Clube do Livro DCH



Clube do Livro DCH

Neste vídeo, analiso a Carta ao Pai, de Franz Kafka, como uma verdadeira “peça de acusação” de um filho contra a figura opressora do pai. A discussão explora o conflito geracional e o trauma psicológico duradouro, exemplificado pelo “episódio da varanda”, e mostra como essa relação moldou a personalidade intimidada de Franz. Introduzimos também a ideia da escrita, inspirada em Hegel, como um mecanismo para “objetivar” a dor e criar uma distância segura do sofrimento. No entanto, nossa análise não é unilateral: ela considera as possíveis objeções de que Kafka possa ter exagerado, bem como a própria admissão de culpa do autor nessa relação. Por fim, o vídeo relaciona a carta a outras obras de Kafka, como O Veredito e A Metamorfose, e a interpreta como uma forma de autoficção em que a experiência pessoal se converte em elaboração literária, ultrapassando o simples testemunho biográfico.

https://youtu.be/iMljyZV-g4A?si=cW0jE...

3 months ago | [YT] | 2

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Para enriquecer essa discussão, surgiu a lembrança de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, onde aparece a distinção entre vaidade e orgulho.

A vaidade foi descrita como a expectativa de reconhecimento e a construção de uma imagem para os outros. Comentamos que ela é frágil e nos torna vulneráveis, já que depende inteiramente da aprovação alheia.

O orgulho, por sua vez, foi associado aos papéis que buscamos desempenhar e construir, ligado mais ao autoconhecimento. Não se trata de ser reconhecido, mas de corresponder à própria imagem que se quer ter de si mesmo. Vieram exemplos como ser um bom pai, filho, empregado, empregador ou cidadão, ou ainda uma pessoa bem-educada — papéis internalizados que orientam a conduta mesmo quando ninguém está olhando.

Observamos aqui que esse vínculo do orgulho aos papéis tem seus problemas, pois pode gerar rigidez psicológica. Mas, nesta ocasião, a ênfase crítica recaiu mais sobre a vaidade, entendida como supervalorização da alma externa, justamente o ponto de maior fragilidade explorado pelo espelho machadiano.

https://youtu.be/0WJdNByGVXE?si=mNvvI...

4 months ago | [YT] | 0

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Neste vídeo, acompanhamos o encontro completo dedicado ao conto “O Espelho”, de Machado de Assis.

Durante a discussão, os participantes aprofundam a teoria proposta por Machado sobre a natureza humana, segundo a qual cada pessoa teria duas almas: uma interna e outra externa. A alma externa é definida como aquela que "vê de fora para dentro", moldada pelo olhar dos outros, pelo status social e pelo reconhecimento, no caso do protagonista Jacobina, simbolizada pela sua farda de alferes.

O clube debate como essa alma externa pode, em certas circunstâncias, se sobrepor e ocupar todo o espaço da alma interna. Quando Jacobina se vê isolado e sem o olhar de admiração dos outros (a ausência da alma externa), ele corre o risco de perder a si mesmo, sentindo que sua alma interna se atrofia e emudece, um sentimento de perda de identidade. É somente através de um gesto externo (o ato de vestir a farda e se olhar no espelho) que ele consegue recuperar a imagem de si e a energia de sua alma.

A discussão também traça paralelos com a atualidade, especialmente com a busca por validação e a construção de "personas" nas redes sociais, onde a imagem e o reconhecimento externo se tornam fundamentais.

https://youtu.be/DgyUM5oSM54?si=xn3vs...

4 months ago | [YT] | 0

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Neste encontro, discutimos os capítulos 15 e 16 do livro "Uma Mente Livre", de Steven Hayes, que exploram a aplicação da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para promover mudanças e lidar com problemas de saúde mental [08:29].

Temas e Argumentos Principais:

Flexibilidade Psicológica como Alternativa à Rigidez: Um argumento central é que a rigidez psicológica e a tentativa de controlar pensamentos e emoções são, muitas vezes, o que nos impede de mudar. A ACT propõe, em vez de "sermões" internos ou externos, uma abordagem mais flexível para promover mudanças em áreas como dieta, exercícios e sono [02:41]. A rigidez nos aprisiona em ciclos de autocrítica e inação, enquanto a flexibilidade nos permite acolher o desconforto e agir na direção dos nossos valores.

Mudar a Relação com o Sofrimento: A ACT parte do princípio de que o sofrimento é uma parte inevitável da vida. Em vez de tentar eliminar a dor, a ansiedade ou o estresse, a terapia busca diminuir nossa reatividade a eles. A metáfora de uma pia com um ralo foi usada para ilustrar como podemos "escoar" o elemento reativo ao estresse, lidando com ele de forma mais saudável [05:17].

A Saúde Mental é uma Questão de Todos: O vídeo critica a visão puramente biomédica dos transtornos mentais, que pode levar à culpabilização do indivíduo. A ACT defende que "a saúde mental não é uma questão deles, é uma questão nossa" [01:01:55], ressaltando que a rigidez psicológica e a evitação emocional são processos humanos universais que potencializam o sofrimento.

Aplicações Práticas da ACT:

Transtornos Alimentares: A terapia oferece estratégias para lidar com a autoimagem corporal crítica, promovendo um distanciamento de pensamentos cruéis através do "eu observador" [01:19:32]. O foco muda da restrição para a busca de valores e propósitos de vida afirmativos [01:24:05].

Ansiedade: A ACT complementa terapias de exposição ao ensinar a aceitar o desconforto, preparando a pessoa para enfrentar seus medos sem ser dominada pela resistência [01:13:16].

Uso de Substâncias: O abuso é visto como uma forma de evitar sentimentos difíceis. A ACT ajuda a pessoa a "surfar no impulso" [01:18:05], ou seja, a observar o desejo sem agir sobre ele, compreendendo o que está sendo evitado e buscando formas mais construtivas de lidar com a dor.

Psicose: Utilizando o filme "Uma Mente Brilhante" como exemplo, foi mostrado como é possível mudar a relação com os sintomas. Em vez de lutar contra os delírios, o protagonista aprende a observá-los à distância, sem dar consentimento a eles, e a focar no que é realmente importante em sua vida [01:27:16].

https://youtu.be/YWQU_NUGOJg?si=qvuqi...

4 months ago | [YT] | 0

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Com mais de dez anos de encontros em nosso clube literário, eu seria um tanto sonso se dissesse que a pergunta "você separa o autor da obra?" nunca surgiu em nosso caminho.

A verdade, porém, é que essa questão sempre nos pareceu estranha, quase invertida. Para nós, a pergunta mais natural, de acordo com nossa abordagem, seria: "Você une o autor e a obra?". E digo isso porque, para nós, a conexão entre um texto e a biografia de quem o escreveu não está dada de partida; ela só acontece através de mediações muito complexas e cheias de espaços para disputa.

Talvez seja um vício de formação nosso, mas costumamos dizer que as pessoas aprendem sobre a literatura antes de aprender a leitura literária. O ensino ainda foca muito em elementos externos, como a biografia e as classificações de época, e o texto mesmo acaba vindo depois. Isso é justamente o que nosso clube nunca se permitiu fazer.

Por isso, um lema nos acompanha há muito tempo:
"Não é a vida que explica a obra; é a obra que explica a vida."

Isso significa que nunca partimos dos dados biográficos como chave de leitura. Começamos pelo texto, em um esforço sincero para compreender suas múltiplas possibilidades. E só no final, como um momento derradeiro e apenas uma possibilidade entre tantas outras, é que a obra pode, talvez, iluminar algo sobre a vida do autor.

E para você, como essa relação entre autor e obra funciona nas suas leituras?

#ClubeLiterario #AutorEObra #Leitura #LeituraLiteraria #MetodoDeLeitura #AnaliseLiteraria #LivrosELeitura #Debate

youtube.com/shorts/K7Q9mpHIXS...

4 months ago | [YT] | 0

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Como a literatura nos ajuda a entender a vida? Neste corte sobre o conto de Alice Munro, mergulhamos no delicado e devastador processo do Alzheimer.

A história nos guia pelas etapas da perda:
As etiquetas: A tentativa de organizar um mundo que desmorona.
A quebra da intimidade: O momento em que o código do casal se perde.
A mudança externa: As roupas e os cabelos que já não são os dela, simbolizando a perda do "eu".

Em certo ponto, a análise deu lugar à emoção, ao tocar na dúvida que assombra a todos que vivem essa realidade: "ainda é você aí dentro?".

Você já sentiu a literatura te tocar de forma tão profunda? Compartilhe sua experiência com a gente.

#AliceMunro #EncontroLiterario #Alzheimer

https://youtu.be/MZq9Oh63jDw?si=_eobU...

4 months ago | [YT] | 0

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Existem diversas teorias que buscam conceituar a literatura, como as da ficcionalidade, do estranhamento e do desvio. Em nosso clube literário, não adotamos uma concepção única ou essencialista. Alinhados a uma teoria mais relacional, preferimos dialogar com as muitas compreensões sobre o que chamamos de literatura.

Para analisar A Metamorfose de Franz Kafka no vídeo abaixo, por exemplo, a aplicação do conceito de estranhamento/desfamiliarização de Viktor Shklovski é especialmente útil e produtiva. Fica a dica para assistirem. Vale a pena!

https://youtu.be/x7cwXnALMLI?si=xFCgg...

5 months ago | [YT] | 0