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Esoterismo clássico e filosofia. Sem proselitismo.
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SOBRE OS 7 SENHORES DO MUNDO (TEREMOS VÍDEO SOBRE!)

Segundo o hermetismo antigo (que não tem nada a ver com o caibalion), enquanto a alma do homem se encontra semeada no mundo geracional, e suas paixões são "escritas" por astros móveis (os errantes), a sua "libertação" existe além destas esferas menores, que são, a grosso modo, "vestimentas criadas para refletirem arquétipos".

Isto também é visto em manuscritos católicos do século XII (por exemplo nas obras de Hildegarda de Bingen), onde os astros se assemelham a "pregos" para fincarem os homens na Terra.

Para os que assistiram nosso último vídeo (nos exatos minutos: 54:38 - 56:21) falei brevemente sobre a imagem da "Caverna dos adeptos", que segue uma noção cosmocêntrica e hierárquica da realidade.

Nesta soteriologia hermética, a humanidade inteira precisaria "se despir de sua velha túnica", para enfim realizar-se em níveis sublimes (alcançando a oitava esfera - hipercósmica). Nesta condição, iriamos "encerrar o ciclo de imagens", como fazem os monges nas montanhas, ao não produzirem pensamentos/desejos (evaporando assim uma parte de seu mundo astral e mental).

Bom talvez não sejamos exatamente como os monges, mas creio que iremos alcançar a tão aguardada "paz interior" ou "Autorrealização".

Este movimento de transcendência sempre foi e ainda é muito importante, como se é visto nos fragmentos de Estobeu, "a fatalidade conduz e reconduz todas as coisas", assim sendo, aquele velho vício que guardamos no baú de nossas memórias, nada mais é do que uma fatalidade viva, incapaz de se curvar para a morte. Esforços colossais precisarão ser efetuados, como diz Edinger ao falar do processo de "secagem dos complexos".

Já que no início o ser humano primordial atravessou as esferas e infiltrou-se na Natureza, observou seu reflexo nas águas e se "percebeu matéria" (Clássica ideia da entrada nas "camadas do mundo", que depois poderão ser consideradas em alguns outros estudos "planos de manifestação" , descrevendo assim o modelo de mundo "copiado" ou "assinalado", mais comumente trabalhado em Platão), agora ele precisa acordar deste "sono" no qual havia entrado e que participa até agora.

Todos nós temos um lado divino. O chamado "homem espiritual" vive além da argila de seu corpo, mas para perceber essa experiência, precisamos transformar a perspectiva de "observado" para "observador", ou em outras palavras, precisamos "mudar nosso ponto de vista sobre a nossa própria realidade", pois o pneumatikós aguarda ser descoberto em seu próprio desdobramento material.

Os sete senhores (arcontes nas tradições gnósticas, ou "forças que criam temperamentos" em outras linhas), vivem como representantes dos planos terrestres. A magia celestial se encarregou por atrair ou repelir estas forças, a partir de entidades que vinculam suas dádivas ou males.

Particularmente, eu gosto da maneira pela qual a alquimia desenvolveu tal imagologia, principalmente por conta do trabalho com a matéria a partir da criação de preparados e arcanos.

Um dos clássicos exemplos é a criação dos 7 servos planetários (ou 7 governadores/professores). Trata-se de 7 preparados específicos (podem ser magistérios, tinturas ou quintessências por exemplo), para cada astro errante. São "medicinas espagíricas usadas para corrigir nossos próprios desequilíbrios", como afirma Robert Bartlett. Tais preparações seguem a clássica doutrina das assinaturas, trabalhada por Paracelso e outros.

Seus trabalhos podem ser prosseguidos por rituais formais, jejuns ou experiências espirituais diretas (mais raramente a própria "gnose").

Tem interesse nesses temas? Veja nosso último vídeo, ou acesse nosso site para saber mais!

https://www.youtube.com/watch?v=IfvJw...
portalespiritualidade.com/alquimia
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2 weeks ago (edited) | [YT] | 341

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https://www.youtube.com/watch?v=IfvJw... - Aula 01 completa.
portalespiritualidade.com/alquimia - Mais detalhes.

O que é uma CALCINAÇÃO?
A calcinação deriva seu nome da palavra "calx", um termo antigo que significa cal viva (óxido de cálcio).

É a pulverização de um determinado material (normalmente "desanimado"). Calcinações eram realizadas para diferentes propósitos na velha química, desde criações salinas a partir de cinzas pela retirada de vapores (expulsão dos anjos/criação de corpos), produção de pós especiais (elixires salinos) e processos afins realizados no caminho seco da arte.

Pode ser feita a partir de fornos caseiros, fogão a gás propano, Fogareiros etc.

A calcinação vista pela abordagem da psicologia, trabalhada por Edward F. Edinger em sua obra "Anatomia da Psique", nos refere a uma etapa de provas que o ego por vezes passa com os "profundos afetos" do inconsciente, seja a partir do reconhecimento dos desejos frustrados complexados, que nos levará a uma atitude sacrificial, ou por vezes as identificações se cristalizam mais ainda, que nos levam a inevitáveis mortificações/putrefações. Calcinar é purgar, mas pode se tornar purificação.

Saiba mais sobre a calcinação a partir do último vídeo postado: https://www.youtube.com/watch?v=IfvJw... - Aula 01 completa.

1 month ago (edited) | [YT] | 171

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Olá amigos, excelente final de semana a todos. No último vídeo falamos sobre alquimia sob o viés psicológico (ou psicofisiológico), vinculado a conceitos abordados por Edinger em sua obra "Anatomia da Psique".

https://www.youtube.com/watch?si=cKC9...

1 month ago (edited) | [YT] | 206

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Por que entrei nesse labirinto chamado alquimia?

Boa noite amigos. Essa é uma pergunta difícil de responder. A alquimia que vemos hoje tende a ser mais "híbrida" ao se apresentar sob a forma de abordagens simbólicas, onde gravuras aludem a vida mística da alma e etapas da obra revelam-nos "caminhos interiores". Metais se tornam estados de consciência e por ai vai. Embora cada uma dessas noções tenha certo lugar em estudos semiológicos, herméticos e, mais modernamente, psicológicos, creio que seja no âmbito prático que, ao meu ver, começamos a "incorporar" o real conhecimento alquímico.

Os gregos chamavam o Egito de Khemet (terras escuras), devido ao solo denso e fértil que era trazido pelo aumento das águas do rio Nilo. O conhecimento egípcio é levado a Grécia, sob o nome de "Khemia" (arte negra) e com o espalhamento de tal arte, ocorre posteriormente a inclusão do prefixo árabe "Al" ao nome, resultando em "Alquimia", termo popularizado na Europa Medieval.

Foi por volta de 1310, que o Papa João XXII emitiu um decreto proibindo a prática da alquimia, principalmente devido a boatos que danificaram a interpretação da arte. Tais boatos crescem ainda mais, até que o rei Henrique IV decreta crime à produção de ouro.

Houveram outras complicações históricas, seja por falta de noção anagógica perante os textos, ou por certos segredos mais perigosos.

Todos estes empecilhos vão dificultar a vida de Theophrastus Bombast von Hohenheim (ou simplesmente Paracelso, o sábio), nascido em 1493, considerado o "pai da medicina farmacêutica".

A tradição paracelsiana eliminou grande parte do "pensamento sovino" e ajudou a "descontaminar" a alquimia de "sopros" e utopias dos médicos da época. Aqui se destacada a "espagiria", bastante acentuada por Paracelso.

Espagiria (spáô - ageírô / separar - reunir ) é a arte que visa capturar e purificar as essências sutis da natureza, adequando-as em certos veículos especiais. Tais "veículos" são princípios naturais ocultados, manuseados pelos sábios químicos na criação de arcanos, magistérios, ens, elixires, tinturas, pedras, ácidos, solventes etc.

Os preparados espagíricos possuem excelentes resultados. Creio que o fator principal se deva não apenas aos finíssimos métodos de purificação, mas também pela consideração dos aspectos filosóficos embutidos na arte laboratorial. As essenciais são "produzidas filosoficamente" e isso faz uma grande diferença.

A prática real sempre terá essa "aura mística", bastante comum entre alquimistas e alguns antigos boticários, mas que não ocorre na química moderna ou farmacologia (não estou aqui para julgar/criticar a farmácia, os remédios etc).

Modernamente existirão milhões de motivos para você simplesmente ignorar este conhecimento (ou milhões para você começar o quanto antes). Aos que já operam a ars espagírica, sabe o quanto é difícil obter quantidade significativa de matéria-prima para os preparados, afinal, purificação é redução.

Incialmente fazemos gambiarras, ou nos concentramos em algumas receitas iniciais. Quebramos a cabeça para entender coisas que depois tornam-se simples. Ao meu ver o objetivo deste "início caótico" é lhe tornar um expert em seguir os passos da natureza, onde o modus operandi se alinha ao ciclos naturais (como criar espíritos no verão devido ao calor ajudar na fermentação, ou aguardar o outono (Br), nos meses dos dois primeiros bestiais (carneiro-touro) para realização do ens, aqua angelus ou para criar sais de tártaro).

Sim, alquimia operativa é meio complicada, ainda mais pelos fatores como tempo, lugar, livros corretos, filtrar mal entendidos da nova era e ,obviamente, instrução sincera, a famosa "mão-amiga". Não sou mestre de porcaria alguma, mas terei boa vontade de ajudar aqueles que desejam entrar nesta porta obscura. Busco entregar exatamente aquilo que tanto busquei e não consegui encontrar quando me deparei anos atrás com este enigma chamado alquimia.

O nosso curso é teórico e prático, para os interessados, vejam as informações através deste link: portalespiritualidade.com/alquimia

Estou dando um desconto de 40% que vai do dia 03 até o dia 15 de novembro de 2025.

Novos vídeos em breve. Obrigado!

2 months ago | [YT] | 182

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Boa noite meus amigos. Pretendo retomar os vídeos com mais frequência, espero lançar o próximo o quanto antes (se possível início de outubro). Nosso próximo vídeo será uma análise introdutória de uma das obras mais interessantes que já li. Preparem-se rs. Nosso site voltou a funcionar, esteve parado durante dois dias. Agradeço mais uma vez a todos que estão me ajudando com o financiamento coletivo da nossa futura filmadora aqui no canal. Abraço, bons estudos e um excelente final de semana.

www.portalespiritualidade.com

3 months ago | [YT] | 341

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Olá amigos, preciso do apoio de vocês.

Como muitos já notaram, nosso canal tem passado por uma forte mudança de uns anos para cá. No início, meu interesse estava ligado à temas mais populares da espiritualidade, porém atualmente, busco trazer uma abordagem mais clássica do esoterismo. Além do método de gravação ter mudado, houve também uma melhora na qualidade da imagem e do áudio. Fiz investimentos interessantes para obter tais resultados e isso foi bastante positivo para mim e para o canal. A verdade é que amadureci muito ao longo destes sete anos aqui no Youtube, e sou genuinamente grato por tudo.

O que acontece é que, se tratando dos vídeos, ainda não me vejo próximo do que realmente vislumbro em minha mente. Ainda desejo investir em alguns equipamentos para melhorar mais a qualidade e também criar futuros projetos associados ao esoterismo clássico no Brasil.

Nestas últimas semanas, me frustrei ao procurar filmadoras de qualidade rs
As melhores que encontrei não estavam disponíveis no mercado, e para este tipo de investimento, me sinto mais a vontade ao realizar a compra em solo nacional, para evitar questões burocráticas com a exportação.

Finalmente, após muito procurar, encontrei uma filmadora bem legal para os meus futuros projetos, porém gostaria de acelerar o processo desta compra com a auxílio de quem puder ajudar. Por ser a primeira vez que faço um financiamento coletivo, é um pouco estranho para mim. Isso parece soar como "ficar pedindo dinheiro aos outros", mas sei que não se trata disso. Amadureci a ideia, abaixei a cabeça e agora estou disposto a progredir.

Pessoal, eu criei um "apoia-se", para quem desejar me ajudar na empreitada.. Não sei quanto tempo vai durar, mas espero que menos de um ano eu consiga arrecadar o valor. É um tiro no escuro, mas vamos ver no que vai dar.

Só tenho a agradecer, de verdade. Toda ajuda é bem-vinda.

Segue o link do apoio coletivo: apoia.se/filmadoradoclaudio.

5 months ago | [YT] | 820

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SOBRE O ÚLTIMO VÍDEO POSTADO. Desejo a todos um bom final de semana. Resolvi fazer alguns tópicos aqui sobre nosso último vídeo postado: https://www.youtube.com/watch?v=OdWPP...

1. O SER IMORTAL SE APAIXONA PELA NATUREZA INFERIOR.

- No vídeo falamos de que a natureza ateia seus encantos e preenche o homem eterno com seus fetiches e paixões. Ao entrar na geração, a alma veste o corpo (chamada de "túnica'' em textos herméticos). Nesse momento a alma realiza aquilo que os mitólogos chamam de "catábase" (descida ao sub-mundo), deixando a a oitava esfera (mundo empíreo/noético), e assim perde sua esfericidade/unidade para dar espaço ao movimento diádico (polaridade terrena/dualidade). A alma encarna em um corpo de homem ou mulher, afim de realizar a obra em reinos menores, gerando assim a manutenção da "coisa cósmica".

Temos aqui o universo sendo visto como uma espécie de "máquina eterna", onde cada peça precisa estar devidamente localizada para que todas as coisas funcionem corretamente. Cada peça é um "mutatis mutandis", isto é, um "todo em miniatura".


2. MAS POR QUE ESTAMOS NO MUNDO?

- Estamos no mundo por que nos interessamos por ele. Quando a alma contempla algo, ela também se ergue em direção ao objeto contemplado (como se é dito em Fedro de Platão). Visto que nossos interesses nos localizam, entende-se que o movimento acontece conforme o a visão alcança novos pontos a serem contemplados. O problema aqui é o seguinte: Como iremos descobrir novos pontos a serem alcançados? Aqui entra o papel da gnose. O conhecimento permite a realização da alma nas estradas do logos (em Platão isso é feito a partir do DIÁLOGO, em Jâmblico, por meio da RITUALIDADE).


3. ONDE ESTÁ O CONHECIMENTO?

- O conhecimento permeia tudo e todas as coisas. Podemos nos especializar no que quisermos, embora, alguns conhecimentos conversem mais profundamente com a alma do que outros. Os conhecimentos mais íntimos da alma são aqueles que lhe ajudam a eliminar coisas que não são da sua natureza. A alma está misturada com as coisas da matéria, pois havia sido marcada pelos 7 governantes antes de entrar no reino físico. Estas marcas são máculas terrenas, que podemos interpretar como "quantidades de matéria que não foram encerradas".

Essa matéria caótica é carregada pelas almas em suas vidas terrenas, e se desdobra em vícios e problemas a serem elucidados. O verdadeiro conhecimento ajuda a alma a se lembrar de quem ela é. Esse conhecimento verdadeiro reside no interesse que a alma pode nutrir com as coisas celestes, e isso se concentra em diversas disciplinas do saber, em especial, na filosofia. Muitas almas carregam informações sobre tudo, porém pouco saber verdadeiro. Sigo a visão inatista de Platão, que afirma que "conhecer é recordar" (ver sobre a Doutrina da reminiscência).

Assista o vídeo para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=OdWPP...

Quer falar comigo? Entre em contato: portalespiritualidade.com/

8 months ago (edited) | [YT] | 233

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Boa noite amigos. Gostaria de agradecer a atenção e carinho nos últimos vídeos. Vocês, verdadeiramente, me fazem muito bem. Não falo muito como me sinto aqui, pois este não é um "canal-diário" (e eu não gostaria mesmo que fosse), mas decidi abrir uma exceção, pois estou bastante feliz com o compromisso que todos estamos tendo nos estudos filosóficos/esotéricos, rumo a uma espiritualidade cada vez mais séria e menos fantasiosa. Digo "fantasiosa" no sentido mais degradado da palavra, algo como "teorias criadas na cabeça" sem nexo ou embasamento histórico/filosófico...

Respeito e admiro a criatividade humana, as artes, a linguagem subjetiva e a "altura alcançada" por nossos insights, entretanto, muitas vezes (99,9% das vezes), nossas ideias já foram teorizadas e escritas por antigos filósofos e pensadores, que assim como muitos de nós, resolveram encarar os mistérios da vida com certa seriedade, além de manusearem o sagrado com maior perícia do que os modernos.

Que possamos investigar estes antigos e refletir acerca de seus métodos e pensamentos, para revivificarmos suas lendas e tornarmos nossas vidas mais interessantes e altruístas. O tempo passa e transforma todas as coisas, mas o verdadeiro saber permanece sólido, aguardando ser descoberto. Algo eterno em nós irá buscá-lo cedo ou tarde. Acredito que o melhor caminho sempre será o conhecimento.

Toda ideia esconde um poder capaz de destruir ou recriar estruturas dentro e fora de nós, que sejamos capazes de escolher as mais nobres, para não ficarmos perdidos em um mundo que não deseja acordar de seu sono.

Novos vídeos a caminho.

8 months ago (edited) | [YT] | 474

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Boa noite meus caros, excelente semana a todos. Resolvi, como de costume, tecer algumas reflexões acerca do tema abordado em nosso último vídeo. O tema foi: O diabo no pensamento filosófico do ocultista, mago e escritor francês Éliphas Lévi.

● 1. O QUE É UMA CADEIA MÁGICA?

Lévi trabalha o conceito de "cadeia mágica", que significa um conjunto de correntes magnéticas que atuam a favor ou em oposição ao mago. Estas correntes são geradas a partir da união de vontades ou de meios diversos.

Como ele diz, "O homem excêntrico em gênio é aquele que procura formar para si um círculo, lutando contra a força de atração central das cadeias e correntes estabelecidas. O seu destino é de ser despedaçado ou ter sucesso".

Segundo Lévi a magia prática é desenvolvida quando ocorre a união de vontades em um círculo de manifestações por atos. Fazer isto, a priori, não é algo fácil, visto que exige certo isolamento inicial para que a "identidade" do mago seja criada.



● 2. COMO CRIAR UMA CADEIA MÁGICA?

Existem 3 maneiras: Pelo Sinal, pela Palavra ou pelo Contato.

SINAL: Criando e fortificando um símbolo que irá representar uma força e isso movimente as massas. Estes símbolos funcionam por que a imaginação criadora não reside apenas dentro do homem, mas também fora dele, e a partir de projeções fluídicas, ao vislumbrarmos um sinal e atribuirmos significância a este, também estamos produzindo sincronismo, pois é uma maneira de movimentar a luz astral.
Exemplos: Cruz cristã, amuletos apotropaicos, medalhas etc.

PALAVRA: Criando eloquência linguística. Sempre temos um professor favorito na universidade ou escola, pois parecem que eles tem o dom da fala. A palavra é uma maneira de criar cadeias e influências. A palavra move as massas.

CONTATO: Aqui entram os processos gestuais, assim como selos gestuais (ex. aperto de mão, sorriso, confirmação com a cabeça, o toque, imitações, contato com os instrumentos mágicos - baquetas, metais, espada, incenso etc). Como afirma o antropólogo André Leroi Gourhan, “o peso do corpo é sentido pelos músculos, combinando-se com o equilíbrio espacial para manter o homem preso ao seu universo concreto e constituir, por antítese, um universo imaginário em que o peso e o equilíbrio são abolidos”. É preciso determinar a vontade por palavras e realizar as palavras por atos. Os atos e gestos tornam-se, portanto, sinais enviados ao diáfano.


● 3. OS NOMES.

No vídeo falamos de que os nomes são ferramentas de ensino e separação da substância (frase dita por Sócrates no diálogo Crátilo). Dissemos também que "Tudo que tem nome existe", mas também é evidente de que as coisas que não tem nome igualmente existem, porém elas só não estão classificadas no sentido dialético. Um exemplo disto é que, caso alguém encontre um animal diferente, jamais visto por ninguém, mesmo que este não tenha um nome ou classificação, ele possui existência.

Alguns filósofos defendem a tese de que há um nome regencial oculto para todas as coisas, apenas não nos demos o trabalho de procurá-lo. Eu particularmente me posiciono no centro deste discurso entre convencionalismo x naturalismo. O próprio Sócrates afirma (em Teeteto) de que: “As percepções que possuem nomes são muito numerosas, enquanto as que não os possuem são inumeráveis”.

O problema da linguagem em Platão ganha uma perspectiva pessimista, pois seria muito difícil para nós tentarmos investigar os primeiros nomes, já que o mundo globaliza e translitera a linguagem, jamais iríamos encontrar as palavras originárias, pois estas já estão perdidas.

Segundo a Cabalá, as palavras são como "pedras da criação", geradas por Adonai para criar o mundo. As coisas que vemos na nossa realidade são forças massivas criadas a partir de átomos que se originam da substância visível ou invisível. As palavras, em um sentido estrutural, geram a linguagem, que por sua vez, vive em conjuntos de letras e nomes. Ao pronunciarmos certos nomes, estamos também vibrando forças e, portanto, criando cadeias.

Quando Lévi trabalha essa ideia de que "tudo que tem nome existe", ele se refere a uma existência dialogal, e isso no platonismo é bastante relevante, pois cada um de nós se desenvolve nos graus de conhecimento que consiste no processo dialético de quatro partes: Crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual. Os dois primeiros representam a aparência das coisas, os outros dois representam a verdade a ser contemplada.

Platão, sendo um inatista, acreditava de que os conhecimentos já estavam instalados na alma encarnada na geração. Desse modo, os nomes são importantes para a alma em ascendência, que precisa capturar a essencialidade de algo a partir da análise de seu signo linguístico, aderindo a ótica dessecativa, rumo à anterioridade causal da coisa, isto é, sua regência, e desse modo encontrar a potência ideal por trás de seu corpo sensível temporal.


● 4. O DIABO EXISTE?


Existe enquanto figura semeada no caudal imaginário da vida humana. Ele é a "fealdade", as "trevas". Existe enquanto sombra alimentada pelas massas e como representação do mau. Existe como um sinal metafísico problemático.

Na linguagem dos lendários e dos profetas, o diabo é "um anjo caído do céu por ter querido usurpar a divindade".

Na linguagem dos filósofos, o diabo é "uma ideia humana da falsa divindade".

O diabo, portanto, é um colosso imaginário que representa a massa sombria da Terra. É um ser artificial. Sua pele vermelha foi criada a partir do medo emanado pelos povos. Vemos tal criatura mitológica, “diabo”, como um símbolo, isto é, uma figura que detém o seu próprio mistério cósmico. O diabo é a face do mal dos homens, a ignorância, aquele que "condensa o nosso pior lado". Quanto mais tememos o diabo, mais o alimentamos, e assim, alimentamos o medo, pois todo símbolo é também um veículo de forças emocionais, que compacta uma determinada quantidade de energia, logo, quando acionado pelas pessoas, o símbolo libera o poder de sua imagem.

Lévi nos diz que "Aquele que afirma o diabo, cria ou faz o diabo".

Criamos um monstro, mas não devemos temer o diabo, devemos compreende-lo como símbolo da humanidade. Universalmente, o diabo não está ligado a uma esfera hierárquica, ele não possui título algum, é apenas mais um monstro criado por nós, que consequentemente, deverá ser destruído a partir da compreensão. Quando este dia chegar, iremos entregar uma função ao diabo, e este se tornará um aliado evolutivo, ao invés de uma pedra terrível no meio do caminho. O diabo é um dos filhos da humanidade, um filho trancafiado, uma imagem, (eikon), porém este, deverá ser dissolvido nas águas do próprio mundo. Aquilo que hoje nos aprisiona, deverá se tornar a chave de nossa libertação.


Deixo aqui um espaço para sugestões, críticas e comentários. Abraço a todos.
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11 months ago (edited) | [YT] | 291

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SOBRE O ÚLTIMO VÍDEO POSTADO (Alquimia: Demônios Planetários, o Sangue, o Pó e a Obra do Homem): https://www.youtube.com/watch?v=VJEVS...


Desejo a todos um excelente final de semana. Houve muitas informações em nosso último vídeo. Grande parte do material apresentado é oriundo da tradição alquímica, coletado por via de relatos dos antigos químicos em seus tratados e de filósofos interessados na arte. Fizemos também análises de emblemas e conceitos do esoterismo clássico. Seguem abaixo algumas breves anotações de pontos mais importantes do vídeo:




1. SOBRE A OBRA ALQUÍMICA NÃO SER NADA ALÉM DE VAPOR E ÁGUA.

A obra possui inicialmente uma natureza celestial, seguindo o princípio de criação divina a partir de Deus.

Tudo começa pelo emprego da palavra divina. A palavra gera a perfeita geometria sob a natureza. Essa geometria é o resultado daquilo que chamamos de "virtude do verbo" (Deus tira a natureza do nada pela virtude de seu verbo - O grande tratado de alquimia). Antes de falarmos sobre o aspecto celestial (fundamental na filosofia), é preciso investigar a questão da obra em si. O que é a obra alquímica?

Como dizia Basilio Valentine, a obra alquímica é como "extrair das entranhas da natureza o que Deus havia escondido em profundos recantos", essa é a maneira pelo qual o alquimista revela as "maravilhosas obras divinas".


P: Por que a obra não é nada além de vapor e água?
R: Por que a alquimia nos fala de que, no início, através do eterno verbo divino, nasceram vapores que se transformaram em águas cristalinas, mas o espírito foi inserido em cada coisa, mesmo nas mais pequenas e invisíveis, logo, o espírito (que vemos sob o nome de NITRO) aquece todas as coisas, progride a matéria e perturba as águas, gerando caos e revelações.




2. SOBRE OS "DEMÔNIOS PLANETÁRIOS":


Esta é uma expressão antiga. Segundo Basilio Valentine, "Nós, mortais, pela morte que adiamos por nossos pecados, somos colocados na Terra, até que apodreçamos pelo tempo e sejamos reduzidos a imundices (restos), e depois, pelo Fogo e Calor Celestiais elevados, clarificados e exaltados a uma Sublimação Celestial, onde todas as nossas fezes, todos os pecados, todas as impurezas, serão separadas na vida eterna"


O chamado "demônio planetário" é um aspecto inferior de uma divindade. Este é um pensamento arcaico. Já que as divindades estão ligadas à astros, que estão ligados aos metais terrestres, então os fluxos de seus aspectos são derramados nos homens.

Podemos ver nos mitos, por exemplo, coisas inferiores ou superiores que existem em nós.

Os demônios eram vistos na idade média como criadores de doenças, aportadores, geradores de guerras e destruições. Eles poderiam ser presos em certos símbolos por magos experientes.

Jâmblico dizia a Porfírio que quando se cometem erros nas preparações divinatórias, aparecem espíritos inferiores com a intenção de serem superiores. Modernamente vemos em podcasts muitas farsas nas ditas "incorporações mediúnicas". Pela tradição alquímica, o emprego do termo surge como algo mais introspectivo.

Os ditos "demônios planetários" são dificuldades humanas que recebem as projeções de seres de baixo nível ontológico. Podemos, sob uma boa percepção, acompanhar todos os aspectos superiores e inferiores dos 7 astros clássicos projetados em nós. Não existe nada no mundo, nem no homem, que não seja uma representação/projeção dos 7 astros clássicos.




3. SOBRE AS ÁGUAS BESTIAIS OU "UMIDADE INFERIOR".


Na alquimia entende-se de que as coisas terrestres vivem no mundo sub-lunar (abaixo da lua). Uma coisa está sempre conectada a outras.


As águas inferiores capturam os espíritos fleumáticos, isto é, espíritos ligados as memórias da terra (na espagiria vegetal é o álcool cheio de flegma que não sobe ao céu). Estes espíritos vivem sob impressões terrenas, dramas da vida material, dificuldades do organismo e identificações com a massa. Neste caso, as impressões contidas nos corpos lunares destes espíritos são muito fortes. Por conta dessas dificuldades, estes espíritos ficam mais nas coisas do mundo material.



Como dizia Sócrates, no diálogo Fedro, sobre a alma:

“Quando é perfeita e alada, paira nos céus e governa o universo e, quando perde as asas, precipita-se no espaço, tombando em qualquer corpo sólido, onde se estabelece e se reveste com a forma de um corpo terrestre, o qual começa a mover-se, por causa da força que a alma que está nele lhe transmite”.

Blavatsky afirma em sua doutrina secreta, de que para o iniciado entrar na senda, precisa antes destruir o seu corpo lunar. O que isso quer dizer exatamente?



De acordo com a tradição da alquimia (tratados, livros, manuscritos operativos, emblemas e arte das pranchas..) o trabalho da alma é entrar no mundo e retornar ao céu. Essa circulação faria com que as coisas do céu conhecessem as coisas da terra. Desse modo, as coisas divinas do mundo iriam despertar seus poderes e conseguiriam se retirar de suas prisões. As coisas densas/fixas iriam se volatilizar/subir por meio do calor promovido pelo espírito (fogo frio). A umidade inferior são os influxos que aprisionam as almas, e não lhes permitem subir ao céu (fazer a "anabase").



Resumindo o processo: O espírito desce até o mundo denso, descobre seus poderes antigos, desperta a matéria adormecida, salva outros espíritos, depois retorna ao seu carro (estrela mãe).




4. SOBRE OS 3 PRINCÍPIOS.


A alquimia estuda o mundo invisível afim de revelar o que sustenta, substancialmente, todos os tipos de vida.

Um instrumento musical de corda, por exemplo, é feito a partir da madeira extraída das arvores, assim como os mastros de um navio os são igualmente. Um suco de cenoura fresco é feito através do próprio vegetal extraído da terra. Uma roupa comum, provavelmente pode ser feita de algodão, extraído dos arbustos de algodoeiros cultivados em algum terreno. A roupa vem do algodão, e este, considerado um fruto, nasce, abrindo-se após as fibras surgirem em volta da semente.



Um Luthier sabe que para se criar um instrumento, ele precisará tratar a madeira que será o corpo deste, pois, a qualidade em que o som se propaga irá variar, a depender da densidade ou leveza da madeira, e de como fora extraída. As madeiras vêm das árvores, e estas foram plantadas e sustentadas por suas sementes, assim como as cenouras e algodoeiros. Então, a entidade máxima, que guarda em si todos os segredos cósmicos, é a própria semente universal.




Ao destrinchar os componentes de algum elemento, tudo se precipita na semente das coisas criadas, ou seja, a parte oculta da coisa em si é a mesma parte que mantém a própria coisa viva.


Encontrar as propriedades inseridas em uma semente é o mesmo que revelar o universo, pois assim se encontra o substrato, a prima mater, a fonte de tudo e todas as formas de vida. Analisando este tema, vemos de que as sementes das plantas possuem funções importantes como garantir a proteção do embrião e a proliferação de novos seres.




A semente é dividida em três partes: A casca, que é a parte externa. A endosperma, que é o tecido nutritivo que guarda amido. E o embrião, a parte principal, que guarda em si o gérmen, que também seria a “possibilidade de vir a ser”, a futura árvore que já está lá, só ainda não aconteceu. Aqui vemos a semente trina, que contém em si o espírito, a alma e o corpo. Associando, neste exemplo básico, a casca como o corpo, o endosperma como a alma e o embrião como o espírito. Assim também é o homem, e todas as coisas...



Gostou deste assunto? Deseja se aprofundar? Pegue o nosso curso de alquimia (que está pela METADE do VALOR até o dia 01 de Janeiro de 2025)



www.portalespiritualidade.com



Texto: Cláudio Barros

Bons estudos!

1 year ago (edited) | [YT] | 125