Sobre nosso último vídeo postado! ( assista-o antes de ler )
Olá amigos, estou feliz com o resultado do vídeo, quero aqui trazer um pequeno complemento que acho que ficou faltando. Na parte de Photagogia, comentei sobre as revelações teofânicas alcançadas nas práticas, mas acabei não mencionando o funcionamento dos "níveis" destas aparições.
Quando os rituais “potaghogicos” são realizados, o praticante se tornava um paralíptis, um "destinatário". Ele é enviado para algum lugar, e com isso vai obter revelação. As imagens simbólicas começam a se apresentar e isso faz acumular uma série de inspirações que irão ajudá-lo a purificar-se (se houver necessidade), ou comandar o seu destino (Providência).
A ação luminosa poderia ter níveis de expansão diferentes. Quem fala muito sobre isso é Proclo, constantemente trabalhando o tema do nivelamento da teofania. Tais imagens teofânicas podem ocorrer quando a divindade se assemelha a um humano. Talvez o caso mais clássico que temos seria o relato de Eunápio e alguns discípulos de Jâmblico. Durante uma visita às termas de Gádara, na Síria, Jâmblico tocou a água de uma fonte e pronunciou uma breve invocação. Em seguida um jovem menino de pele clara e cabelos dourados emergiu da fonte, brilhando como alguém banhado pela luz divina. Após este evento, segundo o relato, ocorre outra aparição em outra fonte. Pelo que é entendido, Jâmblico invocou as divindades associadas às fontes Eros e Anteros.
Temos aqui uma narração lendária documentada e interpretada como fato histórico segundo Eunápio, irei deixar o trecho a seguir e linkarei uma ilustração moderna desta mesma cena:
"Após os ritos terem sido devidamente realizados e enquanto retornavam à cidade, caminhando devagar e sem pressa — pois a conversa girava em torno dos deuses, como era próprio do sacrifício —, Jâmblico, ainda em meio à conversa, perdeu-se em pensamentos, como se sua voz lhe tivesse sido cortada, e por alguns instantes fixou os olhos no chão 25 e então olhou para seus companheiros e os chamou em voz alta: "Vamos por outro caminho, pois um cadáver foi levado por aqui recentemente. Algum tempo depois, decidiram ir a Gadara, um lugar na Síria com banhos termais, inferiores apenas aos de Baiae, na Itália, com os quais nenhum outro banho pode ser comparado. 28 Então, partiram no verão. Ora, ele estava se banhando e os outros se banhavam com ele, e insistiam da mesma forma, quando Jâmblico sorriu e disse: "É uma irreverência aos deuses dar-lhes esta demonstração, mas farei por vocês." Havia duas fontes termais menores que as outras, mas mais bonitas, e ele ordenou a seus discípulos que perguntassem aos nativos do lugar por que eram chamadas antigamente. Quando cumpriram o que ele pediu, disseram: "Não há fingimento nisso, esta fonte se chama Eros, e o nome da próxima é Anteros." Ele imediatamente tocou a água com a mão — por acaso, estava sentado na borda da fonte, onde a água transborda — e, proferindo uma breve invocação, chamou um menino das profundezas da fonte. Ele tinha pele branca e estatura mediana, seus cabelos eram dourados e suas costas e peito brilhavam; e ele se parecia exatamente com alguém que estava se banhando ou que acabara de se banhar. Seus discípulos ficaram maravilhados, mas Jâmblico disse: "Vamos para a próxima fonte", e se levantou e os guiou, com um ar pensativo."
Enfim, era comum que mensagens teofânicas ocorressem de forma mais sutil também. Rituais poderiam produzir formas geométricas ou simplesmente luzes piscantes. Proclo aborda o tema não de forma organizada, mas esse esquema é principalmente falado por pesquisadores do neoplatonismo e praticantes.
Na Mesopotâmia, especialmente nas tradições acádias e babilônicas, existia uma “longa lista” de ancestrais que eram invocados para auxiliar e proteger os povos em seus reinos. Compreendia-se que os conflitos eram causados por entidades inferiores, demônios e espíritos hostis. O cosmos estava dividido em níveis altos e baixos, onde certos nomes poderiam ser empregados como “âncoras” e “dispositivos de poder”. Teurgicamente, era preciso fazer a “Phōtagōgía”, para gerar a transferência da luz divina aos lugares obscuros.
O mal deveria ser: 1. Identificado; 2. Purificado; e 3. Encerrado.
Esta estrutura reaparece, muitos séculos depois, nas tradições textuais da magia cerimonial da Europa, moldada pela teologia cristã — já distanciada de Platão e reinterpretada pela visão de Pseudo-Dionísio Areopagita.
Para a maioria de nós, modernos, é quase patético lermos coisas desse tipo sem julgar os magos antigos, sacerdotes e exorcistas da Mesopotâmia como loucos afundados em suas crendices e imaginação. Querendo ou não, a prática de "combater o mal" continua sendo e sempre será uma necessidade humana diária.
Um ponto interessante é que os modelos rituais dos antigos promovem uma estrutura de entendimento que pode ser aplicada em nossos tempos, pois constituem uma forma de compreender e reorganizar a realidade. Podemos, por exemplo, simbolicamente enxergar as guerras como grandes catarses coletivas. Guerra coletiva alguma é desejável ou moralmente justificável, apenas torna-se uma triste maneira de "liberar tensões acumuladas entre povos".
Identificar essa "hieropraxis" dos antigos se torna uma ferramenta antropológica útil para avaliar "ocorrências imaginais" que geram "problemas reais" em nossas vidas. Sim, todo problema gerado é um crosta acumulada de energia não direcionada.
Muito antes dos antropólogos, já haviam neoplatônicos que trabalhavam a eficácia dos rituais por meio da noção de participação (méthexis), segundo a qual o reino material podia participar das realidades divinas. Era entendido que todas as coisas pertenciam a um "lugar celestial" - e isso era igualmente comum nas escrituras astrológicas que falavam sobre os "senhores planetários" e a regência de tais ciclos na vida terrestre.
A questão é que existem boas e más influências, bons e maus senhores, e o tema da “governança do mal” vai além das questões arcônticas do gnosticismo. Está presente em diversas cosmologias, na literatura apocalíptica judaica, na mitologia acadiana, nas demonologias cristãs e na astrologia helenística. Não existe maneira simples de falar sobre o mal e a prática gnoseologica, por isso será um desafio gravar esse futuro vídeo.
Este então será o complicado tema: O Mal nas Questões Arcônticas e a Phōtagōgía Teúrgica.
A entrada e a saída das almas na geração será o tema do nosso próximo vídeo. Como o conceito da “escada cósmica” foi interpretado pelos antigos em diferentes sistemas filosóficos e quais os métodos de “subida” nesta escalada rumo ao divino?
Qual a diferença entre tradição esotérica ocidental e oriental? Como funciona os elementos ascensionais na chamada “celestialização” do homem terrestre, de acordo com a astrologia helenística e medieval? Como a alquimia e outras tradições desenvolvem o tema da libertação material?
Excelente semana amigos! ☕ O que acharam do último vídeo? Houveram muitos comentários e por isso decidi esclarecer alguns pontos importantes aqui neste post (sobre a psicologização da magia - assista o vídeo antes de ler).
1. Não tenho entendimento para falar de Crowley.
- É simples: Evitei comentar sobre o que não me é familiar. Não li o bastante sobre ele, ou Thelema para falar durante longos minutos a respeito. Respeito a liberdade de cada um seguir o que acreditar. É melhor aqueles que de fato estudam Crowley falarem dele.
2. Gosto da psicologia como estudo individual, mas acho interessante separa-la de certos assuntos mágicos (respeitando limites de onde começa e termina cada um).
- Inclusive sou suspeito para falar dos conceitos abordados na psicologia profunda, visto que aqui no canal já mencionei diversas vezes ideias de neo-junguianos (como obras de Edward F. Edinger, por exemplo). Creio que a psicologia é bastante interessante sim, em especial quando se dedica aos estudos simbólicos e unida a outros campos como a antropologia ou filosofia clássica. Não estou gostando do atual movimento que existe com a "mistificação de Carl G. Jung", que inclusive tinha ideias bem opostas a certas crenças esotéricas, apesar de profundo interesse teórico/metafórico nestas (e isso para alguns é uma contradição, mas não vejo desse modo). Existem livros aí que falam que Jung era mago, alquimista, astrólogo etc. Nada disso é verdade. Sim, ele investiga tais áreas, mas não se adequa vivencialmente a nenhuma delas como víamos entre os antigos. O melhor exemplo talvez seja a alquimia. No espectro junguiano a alquimia é enxergada a partir de uma roupagem moderna, dentro da releitura metafórica e iconográfica, onde ele apanha símbolos negligenciados do cristianismo eclesiástico que escorrem aos porões e são assim denunciados a partir de um trabalho operativo, mas em nenhum momento ele vai tocar em vidro algum pra falar da alquimia, seu foco era estritamente iconográfico e simbólico. É interessante? Muito, principalmente se fizermos a devida separação e não forçarmos a barra. Jung conhece de símbolos, mas não sentiu o "calor" dos fornos. Inclusive, fiz um vídeo de 4 horas da obra anatomia da psique, do E. F. Edinger, a primeira hora está postada aqui no nosso canal, confira. Uma excelente recomendação de um canal que consegue muito bem exercer a fusão do esoterismo com o psicológico (sem vender mais uma coisa do que outra) é o "Abbas - The Alchemist". Verifiquem.
3. Sobre eu ter comentado de que a magia requer certo isolamento.
- Aqui nos cabe até questionar o seguinte: O fato da magia não ser provada em nível social é exatamente um problema para quem? Para o praticante que está obtendo os seus resultados, ou para as massas que não possuem linguagem para entender este sujeito e deseja ao máximo reduzi-lo a uma categoria religiosa/esquizofrênica? Na visão popular, "dados científicos" sempre serão maiores do que um suposto mago "fazendo magias em seu quarto". É meus caros, a legitimação da magia não precisa ocorrer a partir de uma adequação científica, mas sim pela preservação de sua real natureza e em um nível particular. Empurrar a magia para o cientificismo é bastante desagradável para ambos os lados. Os fenômenos que rodeiam a magia favorecem a crença na própria magia e isso reforça a ideia de não precisarmos ter que disseca-la em explicações. Gosto da noção histórica e antropológica da magia, aqui sim existe um respeito e compreensão maior. Apesar de frequentemente estudada, a magia sempre será uma descoberta pessoal. Obviamente ela se tornou mal vista por aqueles que não compreendiam o seu funcionamento, mas igual, falado de outra forma, eu acredito que não precisamos forçadamente cientificar a magia, explicando tudo ou tornar tudo psíquico para tentar, de algum modo, validar um pensamento que naturalmente não se preocupava em ser explicado ou validado a todas as pessoas. Quem diria, não é? A magia não quer essa popularidade ou compreensão toda que tentam entregar a ela. Sendo assim, vejo bastante sentido no pensamento de Lévi, que nos diz que "o mago deve isolar-se no começo [...]" para haver destaque das cadeias presentes na luz astral (ver DRAM).
4. Sobre o "problema" de sistemas mágicos:
- Temos de um lado isso que chamamos de magia, que é algo meio intocável, no sentido primordial da coisa, pois está intrínseca à realidade humana e consegue participar da vida em diversos momentos. Do outro lado temos crenças, visões de mundo, conflitos históricos, políticos, noções pessoais, que o máximo que irão fazer é desenvolverem sistemas para se visualizar e operar a magia com uma maior ou menor abertura. Sendo assim, ao meu ver, existem coisas que funcionam mais e coisas que funcionam menos, pois o modus operandi não é o ser em si, é apenas a maneira que esse “ser - magia” será manuseado.
Sim, essa noção pode servir como um contra-argumento e tornar a magia meio "intocável". É semelhante as ideias glorificantes que Eliphas Lévi trabalha, em especial no livro A história da Magia, que apesar de ter um apelo mais catolicista da coisa (não que o catolicismo seja necessariamente ruim, só acho que poderíamos ter uma visão mais neutra), ainda recomendo bastante essa obra.
5. Reforçando minha noção do fenômeno da entidade (também chamada de problema demonológico em alguns estudos).
- Como assim Cláudio?! Em pleno 2026, século XXI, você toca a sua vida a partir de crenças? Pois é amigos, cá estou eu seguindo o que acredito. Obviamente isso é uma crença pessoal, que unifiquei à experiências pessoas (e, felizmente, intransferíveis). Inclusive já havia comentado sobre magia do caos aqui no canal antigamente, assim como outras noções da ideia mágica que se interligavam à psicologia, logo, sou a favor da investigação mesmo, de cada um ver o que é melhor para si. A minha visão é que uma entidade visualizada em uma experiência, existe independente do praticante. A entidade/o espírito existe além da vontade do praticante em desejar vê-la (ver o "exemplo tosco" do avô que falei no minuto 21:30). No entanto a partir do momento que o praticante experimenta essa visão, ele faz isso por conta da sua própria capacidade interpretativa (que tem sim uma ligação natural com a sua psique). Isso é óbvio, vemos a vida por certa lente de interpretação, pois se assim não, nunca iriamos ver nada, perceber nada, nem estar vivo. Mas é ver, não criar. Resumindo, sustento a ideia de que a psique não criou a entidade, mas foi utilizada para interpretar a entidade. A entidade é uma força/consciência real e destacada, que recebeu uma "roupa" que o próprio mundo lhe vestiu no imaginário/folclore/fantasias. Eu interpreto a entidade, não desdobro ela. Essa é minha visão. Interpretação é diferente de desdobramento. interpretação é a atribuição de sentido a algo real (subjetivo ou crítico). Desdobramento, neste nosso exemplo, é desmembramento. Pensar algo como "eu sou aquele anjo, eu sou aquele demônio, eu sou Deus". Eu não sigo essa visão. Eu penso de que o cosmos, assim como a natureza a nossa volta, já esta criada antes de nós. A única coisa que posso fazer é interpretar a vida e com isso criar meu próprio caminho.
O tema "psicologização da magia" é uma questão complexa que se desenvolve além de tentarmos responder se um espírito, um demônio ou um anjo são projeções do inconsciente de um mago ou se são entidades reais, existentes além do psiquismo do operador. Devemos estudar o abismo que há entre magia antiga e moderna, pois a primeira se forma a partir de um olhar "symphatéico" da realidade, enquanto a outra busca libertação de velhos dogmas, rompimento hierárquico e exercício do poder mental. Será que o tempo muda a magia? Como esta sobreviveu ao "desencantamento" do mundo? A magia está além de questões culturais?
Em breve falarei sobre esse assunto espinhoso, no próximo vídeo.
Paracelso fez diversas pesquisas corpusculares e sua alquimia gerou forte influência medicinal nos avanços iatroquímicos e farmacêuticos. Ele também desenvolve conceitos filosóficos como o "Corpo Sideral" e ideias da Magia Astral, inspirando posteriores pesquisas a progredirem temáticas do "astral" em abordagens matemáticas (cômputo astrológico), teológicas (pneumatologia) e conscienciais (noções modernas).
O estudo das "saídas fora do corpo", "desdobramentos" ou "projeção astral", geralmente são abordados de um modo prático (quase sempre "vestindo" uma roupa new age, associando-se ao espiritismo ou "filosofia blavatskyana"). Pouco se fala sobre manuscritos e civilizações antigas que relatavam tais fenômenos espirituais.
Compreender o plano astral se tornou uma preocupação real no final do século XIX e muitos grupos dedicaram-se à "montar uma estrutura" acerca deste reino, com anotações de experimentos e vínculos à ideias do emanacionismo e ontologismo platônico.
Como comunidades modernas do ocultismo "surfaram" na "onda astral" e porquê (existencialmente falando) este é um tema importante? Como Paracelso, com sua alquimia inspirada por medievais, irá manusear o "pensamento astral"?
SOBRE OS 7 SENHORES DO MUNDO (TEREMOS VÍDEO SOBRE!)
Segundo o hermetismo antigo (que não tem nada a ver com o caibalion), enquanto a alma do homem se encontra semeada no mundo geracional, e suas paixões são "escritas" por astros móveis (os errantes), a sua "libertação" existe além destas esferas menores, que são, a grosso modo, "vestimentas criadas para refletirem arquétipos".
Isto também é visto em manuscritos católicos do século XII (por exemplo nas obras de Hildegarda de Bingen), onde os astros se assemelham a "pregos" para fincarem os homens na Terra.
Para os que assistiram nosso último vídeo (nos exatos minutos: 54:38 - 56:21) falei brevemente sobre a imagem da "Caverna dos adeptos", que segue uma noção cosmocêntrica e hierárquica da realidade.
Nesta soteriologia hermética, a humanidade inteira precisaria "se despir de sua velha túnica", para enfim realizar-se em níveis sublimes (alcançando a oitava esfera - hipercósmica). Nesta condição, iriamos "encerrar o ciclo de imagens", como fazem os monges nas montanhas, ao não produzirem pensamentos/desejos (evaporando assim uma parte de seu mundo astral e mental).
Bom talvez não sejamos exatamente como os monges, mas creio que iremos alcançar a tão aguardada "paz interior" ou "Autorrealização".
Este movimento de transcendência sempre foi e ainda é muito importante, como se é visto nos fragmentos de Estobeu, "a fatalidade conduz e reconduz todas as coisas", assim sendo, aquele velho vício que guardamos no baú de nossas memórias, nada mais é do que uma fatalidade viva, incapaz de se curvar para a morte. Esforços colossais precisarão ser efetuados, como diz Edinger ao falar do processo de "secagem dos complexos".
Já que no início o ser humano primordial atravessou as esferas e infiltrou-se na Natureza, observou seu reflexo nas águas e se "percebeu matéria" (Clássica ideia da entrada nas "camadas do mundo", que depois poderão ser consideradas em alguns outros estudos "planos de manifestação" , descrevendo assim o modelo de mundo "copiado" ou "assinalado", mais comumente trabalhado em Platão), agora ele precisa acordar deste "sono" no qual havia entrado e que participa até agora.
Todos nós temos um lado divino. O chamado "homem espiritual" vive além da argila de seu corpo, mas para perceber essa experiência, precisamos transformar a perspectiva de "observado" para "observador", ou em outras palavras, precisamos "mudar nosso ponto de vista sobre a nossa própria realidade", pois o pneumatikós aguarda ser descoberto em seu próprio desdobramento material.
Os sete senhores (arcontes nas tradições gnósticas, ou "forças que criam temperamentos" em outras linhas), vivem como representantes dos planos terrestres. A magia celestial se encarregou por atrair ou repelir estas forças, a partir de entidades que vinculam suas dádivas ou males.
Particularmente, eu gosto da maneira pela qual a alquimia desenvolveu tal imagologia, principalmente por conta do trabalho com a matéria a partir da criação de preparados e arcanos.
Um dos clássicos exemplos é a criação dos 7 servos planetários (ou 7 governadores/professores). Trata-se de 7 preparados específicos (podem ser magistérios, tinturas ou quintessências por exemplo), para cada astro errante. São "medicinas espagíricas usadas para corrigir nossos próprios desequilíbrios", como afirma Robert Bartlett. Tais preparações seguem a clássica doutrina das assinaturas, trabalhada por Paracelso e outros.
Seus trabalhos podem ser prosseguidos por rituais formais, jejuns ou experiências espirituais diretas (mais raramente a própria "gnose").
Tem interesse nesses temas? Veja nosso último vídeo, ou acesse nosso site para saber mais!
O que é uma CALCINAÇÃO? A calcinação deriva seu nome da palavra "calx", um termo antigo que significa cal viva (óxido de cálcio).
É a pulverização de um determinado material (normalmente "desanimado"). Calcinações eram realizadas para diferentes propósitos na velha química, desde criações salinas a partir de cinzas pela retirada de vapores (expulsão dos anjos/criação de corpos), produção de pós especiais (elixires salinos) e processos afins realizados no caminho seco da arte.
Pode ser feita a partir de fornos caseiros, fogão a gás propano, Fogareiros etc.
A calcinação vista pela abordagem da psicologia, trabalhada por Edward F. Edinger em sua obra "Anatomia da Psique", nos refere a uma etapa de provas que o ego por vezes passa com os "profundos afetos" do inconsciente, seja a partir do reconhecimento dos desejos frustrados complexados, que nos levará a uma atitude sacrificial, ou por vezes as identificações se cristalizam mais ainda, que nos levam a inevitáveis mortificações/putrefações. Calcinar é purgar, mas pode se tornar purificação.
Olá amigos, excelente final de semana a todos. No último vídeo falamos sobre alquimia sob o viés psicológico (ou psicofisiológico), vinculado a conceitos abordados por Edinger em sua obra "Anatomia da Psique".
Boa noite amigos. Essa é uma pergunta difícil de responder. A alquimia que vemos hoje tende a ser mais "híbrida" ao se apresentar sob a forma de abordagens simbólicas, onde gravuras aludem a vida mística da alma e etapas da obra revelam-nos "caminhos interiores". Metais se tornam estados de consciência e por ai vai. Embora cada uma dessas noções tenha certo lugar em estudos semiológicos, herméticos e, mais modernamente, psicológicos, creio que seja no âmbito prático que, ao meu ver, começamos a "incorporar" o real conhecimento alquímico.
Os gregos chamavam o Egito de Khemet (terras escuras), devido ao solo denso e fértil que era trazido pelo aumento das águas do rio Nilo. O conhecimento egípcio é levado a Grécia, sob o nome de "Khemia" (arte negra) e com o espalhamento de tal arte, ocorre posteriormente a inclusão do prefixo árabe "Al" ao nome, resultando em "Alquimia", termo popularizado na Europa Medieval.
Foi por volta de 1310, que o Papa João XXII emitiu um decreto proibindo a prática da alquimia, principalmente devido a boatos que danificaram a interpretação da arte. Tais boatos crescem ainda mais, até que o rei Henrique IV decreta crime à produção de ouro.
Houveram outras complicações históricas, seja por falta de noção anagógica perante os textos, ou por certos segredos mais perigosos.
Todos estes empecilhos vão dificultar a vida de Theophrastus Bombast von Hohenheim (ou simplesmente Paracelso, o sábio), nascido em 1493, considerado o "pai da medicina farmacêutica".
A tradição paracelsiana eliminou grande parte do "pensamento sovino" e ajudou a "descontaminar" a alquimia de "sopros" e utopias dos médicos da época. Aqui se destacada a "espagiria", bastante acentuada por Paracelso.
Espagiria (spáô - ageírô / separar - reunir ) é a arte que visa capturar e purificar as essências sutis da natureza, adequando-as em certos veículos especiais. Tais "veículos" são princípios naturais ocultados, manuseados pelos sábios químicos na criação de arcanos, magistérios, ens, elixires, tinturas, pedras, ácidos, solventes etc.
Os preparados espagíricos possuem excelentes resultados. Creio que o fator principal se deva não apenas aos finíssimos métodos de purificação, mas também pela consideração dos aspectos filosóficos embutidos na arte laboratorial. As essenciais são "produzidas filosoficamente" e isso faz uma grande diferença.
A prática real sempre terá essa "aura mística", bastante comum entre alquimistas e alguns antigos boticários, mas que não ocorre na química moderna ou farmacologia (não estou aqui para julgar/criticar a farmácia, os remédios etc).
Modernamente existirão milhões de motivos para você simplesmente ignorar este conhecimento (ou milhões para você começar o quanto antes). Aos que já operam a ars espagírica, sabe o quanto é difícil obter quantidade significativa de matéria-prima para os preparados, afinal, purificação é redução.
Incialmente fazemos gambiarras, ou nos concentramos em algumas receitas iniciais. Quebramos a cabeça para entender coisas que depois tornam-se simples. Ao meu ver o objetivo deste "início caótico" é lhe tornar um expert em seguir os passos da natureza, onde o modus operandi se alinha ao ciclos naturais (como criar espíritos no verão devido ao calor ajudar na fermentação, ou aguardar o outono (Br), nos meses dos dois primeiros bestiais (carneiro-touro) para realização do ens, aqua angelus ou para criar sais de tártaro).
Sim, alquimia operativa é meio complicada, ainda mais pelos fatores como tempo, lugar, livros corretos, filtrar mal entendidos da nova era e ,obviamente, instrução sincera, a famosa "mão-amiga". Não sou mestre de porcaria alguma, mas terei boa vontade de ajudar aqueles que desejam entrar nesta porta obscura. Busco entregar exatamente aquilo que tanto busquei e não consegui encontrar quando me deparei anos atrás com este enigma chamado alquimia.
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Olá amigos, estou feliz com o resultado do vídeo, quero aqui trazer um pequeno complemento que acho que ficou faltando. Na parte de Photagogia, comentei sobre as revelações teofânicas alcançadas nas práticas, mas acabei não mencionando o funcionamento dos "níveis" destas aparições.
Quando os rituais “potaghogicos” são realizados, o praticante se tornava um paralíptis, um "destinatário". Ele é enviado para algum lugar, e com isso vai obter revelação. As imagens simbólicas começam a se apresentar e isso faz acumular uma série de inspirações que irão ajudá-lo a purificar-se (se houver necessidade), ou comandar o seu destino (Providência).
A ação luminosa poderia ter níveis de expansão diferentes. Quem fala muito sobre isso é Proclo, constantemente trabalhando o tema do nivelamento da teofania. Tais imagens teofânicas podem ocorrer quando a divindade se assemelha a um humano. Talvez o caso mais clássico que temos seria o relato de Eunápio e alguns discípulos de Jâmblico. Durante uma visita às termas de Gádara, na Síria, Jâmblico tocou a água de uma fonte e pronunciou uma breve invocação. Em seguida um jovem menino de pele clara e cabelos dourados emergiu da fonte, brilhando como alguém banhado pela luz divina. Após este evento, segundo o relato, ocorre outra aparição em outra fonte. Pelo que é entendido, Jâmblico invocou as divindades associadas às fontes Eros e Anteros.
Temos aqui uma narração lendária documentada e interpretada como fato histórico segundo Eunápio, irei deixar o trecho a seguir e linkarei uma ilustração moderna desta mesma cena:
"Após os ritos terem sido devidamente realizados e enquanto retornavam à cidade, caminhando devagar e sem pressa — pois a conversa girava em torno dos deuses, como era próprio do sacrifício —, Jâmblico, ainda em meio à conversa, perdeu-se em pensamentos, como se sua voz lhe tivesse sido cortada, e por alguns instantes fixou os olhos no chão 25 e então olhou para seus companheiros e os chamou em voz alta: "Vamos por outro caminho, pois um cadáver foi levado por aqui recentemente. Algum tempo depois, decidiram ir a Gadara, um lugar na Síria com banhos termais, inferiores apenas aos de Baiae, na Itália, com os quais nenhum outro banho pode ser comparado. 28 Então, partiram no verão. Ora, ele estava se banhando e os outros se banhavam com ele, e insistiam da mesma forma, quando Jâmblico sorriu e disse: "É uma irreverência aos deuses dar-lhes esta demonstração, mas farei por vocês." Havia duas fontes termais menores que as outras, mas mais bonitas, e ele ordenou a seus discípulos que perguntassem aos nativos do lugar por que eram chamadas antigamente. Quando cumpriram o que ele pediu, disseram: "Não há fingimento nisso, esta fonte se chama Eros, e o nome da próxima é Anteros." Ele imediatamente tocou a água com a mão — por acaso, estava sentado na borda da fonte, onde a água transborda — e, proferindo uma breve invocação, chamou um menino das profundezas da fonte. Ele tinha pele branca e estatura mediana, seus cabelos eram dourados e suas costas e peito brilhavam; e ele se parecia exatamente com alguém que estava se banhando ou que acabara de se banhar. Seus discípulos ficaram maravilhados, mas Jâmblico disse: "Vamos para a próxima fonte", e se levantou e os guiou, com um ar pensativo."
Enfim, era comum que mensagens teofânicas ocorressem de forma mais sutil também. Rituais poderiam produzir formas geométricas ou simplesmente luzes piscantes. Proclo aborda o tema não de forma organizada, mas esse esquema é principalmente falado por pesquisadores do neoplatonismo e praticantes.
portalespiritualidade.com/
5 days ago (edited) | [YT] | 171
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Na Mesopotâmia, especialmente nas tradições acádias e babilônicas, existia uma “longa lista” de ancestrais que eram invocados para auxiliar e proteger os povos em seus reinos. Compreendia-se que os conflitos eram causados por entidades inferiores, demônios e espíritos hostis. O cosmos estava dividido em níveis altos e baixos, onde certos nomes poderiam ser empregados como “âncoras” e “dispositivos de poder”. Teurgicamente, era preciso fazer a “Phōtagōgía”, para gerar a transferência da luz divina aos lugares obscuros.
O mal deveria ser: 1. Identificado; 2. Purificado; e 3. Encerrado.
Esta estrutura reaparece, muitos séculos depois, nas tradições textuais da magia cerimonial da Europa, moldada pela teologia cristã — já distanciada de Platão e reinterpretada pela visão de Pseudo-Dionísio Areopagita.
Para a maioria de nós, modernos, é quase patético lermos coisas desse tipo sem julgar os magos antigos, sacerdotes e exorcistas da Mesopotâmia como loucos afundados em suas crendices e imaginação. Querendo ou não, a prática de "combater o mal" continua sendo e sempre será uma necessidade humana diária.
Um ponto interessante é que os modelos rituais dos antigos promovem uma estrutura de entendimento que pode ser aplicada em nossos tempos, pois constituem uma forma de compreender e reorganizar a realidade. Podemos, por exemplo, simbolicamente enxergar as guerras como grandes catarses coletivas. Guerra coletiva alguma é desejável ou moralmente justificável, apenas torna-se uma triste maneira de "liberar tensões acumuladas entre povos".
Identificar essa "hieropraxis" dos antigos se torna uma ferramenta antropológica útil para avaliar "ocorrências imaginais" que geram "problemas reais" em nossas vidas. Sim, todo problema gerado é um crosta acumulada de energia não direcionada.
Muito antes dos antropólogos, já haviam neoplatônicos que trabalhavam a eficácia dos rituais por meio da noção de participação (méthexis), segundo a qual o reino material podia participar das realidades divinas. Era entendido que todas as coisas pertenciam a um "lugar celestial" - e isso era igualmente comum nas escrituras astrológicas que falavam sobre os "senhores planetários" e a regência de tais ciclos na vida terrestre.
A questão é que existem boas e más influências, bons e maus senhores, e o tema da “governança do mal” vai além das questões arcônticas do gnosticismo. Está presente em diversas cosmologias, na literatura apocalíptica judaica, na mitologia acadiana, nas demonologias cristãs e na astrologia helenística. Não existe maneira simples de falar sobre o mal e a prática gnoseologica, por isso será um desafio gravar esse futuro vídeo.
Este então será o complicado tema: O Mal nas Questões Arcônticas e a Phōtagōgía Teúrgica.
Uma boa semana a todos. Aguardem.
www.portalespiritualidade.com
3 weeks ago | [YT] | 475
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A entrada e a saída das almas na geração será o tema do nosso próximo vídeo. Como o conceito da “escada cósmica” foi interpretado pelos antigos em diferentes sistemas filosóficos e quais os métodos de “subida” nesta escalada rumo ao divino?
Qual a diferença entre tradição esotérica ocidental e oriental? Como funciona os elementos ascensionais na chamada “celestialização” do homem terrestre, de acordo com a astrologia helenística e medieval? Como a alquimia e outras tradições desenvolvem o tema da libertação material?
Gravação em andamento.
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3 months ago | [YT] | 373
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Excelente semana amigos! ☕
O que acharam do último vídeo? Houveram muitos comentários e por isso decidi esclarecer alguns pontos importantes aqui neste post (sobre a psicologização da magia - assista o vídeo antes de ler).
1. Não tenho entendimento para falar de Crowley.
- É simples: Evitei comentar sobre o que não me é familiar. Não li o bastante sobre ele, ou Thelema para falar durante longos minutos a respeito. Respeito a liberdade de cada um seguir o que acreditar. É melhor aqueles que de fato estudam Crowley falarem dele.
2. Gosto da psicologia como estudo individual, mas acho interessante separa-la de certos assuntos mágicos (respeitando limites de onde começa e termina cada um).
- Inclusive sou suspeito para falar dos conceitos abordados na psicologia profunda, visto que aqui no canal já mencionei diversas vezes ideias de neo-junguianos (como obras de Edward F. Edinger, por exemplo). Creio que a psicologia é bastante interessante sim, em especial quando se dedica aos estudos simbólicos e unida a outros campos como a antropologia ou filosofia clássica. Não estou gostando do atual movimento que existe com a "mistificação de Carl G. Jung", que inclusive tinha ideias bem opostas a certas crenças esotéricas, apesar de profundo interesse teórico/metafórico nestas (e isso para alguns é uma contradição, mas não vejo desse modo). Existem livros aí que falam que Jung era mago, alquimista, astrólogo etc. Nada disso é verdade. Sim, ele investiga tais áreas, mas não se adequa vivencialmente a nenhuma delas como víamos entre os antigos. O melhor exemplo talvez seja a alquimia. No espectro junguiano a alquimia é enxergada a partir de uma roupagem moderna, dentro da releitura metafórica e iconográfica, onde ele apanha símbolos negligenciados do cristianismo eclesiástico que escorrem aos porões e são assim denunciados a partir de um trabalho operativo, mas em nenhum momento ele vai tocar em vidro algum pra falar da alquimia, seu foco era estritamente iconográfico e simbólico. É interessante? Muito, principalmente se fizermos a devida separação e não forçarmos a barra. Jung conhece de símbolos, mas não sentiu o "calor" dos fornos. Inclusive, fiz um vídeo de 4 horas da obra anatomia da psique, do E. F. Edinger, a primeira hora está postada aqui no nosso canal, confira. Uma excelente recomendação de um canal que consegue muito bem exercer a fusão do esoterismo com o psicológico (sem vender mais uma coisa do que outra) é o "Abbas - The Alchemist". Verifiquem.
3. Sobre eu ter comentado de que a magia requer certo isolamento.
- Aqui nos cabe até questionar o seguinte: O fato da magia não ser provada em nível social é exatamente um problema para quem? Para o praticante que está obtendo os seus resultados, ou para as massas que não possuem linguagem para entender este sujeito e deseja ao máximo reduzi-lo a uma categoria religiosa/esquizofrênica? Na visão popular, "dados científicos" sempre serão maiores do que um suposto mago "fazendo magias em seu quarto". É meus caros, a legitimação da magia não precisa ocorrer a partir de uma adequação científica, mas sim pela preservação de sua real natureza e em um nível particular. Empurrar a magia para o cientificismo é bastante desagradável para ambos os lados. Os fenômenos que rodeiam a magia favorecem a crença na própria magia e isso reforça a ideia de não precisarmos ter que disseca-la em explicações. Gosto da noção histórica e antropológica da magia, aqui sim existe um respeito e compreensão maior. Apesar de frequentemente estudada, a magia sempre será uma descoberta pessoal. Obviamente ela se tornou mal vista por aqueles que não compreendiam o seu funcionamento, mas igual, falado de outra forma, eu acredito que não precisamos forçadamente cientificar a magia, explicando tudo ou tornar tudo psíquico para tentar, de algum modo, validar um pensamento que naturalmente não se preocupava em ser explicado ou validado a todas as pessoas. Quem diria, não é? A magia não quer essa popularidade ou compreensão toda que tentam entregar a ela. Sendo assim, vejo bastante sentido no pensamento de Lévi, que nos diz que "o mago deve isolar-se no começo [...]" para haver destaque das cadeias presentes na luz astral (ver DRAM).
4. Sobre o "problema" de sistemas mágicos:
- Temos de um lado isso que chamamos de magia, que é algo meio intocável, no sentido primordial da coisa, pois está intrínseca à realidade humana e consegue participar da vida em diversos momentos. Do outro lado temos crenças, visões de mundo, conflitos históricos, políticos, noções pessoais, que o máximo que irão fazer é desenvolverem sistemas para se visualizar e operar a magia com uma maior ou menor abertura. Sendo assim, ao meu ver, existem coisas que funcionam mais e coisas que funcionam menos, pois o modus operandi não é o ser em si, é apenas a maneira que esse “ser - magia” será manuseado.
Sim, essa noção pode servir como um contra-argumento e tornar a magia meio "intocável". É semelhante as ideias glorificantes que Eliphas Lévi trabalha, em especial no livro A história da Magia, que apesar de ter um apelo mais catolicista da coisa (não que o catolicismo seja necessariamente ruim, só acho que poderíamos ter uma visão mais neutra), ainda recomendo bastante essa obra.
5. Reforçando minha noção do fenômeno da entidade (também chamada de problema demonológico em alguns estudos).
- Como assim Cláudio?! Em pleno 2026, século XXI, você toca a sua vida a partir de crenças? Pois é amigos, cá estou eu seguindo o que acredito. Obviamente isso é uma crença pessoal, que unifiquei à experiências pessoas (e, felizmente, intransferíveis). Inclusive já havia comentado sobre magia do caos aqui no canal antigamente, assim como outras noções da ideia mágica que se interligavam à psicologia, logo, sou a favor da investigação mesmo, de cada um ver o que é melhor para si. A minha visão é que uma entidade visualizada em uma experiência, existe independente do praticante. A entidade/o espírito existe além da vontade do praticante em desejar vê-la (ver o "exemplo tosco" do avô que falei no minuto 21:30). No entanto a partir do momento que o praticante experimenta essa visão, ele faz isso por conta da sua própria capacidade interpretativa (que tem sim uma ligação natural com a sua psique). Isso é óbvio, vemos a vida por certa lente de interpretação, pois se assim não, nunca iriamos ver nada, perceber nada, nem estar vivo. Mas é ver, não criar. Resumindo, sustento a ideia de que a psique não criou a entidade, mas foi utilizada para interpretar a entidade. A entidade é uma força/consciência real e destacada, que recebeu uma "roupa" que o próprio mundo lhe vestiu no imaginário/folclore/fantasias. Eu interpreto a entidade, não desdobro ela. Essa é minha visão. Interpretação é diferente de desdobramento. interpretação é a atribuição de sentido a algo real (subjetivo ou crítico). Desdobramento, neste nosso exemplo, é desmembramento. Pensar algo como "eu sou aquele anjo, eu sou aquele demônio, eu sou Deus". Eu não sigo essa visão. Eu penso de que o cosmos, assim como a natureza a nossa volta, já esta criada antes de nós. A única coisa que posso fazer é interpretar a vida e com isso criar meu próprio caminho.
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3 months ago (edited) | [YT] | 252
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O tema "psicologização da magia" é uma questão complexa que se desenvolve além de tentarmos responder se um espírito, um demônio ou um anjo são projeções do inconsciente de um mago ou se são entidades reais, existentes além do psiquismo do operador. Devemos estudar o abismo que há entre magia antiga e moderna, pois a primeira se forma a partir de um olhar "symphatéico" da realidade, enquanto a outra busca libertação de velhos dogmas, rompimento hierárquico e exercício do poder mental. Será que o tempo muda a magia? Como esta sobreviveu ao "desencantamento" do mundo? A magia está além de questões culturais?
Em breve falarei sobre esse assunto espinhoso, no próximo vídeo.
4 months ago | [YT] | 445
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Paracelso fez diversas pesquisas corpusculares e sua alquimia gerou forte influência medicinal nos avanços iatroquímicos e farmacêuticos. Ele também desenvolve conceitos filosóficos como o "Corpo Sideral" e ideias da Magia Astral, inspirando posteriores pesquisas a progredirem temáticas do "astral" em abordagens matemáticas (cômputo astrológico), teológicas (pneumatologia) e conscienciais (noções modernas).
O estudo das "saídas fora do corpo", "desdobramentos" ou "projeção astral", geralmente são abordados de um modo prático (quase sempre "vestindo" uma roupa new age, associando-se ao espiritismo ou "filosofia blavatskyana"). Pouco se fala sobre manuscritos e civilizações antigas que relatavam tais fenômenos espirituais.
Compreender o plano astral se tornou uma preocupação real no final do século XIX e muitos grupos dedicaram-se à "montar uma estrutura" acerca deste reino, com anotações de experimentos e vínculos à ideias do emanacionismo e ontologismo platônico.
Como comunidades modernas do ocultismo "surfaram" na "onda astral" e porquê (existencialmente falando) este é um tema importante? Como Paracelso, com sua alquimia inspirada por medievais, irá manusear o "pensamento astral"?
Tudo isso e muito mais em nosso próximo vídeo
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4 months ago (edited) | [YT] | 263
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SOBRE OS 7 SENHORES DO MUNDO (TEREMOS VÍDEO SOBRE!)
Segundo o hermetismo antigo (que não tem nada a ver com o caibalion), enquanto a alma do homem se encontra semeada no mundo geracional, e suas paixões são "escritas" por astros móveis (os errantes), a sua "libertação" existe além destas esferas menores, que são, a grosso modo, "vestimentas criadas para refletirem arquétipos".
Isto também é visto em manuscritos católicos do século XII (por exemplo nas obras de Hildegarda de Bingen), onde os astros se assemelham a "pregos" para fincarem os homens na Terra.
Para os que assistiram nosso último vídeo (nos exatos minutos: 54:38 - 56:21) falei brevemente sobre a imagem da "Caverna dos adeptos", que segue uma noção cosmocêntrica e hierárquica da realidade.
Nesta soteriologia hermética, a humanidade inteira precisaria "se despir de sua velha túnica", para enfim realizar-se em níveis sublimes (alcançando a oitava esfera - hipercósmica). Nesta condição, iriamos "encerrar o ciclo de imagens", como fazem os monges nas montanhas, ao não produzirem pensamentos/desejos (evaporando assim uma parte de seu mundo astral e mental).
Bom talvez não sejamos exatamente como os monges, mas creio que iremos alcançar a tão aguardada "paz interior" ou "Autorrealização".
Este movimento de transcendência sempre foi e ainda é muito importante, como se é visto nos fragmentos de Estobeu, "a fatalidade conduz e reconduz todas as coisas", assim sendo, aquele velho vício que guardamos no baú de nossas memórias, nada mais é do que uma fatalidade viva, incapaz de se curvar para a morte. Esforços colossais precisarão ser efetuados, como diz Edinger ao falar do processo de "secagem dos complexos".
Já que no início o ser humano primordial atravessou as esferas e infiltrou-se na Natureza, observou seu reflexo nas águas e se "percebeu matéria" (Clássica ideia da entrada nas "camadas do mundo", que depois poderão ser consideradas em alguns outros estudos "planos de manifestação" , descrevendo assim o modelo de mundo "copiado" ou "assinalado", mais comumente trabalhado em Platão), agora ele precisa acordar deste "sono" no qual havia entrado e que participa até agora.
Todos nós temos um lado divino. O chamado "homem espiritual" vive além da argila de seu corpo, mas para perceber essa experiência, precisamos transformar a perspectiva de "observado" para "observador", ou em outras palavras, precisamos "mudar nosso ponto de vista sobre a nossa própria realidade", pois o pneumatikós aguarda ser descoberto em seu próprio desdobramento material.
Os sete senhores (arcontes nas tradições gnósticas, ou "forças que criam temperamentos" em outras linhas), vivem como representantes dos planos terrestres. A magia celestial se encarregou por atrair ou repelir estas forças, a partir de entidades que vinculam suas dádivas ou males.
Particularmente, eu gosto da maneira pela qual a alquimia desenvolveu tal imagologia, principalmente por conta do trabalho com a matéria a partir da criação de preparados e arcanos.
Um dos clássicos exemplos é a criação dos 7 servos planetários (ou 7 governadores/professores). Trata-se de 7 preparados específicos (podem ser magistérios, tinturas ou quintessências por exemplo), para cada astro errante. São "medicinas espagíricas usadas para corrigir nossos próprios desequilíbrios", como afirma Robert Bartlett. Tais preparações seguem a clássica doutrina das assinaturas, trabalhada por Paracelso e outros.
Seus trabalhos podem ser prosseguidos por rituais formais, jejuns ou experiências espirituais diretas (mais raramente a própria "gnose").
Tem interesse nesses temas? Veja nosso último vídeo, ou acesse nosso site para saber mais!
https://www.youtube.com/watch?v=IfvJw...
portalespiritualidade.com/alquimia
a
7 months ago (edited) | [YT] | 363
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https://www.youtube.com/watch?v=IfvJw... - Aula 01 completa.
portalespiritualidade.com/alquimia - Mais detalhes.
O que é uma CALCINAÇÃO?
A calcinação deriva seu nome da palavra "calx", um termo antigo que significa cal viva (óxido de cálcio).
É a pulverização de um determinado material (normalmente "desanimado"). Calcinações eram realizadas para diferentes propósitos na velha química, desde criações salinas a partir de cinzas pela retirada de vapores (expulsão dos anjos/criação de corpos), produção de pós especiais (elixires salinos) e processos afins realizados no caminho seco da arte.
Pode ser feita a partir de fornos caseiros, fogão a gás propano, Fogareiros etc.
A calcinação vista pela abordagem da psicologia, trabalhada por Edward F. Edinger em sua obra "Anatomia da Psique", nos refere a uma etapa de provas que o ego por vezes passa com os "profundos afetos" do inconsciente, seja a partir do reconhecimento dos desejos frustrados complexados, que nos levará a uma atitude sacrificial, ou por vezes as identificações se cristalizam mais ainda, que nos levam a inevitáveis mortificações/putrefações. Calcinar é purgar, mas pode se tornar purificação.
Saiba mais sobre a calcinação a partir do último vídeo postado: https://www.youtube.com/watch?v=IfvJw... - Aula 01 completa.
7 months ago (edited) | [YT] | 177
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Olá amigos, excelente final de semana a todos. No último vídeo falamos sobre alquimia sob o viés psicológico (ou psicofisiológico), vinculado a conceitos abordados por Edinger em sua obra "Anatomia da Psique".
https://www.youtube.com/watch?si=cKC9...
8 months ago (edited) | [YT] | 221
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Por que entrei nesse labirinto chamado alquimia?
Boa noite amigos. Essa é uma pergunta difícil de responder. A alquimia que vemos hoje tende a ser mais "híbrida" ao se apresentar sob a forma de abordagens simbólicas, onde gravuras aludem a vida mística da alma e etapas da obra revelam-nos "caminhos interiores". Metais se tornam estados de consciência e por ai vai. Embora cada uma dessas noções tenha certo lugar em estudos semiológicos, herméticos e, mais modernamente, psicológicos, creio que seja no âmbito prático que, ao meu ver, começamos a "incorporar" o real conhecimento alquímico.
Os gregos chamavam o Egito de Khemet (terras escuras), devido ao solo denso e fértil que era trazido pelo aumento das águas do rio Nilo. O conhecimento egípcio é levado a Grécia, sob o nome de "Khemia" (arte negra) e com o espalhamento de tal arte, ocorre posteriormente a inclusão do prefixo árabe "Al" ao nome, resultando em "Alquimia", termo popularizado na Europa Medieval.
Foi por volta de 1310, que o Papa João XXII emitiu um decreto proibindo a prática da alquimia, principalmente devido a boatos que danificaram a interpretação da arte. Tais boatos crescem ainda mais, até que o rei Henrique IV decreta crime à produção de ouro.
Houveram outras complicações históricas, seja por falta de noção anagógica perante os textos, ou por certos segredos mais perigosos.
Todos estes empecilhos vão dificultar a vida de Theophrastus Bombast von Hohenheim (ou simplesmente Paracelso, o sábio), nascido em 1493, considerado o "pai da medicina farmacêutica".
A tradição paracelsiana eliminou grande parte do "pensamento sovino" e ajudou a "descontaminar" a alquimia de "sopros" e utopias dos médicos da época. Aqui se destacada a "espagiria", bastante acentuada por Paracelso.
Espagiria (spáô - ageírô / separar - reunir ) é a arte que visa capturar e purificar as essências sutis da natureza, adequando-as em certos veículos especiais. Tais "veículos" são princípios naturais ocultados, manuseados pelos sábios químicos na criação de arcanos, magistérios, ens, elixires, tinturas, pedras, ácidos, solventes etc.
Os preparados espagíricos possuem excelentes resultados. Creio que o fator principal se deva não apenas aos finíssimos métodos de purificação, mas também pela consideração dos aspectos filosóficos embutidos na arte laboratorial. As essenciais são "produzidas filosoficamente" e isso faz uma grande diferença.
A prática real sempre terá essa "aura mística", bastante comum entre alquimistas e alguns antigos boticários, mas que não ocorre na química moderna ou farmacologia (não estou aqui para julgar/criticar a farmácia, os remédios etc).
Modernamente existirão milhões de motivos para você simplesmente ignorar este conhecimento (ou milhões para você começar o quanto antes). Aos que já operam a ars espagírica, sabe o quanto é difícil obter quantidade significativa de matéria-prima para os preparados, afinal, purificação é redução.
Incialmente fazemos gambiarras, ou nos concentramos em algumas receitas iniciais. Quebramos a cabeça para entender coisas que depois tornam-se simples. Ao meu ver o objetivo deste "início caótico" é lhe tornar um expert em seguir os passos da natureza, onde o modus operandi se alinha ao ciclos naturais (como criar espíritos no verão devido ao calor ajudar na fermentação, ou aguardar o outono (Br), nos meses dos dois primeiros bestiais (carneiro-touro) para realização do ens, aqua angelus ou para criar sais de tártaro).
Sim, alquimia operativa é meio complicada, ainda mais pelos fatores como tempo, lugar, livros corretos, filtrar mal entendidos da nova era e ,obviamente, instrução sincera, a famosa "mão-amiga". Não sou mestre de porcaria alguma, mas terei boa vontade de ajudar aqueles que desejam entrar nesta porta obscura. Busco entregar exatamente aquilo que tanto busquei e não consegui encontrar quando me deparei anos atrás com este enigma chamado alquimia.
O nosso curso é teórico e prático, para os interessados, vejam as informações através deste link: portalespiritualidade.com/alquimia
Estou dando um desconto de 40% que vai do dia 03 até o dia 15 de novembro de 2025.
Novos vídeos em breve. Obrigado!
8 months ago | [YT] | 191
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