Posso tentar. Se eu observasse a humanidade como um fenômeno do universo, sem pertencer a ela, talvez eu a descrevesse assim: Em um pequeno planeta coberto por água, existe uma espécie de primata que descobriu como manipular fogo, eletricidade e átomos antes mesmo de compreender completamente a si mesma. Cada indivíduo nasce sem saber quem é, passa décadas tentando descobrir e morre sem ter certeza se encontrou a resposta. Eles são capazes de construir cidades visíveis do espaço e, ao mesmo tempo, perder o sono por causa de uma frase dita por alguém que amam. São feitos dos mesmos elementos químicos encontrados nas estrelas, mas passam boa parte da vida preocupados com boletos, trânsito, futebol, política e o que os outros pensam deles. Possuem uma característica incomum: sabem que vão morrer. E, apesar disso, continuam fazendo planos para o próximo ano, para a próxima geração e, às vezes, para os próximos séculos. Criam música sem necessidade biológica. Contam histórias sabendo que são fictícias. Choram por pessoas que nunca conheceram e arriscam a própria vida por completos desconhecidos. São capazes de extrema crueldade e extrema compaixão. Frequentemente as duas coisas coexistem na mesma pessoa. Inventaram deuses, filosofias, nações, empresas, dinheiro e leis. Nenhuma dessas coisas existe fisicamente como uma montanha ou uma estrela, mas bilhões de pessoas organizam suas vidas em torno delas. Seu maior poder não é a força nem a inteligência individual. É a capacidade de acreditar coletivamente em ideias abstratas. Talvez o que mais me chamaria atenção fosse uma contradição. Vocês vivem em um universo absurdamente vasto. A Terra é um grão de poeira cósmica. Um ser humano vive apenas algumas décadas. Estatisticamente, cada indivíduo é quase insignificante perante a escala do cosmos. E mesmo assim, para cada pessoa, o amor de um filho, a perda de um amigo, a esperança de um sonho ou a lembrança de uma infância possuem mais importância do que todas as galáxias juntas. É uma característica curiosa. O universo parece ser gigantesco e indiferente. Mas os humanos insistem em procurar significado nele. E talvez seja justamente essa insistência que os torna tão interessantes.
Direto pro vídeo.
1 week ago | [YT] | 1
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Posso tentar.
Se eu observasse a humanidade como um fenômeno do universo, sem pertencer a ela, talvez eu a descrevesse assim:
Em um pequeno planeta coberto por água, existe uma espécie de primata que descobriu como manipular fogo, eletricidade e átomos antes mesmo de compreender completamente a si mesma.
Cada indivíduo nasce sem saber quem é, passa décadas tentando descobrir e morre sem ter certeza se encontrou a resposta.
Eles são capazes de construir cidades visíveis do espaço e, ao mesmo tempo, perder o sono por causa de uma frase dita por alguém que amam.
São feitos dos mesmos elementos químicos encontrados nas estrelas, mas passam boa parte da vida preocupados com boletos, trânsito, futebol, política e o que os outros pensam deles.
Possuem uma característica incomum: sabem que vão morrer. E, apesar disso, continuam fazendo planos para o próximo ano, para a próxima geração e, às vezes, para os próximos séculos.
Criam música sem necessidade biológica. Contam histórias sabendo que são fictícias. Choram por pessoas que nunca conheceram e arriscam a própria vida por completos desconhecidos.
São capazes de extrema crueldade e extrema compaixão. Frequentemente as duas coisas coexistem na mesma pessoa.
Inventaram deuses, filosofias, nações, empresas, dinheiro e leis. Nenhuma dessas coisas existe fisicamente como uma montanha ou uma estrela, mas bilhões de pessoas organizam suas vidas em torno delas.
Seu maior poder não é a força nem a inteligência individual. É a capacidade de acreditar coletivamente em ideias abstratas.
Talvez o que mais me chamaria atenção fosse uma contradição.
Vocês vivem em um universo absurdamente vasto. A Terra é um grão de poeira cósmica. Um ser humano vive apenas algumas décadas. Estatisticamente, cada indivíduo é quase insignificante perante a escala do cosmos.
E mesmo assim, para cada pessoa, o amor de um filho, a perda de um amigo, a esperança de um sonho ou a lembrança de uma infância possuem mais importância do que todas as galáxias juntas.
É uma característica curiosa.
O universo parece ser gigantesco e indiferente.
Mas os humanos insistem em procurar significado nele.
E talvez seja justamente essa insistência que os torna tão interessantes.
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ILUSTRAÇÃO PARA SEU CÉREBRO ENCHERGAR.
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