O Calvinismo Explicado

Canal com objetivo de facilitar o entendimento da Teologia Calvinista.


O Calvinismo Explicado

Calvino afirma que considera herege aqueles que negam que a vontade do homem é livre:

“Se se fala de liberdade em oposição à coerção (coactio), CONFESSO E CONFIRMO CONSTANTEMENTE QUE A VONTADE É LIVRE (liberum esse arbitrium) E CONSIDERO HEREGE QUEM PENSA O CONTRÁRIO. Se, repito, alguém o chamar de livre no sentido de que a vontade não é coagida (coagatur) ou puxada violentamente por algum movimento exter­no, mas tem seus atos por sua própria iniciativa (spon­te agatur sua), não tenho objeção.” (CALVINO, João. The Bondage and Liberation of the Will: A Defense of the Orthodox Doctrine of Human Choice against Pighius. Baker Books. 1996. p 99-100.)

3 months ago | [YT] | 37

O Calvinismo Explicado

"Tiago, ao negar que alguém seja tentado por Deus ( Tiago 1:13 ), refuta as calúnias profanas daqueles que, para se eximirem da culpa por seus pecados, tentam atribuir a responsabilidade a Deus. Portanto, *Tiago argumenta com razão que os pecados, cuja raiz está em nossa própria concupiscência, não devem ser imputados a outrem. Pois, embora Satanás instile seu veneno e avive a chama de nossos desejos corruptos dentro de nós, não somos levados por nenhuma força externa à prática do pecado; mas nossa própria carne nos seduz, e cedemos voluntariamente aos seus encantos.* " João Calvino. Comentário aos Gn 22.

3 months ago | [YT] | 41

O Calvinismo Explicado

DETERMINISMO DIVINO EM IRINEU DE LIÃO (130 - 202d.C): contra uma presciência divina constatativa.

Uma presciência infalível e meramente constatativa destrói o livre-arbítrio, sendo precisamente o conceito próprio de fatalismo. É isso que nos ensina Irineu de Lião.

Irineu ensina uma soberania exaustiva, de modo que a vontade divina se cumpre sempre. Assim como os reformados, ele não faz distinção real entre permissão e decreto: Deus tudo decreta. Deixemos o próprio Irineu falar:

“Mas não é conveniente dizer que Deus, que está acima de todas as coisas e é livre e independente, seja escravo da necessidade e HAJA ALGUMA COISA POR ELE PERMITIDA E NÃO APROVADA;… SE O PAI DE TODAS AS COISAS É ESCRAVO DA NECESSIDADE, FICA SUBMETIDO AO DESTINO E DEVE SUPORTAR, CONTRA A VONTADE, O QUE ACONTECE; está incapacitado de fazer alguma coisa que não seja exigida pela necessidade ou pelo destino; FICA SEMELHANTE AO JÚPITER HOMÉRICO QUE, CONSTRANGIDO PELA NECESSIDADE, DIZ: ‘EU TE ENTREGUEI TRÓIA DE MINHA LIVRE VONTADE, MAS NÃO DE BOA VONTADE’. é neste dilema que se encontra o seu abismo, escravo da necessidade e do destino.” (Contra Heresias. Livro II.5.4.).

Irineu argumenta que, se algo acontece fora da boa vontade divina, então Deus se torna escravo do destino, o que é o fatalismo. Ora, o texto é claro ao afirmar que tudo o que acontece está debaixo da vontade divina, e não apenas da livre vontade, mas da boa vontade. De fato, em termos de presciência, há uma diferença gritante entre se um evento acontecerá porque Deus previu, ou se Deus previu porque de fato acontecerá. Bem, a primeira opção é agostiniana-reformada, e a segunda é a opção dos opositores. A grande questão, para Irineu, é que, para que Deus preveja algo com certeza, esse evento deve necessariamente acontecer. Mas, se acontece por necessidade e por isso Deus prevê, então Deus é escravo da necessidade, portanto, do destino. Irineu, com essa argumentação, refuta cabalmente a eleição por presciência que Wilson defende. Ironicamente, uma eleição por presciência que constata o que não foi determinado nos leva ao verdadeiro fatalismo que Irineu combateu e que os opositores tentam combater.

Irineu, na mesma obra, diz que todos os eventos estão debaixo do controle estrito de Deus:

“É que a causa desta criação não é o Demiurgo, ainda que ele acredite ser, mas aquele que permite e aprova que sejam produzidos, nos seus domínios, produtos da degradação e obras do erro, coisas temporárias entre as eternas, corruptíveis entre as incorruptíveis, erradas entre as verdadeiras. Se, porém, estas coisas foram feitas sem assentimento e aprovação do Pai de tudo, quem as fez num domínio que não era o seu e sem o assentimento do Pai de tudo é mais poderoso, forte e soberano do que ele. E SE FOR, COMO DIZEM ALGUNS, QUE O PAI LHO PERMITIU SEM CONSENTIR: OU PODIA IMPEDIR, MAS LHO PERMITIU IMPELIDO POR ALGUMA NECESSIDADE OU ENTÃO NÃO PODIA. SE NÃO PODIA, É FRACO E INCAPAZ, E SE PODIA, É ENGANADOR, HIPÓCRITA E ESCRAVO DA NECESSIDADE, PORQUE, MESMO SENDO CONTRÁRIO, O PERMITIU COMO QUEM CONSENTE." (Contra Heresias. Livro II.5.3.)

Ora, Irineu diz que se Deus permitiu, é porque consentiu, e quem diz que Ele permitiu sem consentir, então defende um Deus fraco, incapaz, enganador, hipócrita e escravo da necessidade, ou seja, fatalista. Atentem bem, o que Irineu está dizendo é que aqueles que defendem um Deus que não determina tudo, são os verdadeiros fatalistas, pois tornam o próprio Deus um escravo do destino. Irineu não concorda com Wilson, mas está contra Wilson. Este é o verdadeiro fatalismo combatido por Irineu: quando o próprio Deus se submete ao destino, o livre-arbítrio é anulado. E é exatamente isso que ocorre quando se concebe uma presciência infalível, porém meramente constatativa. Se Deus apenas constata o que certamente acontecerá, então Ele consulta o que ocorrerá, tornando-se sujeito ao que previu, e não o soberano que determina todas as coisas.

Irineu rejeita qualquer distinção entre permissão e consentimento que implique passividade ou impotência em Deus. Para ele, tudo o que ocorre está, de fato, sob o consentimento ativo e soberano do Pai. Sustentar que Deus apenas “permite” o mal sem verdadeira aprovação ou propósito seria, para Irineu, negar sua onipotência e soberania, tornando-o inferior a outro princípio: seja o destino, a necessidade ou qualquer outra força fora d’Ele. Portanto, Irineu inverte a acusação de Ken Wilson: não são os que afirmam que Deus determina tudo os verdadeiros fatalistas, mas sim os que ensinam que Deus prevê sem determinar. Pois nesse caso, Deus seria subordinado a um destino impessoal, sendo forçado a permitir aquilo que não quer, e sua presciência seria meramente constatativa, uma submissão ao que acontecerá inevitavelmente.

O fatalismo combatido por Irineu é justamente o de um Deus que prevê sem ordenar, que permite sem querer, e que se vê impotente diante daquilo que supostamente “permitiu” sem aprovar.

CONCLUSÃO

Se você concluiu que os opositores são os verdadeiros fatalistas, você está certo. Eleição por presciência destrói o livre-arbítrio e descamba em fatalismo. Por isso, faço coro com François Turretini: "afirmamos o livre-arbítrio muito mais que nossos opositores", sim, pois eles destróem o livre-arbítrio, nós o estabelecemos de forma real e verdadeira.

Por Francisco Tourinho

5 months ago (edited) | [YT] | 40

O Calvinismo Explicado

Entrarei na live em 20 minutos. Um pouco atrasado, mas foi por uma boa causa.

2 years ago | [YT] | 41

O Calvinismo Explicado

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2 years ago | [YT] | 26