele se foi. A gente precisa cuidar disso agora.

INÁCIO (gritando,agarrado ao pai): NÃO! EU NÃO VOU LARGAR ELE! NÃO VOU! ELE TÁ AQUI AINDA!

Paulo se mantém agachado, mas dista-
nte. Marília chora. Isabel se aproxima com calma e se agacha perto do irmão.

ISABEL (chorando): Inácio... por fav-
or... deixa nosso pai descansar. A gen-
te tá aqui com você...

Marília fica vendo o avô. Inácio grita, sem soltar o pai.

INÁCIO: NÃO! ELE NÃO PODE TER IDO ASSIM! ELE NÃO!

Inácio encosta a testa na testa do pai.

Serpa, ao fundo, discreto, está ao telefone.

SERPA (baixo, firme): Doutor Sérgio... sim. O Sr. Vítor... ele faleceu. Precisa-
mos do senhor e do serviço funerário. (Pausa) Imediatamente. Por favor, discrição total.

Paulo César tenta ajudar a afastar Inácio, que reluta. Isabel segura firme os braços do irmão.

ISABEL: Olha pra mim... ele foi com você ali. Ele ouviu. Ele sentiu. Agora
deixa ele ir em paz…

Isabel beija o rosto do irmão. INÁCIO, finalmente, começa a ceder. Solta lent-
amente o corpo do pai puxado por Paulo, falando não repetidamente, bem baixinho. O rosto desfigurado pela dor.

Chica,imóvel,continua sentada, mão no rosto,em silêncio. Uma lágrima teimo-
sa escapa,mas ela a enxuga rápido, como se não quisesse ser vista.

CORTA PARA:

CENA 02-INT/MANSÃO NEWMAN
/BANHEIRO DE INÁCIO-NOITE

Instrumental On:
https://youtu.be/RXEoyvLfZD4?si=EuN-3...

Inácio está debaixo do chuveiro. A ág-
ua cai forte sobre o corpo, mas ele não se move.

O pranto ainda vem forte, descompa-
ssado.

Subitamente, ele leva as duas mãos à cabeça e desfere socos contra ela. Um, dois... três.

Um impulso bruto, descontrolado. Qu-
ase sem som. Apenas o impacto.

Logo depois, o corpo cede.

Inácio escorrega lentamente pela pare-
de do box, como se o mundo pesasse sobre ele.

Senta no chão. Se encolhe. Abraça os próprios joelhos. A testa encostada nas pernas. As lágrimas se misturam à água que escorre. O silêncio grita.

INÁCIO (sussurrando,quase inaudí-
vel): Desculpa, pai...

Fica ali. Pequeno. Quebrado. Nu de tudo.

FADE OUT

CENA 03-EXT/CEMITÉRIO/VISTA AÉREA-DIA

Instrumental On:
https://youtu.be/FEEzBUphfN8?si=MTl0Q...

A câmera sobrevoa lentamente o cemi-
tério. Túmulos alinhados. Árvores
imóveis. O silêncio pesa.

SUPER: DOIS DIAS DEPOIS

CENA 04-INT/CAPELA MEMORIAL
- DIA

O caixão fechado está ao centro, rode-
ado por flores brancas e coroas com fitas douradas.

Todos Os Núcleos Da Novela os núcle-
os da novela estão presentes. Roupas escuras. Olhares contidos. Respira-se um silêncio tenso. Chica, composta, senta ao lado de Letícia. O rosto rígido, com óculos escuros. A dor guardada como uma joia trancada. Serpa, ao lado, a ampara com discrição.

CHICA (seco,sem tirar os olhos do cai-
xão): Se eu levantar agora, vão pensar que desmoronei.

SERPA (suave): Ou vão ver que a sen-
hora é humana.

CHICA (frígida): Humana não sobrevi-
ve nesse meio, Serpa.

Letícia observa a amiga. Não discorda, mas também não aprova. Do outro lado da capela, Paulo César, de óculos escu-
ros, e Isabel permanecem de pé. Paulo está com o braço em volta da mulher. Ao lado deles, Marília, observa em silêncio. Matura. Atenta.

MARÍLIA (olhos fixos no caixão): Tá tudo esquisito... como se a casa tivesse perdido o teto.

ISABEL (olha para ela): Foi, filha. Foi mesmo.

Isabel olha para o irmão. E então,isola-
do, Inácio está sentado. Cabisbaixo. Olhar cravado no chão. As mãos ape-
rtadas uma na outra. Óculos escuros. Carrega a morte do pai no corpo. Alg-
uns olhares se voltam a ele curiosos, julgadores, compassivos. Inácio não nota.

A câmera permanece nele por alguns segundos.

Instrumental Off.

CORTA PARA:

CENA 05-INT/CAPELA MEMORIAL
/ENTRADA-DIA

Sônia caminha entre os bancos, até que seus olhos cruzam com o do Ciclista Afonso, de camiseta polo justa e cara de quem está pouco à vontade, ao lado de Leonor. Ela se aproxima com certa hesitação.

SÔNIA (sem certeza): Oi… (reconhece) Afonso?! O que você tá fazendo aqui no velório do meu tio?

AFONSO (gesto com a cabeça, infor-
mal): Vim com minha irmã. Ela veio dar os pêsames pra chefe dela. Eu vim porque vai que tem comida!

SÔNIA (arqueando a sobrancelha): Ah, entendi...

Afonso observa o ambiente com certo desdém. Inclina o rosto na direção dela.

AFONSO: Mas me fala aí... esse senhor...

SÔNIA (interrompe,ríspida): Vítor.

AFONSO (finge lembrar): Isso. Vítor. (baixa a voz,curioso) Era um cara fir-
meza mesmo ou o povo aqui tá só pagando de simpático?

SÔNIA (cruzando os braços): Que pergunta idiota e inoportuna! Além de cego, podia ser mudo também. E pelo visto você é burro combo completo!

AFONSO (mão ao peito,teatral): Cal-
ma,rainha! Não foi na maldade, não. Só achei curioso... cê sabe que tem gen-
te que só presta depois que morre.

SÔNIA: E tem gente que nunca presta. Tipo você. Veio pra cá fazer o quê?
Concurso de inconveniência?

Afonso revira os olhos, meio ofendido, meio debochado.

AFONSO (murmura, virando-se): No-
ssa... não pode falar mais nada agora. Galera muito sensível nesse enterro.

Sai de cena com cara de “tô sendo per-
seguido só por ser gostoso”. Sônia o acompanha com o olhar, incrédula.

CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER

1 day ago | [YT] | 7

CineNovelas

NA MIRA DO VAMPIRO 🦇 Cap 11

criada e escrita por:
AMIZAEL HONORATTO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR

ABERTURA:

Esta obra é recomendada para jovens a partir de 14 anos, pois contém elementos de fantasia sombria e aventuras de vampiros.

🧛🫀🩸🧛🫀🩸🧛🩸🫀🧛🩸🫀🧛

CENA 01-PENSÃO SOLAR SANTA TERESA/QUARTO DO FUNDO-
NOITE

Vincenzo e Arlindo se encaram.
VINCENZO: Então… você é meu pai?

SEU ARLINDO: Sim. Beba um gole desse chá e descanse. Mas entenda: se você cruzar essa porta durante a noite, o pacto se rompe e a escuridão vai te tragar.

Arlindo sai. Sozinho, Vincenzo sussurra: "Eu não sei quem eu sou… nem por que estou aqui". No corredor, Arlindo vigia: "Agora os mundos vão entrar em guerra para proteger a Luz".

CENA 02-QUARTO DE DONA EULÁLIA-NOITE

Eulália acende uma vela. Jussara espia com o celular.

JUSSARA: Isso é ritual sério ou pra espantar barata espiritual?

EULÁLIA: Não é espírito. É Luz viva. Antiga. A menina... Lívia. A Luz dela despertou algo antigo como uma caixa de pandora.

VILMA: Então a guerra começou mesmo.

EULÁLIA: Não. Começou quando ela sentiu medo… e mesmo assim brilhou.

CENA 03-ARREDORES DA PENSÃO – NOITE

Nero tenta avançar, mas uma barreira azulada o repele. ZAP! NERO: Bruxaria ancestral? Não pode ser.
Lá no alto, Arlindo fecha a cortina. No corredor, Eulália sorri: "Vampiro arrogante tentando entrar sem bater. Aqui não, querido".

CENA 04-CASA DOS MONTEZ/ SALA-NOITE

Norma abraça Lívia, que chega abalada.

PAULA: Já tá explodindo nas redes. Tem ataque, mas tem gente te defendendo.

LÍVIA: Eu não vou fugir.

A luz da sala oscila. Lívia sente o arrepio. Ela sabe que algo mudou.

CENA 05-ÁREA COMUM DA PENSÃO-DIA

Rico e Mari fazem a "leitura de aura" em Vincenzo. O celular treme.

MARI: Rico… isso não é filtro.

VINCENZO: O que vocês estão vendo?

RICO: Isso vai bombar nas redes sociais.

VINCENZO: Espera. Não posta isso!
Tarde demais.

A imagem de Vincenzo com aura sombria viraliza na rede.

CENA 06-BASE DA ORDEM LUMI-
NOSA/SALA DE OBSERVAÇÃO
-NOITE

Renato observa a foto viralizada e o monitor de Lívia.

RENATO: Amadores brincando com forças que não entendem. Lívia é o epicentro.

ISIS: Você tá monitorando ela sem consentimento?

RENATO: Se Verena chegar nela primeiro, a cidade perde. Sombra total. Por enquanto, ela não vai saber.

CENA 07-COZINHA ANTIGA-NOITE

Vincenzo confronta Eulália enquanto o chá borbulha.

VINCENZO: A senhora não é só dona de pensão, né?

EULÁLIA: Sou bruxa. Guardiã. Tem magia te amarrando.

Vincenzo bebe o chá e entra em transe. Veias surgem, ele se torna predador.

EULÁLIA (Ríspida): Aqui não, vampiro.

VINCENZO (Ofegante): Eu lembrei... obrigado. Não vou te atacar.

EULÁLIA: Ainda bem. Você vai precisar de mim viva.

CENA 08-CLÃ NOTURNO/SALÃO DO TRONO-NOITE

Verena atira Nero ao chão após o relato do fracasso.

VERENA: Inútil! Levem-no para a prisão.

Ela se vira para Igor.

VERENA: Você é meu novo escudeiro. Traga Vincenzo… ou terá o mesmo fim.

IGOR: Será um prazer, minha rainha.

CENA 09-BASE DA ORDEM/SALA TÁTICA-NOITE

Renato projeta o mapa do bairro de Lívia.

RENATO: Precisamos de alguém lá dentro. Samuel?

SAMUEL: Eu já vivo disfarçado. Qual a missão?

RENATO: Descobrir o poder de Lívia e por que ela e o vampiro estão ligados. Ninguém pode saber.

CENA 10-ÁREA COMUM/LIVE PARANORMAL-NOITE

Rico e Mari transmitem ao vivo. O sensor apita loucamente.

MARI: Gente, o sensor enlouqueceu!

RICO: Isso não é bug. Tem alguma coisa aqui.

Uma sombra passa atrás deles. O público comenta desesperado, mas os dois não veem a presença física no local.

CENA 11-PENSÃO/SOMBRAS – NOITE

Eulália observa os jovens da escuridão e estala os dedos, parando o barulho do sensor.

MARI (Sussurro): Amor... a gente não tá sozinho aqui.

EULÁLIA (Sussurro frio): Nunca estiveram.

A câmera fecha no brilho dourado e sombrio dos olhos de Eulália.

FIM DO CAPÍTULO

1 day ago | [YT] | 10

CineNovelas

TERRA DA LUZ 🔸 Capítulo 16

escrita e criada por:
LUIZ GUILHERME
supervisão de texto:
VANESSA COUTO
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura:
https://youtu.be/ePgX4JpAXQU?si=nA6qm...

{ Não recomendado para menores de 14 anos por conter temas delicados e linguagem imprópria}.

🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵☀️🌵

CENA 01-EXT/ESTRADA-DIA

PEDRA CLARA, CE ☀️

🔸ROBERTO CONVERSA COM UMA PESSOA MISTERIOSA.

ROBERTO (misterioso): Então é isso que tu me aconselha?! Então pronto, eu vou fazer o que você tá me pedindo, como sempre eu só cumpro ordens.

🔸O CELULAR DE ROBERTO TOCA, ELE ATENDE, FALA UM POUCO E DESLIGA.

ROBERTO: Agora eu preciso ir, minha secretária avisou que o meu filho aca-
bou de chegar em casa! Não se preocu-
pe que eu vou seguir o seu conselho, visse?

🔸ROBERTO ENTRA NO CARRO E SAI.

CENA 02-INT/MERCEARIA DE UBIRAJARA-DIA

🔸UBIRAJARA ESTÁ ATRÁS DO BALCÃO,ZAÍRA E TÚLIO CONVERSAM.

ZAÍRA: Ah,então você veio atrás de mim pra se desculpar das grosseiras que me disse?

TÚLIO: Eu não devia ter te tratado daquele jeito,eu num sou assim, entende?

ZAÍRA: Não vou negar que eu fiquei muito ofendida,mas não esquenta, eu não vou mais pra boate, pode ficar tranquilo.

UBIRAJARA: Ah,então você se abri-
gou lá?

TÚLIO: Foi, seu Ubirajara, fui pedir abrigo.

UBIRAJARA: Mas o que você veio fa-
zer aqui? Já não basta o tal forasteiro, o Nonato!?

ZAÍRA: Vocês não entendem! Eu não posso dizer! Moço, eu aceito as suas desculpas, viu? Mas agora eu preciso ir.

TÚLIO: Mas você vai ficar aonde?

ZAÍRA: Vou ficar por aí solta no mundo!

🔸ZAÍRA SAI DA MERCEARIA.

TÚLIO: Vê se pode, Ubirajara, só apa-
rece esse tipo de coisa na minha vida! Me serve uma cachaça, aí!

UBIRAJARA: Não posso, Túlio, eu pa-
rei de vender bebida alcoólica,mas se quiser tem suco de laranja e refrigerante.

TÚLIO: Então bom dia!

🔸TÚLIO SAI.

CENA 03-INT/DELEGACIA-DIA

🔸LUZINETE PÕE A MARMITA DE FLORO NA MESA DA DELEGACIA.

FLORO: É de quê?!

LUZINETE: Frango assado!

FLORO: Hum… tava lendo meus pensa-
mentos, era?

LUZINETE: Meu marido tá sabendo que tem uma cigana na cidade?

FLORO: Cigana!? Oxe, mas se Dona Alcina souber vai ser outro escândalo!

LUZINETE: Verdade, aquela lá encre-
nca com tudo, nunca vi mulher mais preconceituosa que aquela!

FLORO: Tava na praça quando o neto dela chegou,deve tá tendo festa na casa dos Bezerra pra receber o menino!!!

CENA 04-INT/CASA DE ANTENOR/MESA DO ALMOÇO-DIA

🔸ANTENOR, LEILA,MARIANA, ALCINA, ROBERTO, VIVIANE E NANDO ESTÃO À MESA.

ROBERTO: Olhe só, tá a cara do pai!

VIVIANE: Que nada! Tá a cara da mãe.

ALCINA: Tá inteligente que nem a avó, sim,porque eu no passado era a melhor aluna da turma do colégio de freiras.

ANTENOR: Pena que a tua inteligente foi se desgastando ao decorrer do te-
mpo, num é, Alcina?

LEILA: Meu amor, deixe de implicar com sua irmã, hoje num é dia de briga, Nando tá de volta!!!

MARIANA: E como tá a faculdade,Na-
ndo? Tá pensando mesmo em ser professor?

NANDO: Sim.

ROBERTO: Por mim ele seria político que nem eu,mas fazer o que se ele quer ser professor, né?

VIVIANE: Ah,mas se fosse pra ser político ele tinha que ser um político de fibra,não prefeito de uma cidadezinha mequetrefe como essa. Poderia ser um deputado estadual, deputado federal, senador,ou então presidente, hoje qua-
lquer um é presidente.

CENA 05-INT/CASA DE MARCELA/SALA-DIA

🔸MARCELA ABRAÇA REGINA.

REGINA: Ah,amiga,aqui não mudou nada,parece que tá tudo no mesmo lu-
gar de 10 anos atrás,o sofá,os quadros
,tudo no mesmo local, não gosta de mudança não, é?

MARCELA: Olhe, tá pra nascer alguém pra gostar tanto de mudança que nem eu,visse? É que eu gosto de deixar tudo assim, era assim que o meu marido gostava.

🔸AS DUAS SENTAM.

REGINA: E Cecília? Túlio?

MARCELA: Cecília tá na fazenda and-
ando a cavalo,mais tarde vem pra casa, Túlio ficou sócio do Barro Vermelho já vivia lá agora que vai ficar lá de vez.

REGINA: E o Paulo? Aquele teu funci-
onário veterinário da fazenda? Ah, meu Deus, da última vez que eu estive aqui, eu comi aquele homem com os olhos.

MARCELA: Continua trabalhando pra mim,mas num é bom se esquentar, visse? Aquela lá parece que não…

REGINA: O quê!? Não vai me dizer que… o veterinário gato gosta de outra fruta? É gay!?

MARCELA: Não, Regina, ele é virgem e pelo visto quer continuar virgem.

REGINA:(rindo) Meu Deus, só em Ped-
ra Clara mesmo, um homão daquele virgem, intocado, nunca teve mulher?

MARCELA: Nunca.

🔸AS DUAS DÃO RISADAS.

CENA 06-INT/HOTEL DA PEDRA/RECEPÇÃO-DIA

🔸CHICO CAMINHA DE UM LADO PARA O OUTRO, BIBIANA ENTRA.

BIBIANA: A viúva já foi?

CHICO: Num chame Dona Marcela de viúva que ela fica p da vida,viúva era a outra daquela outra novela, daquela outra cidade.

BIBIANA: Ah,desculpa! Mas porque é que o senhor tá assim? Parece tá nerv-
oso, preocupado? Se o senhor quiser…

CHICO: Onde tá o forasteiro?!

BIBIANA: Saiu!

CHICO: Me dá a chave do quarto dele que eu vou esperar ele lá.

CENA 07-EXT/CARRO-DIA

🔸PAULO DIRIGE O CARRO,CECÍLIA ESTÁ DO LADO DELE.

CECÍLIA: Paulo, eu queria me descul-
par com você, eu num devia ter feito aquela pergunta, eu fui enxerida, me perdoa?!

PAULO:(dirigindo) Desculpo, Cecília, como você me disse,eu sou como se fos-
se um tio pra você e tio e sobrinha tem que ter uma boa relação, num é?! Mas eu não queria falar mais nesse assunto.

CECÍLIA: Para o carro, Paulo! Para o carro!

🔸CECÍLIA SAI DO CARRO E VAI ATÉ NONATO QUE ESTÁ MARTE-
LANDO A PEDRA.

NONATO: Você de novo, é?! O que é que é, hein, Cecília!? Gostou do beijo, foi?

CECÍLIA: Eu odiei,eu queria te avisar que você falhou no seu plano, minha mãe me perdoou por ter tido aquela amizade com a Mariana, você não con-
seguiu colocar a minha mãe contra mim.

NONATO: Hum… eu não tô nem aí pra você e nem pra Mariana, um dia vocês duas vão comer aqui,na minha mão e não vai ser mais Medeiros e Bezerras que vão ter nome aqui em Pedra Clara.

CECÍLIA: Do que você tá falando?

NONATO: Eu tô falando que um dia eu vou mandar em Pedra Clara.

🔸CECÍLIA TEM UMA CRISE DE RI-
SO E VOLTA PARA O CARRO,NONA-
TO FICA COM RAIVA E MARTELA A PEDRA.

CENA 08-EXT/ENTRADA DA PREF-
EITURA-DIA

🔸SERENA SAI DA PREFEITURA NA MESMA HORA QUE ANÍSIO PASSA POR LÁ,ELA CAI NOS BRAÇOS DELE.

SERENA: Oxente, foi mal, Anísio, eu deveria ter prestado atenção.

ANÍSIO: Que bom que você não caiu, né, Serena? Apareci mesmo na hora.

SERENA: Você sempre aparece na hora que eu preciso… Anísio, você não tinha uma coisa pra me dizer ontem? Esqueceu?

ANÍSIO: Serena,eu ia dizer que te amo! Eu te amo,te amo muito e a gente precisa ficar junto,eu tenho quase cer-
teza que você também sente o mesmo por mim.

🔸AMBRÓSIO APARECE.

AMBRÓSIO: Minha filha,o que é que você tá de cochicho com esse filho de delegado frouxo?!

CENA 09-EXT/PRAÇA DE PEDRA CLARA-DIA

🔸NONATO PASSA POR ZAÍRA, ELA CHAMA.

ZAÍRA: Rapaz, eu tenho uma coisa pra te dizer, você tem que me ouvir.

NONATO: Não vem que não tem, sei muito bem sobre ciganos trambiqu-
eiros.

ZAÍRA: Tem um problema te esperan-
do, assim que você chegar lá, não quer ouvir?

NONATO: Não tenho dinheiro, deixa pra depois!

🔸NONATO SEGUE E ENTRA NO HOTEL.

ZAÍRA: Se ele me escutasse…

CENA 10-INT/HOTEL DA PEDRA/QUARTO DE NONATO-DIA

NONATO: Eu fui na recepção, a Bibi-
ana me falou que você tava me espera-
ndo… seu Chico, eu não tô mais aguen-
tando essa sua intromissão na vida dos seus hóspedes,principalmente na minha.

CHICO: Quem é você pra falar de intr-
omissão, rapaz?!

NONATO: Porque é que o senhor tá falando desse jeito comigo?! Olha, seu Chico, eu…

CHICO: Você tá atrás de quê nas min-
has terras? Não adianta mais escon-
der, seu enxerido, eu sei muito bem que você tá fuçando o que é meu!


FIM DO CAPÍTULO

1 day ago | [YT] | 12

CineNovelas

INTOLERÂNCIA • Capítulo 10

escrita e criada por:
BRENO STOCCO
Baseado na novela
"BRILHANTE" (1981) DE GILBERTO BRAGA.
colaboração:
MATEO PERGENTINO
RAYNARA FERREIRA
GUSTAVO COSTA
SOL DOMINGUES
SUELEN KREIN
WILLIAM FERREIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR

Abertura:

Não recomendado para menores de 14 anos por conter temas delicados e linguagem imprópria.

💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨💎✨💎

CENA 01-INT/CASA DE BRUNO/SALA -NOITE

Bruno está largado no sofá,copo de uísque na mão. Sônia,sua filha,senta em uma poltrona próxima, mexendo no celular.

BRUNO (ri sozinho): O Inácio hoje se superou. Jogar fora aquele contrato? Só podia ser coisa de… (pausa curta, venenoso) ...alguém sensível demais.

SÔNIA (erguendo os olhos, direta): O que você quer dizer com isso?

BRUNO (sarcástico): Ah,você sabe. Um cara que prefere tecido a aço, brilho a estratégia.

SÔNIA (firme): Você fala como se ser homem significasse ser grosso e gana-
ncioso. Cresce, pai.

BRUNO (tentando disfarçar,meio ri-
so): Tá bom,tá bom. Exagerei. Desculpa.

Sônia se levanta e sai da sala, visivel-
mente decepcionada.

SÔNIA (saindo): Depois você me per-
gunta que eu nunca trago ninguém aqui em casa, tá?

BRUNO (baixo,quase infantil): Desculpa...

Assim que ela some pelo corredor, Bruno faz uma careta debochada,imit-
ando Sônia em silêncio.

BRUNO (voz baixa,zombando): Cresce, pai...

Ele vira o uísque de uma vez,jogando a cabeça para trás.

CORTA PARA:

CENA 02-INT/EMPRESA JOALHE-
RIA NEWMAN/ESTÚDIO FOTOGR-
ÁFICO-FIM DE TARDE

Luiza caminha pelo estúdio. O rosto está sério,mas um sorriso contido ameaça surgir. Ela apoia uma mão no balcão de mármore branco. A outra aperta o colar de prata com pedras brancas presente da irmã.

FLASHBACK COMEÇA:

INT/FUNDAÇÃO NEWMAN/ELEV-
ADOR PARADO-TARDE

Trilha Sonora On:
youtube.com/clip/UgkxXqU6RFUdHJ58Vd0toKV9sJQ0kCWVX…

O elevador solavanca depois volta a funcionar. O beijo cessa. Luiza afrou-
xa o aperto na camisa de Paulo César, o observa com olhos tensos, confusos. Ela respira fundo.

LUIZA (afastando-se,tensa): Olha, Paulo... não deveríamos… (evitando o olhar) Eu sei que é imaturo tomar decisões por impulso e… (expira alto) Desculpe.

FLASHBACK TERMINA.

Ela morde levemente o lábio inferior, lutando contra o sorriso. Passos apre-
ssados soam no corredor. Luiza res-
pira fundo e se recompõe,voltando ao trabalho. Sérgio aparece na porta. Seu olhar vasculha o espaço com inquiet-
ação.

SÉRGIO: Licença,Luiza, né? Por acaso viu o Inácio? Preciso falar com ele
ainda não definimos as fotos finais.

Luiza ergue as sobrancelhas,analisa o rosto preocupado dele.

LUIZA: Não, não vi ele… (pausa) Mas tem algum problema a mais? Você tá com uma cara… aliás, você deve ser o Sérgio.

Sérgio entra devagar,desviando dos tripés e câmeras. Ele inspira fundo e solta o ar lentamente.

SÉRGIO: Sim. E pra falar a verdade, tem sim. (baixa o tom) Tô sentindo algo no Inácio... estranho. Como se ele esti-
vesse engolindo algo que não consegue dizer. Tá carregando um peso.

LUIZA (apoia as mãos na cintura, pre-
ocupada): Ué, mas que estranho. Ele também não me falou nada. (mais ten-
sa) Agora que você comentou, também fiquei preocupada.

Sérgio desvia o olhar. Balança a cabe-
ça devagar,como quem sente o presságio.

SÉRGIO: Eu só sei que... não tô sentin-
do coisa boa vindo por aí, Luiza.

luiza cruza os braços. Silêncio. Ela en-
cara Sérgio. O clima no estúdio pesa. Um pressentimento não dito paira no ar.

CORTA PARA:

CENA 03-INT/MANSÃO NEWMAN
/QUARTO DE ISABEL/CORREDOR – NOITE

Paulo César e Isabel estão numa conv-
ersa, baixa,íntima, pertos. Marília surgindo na porta com passos fortes.

ISABEL: Ei! Mas que correria é essa? Modos, Marília!

MARÍLIA (ofegante): Mãe! A coisa... tá feia lá embaixo com o tio Inácio e o vo-
vô não tá legal! Vem logo!

Isabel e Paulo César trocam um olhar carregado de urgência.

ISABEL (sussurrando,nervosa): Ai, meu Deus... não…

Ambos correm,seguindo a filha. À me-
dida que avançam,vozes alteradas e sons de confusão reverberam pela casa. Os passos se apressam. A tensão cresce.

CORTA PARA:

Paulo César,Isabel e Marília entram apressados. No centro da sala, Serpa já está ao lado de Vítor,que cambaleia
discretamente,tentando disfarçar o mal-estar. Uma das mãos no peito, a outra apoiada no braço da poltrona.
Marília recua até um canto,assustada com a cena. Paulo César vai até ele com agilidade,segurando-o pelos ombros.

PAULO CÉSAR (calmo,porém alerta):
Seu Vítor... o senhor tá bem?

Vítor tenta sorrir, mas está visivelme-
nte pálido. No outro lado da sala, Chica e Inácio estão em um embate acalora-
do rostos próximos, quase peito contra peito.

CHICA (gritando):Você é uma decep-
ção! Um ingrato!

INÁCIO (berrando de volta): Isso, xin-
ga! Você é uma tirana que confunde controle com amor!

CHICA: Repete! Repete!!

Isabel se coloca entre os dois, abrindo os braços para separá-los.

ISABEL (implorando): Pelo amor de Deus, parem com isso!

Chica tenta avançar. Isabel segura o braço dele,afastando a mãe. Inácio,com o rosto vermelho, respira com dificul-
dade. A voz treme.

INÁCIO (gritando): Você não manda mais em mim!

CHICA (raivosa): Enquanto morar sob esse teto, você vai ouvir!

INÁCIO: Você quer me jogar fora da-
qui? Joga,tô acostumado a ser tratado igual lixo por que me colocou no mundo!

Serpa, aflito, observa Vítor, que pare-
ce enfraquecer ainda mais.

CORTA PARA:

CENA 04-INT/CASA DE LUIZA/SALA-NOITE

A sala é acolhedora, com luz suave e almofadas espalhadas. Luiza acaba de chegar. Virgínia já está acomodada e a puxa para o sofá.

VIRGÍNIA: Eu tava só esperando você chegar para falar isso. E eu realmente
preciso, Lu... não vejo a hora de estar numa casa nova. Tô vendo tudo certi-
nho pra mudar logo.

LUIZA (relaxada,sorrindo): Vai ser bom pra você mesmo,eu sei. E eu vou ser a primeira a ir lá encher o seu saco.

Ela descasca o esmalte da unha, rindo.

VIRGÍNIA (encostando a cabeça na mão): Mas falando nisso... e o Inácio? Falou com ele?

LUIZA (revirando os olhos): Ah, você nem imagina o que eu tive que passar com a mãe dele...

VIRGÍNIA (se ajeita no sofá, curiosa): Agora você conta!

LUIZA: Estava eu, no trabalho,quando ela me chama pra conversar. Começou a falar do Inácio... eu já tava descon-
fiada. (pausa curta) Quando penso que já ouvi demais,ela solta: "você poderia fazer o Inácio se interessar por mulher".

Ela ergue as sobrancelhas,cruza os braços.

VIRGÍNIA (incrédula): Só pode tá de brincadeira, né? E aí?

LUIZA (nega com a cabeça): Resumin-
do,ela queria que eu mudasse magic-
amente a sexualidade do filho. (um suspiro) Na cabecinha dela, isso é possível.

VIRGÍNIA (irritada): Isso me deixa indignada de uma forma… (mais suave) E você contou pra ele?

LUIZA: Contei. Ele ficou arrasado… (firme) Mas independente de qualquer
coisa,eu jamais teria algo só pra agra-
dar à mãe dele. É absurdo!

VIRGÍNIA (sentida): Realmente. Eu sinto muito por ele, de verdade.

LUIZA (olhar disfarçado, sorriso con-
tido): Além de que... pode ser que já exista alguém... me interessando.

VIRGÍNIA (brincando): Como é, Lui-
za? Não estou sabendo...

LUIZA (o rosto se abre,tímida): O nome dele é Paulo. Paulo César. Trab-
alhamos juntos. Eu não sei como, nem quando, mas… (passa as mãos pelo ro-
sto) Só sei que não tiro ele da cabeça.

VIRGÍNIA (abre um sorriso largo): Não acredito! Luiza apaixonada…

As duas riem, cúmplices.

CENA 05-INT/FACULDADE/RECE-
PÇÃO/ÁREA DE MATRÍCULA- NOITE

Afonso,de regata,e seu Osmar,um cara bonitão,estão na fila da matrícula. Afonso observa o ambiente,empolgado.

AFONSO: Ah, pelo visto essa univers-
idade é top,pô. Mais do que eu
imaginava.

OSMAR: Não falei? Agora… vê se se comporta, tá?

AFONSO (rindo): Tu lembra da mina que eu quase atropelei de bike, que eu te falei? Aquela ali... sem rodeios, meu parceiro. Tava estampado na cara
dela.

OSMAR: Na cara dela o quê? O medo da morte?

AFONSO (risada curta): O interesse! E ainda faz jus ao nome... porque, since-
ramente? (Diz em ar de trocadilho) Ela me causou insônia.

OSMAR: Ih, tá delirando já.

AFONSO: Quem manda ser destraída? Mas no final... o susto valeu a pena.

OSMAR (balançando a cabeça em negação, rindo): Só tu pra romantizar acidente.

AFONSO (com meio sorrio): Achei ela meio convencida, vou negar não. Disse que quase cai no meu charme. (pisca) Mas vamos falar a real? Caiu sim. Eu manjo das conquista.

OSMAR: Claro, mestre do amor.

AFONSO: Agora fiquei na dúvida... será que ela faz Direito?

OSMAR: Vai ver, por quê?

AFONSO: Porque foi direitinho no meu peito. (se diverte com o próprio
trocadilho).

OSMAR (passa a mão no rosto,rindo)
: Tu é um caso perdido, que merda.

AFONSO (tom poético): Imaginar é pra quem não consegue apaixonar, meu amigo.

OSMAR (virando os olhos e rindo): Tá bom, Drummond. Tá bom.

CORTA PARA:

Afonso e o amigo entram no banheiro. O amigo vai pro reservado. Afonso começa a falar antes da camera sair da parede e mostrar o interior do banheiro.

AFONSO (no mictório e indo pro espe-
lho): Vai dizer que não que ela não caiu na do pai?

Afonso fica de frente pro espelho. Lev-
anta a camisa e segura com o dente. Flexiona os braços com orgulho.

AFONSO: Também... alá... gostoso pra cacete.

Ele beija o espelho, convencido.

AFONSO (sussurrando pra si mesmo): Te pegava, viu?

Osmar sai do reservado, flagra a cena e dá um tapa firme na nuca de Afonso.

OSMAR: Bora, narcisista!

Eles saem rindo.

FIM DO CAPÍTULO

4 days ago | [YT] | 15

CineNovelas

CENA 04-SP URGENTE/SALA DA EDITORA/CHEFE-DIA

Lívia entra. Os olhos estão vermelhos. O rosto cansado. Ela tenta manter a postura profissional… mas ainda está abalada. À frente dela, Helena está de pé, braços cruzados, expressão dura de quem já tomou uma decisão. Num canto da sala,BEL permanece sentada. Observando. Silenciosa. O olhar tran-
smite uma falsa solidariedade.

HELENA (seco): Senta, Lívia.

Lívia respira fundo. Obedece. Senta-se na cadeira diante da mesa. Postura rí-
gida. Helena caminha lentamente pela sala. Cada passo aumenta a tensão.

HELENA: Você tem noção do que foi ao ar hoje?

Lívia segura o choro. Mas mantém o olhar firme.

LÍVIA: Tenho. (pausa) E aquilo não foi erro meu.

Helena para. Vira-se lentamente.

HELENA: A emissora exibiu conteúdo impróprio em rede aberta.

Ela aponta para a televisão desligada na parede.

HELENA: Em pleno jornal ao vivo. (pausa) Isso não é uma falha simples.

Ela encara Lívia.

HELENA: É gravíssimo.

Bel inclina a cabeça com falsa empatia.

BEL: A gente sabe que você jamais fa-
ria isso de propósito, Lívia…

Ela faz uma pequena pausa.

BEL: Você sempre foi muito cuidadosa com seu material.

Lívia olha diretamente para Bel. Algo no tom dela parece… artificial.

LÍVIA: Alguém mexeu no meu mate-
rial.

Silêncio pesado. Helena para de cami-
nhar.

HELENA: Você está acusando alguém da redação?

Lívia hesita por um instante. Mas sust-
enta a ideia.

LÍVIA: Eu revisei aquela reportagem três vezes e os outros profissionais revisores também. (pausa) Aquilo não estava lá.

Bel faz um gesto discreto de surpresa.

BEL: Nossa… (pausa) Isso é uma acus-
ação muito séria. (Ela olha para Hele-
na) Você acha que alguém faria isso?

Lívia encara Bel novamente. Agora mais desconfiada.

LÍVIA: Eu tenho certeza.

Helena se aproxima da mesa. Encara Lívia com frieza.

HELENA: Então prove.

Lívia engole seco. Não tem provas. O silêncio diz tudo. Helena suspira.

HELENA: Até que isso seja esclare-
cido… (pausa) você está afastada das reportagens.

Lívia arregala os olhos.

LÍVIA: Afastada?

Helena senta na cadeira atrás da mesa. Tom definitivo.

HELENA: Sem vídeo. (pausa) Sem pa-
uta. (pausa) Sem exposição.

Bel observa a cena em silêncio. Lívia levanta da cadeira lentamente. A hum-
ilhação é visível.

LÍVIA: Então eu estou sendo punida por algo que não fiz.

Helena cruza as mãos sobre a mesa.

HELENA: Você está sendo afastada até que a situação seja resolvida. (pausa) É diferente.

Lívia ri sem humor.

LÍVIA: Não parece diferente para mim.

Bel levanta devagar. Finge tentar ame-
nizar.

BEL: Lívia… talvez seja melhor esfriar a cabeça. (pausa) Às vezes a gente não percebe quando comete um erro.

Lívia a encara. Agora há algo de raiva em seu olhar.

LÍVIA: Eu sei muito bem o que eu faço no meu trabalho.

Helena se inclina um pouco para fren-
te.

HELENA: Qualquer novo deslize… (pa-
usa) você está fora.

Silêncio. Lívia respira fundo. Endireita a postura.

LÍVIA: Eu não vou aceitar essa injus-
tiça.

Ela encara Helena com firmeza.

LÍVIA:Eu vou descobrir quem fez isso. (pausa) E quando descobrir… a verd-
ade vai aparecer e a justiça será feita.

Helena sustenta o olhar. Fria.

HELENAv Jornalismo não espera just-
iça, Lívia. (pausa) Espera resultado.

Lívia não responde. Ela apenas se vira. Caminha até a porta. Abre. Sai da sala. A PORTA SE FECHA. Silêncio. Bel ac-
ompanha a saída com os olhos. Por alguns segundos, permanece em silên-
cio. Então um sorriso quase impercep-
tível surge em seu rosto. Vitória silen-
ciosa. Helena percebe o sorriso. Olha para ela.

HELENA: Você tem algo a dizer, Bel?

Bel disfarça imediatamente.

BEL: Não… (pausa) só espero que ela consiga provar o que disse.

Ela pega sua bolsa.

BEL: Porque se não conseguir… (pau-
sa) Como a senhora disse acabou a carreira dela aqui.

Bel sai da sala. Helena permanece pen-
sativa. Algo naquela situação também não a convenceu totalmente.

CORTE SECO.

CENA 05-PENSÃO “SOLAR SANTA TERESA”/QUARTO DO FUNDO- NOITE

Vincenzo permanece imóvel. Respira fundo. O silêncio naquele quarto não é vazio. É denso. E,estranhamente… pro-
tetor. Ele passa a mão pela parede. Um arrepio percorre seu corpo.

VINCENZO (baixo, para si): Finalme-
nte… silêncio.

Ele se senta na cama. Fecha os olhos. Por um instante tudo parece normal. Então O AR MUDA. Um ZUMBIDO GRAVE começa a ecoar pelo quarto. Profundo. Como se um coração anti-
go pulsasse dentro das paredes.
Vincenzo leva a mão ao peito. Respira-
ção irregular.

FLASHES RÁPIDOS:

• Uma chama ancestral ardendo na escuridão

• Sangue escorrendo por pedras antigas

• Uma promessa sussurrada em uma língua desconhecida

• Um homem mais jovem… SEU ARLINDO

Vincenzo abre os olhos, ofegante.

VINCENZO: Não… Agora não… (Ele passa a mão no rosto) Eu só… quero paz.

A porta se abre lentamente. Nenhum ruído. Seu Arlindo entra. Na mão, um copo com um líquido escuro fumegante. Ele fecha a porta atrás de si.

SEU ARLINDO: Chá de raiz amarga.
(Coloca o copo na mesa ao lado da ca-
ma) Acalma o corpo… e mantém a me-
mória sob controle.

Vincenzo encara o copo. Desconfiado.

VINCENZO: O senhor sabe quem sou eu?

Seu Arlindo o observa por alguns seg-
undos. Olhar antigo. Experiente.

SEU ARLINDO: Eu sei quem você foi. (pausa) E sei exatamente quem você tenta não ser.

Silêncio pesado. Vincenzo pega o copo. Mas não bebe.

VINCENZO: Por que esse quarto?

Seu Arlindo encosta na parede.

SEU ARLINDO: Porque ele foi prepa-
rado. (pausa) Muito antes de você chegar.

Vincenzo se levanta lentamente. Tenso, confuso.

VINCENZO: Preparado… pra quê?

Seu Arlindo se aproxima. O olhar fir-
me. Quase solene.

SEU ARLINDO: Pra conter. (pausa) Pra esconder. (pausa) Pra proteger… enquanto ainda existe escolha.

Vincenzo solta um riso seco. Amargo.

VINCENZO: Escolha…

Ele olha para as próprias mãos.

VINCENZO: Isso é algo que eu perdi há muito tempo.

Seu Arlindo sustenta o olhar dele.

SEU ARLINDO: Não perdeu tudo. (pa-
usa) Ainda não.

O ZUMBIDO volta. Mais forte. Vince-
nzo leva as mãos às têmporas.

VINCENZO: Eu sinto alguém… Respi-
ração pesada.

VINCENZO: Uma luz… (pausa) e,ao mesmo tempo,uma escuridão queren-
do me tragar.

O semblante de Seu Arlindo endurece.

SEU ARLINDO: Meu caro Vincenzo… Existe uma batalha antiga. (Ele se apr-
oxima) Uma guerra entre luz e trevas. (pausa) E você… é o prêmio dessa guerra.

Vincenzo encara-o,alarmado.

VINCENZO: O que o senhor sabe sob-
re isso?

Seu Arlindo respira fundo. Como algu-
ém que esperou muito tempo por aqu-
ele momento.

SEU ARLINDO: Eu estava lá… (pausa) quando você foi criado.

Vincenzo fica imóvel.

SEU ARLINDO: Eu também fui parte do Clã Noturno. (pausa) E também me tornei um rebelde,um desertor.

Ele olha diretamente para Vincenzo.

SEU ARLINDO: Assim como você. Sil-
êncio. Eu abandonei o clã. (pausa) E esperei… por esse dia.

Vincenzo franze o cenho.

VINCENZO: Que dia?

Seu Arlindo vira levemente o pescoço. A gola da camisa abaixa. Revelando UMA MARCA ANTIGA, quase apaga-
da. Um símbolo queimado na pele. Vincenzo empalidece.

VINCENZO: Isso é…

SEU ARLINDO: Um pacto.

Silêncio absoluto.

SEU ARLINDO: Um pacto de sangue. (pausa) c Entre você e eu. (pausa) En-
tre pai e filho.

O mundo parece parar. Vincenzo dá um passo para trás.

VINCENZO: Pai…?

Seu Arlindo não responde de imediato.

SEU ARLINDO: Foi quando tudo deu errado.

FLASHES:

• Um juramento antigo

• Sangue misturado

• Um pedido desesperado

VOZ DISTANTE (VINCENZO): “Prot-
eja o que restar de mim…”

Vincenzo cai sentado na cama. Confu-
so.

CORTE SECO

FIM DO CAPÍTULO

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