RITA: Ah, crime? [RI] Você nunca vai namorar a minha filha. Nunca!
Rita se levanta.
DANILO: Eu vou sair daqui e vou voltar para a Maria! Eu vou me vingar de você! E você vai para a cadeia; racismo e apologia ao nazismo são crimes!
Rita vai embora. Ela faz um sinal nazista com as mãos e sai da sala.
DANILO: Sua racista desgraçada! Nazista do capeta!
O policial leva Danilo para a cela.
CENA 02-INTERNA/CASA DE MARIA VITÓRIA/COZINHA- MANHÃ
Rita chega. Maria Vitória está sentada no sofá.
RITA: Filha, sabia que o Danilo foi preso?
MARIA VITÓRIA: Que Danilo?
RITA: O homem por quem você se apaixonou. [RI] Ele é traficante de diamantes e tem uma mina com pessoas trabalhando sem salário, ou seja, trabalho escravo.
MARIA VITÓRIA: Meu Deus... Eu não imaginava isso dele.
RITA: É, as pessoas não são o que parecem. Lembrem-se disso!
MARIA VITÓRIA: O Arthur quer casar logo.
RITA: Então marquem a data do casamento!
MARIA VITÓRIA: Eu vou fazer isso, mãe. Vou falar para ele que já podemos marcar a data; quero me casar logo.
RITA: Faz muito bem, filha!
Rita abraça Maria Vitória e vai para a cozinha.
MARIA VITÓRIA: Eu me caso com você, Arthur... mesmo amando outra pessoa.
Instrumental Off.
CENA 03-INTERNA/TRIBUNAL DO JÚRI-TARDE
Dois meses depois. A câmera filma o julgamento de Danilo e Algério.
JUIZ: Hoje estamos aqui para julgar Danilo e Algério. Os dois foram flagrados tentando viajar para a África. Na mala de Algério, havia diamantes sem nota fiscal. Os investigadores encontraram o local onde os diamantes eram retirados e, na mina, havia trabalhadores que não recebiam salário. Portanto, Algério também cometeu o crime de trabalho escravo. Danilo será julgado como cúmplice, por saber do esquema e não fazer nada, além de estar fugindo junto com o comparsa.
O foco em Danilo e Algério, nervosos. O juiz anuncia o resultado.
JUIZ: Algério foi condenado a 20 anos de prisão, e Danilo a 10 anos.
O casamento de Arthur e Maria Vitória acontece. Eles trocam alianças, se beijam e saem sob aplausos direto para o carro.
ARTHUR: Quero dizer que sou o homem mais feliz do mundo!
Eles seguem para a lua de mel.
Trilha Sonora Off.
RITA: Estou muito feliz com a união do seu filho com a minha!
AMÉRICO: E mais feliz ainda com a nossa parceria, não é mesmo?
Rita ri.
ANTENOR: Viva a felicidade!
Eles brindam.
CIDADE DO MÉXICO....
CENA 05-INTERNA/HOTEL/QUARTO-MANHÃ
Maria Vitória e Arthur entram no quarto e se beijam.
ARTHUR: Está feliz?
MARIA VITÓRIA: Estou.
ARTHUR: Está mesmo?
MARIA VITÓRIA: Estou, Arthur!
Eles conversam sobre as brigas passadas e se declaram.
MARIA VITÓRIA: Agora vamos parar de falar, eu estou louca para te amar!
Eles se entregam à paixão. A câmera corta para os dois transando sensualmente.
CENA 06-EXTERNA/SÃO PAULO/CIDADE–NOITE
(Imagens noturnas de São Paulo: luzes, baladas e movimento. O sol nasce, mostrando o fluxo de pessoas indo ao trabalho e a Avenida Paulista. A câmera foca na delegacia e entra)
ALGÉRIO: Você não pode passar 10 anos preso. Eu já estou velho, mas você tem muito o que viver. Eu tenho um plano.
A imagem se dissolve enquanto Algério sussurra o plano.
CENA 08-EXTERNA/DELEGACIA/PÁTIO-TARDE
Durante a transferência para o carro, Algério finge um infarto. No caos, enquanto os policiais tentam socorrê -lo e chamar uma ambulância, Danilo consegue escapar para a mata. Ele corre até um porto e entra em uma balsa com destino à África.
22 ANOS DEPOIS....
CENA 09-EXTERNA/ÁFRICA/MINA DE DIAMANTES-TARDE
Danilo, agora rico e influente, observa a extração de diamantes
DANILO/Fabrício Boliveira: Diamantes, diamantes... Eu estou sentindo o seu cheiro! [RISOS]
Ostentando joias e terno de luxo, Danilo gargalha vitorioso.
CENA 04-RUA DOM PEDRO I/CEN- TRO DE MONTE AMARO-MANHÃ
O sol nasce iluminando as ruas da cid- ade do interior, no ano 2000. A atm- osfera é nostálgica e tranquila. Vemos pessoas usando orelhões para fazer ligações, outras comprando revistas e jornais na banca da praça.
Tem crianças brincando de pega-pega, senhores jogando dominó na sombra de uma árvore,mulheres conversando sentadas em bancos,tudo muito típico da época.
A câmera foca na placa da rua: RUA DOM PEDRO I. Em frente à banca, estão Seu Osmar, um senhor de idade, com camisa de botões e chapéu, e sua neta Kira, jovem, sorridente, com uma pasta na mão.
Trilha Sonora Off.
KIRA: Vô, hoje você vai conhecer a nova cuidadora que eu te falei, tá? Ela já deve estar chegando.
SEU OSMAR (Resmunga,com a beng- ala apoiada no chão): Cuidadora? Pra quê disso,menina? Eu sei muito bem me virar sozinho,não preciso de ninguém.
KIRA: Sabe nada, vô! Você esquece de tomar remédio, de comer direito... Eu preciso trabalhar,não posso ficar aqui o dia todo olhando você. Ela vai ser só uma ajuda.
SEU OSMAR (Muda de assunto, apon- tando para a sorveteria ao lado): Fa- lando nisso, eu quero mais um sorvete de creme. Vai lá comprar pra mim.
KIRA: Nem pensar, o médico disse que você pode tomar só um por dia, e você já tomou o seu hoje
SEU OSMAR: Esse médico é cheio de frescura! Eu me sinto ótimo, sou forte!
Nesse momento, Marlene chega cami- nhando,com uma bolsa de ombro e ro- upas simples, mas bem passadas e org- anizadas. Ela sorri ao ver os dois.
MARLENE: Bom dia!
KIRA (Se anima,abrindo um sorriso): Marlene! Você veio mesmo! Nossa, quanto tempo, hein?
MARLENE (Abraça a amiga): Menina, você cresceu muito! Está uma mulher linda!
KIRA: Ah que nada,mulher linda tá você.
Elas se abraçam com carinho. Marlene olha para o senhor e continua.
MARLENE: Eu deixei meu emprego na mansão da Isabelita, resolvi mudar de vida e ficar mais perto de casa. Lá eu tinha que pegar três ônibus todo dia, agora daqui é só um. Muito mais tran- quilo.
KIRA: Eu expliquei tudo na ligação de ontem,né? Você vai cuidar da casa e do vô, só o básico.
MARLENE (Envergonhada): Desculpa ter ligado tão tarde,quase de madru- gada... Mas eu estava precisando muito de um emprego,e lá na mansão já não estava dando mais certo.
KIRA: Tudo bem, tudo bem. Você vai vir só quando precisar,pra arrumar a casa, fazer comida... Não é nada pesado.
Kira vira-se para o avô, que olha para Marlene com curiosidade.
KIRA: Vô,essa é a Marlene. Ela era amiga da minha mãe, cuidou dela qua- ndo ela ficou doente, antes de morrer. O senhor lembra dela?
SEU OSMAR (Balança a cabeça): Não, menina. Minha cabeça já não é mais a mesma,tá muito fraca. Mas obrigado por ter cuidado da minha filha. Mas repito: não preciso de ninguém pra cuidar de mim, estou ótimo!
As duas riem da teimosia dele.
KIRA: Ele é meio ranzinza,eu sei, mas é um coração de ouro. Pode confiar nele, e ele pode confiar em você.
MARLENE: Imagino que sim. E pode deixar que eu vou cuidar de tudo dire- itinho, vocês podem confiar.
KIRA: Quando você pode começar?
MARLENE: Hoje mesmo, se precisar.
KIRA: Começa amanhã, melhor. Hoje eu tenho que levar ele no médico,é nu- ma cidade vizinha, vamos demorar o dia todo. Mas enquanto isso, podemos acertar o pagamento,os horários,tudo direitinho para você já saber como é.
MARLENE: Por mim tudo certo.
Elas se aproximam de Seu Osmar, e os três começam a conversar e rir, enqu- anto caminham devagar pela calçada.
CENA 05-COBERTURA DE SANDRI- NHA/SALA DE CAFÉ DA MANHÃ
A mesa está impecável, com toalha branca, frutas, pães, bolos, sucos e café frescos. Sandrinha chega sorrin- do, dando bom dia para todos da casa, e senta-se na cabeceira da mesa. Luci- mara, sua mãe, já está sentada.
LUCIMARA: Bom dia, filha. Dormiu bem?
SANDRINHA: Muito bem, mãe. A ca- ma estava tão gostosa que eu nem quis levantar.
Um dos filhos gêmeos chega correndo, sentando ao lado da mãe.
GÊMEO: Mãe, nós vamos sair hoje? Vamos no parque?
SANDRINHA: Só mais tarde,meu amor. Agora vamos tomar café.
LUCIMARA: A Verônica levou a Lor- ena no médico cedo. Ela acordou pass- ando mal.
SANDRINHA: O que ela tem? Tá grip- ada?
LUCIMARA: Ela não quis falar direito, só disse que estava se sentindo fraca e com dor de cabeça. Espero que não se- ja nada grave.
SANDRINHA: Tomara que não, ela é tão nova...
LUCIMARA (Olha fixamente para a filha,preocupada): Eu também fico preocupada com você, Sandrinha.
SANDRINHA: Comigo? Por quê?
LUCIMARA: Eu percebi que você está diferente. Desanimada, com o astral lá embaixo,mesmo sorrindo e brincando com todo mundo.
SANDRINHA (Desvia o olhar, mexen- do no pão): É impressão sua, mamãe. Eu tô ótima.
LUCIMARA: Não é não. Eu sou sua mãe,conheço você de olhos fechados. Você sofreu muito com a separação, né? Foi doloroso, eu sei.
SANDRINHA (Força um sorriso lar- go): Só estou pensando em como vou me reinventar, sabe? Depois do desa- stre do meu casamento, eu quero mos- trar para todo mundo que eu sou capaz de ser feliz sozinha. Mas tá tudo bem, Sandrinha nunca desce do salto alto.
Ela volta a comer,mudando de assunto. Lucimara a olha com uma expressão de dúvida e carinho, sabendo muito bem que a filha está escondendo a tristeza.
CENA 06-CASA DE PENÉLOPE E JOÃO/COZINHA-MANHÃ
Penélope acabou de arrumar a mesa, com tudo muito bonito e organizado. Ela senta-se ao lado de João, que já está provando o café.
PENÉLOPE: E então, meu amor? Tá boa a comida?
JOÃO (Fecha os olhos, deliciado): O bolo, o pão, tudo tá sensacional! Você tem mãos de fada meu amor. Cozinha como ninguém.
PENÉLOPE (Sorri, feliz): Obrigada, meu bem. Eu gosto de fazer tudo com amor,para você e para os meninos.
JOÃO: Eles estão dormindo ainda será?
PENÉLOPE: Estão. Daqui a pouco eu passo na casa da minha irmã pra pegar eles
JOÃO: Como eu não tenho nada pra fazer hoje, vou com você. Ajudar na sorveteria também.
PENÉLOPE: Não precisa, amor. Hoje eu não vou abrir a sorveteria. Só pedi para a Kira abrir um pouquinho de manhã, só pra pegar o sorvete pro Seu Osmar. Hoje eu quero ficar com vocês, fazer um programa em família. E tam- bém preparar tudo direitinho pro café da tarde...
JOÃO (Lembra-se): Ah é, hoje chega a Dona Fátima?
PENÉLOPE: Sim! Ela ligou ontem à noite avisando que já está na estrada, chega lá pelas quatro horas. Quero deixar tudo impecável para recebê-la. Sabe como é mamãe né?
JOÃO: Então a programação é essa: ficar em casa,ajudar você na cozinha e receber a sogra com todo carinho do mundo.
Os dois riem e ele puxa ela para mais perto e beija sua boca.
PENÉLOPE: Ah,e eu contei tudo para a Kira sobre o jantar de aniversário de casamento! Ela ficou tão encantada com a surpresa do Raça Negra, que agora ela mesma quer fazer uma festa igual para a namorada dela
JOÃO (Ri alto): É mesmo? Então o ca- ntor vai ter que ficar morando aqui em Monte Amaro,de tanto que vão chamar ele!
Os dois continuam conversando e rin- do, planejando o dia todo juntos, cheios de alegria.
CENA 07-CASA DE THIAGO E ZARA/QUARTO DE CASAL-MANHÃ
O quarto está com cortinas fechadas, meia luz. Thiago dorme profundamente deitado de bruços, enquanto Zara com- eça a acordar devagar. Ela põe a mão na barriga, sentindo um mal-estar repentino.
Sem fazer barulho,ela sai da cama ra- pidamente,segura a boca e corre até o banheiro. Assim que entra, se agacha em frente à privada e começa a vomi- tar forte, sentindo uma ânsia enorme.
No quarto,Thiago continua dormindo, sem perceber nada.
Dentro do banheiro, Zara ainda vomita um pouco mais, até que passa o mal- estar. Ela levanta-se, segura na pia e abre a torneira, lavando a boca várias vezes, passando água no rosto para se refrescar.
ZARA (Fala sozinha,olhando para o espelho): Deve ter sido a porção de tilápia de ontem... Comi demais, não me fez bem.
Ela continua se olhando no reflexo,sec- ando o rosto com a toalha. Quando se abaixa novamente para enxaguar a boca, ao levantar o rosto de repente, vê uma figura parada logo atrás dela, refletida no espelho.
É a mesma cigana que Penélope enco- ntrou dias atrás. Ela está toda vestida de vermelho,com um véu cobrindo os cabelos, maquiagem marcante e um colar de moedas.
Zara leva um susto enorme, fica para- lisada, com os olhos arregalados, sem acreditar no que vê.
ZARA (Voz trêmula): Quem é você? Como entrou aqui? O que quer de mim?
A cigana sorri misteriosamente, com olhar intenso.
CIGANA: Você pode mudar o seu des- tino, Zara...
ZARA (Arrepia-se toda): Destino? Que história é essa? Eu nem te conheço
CIGANA (Continua calma): Volte a ca- ntar. Eu sou sua fã, sei do seu talento. Não deixe ele morrer.
ZARA (Cada vez mais assustada): Eu acho melhor a senhora ir,já tá me deix- ando assutada e eu nem sei como entr- ou aqui..
Quando Zara se vira rapidamente para olhar de verdade, não tem ninguém ali. O banheiro está vazio, apenas ela.
Ela sai correndo do banheiro, para o corredor, olhando para todos os lados, mas não vê vivalma.
ZARA (Faz o sinal da cruz, respirando fundo): Eu hein... Eu realmente comi alguma coisa que me fez muito mal, tô tendo alucinação agora...
Ela volta para o quarto,ainda assust- ada,enquanto a música de suspense começa a tocar ao fundo.
escrita e criada por: JOÃO VITOR PRADO E ANTÔNIO FERRO
colaboração de: ANTÔNIO FERRO
supervisão de: EDGAR OLIVEIRA
direção geral: DIOGO ITAMAR
abertura:
Classificação: 14 anos. Uma comédia romântica com drama familiar que aborda superação, maternidade e identidade. Uma narrativa emocional sobre amizade, traumas e transformação pessoal.
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CENA 01-CORREDOR DA MANSÃO DE ALFREDO E ISABELITA-NOITE
Chloé continua parada, imóvel, com os olhos cheios de lágrimas e a expressão de decepção estampada no rosto. Edu- ardo e Camila ainda estão próximos, ambos com semblantes de pânico e su- rpresa,sem saber o que dizer.
CHLOÉ (Voz embargada, firme): Eu vou embora. É melhor assim.
Eduardo dá um passo à frente, tentan- do alcançá-la, desesperado.
EDUARDO: Chloé! Espera, por favor! Deixa eu explicar!
Mas Chloé não espera. Ela vira as cos- tas e sai correndo pelo corredor, dis- parada, sem olhar para trás. Eduardo fica parado por um instante,respira fundo e vira-se bruscamente para Ca- mila, com olhar de raiva e desgosto.
EDUARDO: Você é louca? Nunca ma- is,ouviu? Nunca mais olha na minha cara, nunca mais fala comigo! Você acabou com tudo.
Ele sai correndo atrás de Chloé, dei- xando Camila sozinha no corredor. Ela fica parada, com as mãos tremendo, e murmura para si mesma,com uma mis- tura de arrependimento e frieza.
CAMILA (Sussurra): Meu Deus... o que que eu fiz?
Mas logo a expressão muda,ela sorri de canto,cínica,como se tivesse cons- eguido o que queria,mesmo que da for- ma errada. Ajeita a roupa, arruma os cabelos e sai caminhando lentamente, com passos firmes.
CENA 02-CASA DE MARLENE/QU- ARTO DE MARLENE-MADRUGADA
O quarto está escuro,apenas com a luz fraca da rua entrando pela janela. Marlene está deitada na cama,virada para o teto,os olhos abertos,sem cons- eguir pregar o sono. Ela revira na ca- ma,inquieta,até que começa a fechar os olhos e as lembranças invadem sua mente.
FLASHBACK•ANOS ATRÁS
Quarto antigo, móveis simples, parede com papel de parede florido.
Marlene coloca a pequena Gabriela, ainda bebê,dentro do berço,cobrindo -a com cuidado. Ela sai do quarto dev- agar, quando ouve o barulho da porta da sala se abrindo e batendo forte. Ela corre até a sala e se depara com Zé Ronaldo sentado no sofá, cambaleando, os olhos vermelhos,visivelmente bêbado.
MARLENE ( Brava,se aproximando): Você voltou de novo nesse estado? E ainda cheirando a perfume de outra mulher! Você estava com ela de novo, não é?
ZÉ RONALDO (Fala enrolado, irrit- ado): Eu tava com os amigos. Para de inventar história!
MARLENE: Eu não sou boba, você não me engana! Enquanto você sai por aí bebendo e se divertindo, eu fico aqui sozinha,cuidando da casa, das contas e da Gabriela, sem ajuda nenhuma!
ZÉ RONALDO (Grita,tapando a cabe- ça): Cala a boca! Cala a boca que eu tô com dor de cabeça, não quero ouvir gritaria!
MARLENE (Grita mais alto,sem medo): Eu vou gritar sim! Você volta pra onde estava,não vou mais aceitar suas trai- ções só porque você é traficante. Isso não te dá direito de me tratar como lixo!
Zé Ronaldo levanta de um pulo, camba- leando, apontando o dedo na cara dela.
ZÉ RONALDO: Ninguém grita comigo! Ninguém!
MARLENE (Desafia,chorando de rai- va): Você não presta pra nada! Nem pra ser um bom marido, nem pai, eu quero a separação! Prefiro viver sozi- nha do que passar a vida toda sendo humilhada por você!
Zé Ronaldo levanta a mão e dá um tapa forte e seco no rosto de Marlene, que cai sentada no chão, segurando a bo- checha ardida. Ele fica parado na sua frente, com o olhar perdido e agres- sivo, totalmente dominado pela bebida. Marlene fica ali, no chão, com os olhos cheios de lágrimas, sentindo a dor físi- ca e a dor da alma.
FIM DO FLASHBACK
Marlene abre os olhos de volta, respi- ra fundo e enxuga uma lágrima que escorreu pelo rosto. Ela fala baixinho, para si mesma, decidida.
MARLENE: Isso não vai se repetir. Eu não posso deixar..
Ela se vira na cama, fecha os olhos e finalmente consegue dormir, com a mente tranquila por saber que não vai deixar o passado voltar a machucá-la.
CENA 03-CASA DE CHLOÉ E EDUA- RDO/QUARTO DE CASAL-MADRU- GADA
Chloé entra em casa batendo a porta, andando rápido até o quarto. Poucos minutos depois, Eduardo chega tam- bém, fecha a porta que estava entreab- erta e corre atrás dela, falando alto.
EDUARDO: Chloé, por favor, me deixa explicar! Eu posso te contar tudo direito!
Ele entra no quarto e a vê parada em frente ao espelho grande, tirando os brincos e o colar de pérolas,com o ros- to sério e frio. Ela se vira devagar para ele, os braços cruzados.
CHLOÉ: Eu não preciso de explicação nenhuma, Eduardo. Eu vi muito bem o que aconteceu. Vi vocês dois atraca- dos,se beijando. Não tem o que explicar.
EDUARDO (Aproxima-se, preocu- pado): Não foi o que pareceu, eu juro! Foi a Camila que me atacou,ela me agarrou e beijou sem eu querer, eu tentei me soltar,mas foi tudo muito rápido
CHLOÉ (Sorri sem graça, incrédula): Ela conseguiria fazer isso se você não tivesse permitido? Se você tivesse puxado o rosto,se tivesse empurrado ela,não teria acontecido. Você gostou, eu vi no seu olhar.
EDUARDO: Chloé,me escuta,pelo amor de Deus!
Chloé suspira e se senta na beirada da cama,ainda com o semblante fechado. Eduardo se aproxima, senta-se ao seu lado e segura suas mãos,olhando pro- fundamente dentro dos seus olhos.
EDUARDO: Eu amo somente você. En- tendeu? Só você. Se eu tivesse qual- quer interesse na Camila,qualquer se- ntimento,eu não estaria aqui, não est- aria preparando nosso noivado, nossa vida juntos. Você é a única mulher que eu quero.
Chloé olha fixamente para ele, depois vira o rosto e olha para o reflexo no espelho, pensativa.
CHLOÉ: Eu juro que na momentinho você pareceu estar gostando...
Eduardo levanta a mão delicadamente, segura o queixo dela e vira seu rosto devagar,fazendo com que ela olhe nov- amente para ele.
EDUARDO: Eu só tenho olhos pra você. Nunca mais vou chegar perto dela,nu- nca mais vou falar com ela, eu prom- eto. Você é meu mundo, Chloé.
CHLOÉ (Voz suave,ainda com dúvi- das): Eu não sei se consigo acreditar nisso agora...
EDUARDO: Você não confia em mim?
Chloé o encara por alguns segundos, vê a sinceridade nos olhos dele e aos poucos vai relaxando. Ela balança a cabeça devagar, confirmando.
CHLOÉ: Confio...
Eduardo sorri e a beija suavemente. No começo Chloé fica um pouco tensa, mas logo se entrega ao beijo, corresp- ondendo com paixão. Os dois se abra- çam forte, esquecendo por um mome- nto o que aconteceu,num clima de reco- nciliação, amor e perdão.
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS: Contém: Violência,Drogas,Conteúdo Sexual e Linguagem imprópria.
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CENA 01-INTERIOR/SALA DE AU- DIÊNCIAS DO FÓRUM-DIA
O ar é pesado,carregado pelo som dos ventiladores de teto. A plateia está api- nhada; homens de terno e mulheres com lenços de seda observam o réu. Bernardo entra algemado,os cabelos desalinhados. Ele parece um espectro. O Juiz ajeita os óculos e bate o martelo.
JUIZ: Réu Bernardo Almeida, a lei lhe faculta a palavra. Deseja manifestar- se perante este juízo?
Bernardo respira fundo. O silêncio é tão cortante que se ouve o tique-taque do relógio de parede.
BERNARDO (Voz trêmula, mas audí- vel): Excelência... Eu não aguento mais carregar esse caixão nas costas. Fui eu. Fui eu o responsável.
Um murmúrio escandalizado percorre a sala. Letícia fecha os olhos,sentindo a tontura. Cristian permanece rígido co- mo uma estátua de mármore.
BERNARDO: Naquela noite maldita... era eu quem estava no volante do carro que vitimou a Júlia. Eu vi tudo pelo ret- rovisor. E fugi como um covarde, deix- ando a vida dela no asfalto.
Bernardo olha para a plateia. Seus olhos encontram Leonas, que o encara com uma expressão de pedra.
BERNARDO: Mas o senhor juiz preci- sa saber o que me levou àquela estra- da. Horas antes,eu tive um embate terrível com meu pai. Descobri que a vida que eu levava era uma farsa de comercial de margarina. Descobri que o homem que eu chamava de herói... foi quem tirou a vida da minha mãe.
O tribunal explode em burburinho. O Juiz bate o martelo com violência.
JUIZ: Ordem no tribunal! Ordem!
BERNARDO (Gritando sobre o baru- lho): Eu bebi para esquecer que era filho de um assassino! Peguei aquele Opala e acelerei como se pudesse fugir da minha própria pele! E depois do acidente,ele me calou! Ele disse que o nome dos "Almeida" valia mais que a vida de uma moça!
Bernardo desaba em pranto, virando -se para os bancos da família.
BERNARDO: PERDÃO,KARINA! CRI- STIAN,MEU IRMÃO,ME PERDOE! EU SOU UM MONSTRO,MAS NÃO SOU MAIS UM MENTIROSO!
CENA 02-INTERIOR/CORREDOR DO FÓRUM-TARDE
O sol de fim de tarde entra pelas jane- las altas. O corredor está vazio. Cris- tian e Letícia estão próximos a uma pilastra.
LETÍCIA (Limpando o rímel borrado): Acabou, Cristian. O castelo de cartas finalmente caiu.
CRISTIAN: Eu sinto como se tivesse levado uma surra,Letícia. Tudo o que eu acreditava sobre o meu velho... era uma mentira bem encerada.
Eles se encaram.
O ressentimento que os separava por anos parece derreter sob o peso da tragédia. Cristian dá um passo à frente,diminuindo a distância. O perfume dela algo doce e datado o atinge.
LETÍCIA: Eu não sei mais separar o que eu sinto por você da mágoa que eu guardei. Tá tudo misturado.
CRISTIAN: Nem eu. Mas talvez... tal- vez a gente não precise mais de muros.
Eles se aproximam. As respirações se cruzam. Estão a milímetros de um bei- jo, mas o som metálico de uma tranca abrindo ao longe os faz hesitar. O mo- mento fica suspenso no tempo.
CENA 03-INTERIOR/SALA DE EST- AR-NOITE
A luz da sala é amarelada,vinda de um abajur de cúpula franjada. Karina está sentada na poltrona, enquanto Clara e Miguel esperam, de pé, como se estiv- essem diante de um tribunal particular.
KARINA (Voz cansada,mas em paz): Tive um sonho com a Júlia ontem à noite. Ela estava com aquele vestido de chita azul que tanto gostava. Ela me olhou e não disse nada,mas o olhar dela pedia... pedia que eu parasse de carregar esse ódio.
Karina se levanta e caminha até Clara, pegando em suas mãos.
KARINA: Ela quer que eu aceite o amor de vocês. E quem sou eu para lutar contra a vontade de quem já está no céu? Miguel... cuide dela. Clara... me perdoe pela minha cegueira.
Clara chora e se lança nos braços da mãe. Miguel sorri,sentindo o peso do mundo sair de seus ombros.
CENA 04–INTERIOR/DELEGACIA- NOITE
Helena está sozinha na sala,iluminada apenas por uma lâmpada de mesa. Ela manuseia uma bobina de filme e algu- mas fotos de perícia do hospital. Ela para em uma imagem específica do co- rredor da UTI.
HELENA (Para si mesma): Mas que diabo é isso...? O horário da entrada da enfermeira não bate. E quem é esse homem de chapéu saindo pela porta de serviço dois minutos antes da parada cardíaca da Júlia?
Ela fecha o arquivo com força, os olhos brilhando com a descoberta.
HELENA: O Bernardo confessou o aci- dente... mas a morte no hospital ainda tem as digitais de outro mestre de ceri- mônias. A verdade ainda não terminou de ser gritada.
CENA 05-EXTERIOR/PÁTIO DO FÓ- RUM-NOITE
O pátio está iluminado por postes de luz amarelada. Leonas caminha em di- reção ao seu Galaxie blindado, mas é interceptado por Miguel.
MIGUEL: Vai fugir agora, Leonas? O depoimento do seu filho ainda está eco- ando naquelas paredes.
LEONAS (Parando,sem olhar para Miguel): Palavras de um rapaz pertur- bado,embriagado pelo remorso. Nenh- um juiz sério daria crédito a um delírio sobre a morte da mãe de vinte anos atrás.
MIGUEL: Não é só o passado que está te caçando. É o presente. O senhor construiu um império sobre cadáveres, mas esqueceu que o sangue mancha o tapete. A Clara não tem mais medo de você. E eu muito menos.
LEONAS (Virando-se,com olhar géli- do): Escute bem,seu rábula de quinta categoria. Você pode ter vencido uma batalha sentimental,mas a guerra se faz com poder. E eu ainda mando nesta cidade.
MIGUEL: Pois aproveite seus últimos dias de reinado. O trono está começan- do a queimar.
CENA 06-INTERIOR/RESTAURAN- TE LUXUOSO-NOITE
Cristian e Letícia estão sentados a uma mesa de canto. O ambiente tem música de piano suave. O garçom serve vinho tinto.
LETÍCIA: Por que me trouxe aqui,Cris- tian? Depois de tudo o que ouvimos naquele tribunal... a última coisa que eu tenho é fome.
CRISTIAN (Olhando para a taça): Eu precisava sair de perto daquela gente. Do cheiro de mofo daquele fórum. Letí- cia... o Bernardo falou a verdade. Meu pai é um monstro. E eu passei a vida tentando ser a imagem e semelhança dele.
LETÍCIA: Todos nós fomos enganados. Eu me vendi a essa ideia de "família perfeita" porque era mais fácil do que encarar o vazio.
CRISTIAN (Cobre a mão dela com a dele): E agora? O que sobra pra nós dois? Ainda existe aquele "nós" de an- tes de toda essa sujeira?
LETÍCIA (Com os olhos marejados): Eu não sei se o que eu sinto por você é amor ou sobrevivência, Cristian. A gente se acostumou a se ferir para sen- tir que estava vivo.
CRISTIAN: Então vamos começar de novo. Sem mentiras. Sem o fantasma do meu pai entre nós. Você aceitaria um homem que não tem mais um pedestal para se apoiar?
CENA 07-INTERIOR/GABINETE DE HELENA-NOITE
Helena está com o telefone de baquelite no ouvido, fumando e analisando os documentos.
HELENA (Ao telefone): Eu sei que o la- udo diz "insuficiência respiratória", doutor. Mas eu tenho a imagem aqui! Quem era o homem que entrou na UTI às três da manhã? Não, não tente me enrolar com ética médica. Se esse nome não aparecer na minha mesa amanhã cedo, eu farei questão de que a manc- hete do jornal seja sobre a negligência do seu hospital.
Ela desliga o telefone com força. A po- rta se abre. É Miguel.
MIGUEL: Você descobriu algo, não foi? Sua cara de triunfo te entrega a um quilômetro.
HELENA: A Júlia não morreu por causa do acidente, Miguel. O acidente a deixou fraca, mas o que a matou foi uma "ajudinha" externa. Alguém term- inou o serviço que o carro do Bernar- do começou.
MIGUEL (Impactado): Está dizendo que foi assassinato? Dentro do hosp- ital?
HELENA: Exatamente. E se eu estiver certa, o Leonas não apenas encobriu o filho... ele garantiu que a única teste- munha que poderia falar nunca mais abrisse a boca.
CENA 08-INTERIOR/QUARTO DE CLARA-NOITE
Clara está sentada na cama,olhando uma foto antiga de Júlia. Karina entra e senta ao lado dela.
KARINA: Eu sinto que tirei um fardo das minhas costas,minha filha. Ter te tratado daquele jeito... me dói mais do que a perda da Júlia.
CLARA: A senhora só estava tentando sobreviver à dor,mãe. Eu entendo. Mas a Júlia... ela amava o Bernardo. Como isso pôde terminar assim?
KARINA: O amor e o ódio caminham em uma linha muito fina, Clara. O Ber- nardo é um menino bom que foi esma- gado por um pai cruel. Ele pagará o que deve à justiça, mas ele libertou a todos nós hoje.
CLARA: E o Miguel? A senhora realm- ente o aceita?
KARINA (Sorrindo triste): Ele te prot- egeu quando eu te ataquei. Ele merece meu respeito. Só peço que vocês tenh- am cuidado... o Leonas é como um bi- cho acuado. E bicho acuado ataca para matar.
CENA 09-EXTERIOR/JARDIM DA MANSÃO ALMEIDA-NOITE
Leonas está sozinho no jardim,sob uma árvore imensa. Ele segura um isqueiro de ouro, acendendo um charuto. As mãos tremem levemente. Ele olha para as janelas da casa, agora vazias de alegria.
LEONAS (Sussurrando): Bernardo... seu idiota. Você acha que confessar te faz um homem? Você só nos deu a co- rda para o enforcamento. Mas eu ainda não subi no patíbulo.
Ele joga o isqueiro na grama e olha para o horizonte,onde as luzes da cida- de brilham.
LEONAS: Se o navio vai afundar... eu vou garantir que todos se afoguem co- migo. A começar por aquela detetive bisbilhoteira e aquele advogado de porta de cadeia.
A câmera fecha no olhar sombrio de Leonas, enquanto o som de um trovão ecoa ao longe,anunciando a tempes- tade que está por vir.
MARIA VITÓRIA: Não. Não estou bri- ncando, eu estou namorando o Danilo.
DANILO: Pode parecer estranho, na verdade é estranho! Nós nos conhece- mos ontem de manhã,mas foi amor à primeira vista,nós nos apaixonamos e ontem comprovamos isso.
RITA (RISO IRÔNICO): Não! Isso não é possível!! Maria Vitória está compr- ometida!!
MARIA VITÓRIA: Eu não amo esse homem,mãe! O Arthur não é o meu amor,nunca foi!
RITA: Não quero saber!! Agenor, leve ela pro quarto,agora!
ANTENOR: Vamos filha.
MARIA VITÓRIA: Não,eu não vou!
Antenor leva Maria Vitória a força pro quarto. Danilo grita:
DANILO: Maria Vitória!!
MARIA VITÓRIA: Danilo!!
Maria Vitória é levada para o quarto.
DANILO: Nós nos amamos,por que não podemos ficar juntos?
RITA: Porque você é pobre. Agora sai- a de minha casa!
DANILO: Eu ainda volto pra buscar a Maria!
Rita fecha a porta na cara de Danilo.
CENA 02-INTERNA/BAR-MANHÃ
Danilo chega no bar.
Instrumental Off.
DANILO: Me expulsaram da casa, a mãe da Maria Vitória disse que ela não pode ficar comigo porque eu sou pobre.
DAN: Esquece essa mulher,vai viver a sua vida sem ninguém junto,é muito mais fácil!
DANILO: Quem dera se eu consegui- sse...
DAN: Não sei se você vai gostar dessa notícia, mas aquele velho voltou. O vel- ho dos diamantes.
DANILO: Era só o que me faltava!
ALGÉRIO: Oi! Aceita as minas de diamantes?
DANILO: Como eu faço para consegui- las?
ALGÉRIO: É só você ir para a África comigo.
Um homem entra no bar, é mandante de Rita. Ele escuta a conversa de Dan- ilo e Algério.
CENA 05-SALA DE JANTAR DA MANSÃO DE ALFREDO E ISABELI- TA-NOITE
A mesa é enorme, de madeira nobre, com toalha branca, talheres de prata, taças de cristal e arranjos de flores naturais. Todos estão sentados: Chloé e Eduardo lado a lado, Camila, Alfredo e Isabelita. Os pratos estão cheios de comidas sofisticadas.
CHLOÉ (Fechando os olhos por um instante, deliciada) – Nossa, essa com- ida está simplesmente maravilhosa! Cada prato é mais gostoso que o outro. A última vez que comi uma comida tão deliciosa eu tava na minha tia..
CAMILA ( Sorri, orgulhosa ) – O cré- dito é todo da Dalva, a governanta da casa. Ela cozinha como ninguém, faz todas as mordomias com muito carinho.
CHLOÉ – Então depois eu vou até a cozinha para elogiá-lá pessoalmente, merece muito reconhecimento.
ALFREDO ( Satisfeito ) – Fico muito feliz que vocês tenham gostado. A Dal- va faz parte da família, cuida de tudo aqui com muito zelo.
ISABELITA (Faz uma careta,olhando para o prato de camarão) – Mas tem uma coisa que eu não entendo: Dalva fez camarão, sabendo muito bem que eu sou alérgica, até parece que ela não me conhece.
ALFREDO (Vira-se para a esposa,pre- ocupado) – Mas você chegou a provar alguma coisa? Se tiver comido, será um problema..
ISABELITA ( Revira os olhos ) – Não, não comi, graças a Deus! Mas poderia ter me matado, Alfredo! É falta de atenção, sabe?
CAMILA ( Se manifesta, um pouco envergonhada ) – Mãe, espera! A culpa não é da Dalva, fui eu que pedi para ela fazer camarão. Eu não sabia que você era alérgica, e se sabia eu acabei esquecendo..
ISABELITA ( Acena a mão, relaxando um pouco, bebendo um gole de cham- panhe ) – Tudo bem, dessa vez passa. Mas da próxima vez, avisa antes, sim? Eu já iria demitir a Dalva.
Ela vira-se para Chloé, com um sorriso que não chega aos olhos.
ISABELITA – E você, Chloé, de onde é mesmo? Nunca tinha visto você por aqui antes.
CHLOÉ ( Educada ) – Sou daqui mes- mo, de Monte Amaro. Mas fui criada pela minha tia, que tá morando fora. Cresci aqui, mas sempre na casa dela.
CAMILA ( Curiosa ) – E você nunca chegou a conhecer seus pais?
CHLOÉ ( Expressão muda para mela- ncólica ) – O meu pai eu nunca cheguei a conhecer, ele morreu antes de eu nascer. Já minha mãe... ela me aband- onou quando eu era ainda bebê. Não tenho nenhuma lembrança dela. Não verdade até tenho, mas não lembro nada do rosto dela.
ALFREDO ( Gentil ) – Mas olha como a vida recompensou,você teve muita sorte em encontrar um rapaz incrível como o Eduardo.
EDUARDO (Olha apaixonado para Chloé, segurando sua mão ) – Sorte fui eu, Doutor Alfredo. Eu é que ganhei na loteria ao encontrar a Chloé.
Os dois se beijam rapidamente, sorri- ndo um para o outro. Isabelita observa Camila de soslaio, enquanto bebe cha- mpanhe, e percebe o olhar triste e cheio de desejo que a filha lança para o casal.
EDUARDO (Levanta-se levemente) – Com licença,pessoal,vou só até o ban- heiro e já volto.
Nesse momento, uma empregada uni- formizada aparece na porta da sala de jantar, parando discretamente.
EMPREGADA – Com licença,Sr. Alfre- do. Tem uma ligação importante para o senhor, na sala de estar. É urgente.
ALFREDO – Já estou indo, obrigado.
A empregada se retira. Isabelita apro- xima-se da filha, em voz baixa.
ISABELITA – Camila,acompanha o ra- paz até o banheiro
CAMILA (Levanta-se, já decidida) – Eu já ia fazer isso mesmo, mãe.
Eduardo se levanta totalmente, beija a testa de Chloé.
EDUARDO – Já volto, meu amor.
ALFREDO (Também se levanta, ajus- tando o paletó ) – Com licença a todos.
Alfredo sai primeiro, depois Eduardo e Camila saem juntos da sala de jantar. Restam apenas Chloé e Isabelita, que se olham por alguns segundos em silêncio.
CHLOÉ ( Quebra o gelo, sorrindo ) – A senhora não me é um pouco estranha.. Você parece familiar
ISABELITA ( Ri de forma falsa, dando mais um gole na taça ) – Deve ser por- que eu sou muito conhecida por aqui, em Monte Amaro e até no mundo todo. As pessoas costumam me achar difer- ente. Inclusive por ser a mais rica que todo mundo.. Tô acostumada.
Ela sorri convencida,olhando pra Chloé.
CHLOÉ (Levanta-se) – Bom, eu vou até a cozinha cumprimentar a Dalva e as outras funcionárias. Com licença.
Chloé sai da sala. Isabelita a observa caminhar até desaparecer na porta, e então faz uma careta de desgosto.
ISABELITA (Murmura para si mesma) – Não simpatizei com ela nenhum pou- co. Sonsa, essa menina...
CORTE PARA:
CENA 06-CORREDOR DA MANSÃO, PRÓXIMO AO BANHEIRO-NOITE
Eduardo caminha tranquilamente até a porta do banheiro, quando Camila co- rre um pouco e fica à sua frente, imp- edindo que ele entre.
EDUARDO ( Confuso ) – Camila? Por que parou? Preciso entrar aqui.
CAMILA ( Respira fundo, olhos cheios de lágrimas e determinação ) – Não antes de eu te falar uma coisa. Eu sem- pre fui apaixonada por você, Eduardo. Muito antes de você conhecer a Chloé, muito antes de qualquer coisa. Sempre foi você.
EDUARDO ( Tenta ser firme, mas com calma ) – Camila,você sabe que eu estou noivo da Chloé. Eu amo ela. É melhor você voltar para a mesa, antes que alguém apareça. E isso do nada?
CAMILA ( Ignora, aproximando-se mais ) – Não é do nada, e não vou emb- ora antes de fazer o que eu sempre quis fazer.
Sem dar tempo de ele reagir, Camila agarra o rosto de Eduardo e beija-o na boca. Eduardo tenta se soltar, segura os braços dela para afastá-la, mas acaba ficando paralisado por alguns segundos.
Nesse exato momento, Chloé aparece no final do corredor, paralisada, com a boca entreaberta de choque. Ela assiste a cena incrédula, sem acreditar no que vê.
CHLOÉ – Eduardo??
Chloé solta um suspiro de dor e sur- presa, o som chama a atenção dos dois. Eduardo e Camila se separam brusc- amente, tomam um susto enorme, com os olhos arregalados.
EDUARDO (Ofegante,desesperado) – Chloé! Não é o que você está pensando!
Chloé encara profundamente Eduardo, com olhos cheios de mágoa e raiva, e depois vira o olhar para Camila, que está pálida, surpresa e sem reação. O clima fica tenso, silencioso, apenas com o som da respiração acelerada dos três.
escrita e criada por: JOÃO VITOR PRADO E ANTÔNIO FERRO
colaboração de: ANTÔNIO FERRO
supervisão de: EDGAR OLIVEIRA
direção geral: DIOGO ITAMAR
abertura:
Esta obra é recomendada para jovens a partir de 14 anos, pois aborda temas de comédia romântica e drama familiar, incluindo questões de maternidade, superação de traumas, aceitação e a busca por identidade. Com uma mistura de humor e momentos emocionais, a narrativa explora a complexidade das relações humanas, a amizade e a transformação pessoal.
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CENA 01-SALA DE CASA DE MAR- LENE/MORRO DO SOL-NOITE
A sala está com luz amarela, aconch- egante, com móveis de madeira clara, almofadas coloridas e fotos da família na estante. Zé Ronaldo está de pé, com a postura rígida, expressão de desapr- ovação e raiva contida. Gabriela está parada próxima à porta, com o rosto sério, confirmando o que disse. Marl- ene está ao lado da mãe, Selma, que tem olhar preocupado.
GABRIELA (Firme, sem vacilar) – É verdade sim, pai. Não estou inventando nada.
ZÉ RONALDO (Vira o rosto bruscam- ente para Marlene, voz grave ) – E você? Sabia de tudo e ficou calada? Por que não fez nada? Por que não me contou antes?
Marlene respira fundo, anda devagar até ficar bem próxima dele, o olho no olho, sem medo.
MARLENE ( Com ironia e mágoa)-Po- rque eu sempre fui a única que segurou todas as barras dessa família, Zé Ronaldo. Você some por meses, é preso, aparece quando quer e ainda quer se fazer de pai maravilhoso para dar conselhos? Não venha com essa agora.
SELMA (Intervém, suave, tentando acalmar) – Eu também não falei por mal. Mas o problema é que elas não conhecem Rafael de verdade. A única coisa que todos sabem é que ele vende drogas, que é traficante. E isso não é futuro para ninguém.
Zé Ronaldo balança a cabeça negativ- amente, pega o paletó que estava sobre o braço, visivelmente aborrecido.
ZÉ RONALDO – O jantar que eu tinha planejado fica para outro dia. Amanhã eu venho aqui e resolvo toda essa hist- ória de uma vez por todas. Boa noite para todas.
Ele sai batendo a porta levemente,dem- onstrando a sua frustração. Marlene solta um suspiro longo, como se tivesse tirado um peso das costas, e senta-se no sofá macio. Selma senta-se ao seu lado, enquanto Gabriela, sem dizer nada, caminha em direção à cozinha, desaparecendo da cena.
SELMA ( Segura a mão da filha, voz suave ) – Me desculpa, filha. Eu não queria que as coisas fossem assim.
MARLENE ( Sorri fraco, apertando a mão da mãe ) – Não tem problema, mãe. Não é culpa sua. Ele ia descobrir de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde. Melhor que tenha sido hoje.
Marlene deita a cabeça sobre o ombro de Selma, que a abraça com carinho, fazendo cafuné nos seus cabelos. As duas ficam ali, em silêncio,compartilh- ando o conforto do abraço materno. A câmera afasta lentamente, mostrando a cumplicidade entre mãe e filha.
CENA 02-SALA DE ESTAR DA CASA DE PENÉLOPE E JOÃO-NOITE
O ambiente é moderno, decorado com tons claros, luzes indiretas que criam clima romântico. Penélope entra primeiro, pulando levemente, radiante, com vestido curto e maquiagem ainda intacta. João vem logo atrás, sorrindo, com as mãos nos bolsos da calça.
PENÉLOPE (Jogando-se no sofá, bra- ços abertos ) – Nossa, João! Eu amei cada minuto da noite! O restaurante, o passeio, tudo foi perfeito!
JOÃO ( Aproxima-se dela,olhar apaix- onado) – Eu amei mais ainda, meu amor. Você fica linda quando está feliz assim.
Ele se inclina sobre ela, que se senta no sofá, e a beija demoradamente, com carinho e paixão. Quando se separam, ele acaricia o seu rosto.
JOÃO – Vou tomar um banho rapidi- nho, tá? Estou todo cansado, mas muito feliz.
PENÉLOPE (Levanta-se rápido, agarrando o braço dele, sorrindo ) – Espera! Eu vou junto com você!
Os dois saem correndo e brincando pelo corredor que leva aos quartos e banheiros, as risadas ecoando pela casa. Eles desaparecem da visão, deixando apenas o som da alegria compartilhada. A cena termina com a porta do corredor se fechando suavemente.
CENA 03. SALA GRANDE DA COBE- RTURA DE SANDRINHA-NOITE
A sala é espaçosa, com piso de mármore, móveis de design, lustre grande no teto e vista panorâmica da cidade à noite. A festa acabou de terminar, mas o ambiente continua organizado e limpo. Sandrinha fecha a porta de entrada, se despedindo dos últimos amigos que saem, acenando com a mão.
SANDRINHA ( Voltando-se para a mãe e a irmã que estão sentadas no sofá enorme ) – Ainda bem que eles não deixaram nenhuma sujeira, nem copos jogados, nada! A noite foi ótima, todo mundo se divertiu muito.
LUCIMARA ( Sorri, satisfeita ) – Eu também gostei bastante, minha filha. Seus amigos são animados, educados e muito divertidos. Você escolhe bem as companhias.
VERÔNICA ( Toma um gole de água, sorrindo) – E não é só isso! Você tem um gosto impecável para organizar fe- stas Sandrinha. Daqui a pouco tá chegando nosso aniversário..
LUCIMARA – Verdade! Você e a Ve- rônica fazem aniversário no mesmo dia! Que tal já começar a planejar? Já pode organizar uma festinha de aniv- ersário dupla, hein?
SANDRINHA ( Brinca com os dedos, empolgada ) – Claro que vou! Vou fa- zer a festa mais linda que essa daqui, e vocês vão sair em todas as matérias das revistas e sites sociais! Vai ser um sucesso total!
VERÔNICA ( Ri, balançando a cabeça ) –Ah, Sandrinha, eu não ligo muito para essas matérias não. O importante é est- ar com saúde, ter a gente aqui reunida e tudo mais. Isso já está bom demais para mim.
As três riem juntas, conversando ani- madamente, trocando ideias sobre a próxima festa. A câmera mostra a cu- mplicidade entre elas, felizes e unidas.
CENA 04-BAR RETRÔ/KARAOKÊ- NOITE
O local está cheio de mesas com pess- oas conversando, comendo e bebendo. No pequeno palco iluminado, Zara e Thiago estão de pé, cada um com um microfone na mão. A música Evidên- cias começa a tocar e os dois iniciam a cantar juntos, com entusiasmo e harmonia.
À medida que cantam, as pessoas das mesas param o que estão fazendo para ouvir, alguns balançam a cabeça no ritmo, outros batem palmas no refrão. Quando terminam a última nota, o salão todo explode em aplausos e gritos de "bis!".
Zara e Thiago se olham, sorriem e se beijam rapidamente, ainda rindo da emoção. Eles deixam os microfones no suporte e descem do palco, voltando para a mesa onde Helena está sentada.
HELENA (Aplaude ainda,encantada) – Nossa, vocês dois são incríveis! Devi- am ser cantores profissionais, já pensaram?
ZARA (Ri,abanando a mão) – Quem dera, eu não levo jeito nenhum para isso, foi só empolgação do momento.
THIAGO (Segura a mão de Zara, sor- rindo) – Eu discordo totalmente, Você tem uma voz linda, canta muito melhor do que eu. Quem devia ser cantora era você.
ZARA (Conta, nostálgica) – Na ver- dade, eu já cantei bastante quando era adolescente. Tinha até um grupo mu- sical só de meninas, ensaiávamos todo fim de semana. Mas acabamos desis- tindo porque nunca conseguimos ne- nhum contrato,nenhum sucesso. Acabou tudo.
HELENA – Mas quando a pessoa tem talento, não adianta fugir ou desistir minha querida. A vida sempre arruma um jeito de a gente voltar a usar o dom que tem. Vocês provaram isso hoje.
ZARA (Brinca, comendo um pedaço de salgado) – Então tá bom, mas por enq- uanto eu prefiro continuar aturando crianças e adolescentes na escola, que já é uma tarefa de artista, viu?
Eles riem e brincam, continuando a co- nversa,comendo e bebendo, em clima de descontração e alegria.
O sol de 1974 bate forte nas escada- rias de pedra. O movimento é caótico: fuscas e opalas buzinam ao longe. Clara está parada,encolhida em um vestido simples. Suas mãos torturam um lenço de pano. Vários populares e curiosos circulam,vestindo calças boca -de-sino e camisas de gola grande. O clima é de "fofoca de calçada".
VOZ FEMININA 01 (Sussurro alto): Vejam só... É ela. A irmã da falecida. Que coisa mais sem cabimento, uma menina nessas condições dando o que falar.
VOZ FEMININA 02 (Desdenhosa): E o rapaz? Um pão daqueles, com a vida inteira pela frente... Podia ter uma moça de família, mas resolveu carre- gar esse fardo. É um despropósito!
Clara baixa a cabeça, os ombros subin- do até as orelhas. Miguel surge apre- ssado, ajeitando o paletó. Ele percebe o cerco invisível.
MIGUEL (Firme,mas doce): Clara, cheguei. Não me olha para os lados, meu bem. Foca em mim.
CLARA (Voz trêmula): Eles estão dize- ndo coisas, Miguel... Estão dizendo que eu sou um erro da natureza.
Trilha Sonora Off.
Um homem de meia-idade, segurando um jornal dobrado, para a poucos me- tros e aponta com o queixo.
HOMEM (Ríspido): Isso aí é explora- ção emocional! Onde já se viu? É uma vergonha para as pessoas de bem ver esse tipo de cena na porta do tribunal.
Clara congela. O ar parece faltar. A pressão da "moral e dos bons costu- mes" da época atinge o limite.
MIGUEL: Vamos entrar, Clara. Não dá ouvidos a esse povo retrógrado.
CLARA (Explodindo em pranto): EU NÃO SOU UM ERRO!
O grito ecoa no pátio. Os passantes param. O silêncio é súbito e descon- fortável.
CLARA (Soluçando): Eu não sou um erro... Por que vocês me olham como se eu fosse um bicho?
Miguel a puxa para um abraço apert- ado, ignorando as caretas da multidão.
MIGUEL (Voz grave, para os curio- sos): Já chega! Seus desocupados! Nin- guém aqui tem procuração para julgar a vida de quem sofre. Quem fala dela assim não tem Deus no coração e não sabe um terço da nossa história. Circulando!
As pessoas começam a se dispersar, resmungando entre dentes.
CENA 02-INTERIOR/CORREDOR DO FÓRUM-MINUTOS DEPOIS...
O corredor é escuro,com cheiro de papel velho e cera de assoalho. Miguel segura o rosto de Clara entre as mãos.
MIGUEL: Escuta aqui, Clara. Olha bem nos meus olhos. Você não precisa se enfurnar no escuro. Você tem o direito de caminhar de cabeça erguida por essa cidade.
CLARA (Limpando o rosto): Eu só que- ria que o mundo parasse de apontar o dedo, Miguel. Eu tô tão cansada...
Letícia observa a cena de longe, encos- tada em uma pilastra. Ela fuma um cigarro, a fumaça subindo lentamente. A expressão é de uma amargura con- tida. Cristian se aproxima, as mãos nos bolsos da calça social.
CRISTIAN: Você está com uma cara de quem viu assombração, Letícia. Está tudo bem?
LETÍCIA (Com a voz embargada): Eu já não sei de mais nada, Cristian. Esse zelo dele com ela... dói mais do que qualquer bofetada.
Ela apaga o cigarro bruscamente no cinzeiro de pé.
CENA 05-INTERIOR/CAFETERIA DO FÓRUM-DIA
O ambiente é esfumaçado. Helena está sentada à mesa quando Cristian se ap- roxima. O som ambiente é de xícaras de porcelana batendo e burburinho de advogados.
CRISTIAN: Escrevendo suas crônicas da desgraça alheia, Helena? Ou é ape- nas o relatório para o juiz?
HELENA (Sem tirar os olhos do papel): Estou registrando a temperatura, Cris- tian. E a sua está subindo. Você está suando por baixo desse terno de linho.
CRISTIAN (Senta-se à frente dela,sar- cástico): É o calor de dezembro. E a pressão de defender quem o mundo já condenou na calçada.
HELENA: Não minta para uma especi- alista. Você não está preocupado com o réu. Está preocupado com o que a Letí- cia sente quando vê o Miguel proteger a Clara daquela forma... quase bíblica.
Trilha Sonora Off.
CENA 06-INTERIOR/BANHEIRO FEMININO-DIA
Letícia retoca o batom vermelho no espelho manchado. Clara entra, tenta- ndo secar as lágrimas. O silêncio é co- rtante. Letícia fecha o estojo de maqu- iagem com um estalo seco.
LETÍCIA: Você gosta, não gosta? De ser o centro desse espetáculo.
CLARA (Assustada); Eu não queria que ninguém olhasse pra mim, Letícia. Eu só queria... que a minha irmã estiv- esse aqui.
LETÍCIA (Aproxima-se, o tom é de uma "falsa" sororidade da época): Pois saiba que o Miguel está jogando a rep- utação dele no lixo por sua causa. Um homem como ele,de boa família... sendo chamado de explorador em praça púb- lica. Se você o amasse metade do que diz, deixaria ele em paz.
CLARA (Com uma força súbita): O Miguel me vê. Ele me vê de verdade. Talvez seja isso que te machuca... ele não olha pra você com esse mesmo medo de te perder.
Letícia gela. O golpe de Clara foi certeiro.
CENA 07-EXTERIOR/PÁTIO LATE- RAL DO FÓRUM-DIA
Miguel fuma um cigarro,encostado em um pilar, quando um Reporter local se aproxima com um gravador de rolo pesado.
REPÓRTER: Doutor Miguel,uma pala- vra para a Rádio Gazeta? O povo quer saber: o senhor está defendendo a jus- tiça ou está vivendo um romance proibido com a peça-chave do crime?
MIGUEL (Lento,soprando a fumaça no rosto do repórter): O povo quer circo, meu caro. Mas aqui é um tribunal. E se você ousar colocar o nome da Clara em alguma manchete sensacionalista,eu garanto que a sua próxima pauta será sobre como processar alguém por difamação. Passar bem.
Ele apaga o cigarro no chão e sai, dei- xando o repórter sem resposta.
CENA 08-INTERIOR/CORREDOR DE ACESSO ÀS CELAS-DIA
Miguel caminha por um corredor úmi- do. No fundo,atrás das grades,vemos Bernardo. O rosto dele está nas sombras.
BERNARDO (Voz rouca): Ouvi os gri- tos dela lá de dentro. A Clara... ela está bem?
MIGUEL (Ríspido): Ela está sendo dev- orada viva pelos lobos lá fora, Berna- rdo. E a culpa é sua. A verdade que vo- cê está escondendo... vai salvar a Clara ou vai terminar de enterrar o que sobrou dela?
BERNARDO: A verdade é um veneno, Miguel. Se eu falar,não sobra ninguém em pé. Nem eu, nem você... e muito menos ela.
CENA 09-INTERIOR/ANTESALA DO JÚRI-DIA
Clara está sentada num banco de mad- eira. Cristian se aproxima dela,mudan- do sua postura habitual de deboche para algo mais sombrio.
CRISTIAN: Clara... Você se lembra daquela noite? Do cheiro do perfume que estava no quarto?
CLARA (Confusa): Por que você está perguntando isso agora?
CRISTIAN (Sussurrando): Porque a memória é traçoeira. Às vezes a gente pensa que viu um monstro, mas era só um espelho. Cuidado com o que você vai dizer lá dentro. O Miguel quer te salvar,mas eu... eu só quero que a ver- dade não destrua o que resta da nossa família.
CENA 10-INTERIOR/SALA DE AUD- IÊNCIA-DIA
A sala está lotada. O som do ventilador de teto é a única coisa que quebra o silêncio tenso. O Juiz entra. Todos se levantam. Miguel troca um olhar rápi- do com Clara,que está na primeira fileira.
OFICIAL DE JUSTIÇA: Podem se sen- tar. Declaro aberta a sessão de julga- mento de Bernardo Alencar.
Helena, na última fila, abre sua cader- neta na última página e escreve em letras grandes: "O TEATRO COME- ÇOU. AS MÁSCARAS VÃO CAIR."
A câmera foca no rosto de Clara. Ela respira fundo, as mãos não tremem mais. Ela olha para o juiz, pronta para o confronto.
São Paulo. A câmera filma a cidade: as avenidas,os carros, as pessoas nas calçadas e a famosa "terra da garoa". Dan abre a porta do bar. Danilo estava dormindo escorado nela e,quando a porta se abre,ele cai para trás, assust- ado.
DAN (Genézio de Barros): Mas o que é isso?
DANILO: Desculpa, senhor!
DAN: Você dormiu a noite inteira na porta do meu bar?
DANILO: Eu cheguei aqui em São Paulo às quatro da manhã... Daí me escorei aqui e acabei dormindo.
DAN: Você veio de onde?
DANILO: Astorga, no Paraná.
DAN: Por que veio para cá?
DANILO: Vim buscar crescer na vida.
DAN: Hm... Você trabalha?
DANILO: Eu trabalhava em uma fazen- da. Agora estou sem trabalho.
Maria Vitória entra no bar e se senta. Ela está visivelmente embriagada.
MARIA VITÓRIA (Larissa Manoela): Quero uma cerveja!!
DAN: Vamos fazer o teste: sirva aque- la moça.
DANILO: Ok!
Danilo vai atender Maria Vitória.
MARIA VITÓRIA: Dinheiro não traz felicidade,dinheiro é uma bosta qual- quer!!
DANILO: Se eu fosse rico, eu estaria feliz.
Maria Vitória e Danilo se entreolham.
MARIA VITÓRIA: Só conversa! Minha vida é uma bosta,não volto mais para casa!
DAN: Essa menina não está bem, devia ir para casa!
MARIA VITÓRIA: Não!!!
DANILO: Quer que eu te leve?
MARIA VITÓRIA: Com você eu vou até o fim do mundo! (Rai)
DANILO: Você sabe onde mora?
MARIA VITÓRIA: É claro!
Maria Vitória e Danilo saem do bar.
MARIA VITÓRIA (Chamando): Táxi!!
A câmera foca nos dois se olhando.
CENA 02-EXTERNA/CASA DE MA- RIA VITÓRIA ENTRADA-MANHÃ
Danilo toca a campainha acompanhado de Maria Vitória.
RITA (Elizabeth Savalla): Oi? Filha??
MARIA VITÓRIA: Bom dia, mamãe!
AGENOR (Marco Nanini): Onde você estava... (Rita o corta)
Trilha Sonora Off.
RITA: Onde você estava? E quem é es- se moço?
MARIA VITÓRIA: Eu estava na balada junto com o homem que vocês me arr- umaram.
RITA: E cadê ele?
MARIA VITÓRIA: Não sei, mãe! Eu fui até um bar e esse moço me ajudou. Aliás,qual seu nome?
DANILO: Danilo.
MARIA VITÓRIA: O meu é... (Rita co- rta novamente)
RITA: Vem, entra!
Rita puxa Maria Vitória para dentro.
RITA: Você abusou da minha filha?
DANILO: Eu não fiz nada!
RITA: Cala a boca! Nunca mais se apr- oxime dela!
Rita fecha a porta na cara de Danilo.
DANILO: Oxe...
Danilo ia entrar no táxi quando Age- nor o chama.
AGENOR: Ei!
DANILO: Oi?
AGENOR: Desculpa a minha esposa, ela está nervosa. Agradeço a você por trazer minha filha para casa.
DANILO: De nada.
Danilo entra no táxi e vai embora. Age- nor entra em casa.
CENA 03-INTERNA/BAR-TARDE
Danilo retorna ao bar.
DAN: Demorou! Onde estava?
DANILO: Primeiro levei a moça para a casa dela. A mãe dela me expulsou, achou que eu tinha abusado da filha. Depois peguei o táxi, mas não sabia o caminho de volta e me perdi! O taxista me deixou em uma praça, comecei a andar e finalmente cheguei aqui.
DAN: Que história maluca! (Riso)
DANILO: Eu queria falar sobre o emp- rego aqui no seu bar.
DAN: Hm... Vou te dar uma chance! Você se chama Danilo, né?
DANILO: Sim!
DAN: Eu vou te contratar!
DANILO: Muito obrigado pela oportu- nidade, prometo não decepcionar!
DAN: Tá bom!
Algério entra correndo no bar e segu- ra o braço de Danilo.
DANILO (Assustado): O que é isso??
ALGÉRIO (Cosme dos Santos): Você é pobre?
DANILO: Que pergunta é essa?
ALGÉRIO: Eu procuro pobres para ajudar!
DANILO: Eu sou pobre,sim. Mas por que você precisa de pobres para aju- dar? Como assim?
DAN: Esse velho deve ser um louco da cabeça!!
ALGÉRIO: Eu tenho minas de diama- ntes, quero te oferecer!
DANILO (Riso): Isso deve ser piada! Acha mesmo que alguém teria cora- gem de oferecer minas de diamantes de graça para um estranho? Isso é impossível!
ALGÉRIO: Aceite!
DANILO: Larga de ser doido! Vá pro- curar um hospício!
ALGÉRIO: Eu voltarei,e você vai acei- tar a minha proposta!!
Algério sai do bar.
DAN: Velho doido.
DANILO: Doido e estranho.
Um cliente chega.
DAN: Vai atender, Danilo.
DANILO: Ok!
CENA 04-INTERNA/CASA DE MA- RIA VITÓRIA/SALA DE JANTAR- NOITE
Agenor,Rita e Maria Vitória estão jantando.
RITA: Seu noivo virá aqui.
MARIA VITÓRIA: Hoje?
RITA: Sim,convidei-o para um chá noturno.
MARIA VITÓRIA: O convidou sem me avisar?
RITA: Sim. Algum problema?
MARIA VITÓRIA: Mãe,eu briguei com ele na balada ontem!
RITA: E hoje vocês vão se desculpar um com o outro.
MARIA VITÓRIA: Eu não quero vol- tar com ele, cansei! Eu não o amo, mãe!
RITA: Não importa se você o ama, não estou nem aí! O que importa é que ele é rico!
AGENOR: Filha, casar-se com o Art- hur trará muitos bens para o nosso patrimônio. Ele é dono da fazenda de cana-de-açúcar e nós temos a fábrica. É uma dupla infalível!
RITA: É o Arthur! Empregada, tire o jantar da mesa!
CENA 05-INTERNA/CASA DE MA- RIA VITÓRIA/SALA-NOITE
Rita e Agenor recebem Arthur e Amé- rico. Maria Vitória entra na sala.
ARTHUR (Drico Alves): Boa noite, amor!
Arthur entrega flores e chocolates para Maria Vitória.
MARIA VITÓRIA: Oi, Arthur. Oi, Sr. Américo.
AMÉRICO (Odilon Wagner): Olá, Ma- ria Vitória.
ARTHUR: Eu trouxe estas flores para me desculpar. Fui muito rude com você ontem...
RITA: Agradeça a ele, filha.
MARIA VITÓRIA: Obrigada,mas não posso aceitar.
ARTHUR: Como assim?
MARIA VITÓRIA: Eu não te amo. Não sou apaixonada por você e estou sendo obrigada a esse casamento. Com licen- ça,mas vou atrás de quem eu realmente amo.
Maria Vitória sai de casa apressada.
AMÉRICO: Meu Deus.
ARTHUR: Ela está terminando comi- go?
RITA: Que vergonha, meu Deus...
Arthur e Américo vão embora. Rita está visivelmente nervosa.
Maria Vitória chega ao bar correndo. Vê Danilo limpando o banheiro e entra lá. Ela o beija de surpresa.
DANILO: Ei! O que é isso?
MARIA VITÓRIA: Eu quero amar e ser amada de verdade!
DANILO: Nós nos conhecemos hoje cedo!
MARIA VITÓRIA: Só me ame!
Eles se beijam. Dan observa de longe, boquiaberto. Maria Vitória fecha a po- rta do banheiro. Os dois se entregam à paixão. A câmera foca no beijo ofega- nte e mostra o reflexo do casal no espelho.
CENA 07-INTERNA/CASA DE MA- RIA VITÓRIA/SALA-MANHÃ
Rita e Agenor estão aflitos.
Instrumental Off.
RITA: Onde essa menina se meteu??
AGENOR: Ela se descontrolou ontem...
RITA: Ela é louca!! Deu um fora no Ar- thur na frente do pai dele. Acabou a parceria,acabou a fazenda,acabou o dinheiro! Acabou tudo!
Penélope e João jantam à luz de velas, a mesa arrumada com detalhes de prata e flores. O ambiente é calmo, elegante.
PENÉLOPE – João, isso aqui é a coisa mais linda que eu já vivi. Jantar assim, com tudo perfeito...
JOÃO – Você merece tudo isso e muito mais, meu amor. Eu daria o mundo para você.
Ele se inclina e a beija carinhosamente. Penélope sorri, radiante.
PENÉLOPE – Eu estava mesmo precis- ando sair um pouco, respirar outros ares. Esse restaurante é maravilhoso.
Ela olha ao redor, admirando o espaço. Poucas mesas ocupadas, tudo limpo e organizado.
JOÃO – É o melhor de toda a cidade de Monte Amaro. Reservei a mesa com meses de antecedência.
PENÉLOPE – Imagino... a conta deve ser bem salgada, né?
JOÃO – Esquece a conta, meu amor. Hoje é só aproveitar, eu cuido de tudo. Você é a minha rainha.
Eles trocam selinhos apaixonados. O garçom chega trazendo mais uma gar- rafa de vinho gelado.
GARÇOM – Mais uma garrafa, como pedido. Estão gostando da comida?
PENÉLOPE – Está tudo delicioso, para- béns!
JOÃO – Faço das palavras da minha esposa, as minhas. Está impecável.
GARÇOM – Que ótimo! Qualquer coisa é só chamar.
Ele sai. Penélope e João sorriem um para o outro.
JOÃO – Você dançaria comigo?
PENÉLOPE – Dançaria, mas aviso lo- go: não mando nada bem na valsa..
JOÃO – Por que valsa?
PENÉLOPE – A música que tá tocando é valsa, não é?
JOÃO – Olha para trás, amor...
Penélope vira a cabeça devagar. No canto do restaurante,está o cantor Raça Negra, com uma rosa vermelha na mão e um microfone. Penélope arr- egala os olhos, emocionada, e olha para o marido sem acreditar.
PENÉLOPE – Como... como isso é possível?
JOÃO – Você não disse que ele é o seu cantor favorito? Pedi para ele vir esp- ecialmente aqui, para tornar essa noite ainda mais inesquecível.
Penélope se levanta correndo,abraça João forte e depois vai até o cantor, abraçando-o também. Ele entrega a rosa para ela.
RAÇA NEGRA – Soube que você é a minha fã número um! Que honra con- hecer você, Penélope.
PENÉLOPE – Sou sim! Não tem um dia que eu não ouça suas músicas enquanto limpo a casa ou cozinho. Você é a tril- ha sonora da minha vida
Todos sorriem. João também se levan- ta e chega perto.
RAÇA NEGRA – Hoje eu vou cantar especialmente para vocês, em comemo- ração ao aniversário de casamento.
Ele beija a mão de Penélope, que sorri emocionada.
PENÉLOPE – Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginei isso gente..
O cantor pega o microfone e começa a cantar uma das suas músicas mais românticas. Penélope pega a mão de João, se aproxima dele e ele a envolve num abraço,começando a dançar dev- agar pelo salão. Penélope se sente a mulher mais feliz do mundo, beija o marido várias vezes enquanto dançam. Raça Negra canta olhando para eles, retribuindo com sorrisos.
CENA 06-INT/CASA DE MARLENE/ SALA/COZINHA-NOITE
Trilha sonora off.
GABRIELA – Você está solto de vez, pai? Não tem mais risco de voltar?
ZÉ RONALDO – Solto definitivamente, minha filha. E agora eu vim para ficar, ficar perto de vocês, recuperar o tem- po perdido.
Marlene respira fundo, tentando cont- rolar a ansiedade.
MARLENE – Você poderia ter avisado antes, né? Chegar assim de surpresa...
ZÉ RONALDO – Eu liguei várias vezes mais cedo, mas ninguém atendia. Que vim pessoalmente.
Ele caminha até Marlene, com voz mais suave.
ZÉ RONALDO – E me desculpa por tu- do que eu fiz, Marlene. Eu errei muito, eu sei. Mas eu mudei, juro que mudei.
MARLENE – O que passou, passou. Não existe mais nada entre nós. Você é o pai da minha filha, só isso.
Selma intervém, tentando amenizar o clima.
SELMA – Você já jantou, Zé Ronaldo? Quer sentar com a gente para comer?
ZÉ RONALDO – Aceito com todo pra- zer, Dona Selma. Aliás, esses anos que fiquei lá dentro eu fiquei sabendo de muita coisa que aconteceu por aqui. Muita coisa mudou, né?
MARLENE – Mudou tudo mesmo. Nós seguimos a vida, cada um no seu caminho.
Ela pega o buquê de rosas que ele tro- uxe, leva até a pia, enche um vaso com água e coloca as flores lá, deixando bem visível na mesa, mas sem demo- nstrar nenhum carinho. Quando volta para a sala, Zé Ronaldo já está ao lado de Gabriela.
ZÉ RONALDO – E eu fiquei sabendo também que a minha filha anda se env- olvendo com um traficante, é verdade?
GABRIELA – É verdade sim, pai. Mas já acabou tudo.
ZÉ RONALDO – Você tem só 16 anos! Que tipo de tarado se envolve com uma menina da sua idade?
GABRIELA – Já tá resolvido, não existe mais nada entre nós.
ZÉ RONALDO – Ele fez algo contra a sua vontade? Te obrigou a ficar com ele?
MARLENE – Como é que você ficou sabendo disso tudo?
ZÉ RONALDO – Tenho meus contatos, Marlene. Nada passa despercebido.
GABRIELA – Não, pai! Ele não me obrigou em nada. Eu quis, eu gostava dele. Mas já acabou, passou.
ZÉ RONALDO – Então tá bom, não vou fazer nada contra ele... Até não saber toda a verdade.
Selma interrompe, com voz firme e séria.
SELMA – Mas tem uma coisa que você precisa saber, Zé Ronaldo. E que você tem que assumir a responsabilidade agora.
ZÉ RONALDO – O que foi?
SELMA – A Gabriela está grávida. Grávida do filho dele.
ZÉ RONALDO – Grávida?
Zé Ronaldo olha para Gabriela, que por um momento baixa a cabeça. Olh- ando para Marlene, que o encara de longe. Voltando o olhar para Gabriela, que olha para ele novamente.
ZÉ RONALDO – Isso é verdade Gabri- ela?
Clima tenso. Selma e Marlene se olham e em seguida olham para os dois, enq- uanto Gabriela fica nervosa. Sem saber o que falar.
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TERRA DA GAROA • Capítulo 04 #edicaoespecial
escrita e criada por:
GUSTAVO BIANCK
Supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
https://youtu.be/e6hU7lwusd4?si=oHjyp...
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CENA 01-INTERNA/DELEGACIA/SALA DE VISITAS-MANHÃ
DANILO: O que você está fazendo aqui?
RITA: Ficou surpreso em me ver?
DANILO: Você veio me tirar daqui?
RITA: Claro que não. Fui eu que te coloquei aqui. [RISOS]
DANILO: Como eu não imaginei isso? É claro que você me colocou aqui! Quer me ver longe da sua filha, não é?
RITA: Sim. Mas diga, está gostando do seu habitat natural?
DANILO: Como assim?
Instrumental On:
https://youtu.be/AHSeeVegfr4?si=nVvvQ...
RITA: Lugar de negro é na cadeia.
DANILO: Você é racista?
RITA: Nazista.
DANILO: Que horror! Isso é crime!
RITA: Ah, crime? [RI] Você nunca vai namorar a minha filha. Nunca!
Rita se levanta.
DANILO: Eu vou sair daqui e vou voltar para a Maria! Eu vou me vingar de você! E você vai para a cadeia; racismo e apologia ao nazismo são crimes!
Rita vai embora. Ela faz um sinal nazista com as mãos e sai da sala.
DANILO: Sua racista desgraçada! Nazista do capeta!
O policial leva Danilo para a cela.
CENA 02-INTERNA/CASA DE MARIA VITÓRIA/COZINHA-
MANHÃ
Rita chega. Maria Vitória está sentada no sofá.
RITA: Filha, sabia que o Danilo foi preso?
MARIA VITÓRIA: Que Danilo?
RITA: O homem por quem você se apaixonou. [RI] Ele é traficante de diamantes e tem uma mina com pessoas trabalhando sem salário, ou seja, trabalho escravo.
MARIA VITÓRIA: Meu Deus... Eu não imaginava isso dele.
RITA: É, as pessoas não são o que parecem. Lembrem-se disso!
MARIA VITÓRIA: O Arthur quer casar logo.
RITA: Então marquem a data do casamento!
MARIA VITÓRIA: Eu vou fazer isso, mãe. Vou falar para ele que já podemos marcar a data; quero me casar logo.
RITA: Faz muito bem, filha!
Rita abraça Maria Vitória e vai para a cozinha.
MARIA VITÓRIA: Eu me caso com você, Arthur... mesmo amando outra pessoa.
Instrumental Off.
CENA 03-INTERNA/TRIBUNAL DO JÚRI-TARDE
Dois meses depois. A câmera filma o julgamento de Danilo e Algério.
JUIZ: Hoje estamos aqui para julgar Danilo e Algério. Os dois foram flagrados tentando viajar para a África. Na mala de Algério, havia diamantes sem nota fiscal. Os investigadores encontraram o local onde os diamantes eram retirados e, na mina, havia trabalhadores que não recebiam salário. Portanto, Algério também cometeu o crime de trabalho escravo. Danilo será julgado como cúmplice, por saber do esquema e não fazer nada, além de estar fugindo junto com o comparsa.
O foco em Danilo e Algério, nervosos. O juiz anuncia o resultado.
JUIZ: Algério foi condenado a 20 anos de prisão, e Danilo a 10 anos.
O juiz bate o martelo. Policiais levam os dois.
CENA 04-INTERNA/IGREJA-NOITE
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/jd00enZSNFc?si=b50nI...
O casamento de Arthur e Maria Vitória acontece. Eles trocam alianças, se beijam e saem sob aplausos direto para o carro.
ARTHUR: Quero dizer que sou o homem mais feliz do mundo!
Eles seguem para a lua de mel.
Trilha Sonora Off.
RITA: Estou muito feliz com a união do seu filho com a minha!
AMÉRICO: E mais feliz ainda com a nossa parceria, não é mesmo?
Rita ri.
ANTENOR: Viva a felicidade!
Eles brindam.
CIDADE DO MÉXICO....
CENA 05-INTERNA/HOTEL/QUARTO-MANHÃ
Maria Vitória e Arthur entram no quarto e se beijam.
ARTHUR: Está feliz?
MARIA VITÓRIA: Estou.
ARTHUR: Está mesmo?
MARIA VITÓRIA: Estou, Arthur!
Eles conversam sobre as brigas passadas e se declaram.
MARIA VITÓRIA: Agora vamos parar de falar, eu estou louca para te amar!
Eles se entregam à paixão. A câmera corta para os dois transando sensualmente.
CENA 06-EXTERNA/SÃO PAULO/CIDADE–NOITE
(Imagens noturnas de São Paulo: luzes, baladas e movimento. O sol nasce, mostrando o fluxo de pessoas indo ao trabalho e a Avenida Paulista. A câmera foca na delegacia e entra)
CENA 07-INTERNA/DELEGACIA/CELA-MANHÃ
Instrumental On:
https://youtu.be/1QJUt67lwEI?si=6BU-W...
Algério acorda Danilo.
ALGÉRIO: Você não pode passar 10 anos preso. Eu já estou velho, mas você tem muito o que viver. Eu tenho um plano.
A imagem se dissolve enquanto Algério sussurra o plano.
CENA 08-EXTERNA/DELEGACIA/PÁTIO-TARDE
Durante a transferência para o carro, Algério finge um infarto. No caos, enquanto os policiais tentam socorrê
-lo e chamar uma ambulância, Danilo consegue escapar para a mata. Ele corre até um porto e entra em uma balsa com destino à África.
22 ANOS DEPOIS....
CENA 09-EXTERNA/ÁFRICA/MINA DE DIAMANTES-TARDE
Danilo, agora rico e influente, observa a extração de diamantes
DANILO/Fabrício Boliveira: Diamantes, diamantes... Eu estou sentindo o seu cheiro! [RISOS]
Ostentando joias e terno de luxo, Danilo gargalha vitorioso.
FIM DO CAPÍTULO
4 hours ago (edited) | [YT] | 1
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CENA 04-RUA DOM PEDRO I/CEN-
TRO DE MONTE AMARO-MANHÃ
O sol nasce iluminando as ruas da cid-
ade do interior, no ano 2000. A atm-
osfera é nostálgica e tranquila. Vemos pessoas usando orelhões para fazer ligações, outras comprando revistas e jornais na banca da praça.
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/szts-5Zs5_8?si=Rj97f...
Tem crianças brincando de pega-pega, senhores jogando dominó na sombra de uma árvore,mulheres conversando sentadas em bancos,tudo muito típico da época.
A câmera foca na placa da rua: RUA DOM PEDRO I. Em frente à banca, estão Seu Osmar, um senhor de idade, com camisa de botões e chapéu, e sua neta Kira, jovem, sorridente, com uma pasta na mão.
Trilha Sonora Off.
KIRA: Vô, hoje você vai conhecer a nova cuidadora que eu te falei, tá? Ela já deve estar chegando.
SEU OSMAR (Resmunga,com a beng-
ala apoiada no chão): Cuidadora? Pra quê disso,menina? Eu sei muito bem me virar sozinho,não preciso de ninguém.
KIRA: Sabe nada, vô! Você esquece de tomar remédio, de comer direito... Eu preciso trabalhar,não posso ficar aqui o dia todo olhando você. Ela vai ser só uma ajuda.
SEU OSMAR (Muda de assunto, apon-
tando para a sorveteria ao lado): Fa-
lando nisso, eu quero mais um sorvete de creme. Vai lá comprar pra mim.
KIRA: Nem pensar, o médico disse que você pode tomar só um por dia, e você já tomou o seu hoje
SEU OSMAR: Esse médico é cheio de frescura! Eu me sinto ótimo, sou forte!
Nesse momento, Marlene chega cami-
nhando,com uma bolsa de ombro e ro-
upas simples, mas bem passadas e org-
anizadas. Ela sorri ao ver os dois.
MARLENE: Bom dia!
KIRA (Se anima,abrindo um sorriso): Marlene! Você veio mesmo! Nossa, quanto tempo, hein?
MARLENE (Abraça a amiga): Menina, você cresceu muito! Está uma mulher linda!
KIRA: Ah que nada,mulher linda tá você.
Elas se abraçam com carinho. Marlene olha para o senhor e continua.
MARLENE: Eu deixei meu emprego na mansão da Isabelita, resolvi mudar de vida e ficar mais perto de casa. Lá eu tinha que pegar três ônibus todo dia, agora daqui é só um. Muito mais tran-
quilo.
KIRA: Eu expliquei tudo na ligação de ontem,né? Você vai cuidar da casa e do vô, só o básico.
MARLENE (Envergonhada): Desculpa ter ligado tão tarde,quase de madru-
gada... Mas eu estava precisando muito de um emprego,e lá na mansão já não estava dando mais certo.
KIRA: Tudo bem, tudo bem. Você vai vir só quando precisar,pra arrumar a casa, fazer comida... Não é nada pesado.
Kira vira-se para o avô, que olha para Marlene com curiosidade.
KIRA: Vô,essa é a Marlene. Ela era amiga da minha mãe, cuidou dela qua-
ndo ela ficou doente, antes de morrer. O senhor lembra dela?
SEU OSMAR (Balança a cabeça): Não, menina. Minha cabeça já não é mais a mesma,tá muito fraca. Mas obrigado por ter cuidado da minha filha. Mas repito: não preciso de ninguém pra cuidar de mim, estou ótimo!
As duas riem da teimosia dele.
KIRA: Ele é meio ranzinza,eu sei, mas é um coração de ouro. Pode confiar nele, e ele pode confiar em você.
MARLENE: Imagino que sim. E pode deixar que eu vou cuidar de tudo dire-
itinho, vocês podem confiar.
KIRA: Quando você pode começar?
MARLENE: Hoje mesmo, se precisar.
KIRA: Começa amanhã, melhor. Hoje eu tenho que levar ele no médico,é nu-
ma cidade vizinha, vamos demorar o dia todo. Mas enquanto isso, podemos acertar o pagamento,os horários,tudo direitinho para você já saber como é.
MARLENE: Por mim tudo certo.
Elas se aproximam de Seu Osmar, e os três começam a conversar e rir, enqu-
anto caminham devagar pela calçada.
CENA 05-COBERTURA DE SANDRI-
NHA/SALA DE CAFÉ DA MANHÃ
A mesa está impecável, com toalha branca, frutas, pães, bolos, sucos e café frescos. Sandrinha chega sorrin-
do, dando bom dia para todos da casa, e senta-se na cabeceira da mesa. Luci-
mara, sua mãe, já está sentada.
LUCIMARA: Bom dia, filha. Dormiu bem?
SANDRINHA: Muito bem, mãe. A ca-
ma estava tão gostosa que eu nem quis levantar.
Um dos filhos gêmeos chega correndo, sentando ao lado da mãe.
GÊMEO: Mãe, nós vamos sair hoje? Vamos no parque?
SANDRINHA: Só mais tarde,meu amor. Agora vamos tomar café.
LUCIMARA: A Verônica levou a Lor-
ena no médico cedo. Ela acordou pass-
ando mal.
SANDRINHA: O que ela tem? Tá grip-
ada?
LUCIMARA: Ela não quis falar direito, só disse que estava se sentindo fraca e com dor de cabeça. Espero que não se-
ja nada grave.
SANDRINHA: Tomara que não, ela é tão nova...
LUCIMARA (Olha fixamente para a filha,preocupada): Eu também fico preocupada com você, Sandrinha.
SANDRINHA: Comigo? Por quê?
LUCIMARA: Eu percebi que você está diferente. Desanimada, com o astral lá embaixo,mesmo sorrindo e brincando com todo mundo.
SANDRINHA (Desvia o olhar, mexen-
do no pão): É impressão sua, mamãe. Eu tô ótima.
LUCIMARA: Não é não. Eu sou sua mãe,conheço você de olhos fechados. Você sofreu muito com a separação, né? Foi doloroso, eu sei.
SANDRINHA (Força um sorriso lar-
go): Só estou pensando em como vou me reinventar, sabe? Depois do desa-
stre do meu casamento, eu quero mos-
trar para todo mundo que eu sou capaz de ser feliz sozinha. Mas tá tudo bem, Sandrinha nunca desce do salto alto.
Ela volta a comer,mudando de assunto. Lucimara a olha com uma expressão de dúvida e carinho, sabendo muito bem que a filha está escondendo a tristeza.
CENA 06-CASA DE PENÉLOPE E JOÃO/COZINHA-MANHÃ
Penélope acabou de arrumar a mesa, com tudo muito bonito e organizado. Ela senta-se ao lado de João, que já está provando o café.
PENÉLOPE: E então, meu amor? Tá boa a comida?
JOÃO (Fecha os olhos, deliciado): O bolo, o pão, tudo tá sensacional! Você tem mãos de fada meu amor. Cozinha como ninguém.
PENÉLOPE (Sorri, feliz): Obrigada, meu bem. Eu gosto de fazer tudo com amor,para você e para os meninos.
JOÃO: Eles estão dormindo ainda será?
PENÉLOPE: Estão. Daqui a pouco eu passo na casa da minha irmã pra pegar eles
JOÃO: Como eu não tenho nada pra fazer hoje, vou com você. Ajudar na sorveteria também.
PENÉLOPE: Não precisa, amor. Hoje eu não vou abrir a sorveteria. Só pedi para a Kira abrir um pouquinho de manhã, só pra pegar o sorvete pro Seu Osmar. Hoje eu quero ficar com vocês, fazer um programa em família. E tam-
bém preparar tudo direitinho pro café da tarde...
JOÃO (Lembra-se): Ah é, hoje chega a Dona Fátima?
PENÉLOPE: Sim! Ela ligou ontem à noite avisando que já está na estrada, chega lá pelas quatro horas. Quero deixar tudo impecável para recebê-la. Sabe como é mamãe né?
JOÃO: Então a programação é essa: ficar em casa,ajudar você na cozinha e receber a sogra com todo carinho do mundo.
Os dois riem e ele puxa ela para mais perto e beija sua boca.
PENÉLOPE: Ah,e eu contei tudo para a Kira sobre o jantar de aniversário de casamento! Ela ficou tão encantada com a surpresa do Raça Negra, que agora ela mesma quer fazer uma festa igual para a namorada dela
JOÃO (Ri alto): É mesmo? Então o ca-
ntor vai ter que ficar morando aqui em Monte Amaro,de tanto que vão chamar ele!
Os dois continuam conversando e rin-
do, planejando o dia todo juntos, cheios de alegria.
CENA 07-CASA DE THIAGO E ZARA/QUARTO DE CASAL-MANHÃ
O quarto está com cortinas fechadas, meia luz. Thiago dorme profundamente deitado de bruços, enquanto Zara com-
eça a acordar devagar. Ela põe a mão na barriga, sentindo um mal-estar repentino.
Sem fazer barulho,ela sai da cama ra-
pidamente,segura a boca e corre até o banheiro. Assim que entra, se agacha em frente à privada e começa a vomi-
tar forte, sentindo uma ânsia enorme.
No quarto,Thiago continua dormindo, sem perceber nada.
Dentro do banheiro, Zara ainda vomita um pouco mais, até que passa o mal-
estar. Ela levanta-se, segura na pia e abre a torneira, lavando a boca várias vezes, passando água no rosto para se refrescar.
ZARA (Fala sozinha,olhando para o espelho): Deve ter sido a porção de tilápia de ontem... Comi demais, não me fez bem.
Ela continua se olhando no reflexo,sec-
ando o rosto com a toalha. Quando se abaixa novamente para enxaguar a boca, ao levantar o rosto de repente, vê uma figura parada logo atrás dela, refletida no espelho.
É a mesma cigana que Penélope enco-
ntrou dias atrás. Ela está toda vestida de vermelho,com um véu cobrindo os cabelos, maquiagem marcante e um colar de moedas.
Zara leva um susto enorme, fica para-
lisada, com os olhos arregalados, sem acreditar no que vê.
ZARA (Voz trêmula): Quem é você? Como entrou aqui? O que quer de mim?
A cigana sorri misteriosamente, com olhar intenso.
CIGANA: Você pode mudar o seu des-
tino, Zara...
ZARA (Arrepia-se toda): Destino? Que história é essa? Eu nem te conheço
CIGANA (Continua calma): Volte a ca-
ntar. Eu sou sua fã, sei do seu talento. Não deixe ele morrer.
ZARA (Cada vez mais assustada): Eu acho melhor a senhora ir,já tá me deix-
ando assutada e eu nem sei como entr-
ou aqui..
Quando Zara se vira rapidamente para olhar de verdade, não tem ninguém ali. O banheiro está vazio, apenas ela.
Ela sai correndo do banheiro, para o corredor, olhando para todos os lados, mas não vê vivalma.
ZARA (Faz o sinal da cruz, respirando fundo): Eu hein... Eu realmente comi alguma coisa que me fez muito mal, tô tendo alucinação agora...
Ela volta para o quarto,ainda assust-
ada,enquanto a música de suspense começa a tocar ao fundo.
FIM DO CAPÍTULO
6 hours ago | [YT] | 14
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ASSIM QUE SÃO ELAS • Capítulo 14
escrita e criada por:
JOÃO VITOR PRADO
E ANTÔNIO FERRO
colaboração de:
ANTÔNIO FERRO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
Classificação: 14 anos. Uma comédia romântica com drama familiar que aborda superação, maternidade e identidade. Uma narrativa emocional sobre amizade, traumas e transformação pessoal.
✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨
CENA 01-CORREDOR DA MANSÃO DE ALFREDO E ISABELITA-NOITE
Chloé continua parada, imóvel, com os olhos cheios de lágrimas e a expressão de decepção estampada no rosto. Edu-
ardo e Camila ainda estão próximos, ambos com semblantes de pânico e su-
rpresa,sem saber o que dizer.
CHLOÉ (Voz embargada, firme): Eu vou embora. É melhor assim.
Eduardo dá um passo à frente, tentan-
do alcançá-la, desesperado.
EDUARDO: Chloé! Espera, por favor! Deixa eu explicar!
Mas Chloé não espera. Ela vira as cos-
tas e sai correndo pelo corredor, dis-
parada, sem olhar para trás. Eduardo fica parado por um instante,respira fundo e vira-se bruscamente para Ca-
mila, com olhar de raiva e desgosto.
EDUARDO: Você é louca? Nunca ma-
is,ouviu? Nunca mais olha na minha cara, nunca mais fala comigo! Você acabou com tudo.
Ele sai correndo atrás de Chloé, dei-
xando Camila sozinha no corredor. Ela fica parada, com as mãos tremendo, e murmura para si mesma,com uma mis-
tura de arrependimento e frieza.
CAMILA (Sussurra): Meu Deus... o que que eu fiz?
Mas logo a expressão muda,ela sorri de canto,cínica,como se tivesse cons-
eguido o que queria,mesmo que da for-
ma errada. Ajeita a roupa, arruma os cabelos e sai caminhando lentamente, com passos firmes.
CENA 02-CASA DE MARLENE/QU-
ARTO DE MARLENE-MADRUGADA
O quarto está escuro,apenas com a luz fraca da rua entrando pela janela.
Marlene está deitada na cama,virada para o teto,os olhos abertos,sem cons-
eguir pregar o sono. Ela revira na ca-
ma,inquieta,até que começa a fechar os olhos e as lembranças invadem sua mente.
FLASHBACK•ANOS ATRÁS
Quarto antigo, móveis simples, parede com papel de parede florido.
Marlene coloca a pequena Gabriela, ainda bebê,dentro do berço,cobrindo
-a com cuidado. Ela sai do quarto dev-
agar, quando ouve o barulho da porta da sala se abrindo e batendo forte. Ela corre até a sala e se depara com Zé Ronaldo sentado no sofá, cambaleando, os olhos vermelhos,visivelmente bêbado.
MARLENE ( Brava,se aproximando): Você voltou de novo nesse estado? E ainda cheirando a perfume de outra mulher! Você estava com ela de novo, não é?
ZÉ RONALDO (Fala enrolado, irrit-
ado): Eu tava com os amigos. Para de inventar história!
MARLENE: Eu não sou boba, você não me engana! Enquanto você sai por aí bebendo e se divertindo, eu fico aqui sozinha,cuidando da casa, das contas e da Gabriela, sem ajuda nenhuma!
ZÉ RONALDO (Grita,tapando a cabe-
ça): Cala a boca! Cala a boca que eu tô com dor de cabeça, não quero ouvir gritaria!
MARLENE (Grita mais alto,sem medo): Eu vou gritar sim! Você volta pra onde estava,não vou mais aceitar suas trai-
ções só porque você é traficante. Isso não te dá direito de me tratar como lixo!
Zé Ronaldo levanta de um pulo, camba-
leando, apontando o dedo na cara dela.
ZÉ RONALDO: Ninguém grita comigo! Ninguém!
MARLENE (Desafia,chorando de rai-
va): Você não presta pra nada! Nem pra ser um bom marido, nem pai, eu quero a separação! Prefiro viver sozi-
nha do que passar a vida toda sendo humilhada por você!
Zé Ronaldo levanta a mão e dá um tapa forte e seco no rosto de Marlene, que cai sentada no chão, segurando a bo-
checha ardida. Ele fica parado na sua frente, com o olhar perdido e agres-
sivo, totalmente dominado pela bebida. Marlene fica ali, no chão, com os olhos cheios de lágrimas, sentindo a dor físi-
ca e a dor da alma.
FIM DO FLASHBACK
Marlene abre os olhos de volta, respi-
ra fundo e enxuga uma lágrima que escorreu pelo rosto. Ela fala baixinho, para si mesma, decidida.
MARLENE: Isso não vai se repetir. Eu não posso deixar..
Ela se vira na cama, fecha os olhos e finalmente consegue dormir, com a mente tranquila por saber que não vai deixar o passado voltar a machucá-la.
CENA 03-CASA DE CHLOÉ E EDUA-
RDO/QUARTO DE CASAL-MADRU-
GADA
Chloé entra em casa batendo a porta, andando rápido até o quarto. Poucos minutos depois, Eduardo chega tam-
bém, fecha a porta que estava entreab-
erta e corre atrás dela, falando alto.
EDUARDO: Chloé, por favor, me deixa explicar! Eu posso te contar tudo direito!
Ele entra no quarto e a vê parada em frente ao espelho grande, tirando os brincos e o colar de pérolas,com o ros-
to sério e frio. Ela se vira devagar para ele, os braços cruzados.
CHLOÉ: Eu não preciso de explicação nenhuma, Eduardo. Eu vi muito bem o que aconteceu. Vi vocês dois atraca-
dos,se beijando. Não tem o que explicar.
EDUARDO (Aproxima-se, preocu-
pado): Não foi o que pareceu, eu juro! Foi a Camila que me atacou,ela me agarrou e beijou sem eu querer, eu tentei me soltar,mas foi tudo muito rápido
CHLOÉ (Sorri sem graça, incrédula): Ela conseguiria fazer isso se você não tivesse permitido? Se você tivesse puxado o rosto,se tivesse empurrado ela,não teria acontecido. Você gostou, eu vi no seu olhar.
EDUARDO: Chloé,me escuta,pelo amor de Deus!
Chloé suspira e se senta na beirada da cama,ainda com o semblante fechado. Eduardo se aproxima, senta-se ao seu lado e segura suas mãos,olhando pro-
fundamente dentro dos seus olhos.
EDUARDO: Eu amo somente você. En-
tendeu? Só você. Se eu tivesse qual-
quer interesse na Camila,qualquer se-
ntimento,eu não estaria aqui, não est-
aria preparando nosso noivado, nossa vida juntos. Você é a única mulher que eu quero.
Chloé olha fixamente para ele, depois vira o rosto e olha para o reflexo no espelho, pensativa.
CHLOÉ: Eu juro que na momentinho você pareceu estar gostando...
Eduardo levanta a mão delicadamente, segura o queixo dela e vira seu rosto devagar,fazendo com que ela olhe nov-
amente para ele.
EDUARDO: Eu só tenho olhos pra você. Nunca mais vou chegar perto dela,nu-
nca mais vou falar com ela, eu prom-
eto. Você é meu mundo, Chloé.
CHLOÉ (Voz suave,ainda com dúvi-
das): Eu não sei se consigo acreditar nisso agora...
EDUARDO: Você não confia em mim?
Chloé o encara por alguns segundos, vê a sinceridade nos olhos dele e aos poucos vai relaxando. Ela balança a cabeça devagar, confirmando.
CHLOÉ: Confio...
Eduardo sorri e a beija suavemente. No começo Chloé fica um pouco tensa, mas logo se entrega ao beijo, corresp-
ondendo com paixão. Os dois se abra-
çam forte, esquecendo por um mome-
nto o que aconteceu,num clima de reco-
nciliação, amor e perdão.
CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER
6 hours ago | [YT] | 14
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SANGUE LATINO • Capítulo 19 #novafase #ÚltimosCapítulos
escrita e criada por:
JOÃO GABRIEL FERNANDES
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:https://youtu.be/7HtHh0QBR9k?si=x5XNg...
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS:
Contém: Violência,Drogas,Conteúdo Sexual e Linguagem imprópria.
🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖
CENA 01-INTERIOR/SALA DE AU-
DIÊNCIAS DO FÓRUM-DIA
O ar é pesado,carregado pelo som dos ventiladores de teto. A plateia está api-
nhada; homens de terno e mulheres com lenços de seda observam o réu. Bernardo entra algemado,os cabelos desalinhados. Ele parece um espectro.
O Juiz ajeita os óculos e bate o martelo.
JUIZ: Réu Bernardo Almeida, a lei lhe faculta a palavra. Deseja manifestar-
se perante este juízo?
Bernardo respira fundo. O silêncio é tão cortante que se ouve o tique-taque do relógio de parede.
BERNARDO (Voz trêmula, mas audí-
vel): Excelência... Eu não aguento mais carregar esse caixão nas costas. Fui eu. Fui eu o responsável.
Um murmúrio escandalizado percorre a sala. Letícia fecha os olhos,sentindo a tontura. Cristian permanece rígido co-
mo uma estátua de mármore.
BERNARDO: Naquela noite maldita... era eu quem estava no volante do carro que vitimou a Júlia. Eu vi tudo pelo ret-
rovisor. E fugi como um covarde, deix-
ando a vida dela no asfalto.
Bernardo olha para a plateia. Seus olhos encontram Leonas, que o encara com uma expressão de pedra.
BERNARDO: Mas o senhor juiz preci-
sa saber o que me levou àquela estra-
da. Horas antes,eu tive um embate terrível com meu pai. Descobri que a vida que eu levava era uma farsa de comercial de margarina. Descobri que o homem que eu chamava de herói... foi quem tirou a vida da minha mãe.
O tribunal explode em burburinho. O Juiz bate o martelo com violência.
JUIZ: Ordem no tribunal! Ordem!
BERNARDO (Gritando sobre o baru-
lho): Eu bebi para esquecer que era filho de um assassino! Peguei aquele Opala e acelerei como se pudesse fugir da minha própria pele! E depois do acidente,ele me calou! Ele disse que o nome dos "Almeida" valia mais que a vida de uma moça!
Bernardo desaba em pranto, virando
-se para os bancos da família.
BERNARDO: PERDÃO,KARINA! CRI-
STIAN,MEU IRMÃO,ME PERDOE! EU SOU UM MONSTRO,MAS NÃO SOU MAIS UM MENTIROSO!
CENA 02-INTERIOR/CORREDOR DO FÓRUM-TARDE
O sol de fim de tarde entra pelas jane-
las altas. O corredor está vazio. Cris-
tian e Letícia estão próximos a uma pilastra.
LETÍCIA (Limpando o rímel borrado): Acabou, Cristian. O castelo de cartas finalmente caiu.
CRISTIAN: Eu sinto como se tivesse levado uma surra,Letícia. Tudo o que eu acreditava sobre o meu velho... era uma mentira bem encerada.
Eles se encaram.
O ressentimento que os separava por anos parece derreter sob o peso da tragédia. Cristian dá um passo à frente,diminuindo a distância. O perfume dela algo doce e datado o atinge.
LETÍCIA: Eu não sei mais separar o que eu sinto por você da mágoa que eu guardei. Tá tudo misturado.
CRISTIAN: Nem eu. Mas talvez... tal-
vez a gente não precise mais de muros.
Eles se aproximam. As respirações se cruzam. Estão a milímetros de um bei-
jo, mas o som metálico de uma tranca abrindo ao longe os faz hesitar. O mo-
mento fica suspenso no tempo.
CENA 03-INTERIOR/SALA DE EST-
AR-NOITE
A luz da sala é amarelada,vinda de um abajur de cúpula franjada. Karina está sentada na poltrona, enquanto Clara e Miguel esperam, de pé, como se estiv-
essem diante de um tribunal particular.
KARINA (Voz cansada,mas em paz): Tive um sonho com a Júlia ontem à noite. Ela estava com aquele vestido de chita azul que tanto gostava. Ela me olhou e não disse nada,mas o olhar dela pedia... pedia que eu parasse de carregar esse ódio.
Karina se levanta e caminha até Clara, pegando em suas mãos.
KARINA: Ela quer que eu aceite o amor de vocês. E quem sou eu para lutar contra a vontade de quem já está no céu? Miguel... cuide dela. Clara... me perdoe pela minha cegueira.
Clara chora e se lança nos braços da mãe. Miguel sorri,sentindo o peso do mundo sair de seus ombros.
CENA 04–INTERIOR/DELEGACIA- NOITE
Helena está sozinha na sala,iluminada apenas por uma lâmpada de mesa. Ela manuseia uma bobina de filme e algu-
mas fotos de perícia do hospital. Ela para em uma imagem específica do co-
rredor da UTI.
HELENA (Para si mesma): Mas que diabo é isso...? O horário da entrada da enfermeira não bate. E quem é esse homem de chapéu saindo pela porta de serviço dois minutos antes da parada cardíaca da Júlia?
Ela fecha o arquivo com força, os olhos brilhando com a descoberta.
HELENA: O Bernardo confessou o aci-
dente... mas a morte no hospital ainda tem as digitais de outro mestre de ceri-
mônias. A verdade ainda não terminou de ser gritada.
CENA 05-EXTERIOR/PÁTIO DO FÓ-
RUM-NOITE
O pátio está iluminado por postes de luz amarelada. Leonas caminha em di-
reção ao seu Galaxie blindado, mas é interceptado por Miguel.
MIGUEL: Vai fugir agora, Leonas? O depoimento do seu filho ainda está eco-
ando naquelas paredes.
LEONAS (Parando,sem olhar para Miguel): Palavras de um rapaz pertur-
bado,embriagado pelo remorso. Nenh-
um juiz sério daria crédito a um delírio sobre a morte da mãe de vinte anos atrás.
MIGUEL: Não é só o passado que está te caçando. É o presente. O senhor construiu um império sobre cadáveres, mas esqueceu que o sangue mancha o tapete. A Clara não tem mais medo de você. E eu muito menos.
LEONAS (Virando-se,com olhar géli-
do): Escute bem,seu rábula de quinta categoria. Você pode ter vencido uma batalha sentimental,mas a guerra se faz com poder. E eu ainda mando nesta cidade.
MIGUEL: Pois aproveite seus últimos dias de reinado. O trono está começan-
do a queimar.
CENA 06-INTERIOR/RESTAURAN-
TE LUXUOSO-NOITE
Cristian e Letícia estão sentados a uma mesa de canto. O ambiente tem música de piano suave. O garçom serve vinho tinto.
LETÍCIA: Por que me trouxe aqui,Cris-
tian? Depois de tudo o que ouvimos naquele tribunal... a última coisa que eu tenho é fome.
CRISTIAN (Olhando para a taça): Eu precisava sair de perto daquela gente. Do cheiro de mofo daquele fórum. Letí-
cia... o Bernardo falou a verdade. Meu pai é um monstro. E eu passei a vida tentando ser a imagem e semelhança dele.
LETÍCIA: Todos nós fomos enganados. Eu me vendi a essa ideia de "família perfeita" porque era mais fácil do que encarar o vazio.
CRISTIAN (Cobre a mão dela com a dele): E agora? O que sobra pra nós dois? Ainda existe aquele "nós" de an-
tes de toda essa sujeira?
LETÍCIA (Com os olhos marejados): Eu não sei se o que eu sinto por você é amor ou sobrevivência, Cristian. A gente se acostumou a se ferir para sen-
tir que estava vivo.
CRISTIAN: Então vamos começar de novo. Sem mentiras. Sem o fantasma do meu pai entre nós. Você aceitaria um homem que não tem mais um pedestal para se apoiar?
CENA 07-INTERIOR/GABINETE DE HELENA-NOITE
Helena está com o telefone de baquelite no ouvido, fumando e analisando os documentos.
HELENA (Ao telefone): Eu sei que o la-
udo diz "insuficiência respiratória", doutor. Mas eu tenho a imagem aqui! Quem era o homem que entrou na UTI às três da manhã? Não, não tente me enrolar com ética médica. Se esse nome não aparecer na minha mesa amanhã cedo, eu farei questão de que a manc-
hete do jornal seja sobre a negligência do seu hospital.
Ela desliga o telefone com força. A po-
rta se abre. É Miguel.
MIGUEL: Você descobriu algo, não foi? Sua cara de triunfo te entrega a um quilômetro.
HELENA: A Júlia não morreu por causa do acidente, Miguel. O acidente a deixou fraca, mas o que a matou foi uma "ajudinha" externa. Alguém term-
inou o serviço que o carro do Bernar-
do começou.
MIGUEL (Impactado): Está dizendo que foi assassinato? Dentro do hosp-
ital?
HELENA: Exatamente. E se eu estiver certa, o Leonas não apenas encobriu o filho... ele garantiu que a única teste-
munha que poderia falar nunca mais abrisse a boca.
CENA 08-INTERIOR/QUARTO DE CLARA-NOITE
Clara está sentada na cama,olhando uma foto antiga de Júlia. Karina entra e senta ao lado dela.
KARINA: Eu sinto que tirei um fardo das minhas costas,minha filha. Ter te tratado daquele jeito... me dói mais do que a perda da Júlia.
CLARA: A senhora só estava tentando sobreviver à dor,mãe. Eu entendo. Mas a Júlia... ela amava o Bernardo. Como isso pôde terminar assim?
KARINA: O amor e o ódio caminham em uma linha muito fina, Clara. O Ber-
nardo é um menino bom que foi esma-
gado por um pai cruel. Ele pagará o que deve à justiça, mas ele libertou a todos nós hoje.
CLARA: E o Miguel? A senhora realm-
ente o aceita?
KARINA (Sorrindo triste): Ele te prot-
egeu quando eu te ataquei. Ele merece meu respeito. Só peço que vocês tenh-
am cuidado... o Leonas é como um bi-
cho acuado. E bicho acuado ataca para matar.
CENA 09-EXTERIOR/JARDIM DA MANSÃO ALMEIDA-NOITE
Leonas está sozinho no jardim,sob uma árvore imensa. Ele segura um isqueiro de ouro, acendendo um charuto. As mãos tremem levemente. Ele olha para as janelas da casa, agora vazias de alegria.
LEONAS (Sussurrando): Bernardo... seu idiota. Você acha que confessar te faz um homem? Você só nos deu a co-
rda para o enforcamento. Mas eu ainda não subi no patíbulo.
Ele joga o isqueiro na grama e olha para o horizonte,onde as luzes da cida-
de brilham.
LEONAS: Se o navio vai afundar... eu vou garantir que todos se afoguem co-
migo. A começar por aquela detetive bisbilhoteira e aquele advogado de porta de cadeia.
A câmera fecha no olhar sombrio de Leonas, enquanto o som de um trovão ecoa ao longe,anunciando a tempes-
tade que está por vir.
FIM DO CAPÍTULO
7 hours ago | [YT] | 10
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TERRA DA GAROA • Capítulo 03 #edicaoespecial
escrita e criada por:
GUSTAVO BIANCK
Supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
https://youtu.be/e6hU7lwusd4?si=oHjyp...
🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆
CENA 01-INTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA/SALA-MANHÃ
Instrumental On:
https://youtu.be/x1-6g_5WxH4?si=qNx1B...
RITA: Como assim?
ANTENOR: Você está brincando, né?
RITA: É claro que ela tá!
MARIA VITÓRIA: Não. Não estou bri-
ncando, eu estou namorando o Danilo.
DANILO: Pode parecer estranho, na verdade é estranho! Nós nos conhece-
mos ontem de manhã,mas foi amor à primeira vista,nós nos apaixonamos e ontem comprovamos isso.
RITA (RISO IRÔNICO): Não! Isso não é possível!! Maria Vitória está compr-
ometida!!
MARIA VITÓRIA: Eu não amo esse
homem,mãe! O Arthur não é o meu amor,nunca foi!
RITA: Não quero saber!! Agenor, leve ela pro quarto,agora!
ANTENOR: Vamos filha.
MARIA VITÓRIA: Não,eu não vou!
Antenor leva Maria Vitória a força pro quarto. Danilo grita:
DANILO: Maria Vitória!!
MARIA VITÓRIA: Danilo!!
Maria Vitória é levada para o quarto.
DANILO: Nós nos amamos,por que não podemos ficar juntos?
RITA: Porque você é pobre. Agora sai-
a de minha casa!
DANILO: Eu ainda volto pra buscar a Maria!
Rita fecha a porta na cara de Danilo.
CENA 02-INTERNA/BAR-MANHÃ
Danilo chega no bar.
Instrumental Off.
DANILO: Me expulsaram da casa, a mãe da Maria Vitória disse que ela não pode ficar comigo porque eu sou pobre.
DAN: Esquece essa mulher,vai viver a sua vida sem ninguém junto,é muito mais fácil!
DANILO: Quem dera se eu consegui-
sse...
DAN: Não sei se você vai gostar dessa notícia, mas aquele velho voltou. O vel-
ho dos diamantes.
DANILO: Era só o que me faltava!
ALGÉRIO: Oi! Aceita as minas de diamantes?
DANILO: Como eu faço para consegui-
las?
ALGÉRIO: É só você ir para a África comigo.
Um homem entra no bar, é mandante de Rita. Ele escuta a conversa de Dan-
ilo e Algério.
Instrumental On:
https://youtu.be/qvmUcDEbEzE?si=9MlfU...
DANILO: Esses diamantes são ilegais?
ALGÉRIO: Mais ou menos. Alguns tra-
balhadores não ganham salário.
DANILO: Isso é trabalho escravo!
ALGÉRIO: Eu sei, mas foi necessário.
DANILO: Sei não... E se der problema pra mim?
ALGÉRIO: Não vai dar, nunca deu! Aceita?
DANILO: Aceito! Vou ficar rico só pa-
ra conseguir namorar a Maria Vitó-
ria, o grande amor da minha vida!
Os dois apertam as mãos.
ALGÉRIO: Vamos amanhã de manhã, o aeroporto vai ser o da capital.
DANILO: Está bem.
Dan desconfia. O mandante de Rita es-
cuta tudo. Algério vai embora.
DAN: Tem certeza que vai fazer isso?
DANILO: Vou tentar. Eu vou fazer de tudo para ter a Maria...
O mandante vai embora do bar.
CENA 03-INTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA/SALA-TARDE
A câm. filma Maria Vitória descendo as escadas. Arthur está sentado no sofá.
MARIA VITÓRIA: Arthur?
ARTHUR: Maria Vitória.
Instrumental Off.
MARIA VITÓRIA: O que está fazendo aqui?
ARTHUR: Ué, você me chamou. Não me chamou?
Rita chega.
RITA: Chamou sim, ela quer te pedir desculpas pelo acontecimento de ont-
em, né?
MARIA VITÓRIA: Sim...
ARTHUR: Bom,eu não sei pra que se desculpar, você foi breve e direta, eu já entendi que você não me ama.
Maria Vitória beija Arthur. Rita fica feliz.
MARIA VITÓRIA: Eu te amo, Arthur.
ARTHUR: Eu também! [RISO ANIMA-
DO] Então, voltamos?
MARIA VITÓRIA: Por mim, sim.
RITA: Que maravilha!!
O mandante de Rita chega.
MANDANTE: Eu tenho uma coisa pra te contar.
RITA: Vá no quarto, já vou atrás.
O mandante vai pro quarto.
MARIA VITÓRIA: Quem é mãe?
Instrumental On:
https://youtu.be/uvLdejHoNuo?si=3LmVU...
RITA: Vai ver se tem praga no meu quarto. Aquela cama me cossa!
Rita vai pro quarto. Arthur abraça Maria Vitória. A câm. foca em Maria Vitória triste.
CENA 04-INTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA/QUARTO DE RITA-
NOITE
MANDANTE: O Danilo vai para a Áfr-
ica amanhã de manhã.
RITA: África? Ele não era pobre?
MANDANTE: Ele vai comandar uma mina de diamantes,com trabalho escravo!
RITA: Que notícia maravilhosa! Com isso eu posso colocá-lo na cadeia e me livrar de vez dele! Mas,ele vai sozinho?
MANDANTE: Não,tem um homem, o dono de tudo lá. Ele vai passar tudo pro Danilo.
RITA: Amanhã?
MANDANTE: Sim, no aeroporto da capital.
RITA: Já vou acionar meu amiguinho delegado!
Os dois riem.
Instrumental Off.
CENA 05-INTERNA/AEROPORTO-
MANHÃ
Instrumental On:
https://youtu.be/00wfZI99nG0?si=7eGAp...
A câm. filma Danilo e Algério indo em direção ao embarque.
DANILO: Tem certeza que nenhum po-
licial vai parar a gente?
ALGÉRIO: Eu não estou com diamantes na mala, não trouxe nenhum.
DANILO: Ok então.
Eles passam pela revista. O homem manda Algério abrir a mala.
ALGÉRIO: Pra que isso?
HOMEM: A sua mala pitou,tem algum metal aí?
DANILO: Você disse que não tinha nada aí dentro!
O delegado chega com 3 policiais.
DELEGADO: Cheguei na hora certa! Abre a mala agora!
Algério abre a mala. Lá o delegado encontra diamantes.
DELEGADO: Cadê a nota disso aqui?
ALGÉRIO: Não está comigo.
DELEGADO: Ah,que pena! Vou ter que te levar, e o seu amiguinho vai junto!
DANILO: Eu não fiz nada!!!
Os policiais prendem Danilo e Algério. Danilo fica inconformado e desespera-
do. Os dois são levados para a delegacia.
Instrumental Off.
CENA 06-INTERNA/DELEGACIA/CELAS DE PRISÃO-MANHÃ
Algério e Danilo são presos.
DANILO: Você falou que não tinha nenhum risco!!
ALGÉRIO: Eu ia deixar esses diama-
ntes para o Dan... Mas, eu não resisti e peguei.
DANILO: Você não sabia que ia ser revistado??
ALGÉRIO: Nesse aeroporto eles não revistavam as malas,mas agora parece que mudou.
DANILO: Eu não posso ficar preso!!
Um policial se aproxima.
POLICIAL: Danilo, você tem visita.
DANILO: Visita? Que visita?
POLICIAL: É uma dona chique.
Danilo vai até a sala de visita. A câm. foca em Algério chorando.
PRESO: É traficante?
ALGÉRIO: Não...
PRESO (RISO): Tá chorando por que, negão?
Algério não responde. Os presos dão risada de Algério.
CENA 07-INTERNA/DELEGACIA/ SALA DE VISITA-MANHÃ
Danilo entra na sala. A dona está vira-
da para a parede.
DANILO: Oi?
A mulher vira para Danilo. É Rita.
RITA: Bom dia Danilo, gostou de voltar ao seu abate natural?
DANILO: Você?!
A câm. foca em Danilo.
FIM DO CAPÍTULO
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CENA 05-SALA DE JANTAR DA
MANSÃO DE ALFREDO E ISABELI-
TA-NOITE
A mesa é enorme, de madeira nobre, com toalha branca, talheres de prata, taças de cristal e arranjos de flores naturais. Todos estão sentados: Chloé e Eduardo lado a lado, Camila, Alfredo e Isabelita. Os pratos estão cheios de comidas sofisticadas.
CHLOÉ (Fechando os olhos por um instante, deliciada) – Nossa, essa com-
ida está simplesmente maravilhosa! Cada prato é mais gostoso que o outro. A última vez que comi uma comida tão deliciosa eu tava na minha tia..
CAMILA ( Sorri, orgulhosa ) – O cré-
dito é todo da Dalva, a governanta da casa. Ela cozinha como ninguém, faz todas as mordomias com muito carinho.
CHLOÉ – Então depois eu vou até a cozinha para elogiá-lá pessoalmente, merece muito reconhecimento.
ALFREDO ( Satisfeito ) – Fico muito feliz que vocês tenham gostado. A Dal-
va faz parte da família, cuida de tudo aqui com muito zelo.
ISABELITA (Faz uma careta,olhando para o prato de camarão) – Mas tem uma coisa que eu não entendo: Dalva fez camarão, sabendo muito bem que eu sou alérgica, até parece que ela não me conhece.
ALFREDO (Vira-se para a esposa,pre-
ocupado) – Mas você chegou a provar alguma coisa? Se tiver comido, será um problema..
ISABELITA ( Revira os olhos ) – Não, não comi, graças a Deus! Mas poderia ter me matado, Alfredo! É falta de atenção, sabe?
CAMILA ( Se manifesta, um pouco envergonhada ) – Mãe, espera! A culpa não é da Dalva, fui eu que pedi para ela fazer camarão. Eu não sabia que você era alérgica, e se sabia eu acabei esquecendo..
ISABELITA ( Acena a mão, relaxando um pouco, bebendo um gole de cham-
panhe ) – Tudo bem, dessa vez passa. Mas da próxima vez, avisa antes, sim? Eu já iria demitir a Dalva.
Ela vira-se para Chloé, com um sorriso que não chega aos olhos.
ISABELITA – E você, Chloé, de onde é mesmo? Nunca tinha visto você por aqui antes.
CHLOÉ ( Educada ) – Sou daqui mes-
mo, de Monte Amaro. Mas fui criada pela minha tia, que tá morando fora. Cresci aqui, mas sempre na casa dela.
CAMILA ( Curiosa ) – E você nunca chegou a conhecer seus pais?
CHLOÉ ( Expressão muda para mela-
ncólica ) – O meu pai eu nunca cheguei a conhecer, ele morreu antes de eu nascer. Já minha mãe... ela me aband-
onou quando eu era ainda bebê. Não tenho nenhuma lembrança dela. Não verdade até tenho, mas não lembro nada do rosto dela.
ALFREDO ( Gentil ) – Mas olha como a vida recompensou,você teve muita sorte em encontrar um rapaz incrível como o Eduardo.
EDUARDO (Olha apaixonado para Chloé, segurando sua mão ) – Sorte fui eu, Doutor Alfredo. Eu é que ganhei na loteria ao encontrar a Chloé.
Os dois se beijam rapidamente, sorri-
ndo um para o outro. Isabelita observa Camila de soslaio, enquanto bebe cha-
mpanhe, e percebe o olhar triste e cheio de desejo que a filha lança para o casal.
EDUARDO (Levanta-se levemente) – Com licença,pessoal,vou só até o ban-
heiro e já volto.
Nesse momento, uma empregada uni-
formizada aparece na porta da sala de jantar, parando discretamente.
EMPREGADA – Com licença,Sr. Alfre-
do. Tem uma ligação importante para o senhor, na sala de estar. É urgente.
ALFREDO – Já estou indo, obrigado.
A empregada se retira. Isabelita apro-
xima-se da filha, em voz baixa.
ISABELITA – Camila,acompanha o ra-
paz até o banheiro
CAMILA (Levanta-se, já decidida) – Eu já ia fazer isso mesmo, mãe.
Eduardo se levanta totalmente, beija a testa de Chloé.
EDUARDO – Já volto, meu amor.
ALFREDO (Também se levanta, ajus-
tando o paletó ) – Com licença a todos.
Alfredo sai primeiro, depois Eduardo e Camila saem juntos da sala de jantar. Restam apenas Chloé e Isabelita, que se olham por alguns segundos em silêncio.
CHLOÉ ( Quebra o gelo, sorrindo ) – A senhora não me é um pouco estranha.. Você parece familiar
ISABELITA ( Ri de forma falsa, dando mais um gole na taça ) – Deve ser por-
que eu sou muito conhecida por aqui, em Monte Amaro e até no mundo todo. As pessoas costumam me achar difer-
ente. Inclusive por ser a mais rica que todo mundo.. Tô acostumada.
Ela sorri convencida,olhando pra Chloé.
CHLOÉ (Levanta-se) – Bom, eu vou até a cozinha cumprimentar a Dalva e as outras funcionárias. Com licença.
Chloé sai da sala. Isabelita a observa caminhar até desaparecer na porta, e então faz uma careta de desgosto.
ISABELITA (Murmura para si mesma) – Não simpatizei com ela nenhum pou-
co. Sonsa, essa menina...
CORTE PARA:
CENA 06-CORREDOR DA MANSÃO, PRÓXIMO AO BANHEIRO-NOITE
Eduardo caminha tranquilamente até a porta do banheiro, quando Camila co-
rre um pouco e fica à sua frente, imp-
edindo que ele entre.
EDUARDO ( Confuso ) – Camila? Por que parou? Preciso entrar aqui.
CAMILA ( Respira fundo, olhos cheios de lágrimas e determinação ) – Não antes de eu te falar uma coisa. Eu sem-
pre fui apaixonada por você, Eduardo. Muito antes de você conhecer a Chloé, muito antes de qualquer coisa. Sempre foi você.
EDUARDO ( Tenta ser firme, mas com calma ) – Camila,você sabe que eu estou noivo da Chloé. Eu amo ela. É melhor você voltar para a mesa, antes que alguém apareça. E isso do nada?
CAMILA ( Ignora, aproximando-se mais ) – Não é do nada, e não vou emb-
ora antes de fazer o que eu sempre quis fazer.
Sem dar tempo de ele reagir, Camila agarra o rosto de Eduardo e beija-o na boca. Eduardo tenta se soltar, segura os braços dela para afastá-la, mas acaba ficando paralisado por alguns segundos.
Nesse exato momento, Chloé aparece no final do corredor, paralisada, com a boca entreaberta de choque. Ela assiste a cena incrédula, sem acreditar no que vê.
CHLOÉ – Eduardo??
Chloé solta um suspiro de dor e sur-
presa, o som chama a atenção dos dois. Eduardo e Camila se separam brusc-
amente, tomam um susto enorme, com os olhos arregalados.
EDUARDO (Ofegante,desesperado) – Chloé! Não é o que você está pensando!
Chloé encara profundamente Eduardo, com olhos cheios de mágoa e raiva, e depois vira o olhar para Camila, que está pálida, surpresa e sem reação. O clima fica tenso, silencioso, apenas com o som da respiração acelerada dos três.
FIM DO CAPÍTULO
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ASSIM QUE SÃO ELAS - Capítulo 13
escrita e criada por:
JOÃO VITOR PRADO
E ANTÔNIO FERRO
colaboração de:
ANTÔNIO FERRO
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
Esta obra é recomendada para jovens a partir de 14 anos, pois aborda temas de comédia romântica e drama familiar, incluindo questões de maternidade, superação de traumas, aceitação e a busca por identidade. Com uma mistura de humor e momentos emocionais, a narrativa explora a complexidade das relações humanas, a amizade e a transformação pessoal.
✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨💃✨
CENA 01-SALA DE CASA DE MAR-
LENE/MORRO DO SOL-NOITE
A sala está com luz amarela, aconch-
egante, com móveis de madeira clara, almofadas coloridas e fotos da família na estante. Zé Ronaldo está de pé, com a postura rígida, expressão de desapr-
ovação e raiva contida. Gabriela está parada próxima à porta, com o rosto sério, confirmando o que disse. Marl-
ene está ao lado da mãe, Selma, que tem olhar preocupado.
GABRIELA (Firme, sem vacilar) – É verdade sim, pai. Não estou inventando nada.
ZÉ RONALDO (Vira o rosto bruscam-
ente para Marlene, voz grave ) – E você? Sabia de tudo e ficou calada? Por que não fez nada? Por que não me contou antes?
Marlene respira fundo, anda devagar até ficar bem próxima dele, o olho no olho, sem medo.
MARLENE ( Com ironia e mágoa)-Po-
rque eu sempre fui a única que segurou todas as barras dessa família, Zé Ronaldo. Você some por meses, é preso, aparece quando quer e ainda quer se fazer de pai maravilhoso para dar conselhos? Não venha com essa agora.
SELMA (Intervém, suave, tentando acalmar) – Eu também não falei por mal. Mas o problema é que elas não conhecem Rafael de verdade. A única coisa que todos sabem é que ele vende drogas, que é traficante. E isso não é futuro para ninguém.
Zé Ronaldo balança a cabeça negativ-
amente, pega o paletó que estava sobre o braço, visivelmente aborrecido.
ZÉ RONALDO – O jantar que eu tinha planejado fica para outro dia. Amanhã eu venho aqui e resolvo toda essa hist-
ória de uma vez por todas. Boa noite para todas.
Ele sai batendo a porta levemente,dem-
onstrando a sua frustração. Marlene solta um suspiro longo, como se tivesse tirado um peso das costas, e senta-se no sofá macio. Selma senta-se ao seu lado, enquanto Gabriela, sem dizer nada, caminha em direção à cozinha, desaparecendo da cena.
SELMA ( Segura a mão da filha, voz suave ) – Me desculpa, filha. Eu não queria que as coisas fossem assim.
MARLENE ( Sorri fraco, apertando a mão da mãe ) – Não tem problema, mãe. Não é culpa sua. Ele ia descobrir de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde. Melhor que tenha sido hoje.
Marlene deita a cabeça sobre o ombro de Selma, que a abraça com carinho, fazendo cafuné nos seus cabelos. As duas ficam ali, em silêncio,compartilh-
ando o conforto do abraço materno. A câmera afasta lentamente, mostrando a cumplicidade entre mãe e filha.
CENA 02-SALA DE ESTAR DA CASA DE PENÉLOPE E JOÃO-NOITE
O ambiente é moderno, decorado com tons claros, luzes indiretas que criam clima romântico. Penélope entra primeiro, pulando levemente, radiante, com vestido curto e maquiagem ainda intacta. João vem logo atrás, sorrindo, com as mãos nos bolsos da calça.
PENÉLOPE (Jogando-se no sofá, bra-
ços abertos ) – Nossa, João! Eu amei cada minuto da noite! O restaurante, o passeio, tudo foi perfeito!
JOÃO ( Aproxima-se dela,olhar apaix-
onado) – Eu amei mais ainda, meu amor. Você fica linda quando está feliz assim.
Ele se inclina sobre ela, que se senta no sofá, e a beija demoradamente, com carinho e paixão. Quando se separam, ele acaricia o seu rosto.
JOÃO – Vou tomar um banho rapidi-
nho, tá? Estou todo cansado, mas muito feliz.
PENÉLOPE (Levanta-se rápido, agarrando o braço dele, sorrindo ) – Espera! Eu vou junto com você!
Os dois saem correndo e brincando pelo corredor que leva aos quartos e banheiros, as risadas ecoando pela casa. Eles desaparecem da visão, deixando apenas o som da alegria compartilhada. A cena termina com a porta do corredor se fechando suavemente.
CENA 03. SALA GRANDE DA COBE-
RTURA DE SANDRINHA-NOITE
A sala é espaçosa, com piso de mármore, móveis de design, lustre grande no teto e vista panorâmica da cidade à noite. A festa acabou de terminar, mas o ambiente continua organizado e limpo. Sandrinha fecha a porta de entrada, se despedindo dos últimos amigos que saem, acenando com a mão.
SANDRINHA ( Voltando-se para a mãe e a irmã que estão sentadas no sofá enorme ) – Ainda bem que eles não deixaram nenhuma sujeira, nem copos jogados, nada! A noite foi ótima, todo mundo se divertiu muito.
LUCIMARA ( Sorri, satisfeita ) – Eu também gostei bastante, minha filha. Seus amigos são animados, educados e muito divertidos. Você escolhe bem as companhias.
VERÔNICA ( Toma um gole de água, sorrindo) – E não é só isso! Você tem um gosto impecável para organizar fe-
stas Sandrinha. Daqui a pouco tá chegando nosso aniversário..
LUCIMARA – Verdade! Você e a Ve-
rônica fazem aniversário no mesmo dia! Que tal já começar a planejar? Já pode organizar uma festinha de aniv-
ersário dupla, hein?
SANDRINHA ( Brinca com os dedos, empolgada ) – Claro que vou! Vou fa-
zer a festa mais linda que essa daqui, e vocês vão sair em todas as matérias das revistas e sites sociais! Vai ser um sucesso total!
VERÔNICA ( Ri, balançando a cabeça ) –Ah, Sandrinha, eu não ligo muito para essas matérias não. O importante é est-
ar com saúde, ter a gente aqui reunida e tudo mais. Isso já está bom demais para mim.
As três riem juntas, conversando ani-
madamente, trocando ideias sobre a próxima festa. A câmera mostra a cu-
mplicidade entre elas, felizes e unidas.
CENA 04-BAR RETRÔ/KARAOKÊ- NOITE
O local está cheio de mesas com pess-
oas conversando, comendo e bebendo. No pequeno palco iluminado, Zara e Thiago estão de pé, cada um com um microfone na mão. A música Evidên-
cias começa a tocar e os dois iniciam a cantar juntos, com entusiasmo e harmonia.
À medida que cantam, as pessoas das mesas param o que estão fazendo para ouvir, alguns balançam a cabeça no ritmo, outros batem palmas no refrão. Quando terminam a última nota, o salão todo explode em aplausos e gritos de "bis!".
Zara e Thiago se olham, sorriem e se beijam rapidamente, ainda rindo da emoção. Eles deixam os microfones no suporte e descem do palco, voltando para a mesa onde Helena está sentada.
HELENA (Aplaude ainda,encantada) – Nossa, vocês dois são incríveis! Devi-
am ser cantores profissionais, já pensaram?
ZARA (Ri,abanando a mão) – Quem dera, eu não levo jeito nenhum para isso, foi só empolgação do momento.
THIAGO (Segura a mão de Zara, sor-
rindo) – Eu discordo totalmente, Você tem uma voz linda, canta muito melhor do que eu. Quem devia ser cantora era você.
ZARA (Conta, nostálgica) – Na ver-
dade, eu já cantei bastante quando era adolescente. Tinha até um grupo mu-
sical só de meninas, ensaiávamos todo fim de semana. Mas acabamos desis-
tindo porque nunca conseguimos ne-
nhum contrato,nenhum sucesso. Acabou tudo.
HELENA – Mas quando a pessoa tem talento, não adianta fugir ou desistir minha querida. A vida sempre arruma um jeito de a gente voltar a usar o dom que tem. Vocês provaram isso hoje.
ZARA (Brinca, comendo um pedaço de salgado) – Então tá bom, mas por enq-
uanto eu prefiro continuar aturando crianças e adolescentes na escola, que já é uma tarefa de artista, viu?
Eles riem e brincam, continuando a co-
nversa,comendo e bebendo, em clima de descontração e alegria.
CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER
1 day ago | [YT] | 5
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CineNovelas
SANGUE LATINO • Capítulo 18 #novafase
escrita e criada por:
JOÃO GABRIEL FERNANDES
supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:https://youtu.be/7HtHh0QBR9k?si=x5XNg...
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS:
Contém: Violência,Drogas,Conteúdo Sexual e Linguagem imprópria.
🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖🪖
CENA 01-EXTERIOR/FÓRUM-DIA
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/OZW9yLj0plk?si=yH4it...
O sol de 1974 bate forte nas escada-
rias de pedra. O movimento é caótico: fuscas e opalas buzinam ao longe. Clara está parada,encolhida em um vestido simples. Suas mãos torturam um lenço de pano. Vários populares e curiosos circulam,vestindo calças boca
-de-sino e camisas de gola grande. O clima é de "fofoca de calçada".
VOZ FEMININA 01 (Sussurro alto):
Vejam só... É ela. A irmã da falecida. Que coisa mais sem cabimento, uma menina nessas condições dando o que falar.
VOZ FEMININA 02 (Desdenhosa): E o rapaz? Um pão daqueles, com a vida inteira pela frente... Podia ter uma moça de família, mas resolveu carre-
gar esse fardo. É um despropósito!
Clara baixa a cabeça, os ombros subin-
do até as orelhas. Miguel surge apre-
ssado, ajeitando o paletó. Ele percebe o cerco invisível.
MIGUEL (Firme,mas doce): Clara, cheguei. Não me olha para os lados, meu bem. Foca em mim.
CLARA (Voz trêmula): Eles estão dize-
ndo coisas, Miguel... Estão dizendo que eu sou um erro da natureza.
Trilha Sonora Off.
Um homem de meia-idade, segurando um jornal dobrado, para a poucos me-
tros e aponta com o queixo.
HOMEM (Ríspido): Isso aí é explora-
ção emocional! Onde já se viu? É uma vergonha para as pessoas de bem ver esse tipo de cena na porta do tribunal.
Clara congela. O ar parece faltar. A pressão da "moral e dos bons costu-
mes" da época atinge o limite.
MIGUEL: Vamos entrar, Clara. Não dá ouvidos a esse povo retrógrado.
CLARA (Explodindo em pranto): EU NÃO SOU UM ERRO!
O grito ecoa no pátio. Os passantes param. O silêncio é súbito e descon-
fortável.
CLARA (Soluçando): Eu não sou um erro... Por que vocês me olham como se eu fosse um bicho?
Miguel a puxa para um abraço apert-
ado, ignorando as caretas da multidão.
MIGUEL (Voz grave, para os curio-
sos): Já chega! Seus desocupados! Nin-
guém aqui tem procuração para julgar a vida de quem sofre. Quem fala dela assim não tem Deus no coração e não sabe um terço da nossa história. Circulando!
As pessoas começam a se dispersar, resmungando entre dentes.
CENA 02-INTERIOR/CORREDOR DO FÓRUM-MINUTOS DEPOIS...
O corredor é escuro,com cheiro de papel velho e cera de assoalho. Miguel segura o rosto de Clara entre as mãos.
MIGUEL: Escuta aqui, Clara. Olha bem nos meus olhos. Você não precisa se enfurnar no escuro. Você tem o direito de caminhar de cabeça erguida por essa cidade.
CLARA (Limpando o rosto): Eu só que-
ria que o mundo parasse de apontar o dedo, Miguel. Eu tô tão cansada...
CENA 03-INTERIOR/CANTO DO CORREDOR-DIA
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/HbhsKgrp0Xk?si=wPJnj...
Letícia observa a cena de longe, encos-
tada em uma pilastra. Ela fuma um cigarro, a fumaça subindo lentamente. A expressão é de uma amargura con-
tida. Cristian se aproxima, as mãos nos bolsos da calça social.
CRISTIAN: Você está com uma cara de quem viu assombração, Letícia. Está tudo bem?
LETÍCIA (Com a voz embargada): Eu já não sei de mais nada, Cristian. Esse zelo dele com ela... dói mais do que qualquer bofetada.
Ela apaga o cigarro bruscamente no cinzeiro de pé.
CENA 05-INTERIOR/CAFETERIA DO FÓRUM-DIA
O ambiente é esfumaçado. Helena está sentada à mesa quando Cristian se ap-
roxima. O som ambiente é de xícaras de porcelana batendo e burburinho de advogados.
CRISTIAN: Escrevendo suas crônicas da desgraça alheia, Helena? Ou é ape-
nas o relatório para o juiz?
HELENA (Sem tirar os olhos do papel): Estou registrando a temperatura, Cris-
tian. E a sua está subindo. Você está suando por baixo desse terno de linho.
CRISTIAN (Senta-se à frente dela,sar-
cástico): É o calor de dezembro. E a pressão de defender quem o mundo já condenou na calçada.
HELENA: Não minta para uma especi-
alista. Você não está preocupado com o réu. Está preocupado com o que a Letí-
cia sente quando vê o Miguel proteger a Clara daquela forma... quase bíblica.
Trilha Sonora Off.
CENA 06-INTERIOR/BANHEIRO FEMININO-DIA
Letícia retoca o batom vermelho no espelho manchado. Clara entra, tenta-
ndo secar as lágrimas. O silêncio é co-
rtante. Letícia fecha o estojo de maqu-
iagem com um estalo seco.
LETÍCIA: Você gosta, não gosta? De ser o centro desse espetáculo.
CLARA (Assustada); Eu não queria que ninguém olhasse pra mim, Letícia. Eu só queria... que a minha irmã estiv-
esse aqui.
LETÍCIA (Aproxima-se, o tom é de uma "falsa" sororidade da época): Pois saiba que o Miguel está jogando a rep-
utação dele no lixo por sua causa. Um homem como ele,de boa família... sendo chamado de explorador em praça púb-
lica. Se você o amasse metade do que diz, deixaria ele em paz.
CLARA (Com uma força súbita): O Miguel me vê. Ele me vê de verdade. Talvez seja isso que te machuca... ele não olha pra você com esse mesmo medo de te perder.
Letícia gela. O golpe de Clara foi certeiro.
CENA 07-EXTERIOR/PÁTIO LATE-
RAL DO FÓRUM-DIA
Miguel fuma um cigarro,encostado em um pilar, quando um Reporter local se aproxima com um gravador de rolo pesado.
REPÓRTER: Doutor Miguel,uma pala-
vra para a Rádio Gazeta? O povo quer saber: o senhor está defendendo a jus-
tiça ou está vivendo um romance proibido com a peça-chave do crime?
MIGUEL (Lento,soprando a fumaça no rosto do repórter): O povo quer circo, meu caro. Mas aqui é um tribunal. E se você ousar colocar o nome da Clara em alguma manchete sensacionalista,eu garanto que a sua próxima pauta será sobre como processar alguém por difamação. Passar bem.
Ele apaga o cigarro no chão e sai, dei-
xando o repórter sem resposta.
CENA 08-INTERIOR/CORREDOR DE ACESSO ÀS CELAS-DIA
Miguel caminha por um corredor úmi-
do. No fundo,atrás das grades,vemos Bernardo. O rosto dele está nas sombras.
BERNARDO (Voz rouca): Ouvi os gri-
tos dela lá de dentro. A Clara... ela está bem?
MIGUEL (Ríspido): Ela está sendo dev-
orada viva pelos lobos lá fora, Berna-
rdo. E a culpa é sua. A verdade que vo-
cê está escondendo... vai salvar a Clara ou vai terminar de enterrar o que sobrou dela?
BERNARDO: A verdade é um veneno, Miguel. Se eu falar,não sobra ninguém em pé. Nem eu, nem você... e muito menos ela.
CENA 09-INTERIOR/ANTESALA DO JÚRI-DIA
Clara está sentada num banco de mad-
eira. Cristian se aproxima dela,mudan-
do sua postura habitual de deboche para algo mais sombrio.
CRISTIAN: Clara... Você se lembra
daquela noite? Do cheiro do perfume que estava no quarto?
CLARA (Confusa): Por que você está perguntando isso agora?
CRISTIAN (Sussurrando): Porque a memória é traçoeira. Às vezes a gente pensa que viu um monstro, mas era só um espelho. Cuidado com o que você vai dizer lá dentro. O Miguel quer te salvar,mas eu... eu só quero que a ver-
dade não destrua o que resta da nossa família.
CENA 10-INTERIOR/SALA DE AUD-
IÊNCIA-DIA
A sala está lotada. O som do ventilador de teto é a única coisa que quebra o silêncio tenso. O Juiz entra. Todos se levantam. Miguel troca um olhar rápi-
do com Clara,que está na primeira fileira.
OFICIAL DE JUSTIÇA: Podem se sen-
tar. Declaro aberta a sessão de julga-
mento de Bernardo Alencar.
Helena, na última fila, abre sua cader-
neta na última página e escreve em letras grandes: "O TEATRO COME-
ÇOU. AS MÁSCARAS VÃO CAIR."
A câmera foca no rosto de Clara. Ela respira fundo, as mãos não tremem mais. Ela olha para o juiz, pronta para o confronto.
FIM DO CAPÍTULO
1 day ago | [YT] | 11
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TERRA DA GAROA • Capítulo 02 #edicaoespecial
escrita e criada por:
GUSTAVO BIANCK
Supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL
direção geral:
DIOGO ITAMAR
abertura:
🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆 🌆
CENA 01-INTERNA/BAR-MANHÃ
São Paulo. A câmera filma a cidade: as avenidas,os carros, as pessoas nas calçadas e a famosa "terra da garoa".
Dan abre a porta do bar. Danilo estava dormindo escorado nela e,quando a porta se abre,ele cai para trás, assust-
ado.
DAN (Genézio de Barros): Mas o que é isso?
DANILO: Desculpa, senhor!
DAN: Você dormiu a noite inteira na porta do meu bar?
DANILO: Eu cheguei aqui em São Paulo às quatro da manhã... Daí me escorei aqui e acabei dormindo.
DAN: Você veio de onde?
DANILO: Astorga, no Paraná.
DAN: Por que veio para cá?
DANILO: Vim buscar crescer na vida.
DAN: Hm... Você trabalha?
DANILO: Eu trabalhava em uma fazen-
da. Agora estou sem trabalho.
DAN: Tá com fome?
DANILO: Faminto.
DAN: Venha,vou lhe dar um pão e um café.
Danilo entra no bar.
DANILO: Eu já me vi trabalhando co-
mo garçom.
DAN: Está se oferecendo para o trab-
alho?
Trilha Sonora On: https://www.youtube.com/watch?v=yPfk_...
DANILO: Sim...
Maria Vitória entra no bar e se senta. Ela está visivelmente embriagada.
MARIA VITÓRIA (Larissa Manoela): Quero uma cerveja!!
DAN: Vamos fazer o teste: sirva aque-
la moça.
DANILO: Ok!
Danilo vai atender Maria Vitória.
MARIA VITÓRIA: Dinheiro não traz felicidade,dinheiro é uma bosta qual-
quer!!
DANILO: Se eu fosse rico, eu estaria feliz.
Maria Vitória e Danilo se entreolham.
MARIA VITÓRIA: Só conversa! Minha vida é uma bosta,não volto mais para casa!
DAN: Essa menina não está bem, devia ir para casa!
MARIA VITÓRIA: Não!!!
DANILO: Quer que eu te leve?
MARIA VITÓRIA: Com você eu vou até o fim do mundo! (Rai)
DANILO: Você sabe onde mora?
MARIA VITÓRIA: É claro!
Maria Vitória e Danilo saem do bar.
MARIA VITÓRIA (Chamando): Táxi!!
A câmera foca nos dois se olhando.
CENA 02-EXTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA ENTRADA-MANHÃ
Danilo toca a campainha acompanhado de Maria Vitória.
RITA (Elizabeth Savalla): Oi? Filha??
MARIA VITÓRIA: Bom dia, mamãe!
AGENOR (Marco Nanini): Onde você estava... (Rita o corta)
Trilha Sonora Off.
RITA: Onde você estava? E quem é es-
se moço?
MARIA VITÓRIA: Eu estava na balada junto com o homem que vocês me arr-
umaram.
RITA: E cadê ele?
MARIA VITÓRIA: Não sei, mãe! Eu fui até um bar e esse moço me ajudou. Aliás,qual seu nome?
DANILO: Danilo.
MARIA VITÓRIA: O meu é... (Rita co-
rta novamente)
RITA: Vem, entra!
Rita puxa Maria Vitória para dentro.
RITA: Você abusou da minha filha?
DANILO: Eu não fiz nada!
RITA: Cala a boca! Nunca mais se apr-
oxime dela!
Rita fecha a porta na cara de Danilo.
DANILO: Oxe...
Danilo ia entrar no táxi quando Age-
nor o chama.
AGENOR: Ei!
DANILO: Oi?
AGENOR: Desculpa a minha esposa, ela está nervosa. Agradeço a você por trazer minha filha para casa.
DANILO: De nada.
Danilo entra no táxi e vai embora. Age-
nor entra em casa.
CENA 03-INTERNA/BAR-TARDE
Danilo retorna ao bar.
DAN: Demorou! Onde estava?
DANILO: Primeiro levei a moça para a casa dela. A mãe dela me expulsou, achou que eu tinha abusado da filha. Depois peguei o táxi, mas não sabia o caminho de volta e me perdi! O taxista me deixou em uma praça, comecei a andar e finalmente cheguei aqui.
DAN: Que história maluca! (Riso)
DANILO: Eu queria falar sobre o emp-
rego aqui no seu bar.
DAN: Hm... Vou te dar uma chance! Você se chama Danilo, né?
DANILO: Sim!
DAN: Eu vou te contratar!
DANILO: Muito obrigado pela oportu-
nidade, prometo não decepcionar!
DAN: Tá bom!
Algério entra correndo no bar e segu-
ra o braço de Danilo.
DANILO (Assustado): O que é isso??
ALGÉRIO (Cosme dos Santos): Você é pobre?
DANILO: Que pergunta é essa?
ALGÉRIO: Eu procuro pobres para ajudar!
DANILO: Eu sou pobre,sim. Mas por que você precisa de pobres para aju-
dar? Como assim?
DAN: Esse velho deve ser um louco da cabeça!!
ALGÉRIO: Eu tenho minas de diama-
ntes, quero te oferecer!
DANILO (Riso): Isso deve ser piada! Acha mesmo que alguém teria cora-
gem de oferecer minas de diamantes de graça para um estranho? Isso é impossível!
ALGÉRIO: Aceite!
DANILO: Larga de ser doido! Vá pro-
curar um hospício!
ALGÉRIO: Eu voltarei,e você vai acei-
tar a minha proposta!!
Algério sai do bar.
DAN: Velho doido.
DANILO: Doido e estranho.
Um cliente chega.
DAN: Vai atender, Danilo.
DANILO: Ok!
CENA 04-INTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA/SALA DE JANTAR-
NOITE
Agenor,Rita e Maria Vitória estão jantando.
RITA: Seu noivo virá aqui.
MARIA VITÓRIA: Hoje?
RITA: Sim,convidei-o para um chá noturno.
MARIA VITÓRIA: O convidou sem me avisar?
RITA: Sim. Algum problema?
MARIA VITÓRIA: Mãe,eu briguei com ele na balada ontem!
RITA: E hoje vocês vão se desculpar um com o outro.
MARIA VITÓRIA: Eu não quero vol-
tar com ele, cansei! Eu não o amo, mãe!
RITA: Não importa se você o ama, não estou nem aí! O que importa é que ele é rico!
AGENOR: Filha, casar-se com o Art-
hur trará muitos bens para o nosso patrimônio. Ele é dono da fazenda de cana-de-açúcar e nós temos a fábrica. É uma dupla infalível!
A campainha toca.
Instrumental On: https://www.youtube.com/watch?v=eKpUG...
RITA: É o Arthur! Empregada, tire o jantar da mesa!
CENA 05-INTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA/SALA-NOITE
Rita e Agenor recebem Arthur e Amé-
rico. Maria Vitória entra na sala.
ARTHUR (Drico Alves): Boa noite, amor!
Arthur entrega flores e chocolates para Maria Vitória.
MARIA VITÓRIA: Oi, Arthur. Oi, Sr. Américo.
AMÉRICO (Odilon Wagner): Olá, Ma-
ria Vitória.
ARTHUR: Eu trouxe estas flores para me desculpar. Fui muito rude com você ontem...
RITA: Agradeça a ele, filha.
MARIA VITÓRIA: Obrigada,mas não posso aceitar.
ARTHUR: Como assim?
MARIA VITÓRIA: Eu não te amo. Não sou apaixonada por você e estou sendo obrigada a esse casamento. Com licen-
ça,mas vou atrás de quem eu realmente amo.
Maria Vitória sai de casa apressada.
AMÉRICO: Meu Deus.
ARTHUR: Ela está terminando comi-
go?
RITA: Que vergonha, meu Deus...
Arthur e Américo vão embora. Rita está visivelmente nervosa.
Instrumental Off.
CENA 06-INTERNA/BAR/BANHEI-
RO-NOITE
Instrumental On: https://www.youtube.com/watch?v=oB07R...
Maria Vitória chega ao bar correndo. Vê Danilo limpando o banheiro e entra lá. Ela o beija de surpresa.
DANILO: Ei! O que é isso?
MARIA VITÓRIA: Eu quero amar e ser amada de verdade!
DANILO: Nós nos conhecemos hoje cedo!
MARIA VITÓRIA: Só me ame!
Eles se beijam. Dan observa de longe, boquiaberto. Maria Vitória fecha a po-
rta do banheiro. Os dois se entregam à paixão. A câmera foca no beijo ofega-
nte e mostra o reflexo do casal no espelho.
CENA 07-INTERNA/CASA DE MA-
RIA VITÓRIA/SALA-MANHÃ
Rita e Agenor estão aflitos.
Instrumental Off.
RITA: Onde essa menina se meteu??
AGENOR: Ela se descontrolou ontem...
RITA: Ela é louca!! Deu um fora no Ar-
thur na frente do pai dele. Acabou a parceria,acabou a fazenda,acabou o dinheiro! Acabou tudo!
AGENOR: Não é para tanto!
RITA: Claro que é!
Maria Vitória chega.
AGENOR: Filha!
Instrumental On: https://youtu.be/Z4K-Pn5KdB0
Danilo aparece logo atrás dela.
RITA: O que esse homem está fazendo com você??
MARIA VITÓRIA: Eu estou apaixon-
ada pelo Danilo. Nós estamos namor-
ando.
Rita empalidece de susto. A câmera foca em Maria Vitória e Danilo abraç-
ados.
FIM DO CAPÍTULO
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CENA 05-INT/RESTAURANTE FINO -NOITE
Penélope e João jantam à luz de velas, a mesa arrumada com detalhes de prata e flores. O ambiente é calmo, elegante.
PENÉLOPE – João, isso aqui é a coisa mais linda que eu já vivi. Jantar assim, com tudo perfeito...
JOÃO – Você merece tudo isso e muito mais, meu amor. Eu daria o mundo para você.
Ele se inclina e a beija carinhosamente. Penélope sorri, radiante.
PENÉLOPE – Eu estava mesmo precis-
ando sair um pouco, respirar outros ares. Esse restaurante é maravilhoso.
Ela olha ao redor, admirando o espaço. Poucas mesas ocupadas, tudo limpo e organizado.
JOÃO – É o melhor de toda a cidade de Monte Amaro. Reservei a mesa com meses de antecedência.
PENÉLOPE – Imagino... a conta deve ser bem salgada, né?
JOÃO – Esquece a conta, meu amor. Hoje é só aproveitar, eu cuido de tudo. Você é a minha rainha.
Eles trocam selinhos apaixonados. O garçom chega trazendo mais uma gar-
rafa de vinho gelado.
GARÇOM – Mais uma garrafa, como pedido. Estão gostando da comida?
PENÉLOPE – Está tudo delicioso, para-
béns!
JOÃO – Faço das palavras da minha esposa, as minhas. Está impecável.
GARÇOM – Que ótimo! Qualquer coisa é só chamar.
Ele sai. Penélope e João sorriem um para o outro.
JOÃO – Você dançaria comigo?
PENÉLOPE – Dançaria, mas aviso lo-
go: não mando nada bem na valsa..
JOÃO – Por que valsa?
PENÉLOPE – A música que tá tocando é valsa, não é?
JOÃO – Olha para trás, amor...
Penélope vira a cabeça devagar. No canto do restaurante,está o cantor Raça Negra, com uma rosa vermelha na mão e um microfone. Penélope arr-
egala os olhos, emocionada, e olha para o marido sem acreditar.
PENÉLOPE – Como... como isso é possível?
JOÃO – Você não disse que ele é o seu cantor favorito? Pedi para ele vir esp-
ecialmente aqui, para tornar essa noite ainda mais inesquecível.
Penélope se levanta correndo,abraça João forte e depois vai até o cantor, abraçando-o também. Ele entrega a rosa para ela.
RAÇA NEGRA – Soube que você é a minha fã número um! Que honra con-
hecer você, Penélope.
PENÉLOPE – Sou sim! Não tem um dia que eu não ouça suas músicas enquanto limpo a casa ou cozinho. Você é a tril-
ha sonora da minha vida
Trilha Sonora On:
https://youtu.be/1KKTr8PJmvs?si=BKski...
Todos sorriem. João também se levan-
ta e chega perto.
RAÇA NEGRA – Hoje eu vou cantar especialmente para vocês, em comemo-
ração ao aniversário de casamento.
Ele beija a mão de Penélope, que sorri emocionada.
PENÉLOPE – Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginei isso gente..
O cantor pega o microfone e começa a cantar uma das suas músicas mais românticas. Penélope pega a mão de João, se aproxima dele e ele a envolve num abraço,começando a dançar dev-
agar pelo salão. Penélope se sente a mulher mais feliz do mundo, beija o marido várias vezes enquanto dançam. Raça Negra canta olhando para eles, retribuindo com sorrisos.
CENA 06-INT/CASA DE MARLENE/ SALA/COZINHA-NOITE
Trilha sonora off.
GABRIELA – Você está solto de vez, pai? Não tem mais risco de voltar?
ZÉ RONALDO – Solto definitivamente, minha filha. E agora eu vim para ficar, ficar perto de vocês, recuperar o tem-
po perdido.
Marlene respira fundo, tentando cont-
rolar a ansiedade.
MARLENE – Você poderia ter avisado antes, né? Chegar assim de surpresa...
ZÉ RONALDO – Eu liguei várias vezes mais cedo, mas ninguém atendia. Que vim pessoalmente.
Ele caminha até Marlene, com voz mais suave.
ZÉ RONALDO – E me desculpa por tu-
do que eu fiz, Marlene. Eu errei muito, eu sei. Mas eu mudei, juro que mudei.
MARLENE – O que passou, passou. Não existe mais nada entre nós. Você é o pai da minha filha, só isso.
Selma intervém, tentando amenizar o clima.
SELMA – Você já jantou, Zé Ronaldo? Quer sentar com a gente para comer?
ZÉ RONALDO – Aceito com todo pra-
zer, Dona Selma. Aliás, esses anos que fiquei lá dentro eu fiquei sabendo de muita coisa que aconteceu por aqui. Muita coisa mudou, né?
MARLENE – Mudou tudo mesmo. Nós seguimos a vida, cada um no seu caminho.
Ela pega o buquê de rosas que ele tro-
uxe, leva até a pia, enche um vaso com água e coloca as flores lá, deixando bem visível na mesa, mas sem demo-
nstrar nenhum carinho. Quando volta para a sala, Zé Ronaldo já está ao lado de Gabriela.
ZÉ RONALDO – E eu fiquei sabendo também que a minha filha anda se env-
olvendo com um traficante, é verdade?
GABRIELA – É verdade sim, pai. Mas já acabou tudo.
ZÉ RONALDO – Você tem só 16 anos! Que tipo de tarado se envolve com uma menina da sua idade?
GABRIELA – Já tá resolvido, não existe mais nada entre nós.
ZÉ RONALDO – Ele fez algo contra a sua vontade? Te obrigou a ficar com ele?
MARLENE – Como é que você ficou sabendo disso tudo?
ZÉ RONALDO – Tenho meus contatos, Marlene. Nada passa despercebido.
GABRIELA – Não, pai! Ele não me obrigou em nada. Eu quis, eu gostava dele. Mas já acabou, passou.
ZÉ RONALDO – Então tá bom, não vou fazer nada contra ele... Até não saber toda a verdade.
Selma interrompe, com voz firme e séria.
SELMA – Mas tem uma coisa que você precisa saber, Zé Ronaldo. E que você tem que assumir a responsabilidade agora.
ZÉ RONALDO – O que foi?
SELMA – A Gabriela está grávida.
Grávida do filho dele.
ZÉ RONALDO – Grávida?
Zé Ronaldo olha para Gabriela, que por um momento baixa a cabeça. Olh-
ando para Marlene, que o encara de longe. Voltando o olhar para Gabriela, que olha para ele novamente.
ZÉ RONALDO – Isso é verdade Gabri-
ela?
Clima tenso. Selma e Marlene se olham e em seguida olham para os dois, enq-
uanto Gabriela fica nervosa. Sem saber o que falar.
Zé Ronaldo a encara.
FIM DO CAPÍTULO
2 days ago | [YT] | 9
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